Alimentos e Bebidas

Edulcorantes: Indústria do diet engorda as vendas

Renata Pachione
24 de setembro de 2003
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    Interessados em manter a saúde e a beleza, consumidores compram mais produtos dos tipos diet/light, e ampliam o mercado dos edulcorantes

    Química e Derivados: Diet: edulcorantes_abre.O mercado diet/light a cada ano mostra-se mais robusto. Cheio de vigor, apresenta índices de crescimento da ordem de no mínimo 10% ao ano, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos Dietéticos (Abiad). E não é para menos. Os produtos trazem embutido a entrega de um corpo bonito e, sobretudo, saudável, indo ao encontro da atual necessidade da sociedade, guiada por parâmetros de beleza à Gisele Bündchen. Se no passado, essa indústria sofria o estigma de vender o amargo a um público doente (leiam-se diabéticos e hipertensos), hoje a história é outra. Ter no rótulo a inscrição diet ou light agrega o conceito de saúde.

    Química e Derivados: Diet: Chang - mercado local cresce todos os anos.

    Chang – mercado local cresce todos os anos.

    A venda desses produtos avança sem restrição, conquistando números crescentes de pessoas interessadas em comer o mais doce do açúcar, sem o ônus de engordar um grama por isso. Cada vez maior, esse mercado registra faturamento de US$ 2,5 bilhões, segundo levantamento da ACNielsen. Para fazer um comparativo, em 1998, essa indústria movimentou US$ 1 bilhão. Com base nesse histórico, a Abiad prevê para 2005 a cifra de US$ 7 bilhões. Na opinião do gerente de marketing da Vepê Edson Chang, embora representem algo entre 3% e 5% dos alimentos vendidos no Brasil, os produtos light e diet estão associados a números promissores; a média de lançamentos da categoria é de 180 produtos por ano. No mundo há 7 mil títulos, distribuídos em 750 categorias.

    Justificar esse incremento é tarefa fácil. Basta considerar os hábitos da população. Ávidos por qualidade de vida e por um corpo de formas perfeitas, os consumidores buscam praticidade e uma alimentação balanceada. Também responsável pelo potencial desse mercado estão os diabéticos e os obesos. Levantamento da Newsweek, de agosto último, revela a existência de 300 milhões de obesos, no mundo, dos quais 80% são diabéticos (176 milhões). No caso específico do Brasil, o estudo indicou que 19% da população está acima do peso, representando um público potencial para dietas com restrição ao açúcar.

    Química e Derivados: Diet: doce01.Novidades – Resistente às crises internacionais, às mudanças de governo e à instabilidade cambial, o setor se aperfeiçoa com a urgência de um mercado dinâmico, faminto por novidades e tecnologias diferenciadas. A Nutrasweet Company, líder mundial em market-share e volume de aspartame, ilustra essa realidade, com a apresentação do neotame, novo edulcorante da marca.

    Considerado também um acentuador de sabor, este é versátil e notável, pois oferece ao fabricante de produtos diet/light a flexibilidade de desenvolver formulações das mais diversas, entre alimentos e bebidas. Foram mais de 20 anos de pesquisa para chegar a este ingrediente, cuja doçura equivale a 8 mil vezes a da sacarose. “Trata-se de uma revolução no mercado”, afirmou a gerente de vendas da Nutrasweet Daniella Conrado.

    O anúncio da introdução do neotame no mercado norte-americano, este considerado referência para o setor, se deu em julho de 2002, pela Food and Drug Administration/USA (FDA), garantindo assim sua segurança para o consumo. Até o momento o ingrediente já foi aprovado em 19 países, incluindo Austrália, China, Nova Zelândia, Rússia, Irã, México e Indonésia. Produzido pela Nutrasweet, o neotame, segundo previsão do fabricante, deve entrar no mercado brasileiro no primeiro trimestre de 2004 – aguardam-se o aval do Ministério da Agricultura e o da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). “Até o momento este foi o edulcorante mais rapidamente aprovado”, comentou Daniella. Conforme explicou, o neotame é um sucesso nos países nos quais sua utilização é permitida. Por isso, a Nutrasweet criou, inclusive, uma divisão exclusiva e focada no negócio neotame, agregando-a à tradicional divisão aspartame. “Essa novidade prova que a Nutrasweet continua investindo em tecnologia, o que além de benefícios internos, alavanca os negócios do setor como um todo”, disse Daniella.

    Química e Derivados: Diet: Daniella - neotame não libera fenilalanina.

    Daniella – neotame não libera fenilalanina.

    Obtido a partir de modificação da molécula do aspartame, o neotame, cuja fórmula é N-[N-(3,3-dimetilbutil)-L-a-aspartil]- L-fenilalanina -1- éster metílico, apresenta como uma das principais vantagens o fato de estar imune a qualquer restrição de uso, ao contrário do aspartame que é contra-indicado para portadores de fenilcetonúria. (A fenilcetonúria trata-se de um distúrbio hereditáio detectado nos recém-nascidos, com o teste de Guthrie, conhecido como o exame do pezinho. Os portadores desta doença não possuem a quantidade suficiente da enzima necessária para decompor o aminoácido fenilalanina. Por isso a fenilalanina pode acumular-se no sangue e no líquido cerebral, causando problemas à saúde, inclusive retardamento mental. As pessoas com fenilcetonúria devem limitar a injestão desse aminoácido de todas as fontes alimentares.)

    O neotame é recomendado para pessoas de todas as idades, inclusive diabéticos e mulheres grávidas em época de amamentação. “O neotame não libera fenilalanina. Por isso a Nutrasweet atingirá um novo público, limitado pelo aspartame”, observou Daniella. Por conta da presença do dimetilbutil na molécula do neotame, ocorre uma reacomodação das ligações, tornando estas mais fortes, impedindo assim a liberação do aminoácido fenilalanina. Outro benefício é o baixo custo. Em função de seu alto dulçor, recomenda-se uma baixa dose nas formulações, o que reduz, entre outros gastos, os de embalagem, armazenamento e produção.


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