Cosméticos, Perfumaria e Higiene Pessoal

Indústria de higiene e beleza promete recuperar as vendas perdidas

Hamilton Almeida
16 de março de 2019
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    Para a Abihpec, “o desafio para atender a este compromisso voluntario é grande, tendo em vista a complexidade em identificar outros ingredientes que sejam comprovadamente seguros e eficazes para o uso dos consumidores. Novas formulações (e ingredientes) necessitam ser avaliadas e testadas, bem como submetidas às exigências legais que normatizam este segmento”.

    Na edição anterior do Caderno, afirmou-se que “a biodiversidade pode vir a redesenhar a indústria de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos”. De fato, isso vem ocorrendo. O conceito de ingredientes de beleza de origem natural está se expandindo e as marcas buscam promover a sustentabilidade por meio da incorporação de abordagens locais e de desenvolvimentos em biotecnologia.

    Com as exigências crescentes dos clientes e as mudanças climáticas em todo o mundo, a demanda por ingredientes naturais e sustentáveis vem se adaptando ao novo cenário. As recentes fusões e aquisições no mercado de ingredientes ativos confirmam a importância das matérias-primas de origem natural, vegetal e orgânica. Temas como sustentabilidade e meio ambiente ainda continuarão em pauta por muito tempo.

    Com a intensificação do conceito de praticidade e o encolhimento das famílias, há uma busca pelos itens compactos. Produtos de HPPC em menor tamanho e volume registram maior procura. Embalagens de perfumes em frascos menores, maquiagens em pequenos bastões e desodorantes compactados estão entrando nas listas de compras.

    Com o envelhecimento da população, a parcela agora chamada de adulto+ (“terceira idade” e “melhor idade” já não são termos bem aceitos, de modo geral) ganha relevância. Acredita-se que há muito espaço para lançamentos de produtos para esse público, como linhas de skincare específicas para as faixas etárias de 60+ e 70+, linhas para cabelo com foco em redensificação dos fios e hidratantes corporais com maior potência.

    Para enfrentar o estresse do mundo moderno, produtos que promovem a sensação de bem-estar, auxiliando a recuperação da pele e do cabelo, minimizando os efeitos do envelhecimento prematuro, bem como produtos para uso diurno que protejam das agressões externas (sol e poluição) estão sendo mais requisitados.

    Em função disso, ganham espaço produtos com fator de proteção solar não apenas nos indicados para exposição ao sol, mas de uso diário também, como hidratantes e até maquiagem. Ingredientes com apelo para relaxar passaram também a ingressar nos xampus, hidratantes corporais e sabonetes. Conceitos como sustentabilidade, personalização, valor social, tecnologia e transparência são agora decisivos na hora da escolha de um produto.

    Como os efeitos danosos da poluição constituem uma das maiores preocupações da clientela, duas frentes de atuação se abriram para as empresas: ofertar sabonetes, loções e géis de limpeza mais eficientes no combate às micropartículas; e, de outro modo, criar hidratantes e tratamentos que impeçam a sua adesão. Agregar antioxidantes às formulações ganhou importância. Mas, o ácido hialurônico, os probióticos e os prebióticos são ativos em ascensão.

    Impactos – Os principais movimentos globais, que impactarão o mercado nos próximos anos, são os seguintes: personalização, experiência, fluidez de gênero, micro influencers e beleza com foco em ingredientes de origem natural. A Mintel acredita que cosméticos customizados têm sido uma das tendências mais fortes.

    Os consumidores têm buscado produtos únicos, desenvolvidos para as suas necessidades: à medida que continuam a expressar a sua individualidade, eles estão sendo atraídos por novas marcas independentes, as indie brands, que oferecem perspectivas e benefícios exclusivos que algumas das grandes marcas ainda não atendem.

    “O melhor anunciante do mundo é o consumidor. Se a experiência dele com a marca ou o produto for boa, ele vira fã. E aí, ele não apenas compra o produto como também fala e recomenda”, assinala Luiz Arruda, diretor geral da Avantgarde São Paulo. Como a diversidade virou uma palavra de ordem, o negócio de beleza genderless apresenta várias possibilidades, entre elas os cosméticos unissex. A importância dos blogueiros, ou influenciadores, também é relevante.

    A busca por produtos com ingredientes naturais se amplia a cada ano. Conforme pesquisa do Laboratório de Química da Universidade Estadual Paulista (Unesp), a evolução está entre 8% e 25% ao ano em todo o mundo.

    O comércio mundial de produtos de beleza orgânicos deverá aumentar de US$ 14,8 bilhões em 2017 para US$ 28,7 bilhões em 2024, registrando uma taxa anual de 9,9%, durante o período de previsão, nos cálculos da companhia Energias Market Research.

    A expansão é atribuída à paulatina demanda por cosméticos orgânicos com múltiplos benefícios e aos efeitos nocivos de produtos químicos, que poderiam levar a várias doenças, como câncer e alergias de pele. Além disso, as crescentes atividades de P&D, com a elevação do gasto per capita com produtos de saúde e higiene, estimulam o seu progresso.

    A indústria de HPPC é a que mais investe em comunicação no país (fica atrás, porém, do comércio e serviços) e ocupa o segundo lugar em investimentos em inovação.

    Química e Derivados, Indústria de higiene e beleza promete recuperar as vendas perdidas desde a crise de 2015



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