Alimentos e Bebidas

Edulcorantes: Indústria do diet engorda as vendas

Renata Pachione
24 de setembro de 2003
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    Química e Derivados: Diet: Gutierrez - sinergia favorece o uso do acessulfame-K.

    Gutierrez – sinergia favorece o uso do acessulfame-K.

    Na avaliação do engenheiro de alimentos da Divisão AminoScience da Ajinomoto Fábio Saraiva, as indústrias lucram muito com essa associação. De acordo com ele, economias feitas ao substituir formulações 100% açúcar por misturas açúcar/edulcorante podem ser redirecionadas para outras finalidades, como a seleção de aromas mais nobres ou investimentos em outras áreas. No Brasil, a legislação prevê a substituição parcial do açúcar por edulcorantes para alimentos em geral, exceto bebidas na forma líquida. Segundo pesquisas mundiais da Ajinomoto, testes mostram a incapacidade de o consumidor reconhecer as bebidas adoçadas com açúcar entre as misturas de sacarose e aspartame.

    “Um momento marcante pra nós, na área de aspartame, se deu quando se permitiu a associação de açúcar e edulcorantes, em 1998”, observou Yamamoto. Na opinião dele, há um benefício em termos de sabor e de custo, neste último caso, com a redução de gastos com a embalagem, armazenagem, transporte, por conta da redução dos volumes. Saraiva completou: “Trata-se de um outro segmento para o edulcorante, pois não se utiliza o apelo de diet ou light, mas sim de redução de custos. Bacigaluppo também investe na tendência.
    “As categorias que mais têm crescido são as de calorias médias, ou seja, de redução parcial do açúcar”, disse. Na sua opinião, esse novo segmento reflete o fato de, hoje, os produtos à base de edulcorantes serem destinados à população em geral e não a um segmento restrito, como na sua origem.

    Com base no conceito de atingir todas as categorias de público, a Lowçucar destaca o edulcorante natural esteviosídeo, extraído das folhas de stevia, planta nativa da fronteira do Brasil com o Paraguai. O carro-chefe da marca, o adoçante Stevia Plus surgiu a partir de pesquisas da empresa sobre as carências do mercado de edulcorantes. Estas concluíram a necessidade dos consumidores quanto à quesitos, como o prazer ao consumi-lo, a saúde, a menor ingestão de edulcorantes e a maior porcentagem de componentes 100% naturais, além do custo. Por conta dessa análise, a empresa apresentou ao mercado o adoçante dietético Stevia Plus, o qual 97% de seus ingredientes são 100% naturais.

    De acordo com dados da Lowçucar, os japoneses são pioneiros nos trabalhos envolvendo a stevia e com eles os produtos oriundos. O steviosídeo, embora seja um edulcorante natural, também possui Índice de Ingestão Diária Aceitável (IDA) de 5,5mg/kg peso corpóreo significando que, assim como os edulcorantes artificiais, obedece limites para seu consumo. Por isso, a Lowçucar aposta na combinação de edulcorantes, como resultados de melhores produtos e com a menor ingestão dos ingredientes por dose. A stevia trata-se de uma mistura de glicosídeos terpênicos. Descoberta em 1905, tem boa estabilidade em altas ou baixas temperaturas. Pode ser consumida sem nenhuma contra-indicação.

    Química e Derivados: Diet: Saraiva - mistura com açucar reduz custos

    Saraiva – mistura com açucar reduz custos.

    Agentes de corpo – Além de dependerem uns dos outros, os edulcorantes de alta intensidade também precisam dos agentes de corpo, também edulcorantes, porém de baixo dulçor, para conferir o equilíbrio de textura e palatabilidade nas formulações sem açúcar. Essa categoria de ingredientes se constitui dos polióis, uma classe específica de carboidratos, classificados como edulcorantes naturais. São obtidos pela hidrogenação do açúcar.

    Fabricante de sorbitol, manitol e xarope de maltitol, a Getec, de São Gonçalo-RJ, atua desde 1967 na conversão de açúcares nesses polióis. Apesar de serem sintetizados pela indústria, estes são considerados naturais, por serem encontrados na natureza, o que para a gerente de vendas da Getec Renata Lima, exclui preocupações inerentes a edulcorantes de alta intensidade, como a relação com câncer ou doenças degenerativas. Único fabricante no Brasil desses polióis, a Getec não divulga capacidade produtiva, mas segmenta o mercado em higiene oral, como detentora de 60% do volume consumido, sobretudo, pela indústria de creme dental; e em alimentício e em farmacêutico, com 20% do total, cada um.

    A Danisco Cultor, uma dos líderes mundiais no segmento de ingredientes alimentícios, destaca entre os agentes de corpo disponíveis no mercado, o Xylitol. Trata-se de um substituto eficaz do açúcar, com salutar benefício à higiene bucal. Em geral, os agentes de corpo não são cariogênicos, mas neste quesito, o Xylitol se sobressai. Estudos compararam gomas de mascar, com Xylitol e com sorbitol, tradicional poliol. As crianças do grupo de Xylitol mostraram redução do risco de cáries de 70% em relação ao grupo controle, “sem goma”, e quase 50% menor que o grupo do sorbitol. Segundo informações da Danisco, o sabor doce e agradável do Xylitol estimula a salivação, incrementando o pH da placa e neutralizando os ácidos produzidos por outros carboidratos fermentáveis. Combinações desse agente de corpo com flúor proporcionam também efeitos sinérgicos no combate às cáries.

    Obtido pela hidrogenação da xilose, o Xylitol é muito utilizado na produção de goma de mascar. O ingrediente apresenta uma sensação refrescante na saliva, aumentada quando associado ao aroma de menta. É considerado um dos melhores preventivos contra cáries. A OMS não estabeleceu um limite para a IDA.



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