Alimentos e Bebidas

Edulcorantes: Indústria do diet engorda as vendas

Renata Pachione
24 de setembro de 2003
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    Química e Derivados: Diet: Manczyk - mistura de edulcorantes avança.

    Manczyk – mistura de edulcorantes avança.

    Um mais um igual a três – À parte de qualquer tipo de concorrência no setor, os fabricantes do acessulfame-k apostam no poder sinérgico do ingrediente e por conta disso, reforçam a necessidade e/ou tendência de blends entre os edulcorantes. Quando o químico Karl Clauss descobriu o acessulfame-k, em 1967, talvez não imaginasse que, após 36 anos, o ingrediente, patenteado pela Nutrinova, como Sunett, chegaria a ser usado em 4 mil produtos e funcionaria hoje como um coringa do setor. Aprovado em mais de 100 países, o ingrediente possui dulçor 200 vezes maior que o da sacarose.

    O Sunett pode ser incorporado a, praticamente, qualquer tipo de formulação, seja no segmento de bebidas ou de alimentos. Estudos também comprovam a segurança do acessulfame-k, cujo uso é permitido por órgãos internacionais e autoridades da área, como FDA, Joint Expert Committee on Food Additives (JECFA) e Scientific Committee on Food Additives (SCF). Em junho de 1998, a FDA expandiu a aprovação do ingrediente para as bebidas não-alcoólicas.

    Considerado um edulcorante de alta intensidade, é apropriado para diabéticos e conta, segundo seu fabricante, com excelente estabilidade a diferentes temperaturas e ampla extensão de valores de pH. Não é cariogênico e apresenta boa solubilidade. De acordo com o gerente geral da Nutrinova Clovis Manczyk, as principais aplicações do Sunett voltam-se para o setor de bebidas (refrigerante, chá, suco, refresco em pó) e iogurtes. Com fábrica na Alemanha, a Nutrinova, antiga divisão da Hoechst, conta com a distribuição do Sunett no Brasil pela Clariant.

    Por causa da capacidade de sinergia do acessulfame-k com outros edulcorantes, a Nutrinova, cuja capacidade produtiva é de 4 mil toneladas ao ano, implantou o conceito Multi-Sweetener, ou seja, de mistura de edulcorantes. Partindo da idéia da inexistência de um único ingrediente capaz de conferir à formulação o sabor do açúcar, a empresa investe no equilíbrio das matérias-primas, por meio de combinações e, sobretudo, no poder sinérgico do Sunett. “O acessulfame-k é de impacto, pois realça o sabor doce”, afirmou Manczyk. De acordo com ele, as blends auxiliam a indústria a conseguir melhorias nas formulações, nos quesitos estabilidade, tratamento térmico e redução de custos. “A combinação é uma solução para a indústria”, comentou, referindo-se ao fato de resolver a deficiência de sabor dos edulcorantes frente à sacarose.

    Química e Derivados: Diet: doce04. Os fabricantes de edulcorantes, de forma geral, concordam com a tendência anunciada das blends. Eles dizem que a mistura é saudável, porque além do ganho de sabor, possibilita menor ingestão de edulcorantes por dose. Na opinião de Daniella, a soma: um mais um igual a três é uma grande vantagem competitiva para as empresas, pois potencializa as características de cada edulcorante. “Há também uma economia significativa, por causa da pequena quantidade do ingrediente na formulação”, disse. Ela citou as blends com aspartame. Segundo explicou, este reduz o amargo da sacarina e o gosto metálico do acessulfame-k. Antes mesmo de ter seu consumo autorizado no País, o neotame também tem parcerias possíveis. De acordo com Daniella, há a expectativa de associar o ingrediente à tradicional sacarina e ao acessulfame-k. Também pensa-se na combinação com o próprio aspartame, porém o inconveniente, para ela, seria a restrição de uso pelos portadores da fenilcetonúria.

    Química e Derivados: Diet: Yamamoto - sabor dos blends é superior.

    Yamamoto – sabor dos blends é superior.

    A Ajinomoto também aposta no aspartame como um agente compensador das limitações de sabor de outros edulcorantes de alta intensidade, podendo também realçar o perfil dos aromas na formulação. “O mercado está partindo para o uso combinado de edulcorantes”, ressaltou o supervisor técnico da Divisão AminoScience da Ajinomoto Cláudio Yamamoto. Segundo informações da empresa, as formulações de refrigerante sabor cola isentas de açúcar disponíveis no mercado, se não adoçadas 100% com aspartame, usam de 350 mg/l a 582 mg/l de aspartame e de 40 mg/l a 120 mg/l de acessulfame-k. “Todo edulcorante precisa de um ajuste, em termos de sabor”, explicou Yamamoto. Os fabricantes do aspartame e os do acessulfame-k não têm dúvidas quanto ao sinergismo entre os ingredientes e confiam na soberania da parceira.

    De acordo com o gerente técnico da M. Cassab Ricardo Gutierrez, a ação sinérgica do acessulfame-k é seu principal benefício. Por conta dessa característica, o ingrediente lidera as vendas entre os edulcorantes da empresa. “Em quilos, o volume de sacarina é superior, mas em estabilidade de vendas, o acessulfame-k supera”, afirmou Gutierrez. Na opinião de Bacigaluppo, “as blends são uma realidade”. Ele defende seu negócio ao afirmar que a sucralose pode ser associada a qualquer outro edulcorante, sobretudo, por conta do seu alto dulçor. “A Splenda é apropriada para combinações com edulcorantes nutritivos ou de alta intensidade e com o açúcar”, comentou.

    Redução parcial – Seguindo a mesma idéia de manter associações nas formulações dos produtos light/diet, a indústria também se beneficia de outra parceria: a dos edulcorantes com a própria sacarose. A Ajinomoto ingressou no segmento de chás em pó com o MID Tea, à base de chá preto, vitamina C e polpa de fruta. Composto de açúcar e adoçante, MID Tea é o primeiro chá em pó híbrido do mercado. Por isso, tem menos calorias que os adoçados apenas com açúcar e, segundo a empresa, tem melhor sabor, se comparado aos chás dietéticos, pois não deixa gosto residual de adoçante. Outro destaque da marca é o Mid Sugar, um adoçante de mesa, não-dietético, resultado da combinação do açúcar e do aspartame – o edulcorante compõe apenas 0,5% do adoçante, mas reduz pela metade as calorias.



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