Edulcorantes: Indústria do diet engorda as vendas

Interessados em manter a saúde e a beleza, consumidores compram mais produtos dos tipos diet / light, e ampliam o mercado dos edulcorantes

Ilustração Química e Derivados edulcorantes, indústria diet engorda vendas
O mercado diet/light a cada ano mostra-se mais robusto. Cheio de vigor, apresenta índices de crescimento da ordem de no mínimo 10% ao ano, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos Dietéticos (Abiad). E não é para menos. Os produtos trazem embutido a entrega de um corpo bonito e, sobretudo, saudável, indo ao encontro da atual necessidade da sociedade, guiada por parâmetros de beleza à Gisele Bündchen. Se no passado, essa indústria sofria o estigma de vender o amargo a um público doente (leiam-se diabéticos e hipertensos), hoje a história é outra. Ter no rótulo a inscrição diet ou light agrega o conceito de saúde.

Chang - mercado local cresce todos os anos.
Chang – mercado local cresce todos os anos.

A venda desses produtos avança sem restrição, conquistando números crescentes de pessoas interessadas em comer o mais doce do açúcar, sem o ônus de engordar um grama por isso. Cada vez maior, esse mercado registra faturamento de US$ 2,5 bilhões, segundo levantamento da ACNielsen. Para fazer um comparativo, em 1998, essa indústria movimentou US$ 1 bilhão. Com base nesse histórico, a Abiad prevê para 2005 a cifra de US$ 7 bilhões. Na opinião do gerente de marketing da Vepê Edson Chang, embora representem algo entre 3% e 5% dos alimentos vendidos no Brasil, os produtos light e diet estão associados a números promissores; a média de lançamentos da categoria é de 180 produtos por ano. No mundo há 7 mil títulos, distribuídos em 750 categorias.

Justificar esse incremento é tarefa fácil. Basta considerar os hábitos da população. Ávidos por qualidade de vida e por um corpo de formas perfeitas, os consumidores buscam praticidade e uma alimentação balanceada. Também responsável pelo potencial desse mercado estão os diabéticos e os obesos. Levantamento da Newsweek, de agosto último, revela a existência de 300 milhões de obesos, no mundo, dos quais 80% são diabéticos (176 milhões). No caso específico do Brasil, o estudo indicou que 19% da população está acima do peso, representando um público potencial para dietas com restrição ao açúcar.

O radical dimetilbutil bloqueia a ação da fenilalanina
O radical dimetilbutil bloqueia a ação da fenilalanina

Novidades

Resistente às crises internacionais, às mudanças de governo e à instabilidade cambial, o setor se aperfeiçoa com a urgência de um mercado dinâmico, faminto por novidades e tecnologias diferenciadas. A Nutrasweet Company, líder mundial em market-share e volume de aspartame, ilustra essa realidade, com a apresentação do neotame, novo edulcorante da marca.

Considerado também um acentuador de sabor, este é versátil e notável, pois oferece ao fabricante de produtos diet/light a flexibilidade de desenvolver formulações das mais diversas, entre alimentos e bebidas. Foram mais de 20 anos de pesquisa para chegar a este ingrediente, cuja doçura equivale a 8 mil vezes a da sacarose. “Trata-se de uma revolução no mercado”, afirmou a gerente de vendas da Nutrasweet Daniella Conrado.

O anúncio da introdução do neotame no mercado norte-americano, este considerado referência para o setor, se deu em julho de 2002, pela Food and Drug Administration/USA (FDA), garantindo assim sua segurança para o consumo. Até o momento o ingrediente já foi aprovado em 19 países, incluindo Austrália, China, Nova Zelândia, Rússia, Irã, México e Indonésia. Produzido pela Nutrasweet, o neotame, segundo previsão do fabricante, deve entrar no mercado brasileiro no primeiro trimestre de 2004 – aguardam-se o aval do Ministério da Agricultura e o da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). “Até o momento este foi o edulcorante mais rapidamente aprovado”, comentou Daniella. Conforme explicou, o neotame é um sucesso nos países nos quais sua utilização é permitida. Por isso, a Nutrasweet criou, inclusive, uma divisão exclusiva e focada no negócio neotame, agregando-a à tradicional divisão aspartame. “Essa novidade prova que a Nutrasweet continua investindo em tecnologia, o que além de benefícios internos, alavanca os negócios do setor como um todo”, disse Daniella.

Daniella - neotame não libera fenilalanina.
Daniella – neotame não libera fenilalanina.

Obtido a partir de modificação da molécula do aspartame, o neotame, cuja fórmula é N-[N-(3,3-dimetilbutil)-L-a-aspartil]- L-fenilalanina -1- éster metílico, apresenta como uma das principais vantagens o fato de estar imune a qualquer restrição de uso, ao contrário do aspartame que é contra-indicado para portadores de fenilcetonúria. (A fenilcetonúria trata-se de um distúrbio hereditáio detectado nos recém-nascidos, com o teste de Guthrie, conhecido como o exame do pezinho. Os portadores desta doença não possuem a quantidade suficiente da enzima necessária para decompor o aminoácido fenilalanina. Por isso a fenilalanina pode acumular-se no sangue e no líquido cerebral, causando problemas à saúde, inclusive retardamento mental. As pessoas com fenilcetonúria devem limitar a injestão desse aminoácido de todas as fontes alimentares.)

O neotame é recomendado para pessoas de todas as idades, inclusive diabéticos e mulheres grávidas em época de amamentação. “O neotame não libera fenilalanina. Por isso a Nutrasweet atingirá um novo público, limitado pelo aspartame”, observou Daniella. Por conta da presença do dimetilbutil na molécula do neotame, ocorre uma reacomodação das ligações, tornando estas mais fortes, impedindo assim a liberação do aminoácido fenilalanina. Outro benefício é o baixo custo. Em função de seu alto dulçor, recomenda-se uma baixa dose nas formulações, o que reduz, entre outros gastos, os de embalagem, armazenamento e produção.

Sem revelar números, Daniella admitiu que a empresa prevê um incremento no faturamento, além dos ganhos institucionais. De acordo com ela, empresas líderes no mercado norte-americano, como a Coca-Cola já contam com esse edulcorante em suas formulações. “neotame tem sido muito bem visto pelo segmento de refrigerantes”, informou. E completou: “Esse lançamento será um novo marco no mercado de edulcorantes, assim como foi o aspartame”, concluiu. A importância da aceitação das indústrias de refrigerante está ligada ao volume por estas consumido em todo o mercado de edulcorantes. De acordo com dados da Nutrasweet, o setor de bebidas (incluindo refrigerantes, refrescos em pó, sucos, chás e afins) dá conta de 60% do total, adoçantes de mesa ficam com a fatia de 20% e outros 20% referem-se às demais aplicações.

Ingestão diária aceitável de acordo com a JECFA
Ingestão diária aceitável de acordo com a JECFA

Evolução

O princípio dos edulcorantes é o mesmo: conferir sabor doce em substituição ao açúcar. No entanto, cada um deles se sustenta no mercado a partir de uma característica específica. Foram vários os séculos de hegemonia mundial da sacarose, obtida da cana-de-açúcar ou da beterraba. Com a introdução dos edulcorantes derivados, sobretudo do amido de milho, a história mudou. E ainda mais com a descoberta da sacarina sódica em 1878. Depois dessa primeira geração de edulcorantes, sendo encabeçada ainda pelo ciclamato de sódio, o mercado não foi mais o mesmo. A partir daí, essa indústria só cresceu, levando consigo o desenvolvimento do setor de diet/light, com edulcorantes de alta intensidade e agentes de corpo.

A sacarina (300 vezes mais doce do que a sacarose), em parceria com o ciclamato (com poder adoçante de 30 vezes o da sacarose), foram revolucionários. Apesar do estigma de possuir residual amargo até hoje apresentam índices representativos. No ano passado, o segmento de sacarina/ciclamato movimentou 51,3 milhões de unidades e R$ 96,7 milhões, o que corresponde, em volume, a 71% do mercado de adoçantes de mesa, de acordo com dados da ACNielsen. As vantagens da sacarina fundamentam-se no preço, cerca de 20 vezes menor que o da sacarose. De acordo com estudo da Sociedade Brasileira de Ciência e Tecnologia de Alimentos (SBCTA), no Brasil os adoçantes de mesa, em geral, utilizam a proporção de duas partes de ciclamato para uma de sacarina. Segundo a análise revela, o ciclamato reduz o gosto amargo residual da sacarina nas formulações, contribuindo para o êxito da parceria.

No entanto, foi em função de uma descoberta acidental do químico pesquisador James Schlatter, em 1965, que o amargo dos edulcorantes se dissolveu. Com o intuito de sintetizar um tetrapeptídeo para o tratamento de úlcera gástrica, ele descobriu um pó branco de intenso gosto doce, no caso, o composto N-L-a-aspartil-L-fenilalanina-1-metil éster, ou seja, o aspartame. Trata-se do primeiro edulcorante a mais se aproximar do sabor do açúcar, acabando com a hegemonia sacarina/ciclamato. A partir de sua entrada no mercado, em 1981, registra-se um importante marco da indústria, de acordo com a opinião unânime dos fabricantes de edulcorantes.Para Daniella, o crescimento do mercado diet/light coincide com o lançamento do aspartame. “O ingrediente revolucionou no sentido de trazer sabor agradável aos edulcorantes”, comentou.

A Nutrasweet, ex-Monsanto, desde maio de 2000 pertence ao grupo de investimentos J.W. Childs Associates. Neste ano, adquiriu nova planta de aspartame, tornando-se detentora de 65% da capacidade instalada do ingrediente no mundo. Agora são duas fábricas, localizadas nos Estados Unidos, Geórgia, e outra na Coréia do Sul, em Seul. A Ajinomoto também é responsável pelo abastecimento do aspartame. No Brasil, a divisão AminoScience, tradicional fabricante de aminoácidos, como a lisina e o glutamato monossódico, é responsável pelo edulcorante da marca. Presente em 23 países, a empresa conta com 22 subsidiárias e afiliadas, incluindo 106 fábricas em 15 países.

Bucione - regras claras apóiam desenvolvimento do setor.
Bucione – regras claras apóiam desenvolvimento do setor.

Composto sintético de dois aminoácidos, o ingrediente é tecnicamente considerado calórico. Porém, graças à doçura 200 vezes superior à do açúcar, o seu valor energético se torna desprezível, devido às pequenas quantidades do edulcorante nas formulações. Aprovado pelos órgãos médicos e alimentícios mais respeitados no mundo, como o FDA, JEFCA (Japão), The Scientific Committee for Food of the European Communities, The American Diabetes Association e outros regulamentadores, em mais de 120 países, o ingrediente compõe-se por: fenilalanina (50%), ácido aspártico (40%) e metanol (10%). Estes componentes são unidades funcionais das proteínas, estando presente em vários alimentos da dieta tradicional, contribuindo para a segurança do aspartame.

No entanto, apesar do currículo, os fabricantes desse edulcorante ainda são desafiados a provar que este não é cancerígeno ou pode desencadear processos cerebrais degenerativos. Para comprovar sua segurança, investigações científicas e estudos datados de quase duas décadas foram feitos e refeitos, isentando o aspartame de qualquer suspeita. A restrição de consumo do ingrediente refere-se aos portadores de fenilcetonúria, pois estes devem limitar a ingestão de fenilalanina. Durante os anos 70, a inocuidade da sacarina também foi questionada por suspeitas de provocar câncer. Após diversas verificações por organismos internacionais competentes, nada comprovou-se pela FDA.

O aspartame, de acordo com dados da Nutrasweet, é usado em mais de 5 mil produtos, sendo consumido por cerca de 250 milhões de pessoas. Os adoçantes à base de aspartame, responderam por cerca de 15,7 milhões de unidades e R$ 64,5 milhões, representando em volume, 23% do total, segundo a ACNielsen. Vale ressaltar que o Brasil é o segundo maior mercado de adoçante de mesa, em nível mundial, de acordo com Daniella.

Além da entrada do aspartame no setor diet/light, segundo o gerente de Produto Sweeteners América do Sul, da Danisco Cultor Ary Bucione, outro fato determinante para a indústria ocorreu em janeiro de 1998, quando o Ministério da Saúde, através de sua então Secretaria de Vigilância Sanitária, publicou mais de uma dezena de portarias, com a definição dos Alimentos para Fins Especiais – Alifins. De acordo com a determinação, os alimentos diet especificados pela Portaria 29/98 são aqueles que foram destituídos de pelo menos um de seus ingredientes constantes da composição original.

Assim, o diet pode ser um alimento sem açúcar, mas pode também ser, de forma alternativa ou concomitante, sem gordura, sal ou proteína. Os alimentos light da Portaria 27/98 são aqueles, em cujas formulações há uma redução de 25% em algum de seus atributos característicos. Conforme explicou Bucione, light não é um alimento isento de um de seus componentes, como alguns consumidores acham. “Com base nesta classificação cria-se a possibilidade de se ter um alimento light em relação ao seu valor calórico, desde que possua 25% menos calorias, no mínimo”, afirmou. Para Bucione, a partir dessa clareza na legislação, houve mais investimentos da indústria. “As empresas se sentiram mais motivadas a lançar novos produtos, por conta de uma regra sustentável”, confirmou. Ele informou que na época esse mercado avançava a taxas anuais de cerca de 25%.

Perfis de sabor do açucar e de Splenda
Perfis de sabor do açucar e de Splenda
Bacigaluppo - sucralose mantém gosto de açucar.
Bacigaluppo – sucralose mantém gosto de açucar.

De geração em geração

Hoje consolidado, o mercado de edulcorantes, na avaliação de Daniella, divide-se da seguinte forma: a sacarina representa 60% do volume total; aspartame fica com 24%; ciclamato, 10%; acessulfame-k, 5%; sucralose 0,5%; e 0,5% stevia. De responsabilidade da Danisco Cultor, existe o Alitame, edulcorante de alta intensidade, cujo poder adoçante se sobressai em relação a qualquer outro, chega a ter doçura 2 mil vezes maior do que a sacarose. Suas principais características ficam por conta de sua estabilidade a altas temperaturas e da versatilidade, pois pode ser incorporado a diversas formulações, sobretudo, em produtos derivados de panificação. Conforme explicou Bucione, o Alitame possui o mesmo princípio ativo do aspar+tame, é formado por ácido aspártico com d-alanina, porém não contém fenilalanina.

De acordo com informações da Danisco, o Alitame é sinérgico em relação ao acessulfame-k, ciclamato e o aspartame. Aprovado para o uso em países como México, Colômbia, Indonésia, Austrália e Nova Zelândia, o edulcorante figura no Codex Alimentarius General Standard for Food Additives (GSFA). Para o Brasil não há previsão de aprovação. De acordo com Bucione, a comercialização em âmbito nacional não é prioridade, para a Danisco. “Por enquanto, não pensamos na venda do Alitame no País, nossa pretensão é em termos mundiais”, afirmou.

Já o representante líder da segunda geração de edulcorantes, o aspartame há pouco tempo ganhou um novo concorrente direto. Trata-se da Splenda, nome registrado da sucralose. Esta tem sido a menina dos olhos do momento, anunciada por seu fabricante como representante da terceira geração de edulcorantes. Fundamentado pela sua versatilidade, o ingrediente está presente em mais de 3 mil produtos no mundo, sendo comercializado pela Splenda Inc, uma aliança entre McNeil Nutritionals e Tate&Lyle, com planta nos Estados Unidos, no Estado do Alabama. No Brasil, chegou em 1999, por meio da representação da Tovani Benzaquen. Hoje está na formulação de mais de 500 produtos brasileiros. A sucralose, na avaliação de seu fabricante, representa uma nova era na indústria, sendo tão importante quanto um dia foi a entrada no mercado da sacarina/ciclamato e do aspartame.

Benzaquen - sucralose derivou da sacarose.
Benzaquen – sucralose derivou da sacarose.

Na opinião do diretor de negócios da América Latina da McNeil Nutritionals Mauricio Bacigaluppo, a Splenda tem apresentado taxas de crescimento de 40% ao ano. “Esse edulcorante é voltado para toda a família e ideal para as mais diversas aplicações”, justificou Bacigaluppo. Uma das características marcantes da sucralose é o sabor agradável. Por conta dessa particularidade, dois terços dos atuais consumidores da Splenda migraram do açúcar, ou seja, o ingrediente tem se sustentado a partir de sua similaridade à sacarose, conforme explicou o diretor-presidente da Tovani Benzaquen, Moses Benzaquen. A fabricação da sucralose se baseia na substituição de três grupos de hidroxilas da molécula de sacarose, daí a semelhança entre os dois ingredientes.

Apesar de ter sua origem ligada ao açúcar, de forma direta, a Splenda não é calórica, pois não é quebrada ou metabolizada em energia. Além disso, pode ser ingerida por diabéticos e não é reconhecida pelo organismo como um carboidrato. Outro ponto forte da marca é seu alto dulçor.

Com poder adoçante 600 vezes maior do que a sacarose, este se mantém em altas temperaturas e por longos períodos de armazenamento, mesmo com a incorporação de ingredientes a produtos com baixo nível de pH.

Órgãos reguladores aprovaram o uso da sucralose, em mais de 50 países, começando pelo Canadá, em 1991. A FDA permite a utilização da Splenda como um adoçante de uso geral em alimentos e bebidas convencionais, produtos farmacêuticos, suplementos vitamínicos e dietas médicas. O United States Department of Agriculture (USDA) também autoriza a sucralose em produtos derivados da carne e de aves. Na avaliação de Bacigaluppo, a principal vantagem da Splenda se concentra no fato de não possuir qualquer tipo de restrição ao uso, abrindo dessa forma um mercado, sem limites de crescimento, para esse ingrediente.

Manczyk - mistura de edulcorantes avança.
Manczyk – mistura de edulcorantes avança.

Um mais um igual a três: Acessulfame-K

À parte de qualquer tipo de concorrência no setor, os fabricantes do acessulfame-k apostam no poder sinérgico do ingrediente e por conta disso, reforçam a necessidade e/ou tendência de blends entre os edulcorantes. Quando o químico Karl Clauss descobriu o acessulfame-k, em 1967, talvez não imaginasse que, após 36 anos, o ingrediente, patenteado pela Nutrinova, como Sunett, chegaria a ser usado em 4 mil produtos e funcionaria hoje como um coringa do setor. Aprovado em mais de 100 países, o ingrediente possui dulçor 200 vezes maior que o da sacarose.

O Sunett pode ser incorporado a, praticamente, qualquer tipo de formulação, seja no segmento de bebidas ou de alimentos. Estudos também comprovam a segurança do acessulfame-k, cujo uso é permitido por órgãos internacionais e autoridades da área, como FDA, Joint Expert Committee on Food Additives (JECFA) e Scientific Committee on Food Additives (SCF). Em junho de 1998, a FDA expandiu a aprovação do ingrediente para as bebidas não-alcoólicas.

Considerado um edulcorante de alta intensidade, é apropriado para diabéticos e conta, segundo seu fabricante, com excelente estabilidade a diferentes temperaturas e ampla extensão de valores de pH. Não é cariogênico e apresenta boa solubilidade. De acordo com o gerente geral da Nutrinova Clovis Manczyk, as principais aplicações do Sunett voltam-se para o setor de bebidas (refrigerante, chá, suco, refresco em pó) e iogurtes. Com fábrica na Alemanha, a Nutrinova, antiga divisão da Hoechst, conta com a distribuição do Sunett no Brasil pela Clariant.

Por causa da capacidade de sinergia do acessulfame-k com outros edulcorantes, a Nutrinova, cuja capacidade produtiva é de 4 mil toneladas ao ano, implantou o conceito Multi-Sweetener, ou seja, de mistura de edulcorantes. Partindo da idéia da inexistência de um único ingrediente capaz de conferir à formulação o sabor do açúcar, a empresa investe no equilíbrio das matérias-primas, por meio de combinações e, sobretudo, no poder sinérgico do Sunett. “O acessulfame-k é de impacto, pois realça o sabor doce”, afirmou Manczyk. De acordo com ele, as blends auxiliam a indústria a conseguir melhorias nas formulações, nos quesitos estabilidade, tratamento térmico e redução de custos. “A combinação é uma solução para a indústria”, comentou, referindo-se ao fato de resolver a deficiência de sabor dos edulcorantes frente à sacarose.

Edulcorantes: Máximo de sinergia com o Acessulfame K.
Máximo de sinergia com o Acessulfame K.

Os fabricantes de edulcorantes, de forma geral, concordam com a tendência anunciada das blends. Eles dizem que a mistura é saudável, porque além do ganho de sabor, possibilita menor ingestão de edulcorantes por dose. Na opinião de Daniella, a soma: um mais um igual a três é uma grande vantagem competitiva para as empresas, pois potencializa as características de cada edulcorante. “Há também uma economia significativa, por causa da pequena quantidade do ingrediente na formulação”, disse. Ela citou as blends com aspartame. Segundo explicou, este reduz o amargo da sacarina e o gosto metálico do acessulfame-k. Antes mesmo de ter seu consumo autorizado no País, o neotame também tem parcerias possíveis. De acordo com Daniella, há a expectativa de associar o ingrediente à tradicional sacarina e ao acessulfame-k. Também pensa-se na combinação com o próprio aspartame, porém o inconveniente, para ela, seria a restrição de uso pelos portadores da fenilcetonúria.

Yamamoto - sabor dos blends é superior.
Yamamoto – sabor dos blends é superior.

A Ajinomoto também aposta no aspartame como um agente compensador das limitações de sabor de outros edulcorantes de alta intensidade, podendo também realçar o perfil dos aromas na formulação. “O mercado está partindo para o uso combinado de edulcorantes”, ressaltou o supervisor técnico da Divisão AminoScience da Ajinomoto Cláudio Yamamoto. Segundo informações da empresa, as formulações de refrigerante sabor cola isentas de açúcar disponíveis no mercado, se não adoçadas 100% com aspartame, usam de 350 mg/l a 582 mg/l de aspartame e de 40 mg/l a 120 mg/l de acessulfame-k. “Todo edulcorante precisa de um ajuste, em termos de sabor”, explicou Yamamoto. Os fabricantes do aspartame e os do acessulfame-k não têm dúvidas quanto ao sinergismo entre os ingredientes e confiam na soberania da parceira.

De acordo com o gerente técnico da M. Cassab Ricardo Gutierrez, a ação sinérgica do acessulfame-k é seu principal benefício. Por conta dessa característica, o ingrediente lidera as vendas entre os edulcorantes da empresa. “Em quilos, o volume de sacarina é superior, mas em estabilidade de vendas, o acessulfame-k supera”, afirmou Gutierrez. Na opinião de Bacigaluppo, “as blends são uma realidade”. Ele defende seu negócio ao afirmar que a sucralose pode ser associada a qualquer outro edulcorante, sobretudo, por conta do seu alto dulçor. “A Splenda é apropriada para combinações com edulcorantes nutritivos ou de alta intensidade e com o açúcar”, comentou.

Redução parcial

Seguindo a mesma idéia de manter associações nas formulações dos produtos light/diet, a indústria também se beneficia de outra parceria: a dos edulcorantes com a própria sacarose. A Ajinomoto ingressou no segmento de chás em pó com o MID Tea, à base de chá preto, vitamina C e polpa de fruta. Composto de açúcar e adoçante, MID Tea é o primeiro chá em pó híbrido do mercado. Por isso, tem menos calorias que os adoçados apenas com açúcar e, segundo a empresa, tem melhor sabor, se comparado aos chás dietéticos, pois não deixa gosto residual de adoçante. Outro destaque da marca é o Mid Sugar, um adoçante de mesa, não-dietético, resultado da combinação do açúcar e do aspartame – o edulcorante compõe apenas 0,5% do adoçante, mas reduz pela metade as calorias.

Gutierrez - sinergia favorece o uso do acessulfame-K.
Gutierrez – sinergia favorece o uso do acessulfame-K.

Na avaliação do engenheiro de alimentos da Divisão AminoScience da Ajinomoto Fábio Saraiva, as indústrias lucram muito com essa associação. De acordo com ele, economias feitas ao substituir formulações 100% açúcar por misturas açúcar/edulcorante podem ser redirecionadas para outras finalidades, como a seleção de aromas mais nobres ou investimentos em outras áreas. No Brasil, a legislação prevê a substituição parcial do açúcar por edulcorantes para alimentos em geral, exceto bebidas na forma líquida. Segundo pesquisas mundiais da Ajinomoto, testes mostram a incapacidade de o consumidor reconhecer as bebidas adoçadas com açúcar entre as misturas de sacarose e aspartame.

“Um momento marcante pra nós, na área de aspartame, se deu quando se permitiu a associação de açúcar e edulcorantes, em 1998”, observou Yamamoto. Na opinião dele, há um benefício em termos de sabor e de custo, neste último caso, com a redução de gastos com a embalagem, armazenagem, transporte, por conta da redução dos volumes. Saraiva completou: “Trata-se de um outro segmento para o edulcorante, pois não se utiliza o apelo de diet ou light, mas sim de redução de custos. Bacigaluppo também investe na tendência.
“As categorias que mais têm crescido são as de calorias médias, ou seja, de redução parcial do açúcar”, disse. Na sua opinião, esse novo segmento reflete o fato de, hoje, os produtos à base de edulcorantes serem destinados à população em geral e não a um segmento restrito, como na sua origem.

Com base no conceito de atingir todas as categorias de público, a Lowçucar destaca o edulcorante natural esteviosídeo, extraído das folhas de stevia, planta nativa da fronteira do Brasil com o Paraguai. O carro-chefe da marca, o adoçante Stevia Plus surgiu a partir de pesquisas da empresa sobre as carências do mercado de edulcorantes. Estas concluíram a necessidade dos consumidores quanto à quesitos, como o prazer ao consumi-lo, a saúde, a menor ingestão de edulcorantes e a maior porcentagem de componentes 100% naturais, além do custo. Por conta dessa análise, a empresa apresentou ao mercado o adoçante dietético Stevia Plus, o qual 97% de seus ingredientes são 100% naturais.

De acordo com dados da Lowçucar, os japoneses são pioneiros nos trabalhos envolvendo a stevia e com eles os produtos oriundos. O steviosídeo, embora seja um edulcorante natural, também possui Índice de Ingestão Diária Aceitável (IDA) de 5,5mg/kg peso corpóreo significando que, assim como os edulcorantes artificiais, obedece limites para seu consumo. Por isso, a Lowçucar aposta na combinação de edulcorantes, como resultados de melhores produtos e com a menor ingestão dos ingredientes por dose. A stevia trata-se de uma mistura de glicosídeos terpênicos. Descoberta em 1905, tem boa estabilidade em altas ou baixas temperaturas. Pode ser consumida sem nenhuma contra-indicação.

Edulcorantes: Saraiva - mistura com açúcar reduz custos
Saraiva – mistura com açúcar reduz custos.

Agentes de corpo

Além de dependerem uns dos outros, os edulcorantes de alta intensidade também precisam dos agentes de corpo, também edulcorantes, porém de baixo dulçor, para conferir o equilíbrio de textura e palatabilidade nas formulações sem açúcar. Essa categoria de ingredientes se constitui dos polióis, uma classe específica de carboidratos, classificados como edulcorantes naturais. São obtidos pela hidrogenação do açúcar.

Fabricante de sorbitol, manitol e xarope de maltitol, a Getec, de São Gonçalo-RJ, atua desde 1967 na conversão de açúcares nesses polióis. Apesar de serem sintetizados pela indústria, estes são considerados naturais, por serem encontrados na natureza, o que para a gerente de vendas da Getec Renata Lima, exclui preocupações inerentes a edulcorantes de alta intensidade, como a relação com câncer ou doenças degenerativas. Único fabricante no Brasil desses polióis, a Getec não divulga capacidade produtiva, mas segmenta o mercado em higiene oral, como detentora de 60% do volume consumido, sobretudo, pela indústria de creme dental; e em alimentício e em farmacêutico, com 20% do total, cada um.

A Danisco Cultor, uma dos líderes mundiais no segmento de ingredientes alimentícios, destaca entre os agentes de corpo disponíveis no mercado, o Xylitol. Trata-se de um substituto eficaz do açúcar, com salutar benefício à higiene bucal. Em geral, os agentes de corpo não são cariogênicos, mas neste quesito, o Xylitol se sobressai. Estudos compararam gomas de mascar, com Xylitol e com sorbitol, tradicional poliol. As crianças do grupo de Xylitol mostraram redução do risco de cáries de 70% em relação ao grupo controle, “sem goma”, e quase 50% menor que o grupo do sorbitol. Segundo informações da Danisco, o sabor doce e agradável do Xylitol estimula a salivação, incrementando o pH da placa e neutralizando os ácidos produzidos por outros carboidratos fermentáveis. Combinações desse agente de corpo com flúor proporcionam também efeitos sinérgicos no combate às cáries.

Obtido pela hidrogenação da xilose, o Xylitol é muito utilizado na produção de goma de mascar. O ingrediente apresenta uma sensação refrescante na saliva, aumentada quando associado ao aroma de menta. É considerado um dos melhores preventivos contra cáries. A OMS não estabeleceu um limite para a IDA.

O tradicional agente de corpo sorbitol, por sua vez, é um poliol utilizado como condicionador de umidade e substituto do açúcar em alimentos light. Também não provoca cáries, sendo recomendado na fabricação de balas e confeitos. O ingrediente possui 60% do dulçor da sacarose. Na verdade, a principal função do sorbitol é ser veículo. Ou seja, permite o ganho no corpo e ajuda a difundir o aroma e amaciar o produto. O sorbitol (D-glucitol) é um poliidroxiálcool derivado da dextrose por redução. Produzido a partir da frutose, o manitol, trata-se de um poliol, com 50% do dulçor do açúcar, bastante usado em formulações de gomas de mascar e gelatinas.

Além do Xylitol, outro carro-chefe da Danisco é o litesse, agente de corpo, que substitui o corpo do açúcar, com baixa contribuição calórica. Para se ter uma idéia, um grama de açúcar corresponde a quatro calorias, enquanto um grama de litesse, equivale a uma caloria. “Há uma redução calórica de 75%”, comentou Bucione. Trata-se de um carboidrato com qualidade premium, de acordo com a Danisco, é um polímero da dextrose, com alta viscosidade e solubilidade.

Adoçante de mesa

Uma pesquisa de vendas no varejo, realizada pela ACNielsen no bimestre novembro/dezembro de 2002, registra que a categoria de adoçantes movimentou 71,7 milhões de unidades e R$ 176,9 milhões. A líder de vendas do segmento é a marca Finn, produzida e comercializada pelo laboratório farmacêutico Boehringer Ingelheim.

aSegundo a ACNielsen, em levantamento realizado nos meses de março e abril de 2002, a marca é detentora de 60% do mercado. De acordo com o fabricante, o Finn tem posicionamento de marca líder e desta forma oferece ao consumidor opções relacionadas à diversidade de substâncias – aspartame e sacarina – e também à variedade de apresentações. A marca Finn está no mercado desde 1986, sendo adquirida pela Boehringer Ingelheim em 1988. Segundo a ACNielsen, o produto movimentou 10,8 milhões de unidades em 2002 e R$ 44,3 milhões.

Ainda com base nas informações ACNielsen, o produto apresentou crescimento de 2,7% em unidades e 5% em valor no ano de 2002, em relação ao ano anterior. A expectativa para 2003 é manter o mesmo nível de crescimento de 2002. O último lançamento da marca foi em 2000 – Finn Cristal. Em 2003, Finn relançou toda a linha de embalagens.

Presente no mercado de alimentos especiais há 30 anos, a Vepê, tradicional empresa fabricante de diets e lights do Brasil, é pioneira no desenvolvimento de diversos produtos na categoria de alimentos dietéticos. Fundada em 1973, a empresa é resultado da associação da Hermes Sweeteners da Suíça, o maior fabricante de produtos dietéticos da Europa, e do grupo Brasfanta, de forte presença no mercado brasileiro de alimentos e de bebidas. Preocupada com o aperfeiçoamento do mercado, a Vepê conta com produtos compostos de diferentes edulcorantes; possui marcas com ciclamato, sacarina, aspartame, acessulfame-k e stevia, com os títulos Doce Menor, Assugrin, Gold, Tal e Qual, Stévia Doce Menor e Frutose Vepê.

De acordo com Chang, a indústria avança no sentido de lançar cada vez mais alimentos diets e lights com sabor e qualidade. Neste ano, a novidade da marca ficou por conta da apresentação do primeiro adoçante para crianças. Trata-se da linha Doce Menor Turma da Mônica. De acordo com pesquisas da empresa, existem 4 milhões de crianças obesas e 1 milhão de diabéticas. “Estas crianças geralmente consumiam produtos desenvolvidos e com a linguagem das embalagens direcionadas para adultos”, comentou Chang. A linha Doce Menor Turma da Mônica é feita com ciclamato e sacarina. Há também a adição de sorbitol, para deixar o adoçante um pouco mais doce. A Vepê tem expectativa de crescer 10% em relação ao ano anterior. Em 2002, o faturamento foi de R$ 30 milhões. Se depender do potencial do mercado diet/light, todo o setor deve avançar não só em 2003, mas também nos anos seguintes.

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