Alimentos e Bebidas

Edulcorantes: Indústria do diet engorda as vendas

Renata Pachione
24 de setembro de 2003
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    Sem revelar números, Daniella admitiu que a empresa prevê um incremento no faturamento, além dos ganhos institucionais. De acordo com ela, empresas líderes no mercado norte-americano, como a Coca-Cola já contam com esse edulcorante em suas formulações. “neotame tem sido muito bem visto pelo segmento de refrigerantes”, informou. E completou: “Esse lançamento será um novo marco no mercado de edulcorantes, assim como foi o aspartame”, concluiu. A importância da aceitação das indústrias de refrigerante está ligada ao volume por estas consumido em todo o mercado de edulcorantes. De acordo com dados da Nutrasweet, o setor de bebidas (incluindo refrigerantes, refrescos em pó, sucos, chás e afins) dá conta de 60% do total, adoçantes de mesa ficam com a fatia de 20% e outros 20% referem-se às demais aplicações.

    Química e Derivados: Diet: doce02. Evolução – O princípio dos edulcorantes é o mesmo: conferir sabor doce em substituição ao açúcar. No entanto, cada um deles se sustenta no mercado a partir de uma característica específica. Foram vários os séculos de hegemonia mundial da sacarose, obtida da cana-de-açúcar ou da beterraba. Com a introdução dos edulcorantes derivados, sobretudo do amido de milho, a história mudou. E ainda mais com a descoberta da sacarina sódica em 1878. Depois dessa primeira geração de edulcorantes, sendo encabeçada ainda pelo ciclamato de sódio, o mercado não foi mais o mesmo. A partir daí, essa indústria só cresceu, levando consigo o desenvolvimento do setor de diet/light, com edulcorantes de alta intensidade e agentes de corpo.

    A sacarina (300 vezes mais doce do que a sacarose), em parceria com o ciclamato (com poder adoçante de 30 vezes o da sacarose), foram revolucionários. Apesar do estigma de possuir residual amargo até hoje apresentam índices representativos. No ano passado, o segmento de sacarina/ciclamato movimentou 51,3 milhões de unidades e R$ 96,7 milhões, o que corresponde, em volume, a 71% do mercado de adoçantes de mesa, de acordo com dados da ACNielsen. As vantagens da sacarina fundamentam-se no preço, cerca de 20 vezes menor que o da sacarose. De acordo com estudo da Sociedade Brasileira de Ciência e Tecnologia de Alimentos (SBCTA), no Brasil os adoçantes de mesa, em geral, utilizam a proporção de duas partes de ciclamato para uma de sacarina. Segundo a análise revela, o ciclamato reduz o gosto amargo residual da sacarina nas formulações, contribuindo para o êxito da parceria.

    No entanto, foi em função de uma descoberta acidental do químico pesquisador James Schlatter, em 1965, que o amargo dos edulcorantes se dissolveu. Com o intuito de sintetizar um tetrapeptídeo para o tratamento de úlcera gástrica, ele descobriu um pó branco de intenso gosto doce, no caso, o composto N-L-a-aspartil-L-fenilalanina-1-metil éster, ou seja, o aspartame. Trata-se do primeiro edulcorante a mais se aproximar do sabor do açúcar, acabando com a hegemonia sacarina/ciclamato. A partir de sua entrada no mercado, em 1981, registra-se um importante marco da indústria, de acordo com a opinião unânime dos fabricantes de edulcorantes.Para Daniella, o crescimento do mercado diet/light coincide com o lançamento do aspartame. “O ingrediente revolucionou no sentido de trazer sabor agradável aos edulcorantes”, comentou.

    A Nutrasweet, ex-Monsanto, desde maio de 2000 pertence ao grupo de investimentos J.W. Childs Associates. Neste ano, adquiriu nova planta de aspartame, tornando-se detentora de 65% da capacidade instalada do ingrediente no mundo. Agora são duas fábricas, localizadas nos Estados Unidos, Geórgia, e outra na Coréia do Sul, em Seul. A Ajinomoto também é responsável pelo abastecimento do aspartame. No Brasil, a divisão AminoScience, tradicional fabricante de aminoácidos, como a lisina e o glutamato monossódico, é responsável pelo edulcorante da marca. Presente em 23 países, a empresa conta com 22 subsidiárias e afiliadas, incluindo 106 fábricas em 15 países.

    Química e Derivados: Diet: Bucione - regras claras apóiam desenvolvimento do setor.

    Bucione – regras claras apóiam desenvolvimento do setor.

    Composto sintético de dois aminoácidos, o ingrediente é tecnicamente considerado calórico. Porém, graças à doçura 200 vezes superior à do açúcar, o seu valor energético se torna desprezível, devido às pequenas quantidades do edulcorante nas formulações. Aprovado pelos órgãos médicos e alimentícios mais respeitados no mundo, como o FDA, JEFCA (Japão), The Scientific Committee for Food of the European Communities, The American Diabetes Association e outros regulamentadores, em mais de 120 países, o ingrediente compõe-se por: fenilalanina (50%), ácido aspártico (40%) e metanol (10%). Estes componentes são unidades funcionais das proteínas, estando presente em vários alimentos da dieta tradicional, contribuindo para a segurança do aspartame.

    No entanto, apesar do currículo, os fabricantes desse edulcorante ainda são desafiados a provar que este não é cancerígeno ou pode desencadear processos cerebrais degenerativos. Para comprovar sua segurança, investigações científicas e estudos datados de quase duas décadas foram feitos e refeitos, isentando o aspartame de qualquer suspeita. A restrição de consumo do ingrediente refere-se aos portadores de fenilcetonúria, pois estes devem limitar a ingestão de fenilalanina. Durante os anos 70, a inocuidade da sacarina também foi questionada por suspeitas de provocar câncer. Após diversas verificações por organismos internacionais competentes, nada comprovou-se pela FDA.

    O aspartame, de acordo com dados da Nutrasweet, é usado em mais de 5 mil produtos, sendo consumido por cerca de 250 milhões de pessoas. Os adoçantes à base de aspartame, responderam por cerca de 15,7 milhões de unidades e R$ 64,5 milhões, representando em volume, 23% do total, segundo a ACNielsen. Vale ressaltar que o Brasil é o segundo maior mercado de adoçante de mesa, em nível mundial, de acordo com Daniella.



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