Indústria – Basf comemora cem anos no Brasil

Como explicou, os planos se apoiam em três grandes frentes de negócios. A primeira delas é o fortalecimento da atuação no agronegócio. “Temos uma parceria com a Embrapa para a criação de uma variedade de soja transgênica, com previsão de ingressar no mercado brasileiro em 2012”, afirmou. Essa forma de atuação revela novos conceitos de agricultura sustentável, com a aplicação mais comedida e eficaz de defensivos químicos. A companhia conta com uma ferramenta de avaliação sócio-ambiental, denominada C-Balance, para acompanhar os resultados dessas iniciativas.

A segunda frente de negócios está ligada à construção civil. “A Suvinil, que já é líder em tintas, vai impulsionar também os negócios em construção, reforçados com a linha de produtos da Ciba, empresa que foi adquirida mundialmente pela Basf”, informou Gislaine. A Suvinil está cuidando no Brasil do projeto Casa-E, uma rede de casas ecoeficientes espalhadas pelo mundo. Todos os produtos Basf que possam apoiar iniciativas de construção sustentável serão incluídos no projeto.

“Não estamos esperando grandes saltos tecnológicos no campo dos produtos químicos para os próximos anos, mas a Basf pretende alcançar avanços contínuos e graduais, acompanhando as necessidades do mercado”, disse a diretora de comunicação corporativa. O amplo portfólio da companhia permite oferecer soluções mais amigáveis ao meio ambiente, principalmente usando fontes naturais renováveis. “A nova fábrica de metilato de sódio que estamos construindo em Guaratinguetá para catalisar a produção de biodiesel na região conta com essa diretriz”, aduziu. Ela fez questão de salientar que o enfoque da Basf em sustentabilidade contempla toda a cadeia produtiva e não apenas o produto em si. A unidade de metilato no Vale do Paraíba deve entrar em produção ainda este ano. Além dela, a Basf vai construir uma planta similar para 60 mil t/ano em Rosário, na Argentina. Os investimentos são coerentes com a estimativa da companhia de que aproximadamente 20% da demanda global de biodiesel em 2015 (estimada hoje em 30 milhões de t) seja produzida na América do Sul.

A terceira frente de negócios consiste em buscar oportunidades químicas que possam ser desenvolvidas dentro dos princípios da companhia. “Nos próximos cem anos, o setor químico deverá se reposicionar para atender às novas megatendências de mercado, incluindo novos combustíveis e iniciativas da química renovável”, ressaltou.

No campo das novas oportunidades deve se incluir o potencial de crescimento advindo da aquisição de companhias globais como a Ciba, a Engelhardt e a mais recente, da Cognis. “A Ciba nos abre caminhos novos na construção civil, a Engelhardt nos catalisadores automotivos e a Cognis representa a entrada da Basf nos oleoquímicos de origem vegetal, todos esses campos são absolutamente complementares ao portfólio da Basf”, comentou. Os produtos e o conhecimento dessas companhias ainda precisam ser totalmente integrados à estrutura da Basf para permitir a conquista de sinergias, gerando novas aplicações.

A integração dos negócios da Cognis aos da Basf no Brasil deve ser completada até outubro deste ano. O sítio oleoquímico de Jacareí-SP terá suas operações mantidas e está sendo ampliado para abrigar toda a estrutura técnica da área de higiene pessoal e cosméticos (care chemicals) local.

Além disso, a Basf firmou um memorando de entendimento com a Braskem para estudar um possível fornecimento de propeno para alimentar a produção de ácido acrílico no Brasil. A Basf estaria propensa a instalar uma unidade local de produção de ácido acrílico, projeto que havia anunciado há cerca de dez anos e do qual desistiu, alegando excesso de produto no mercado global. “Naquela época, o investimento não era viável, mas agora a companhia está refazendo esses estudos e, se for confirmada a viabilidade, o projeto caminhará adiante”, disse Gislaine.

Com o ácido acrílico, a Basf poderia produzir no país polímeros superabsorventes (para fraldas e produtos higiênicos) e acrilatos diversos. A companhia é a única produtora local de acrilato de butila (50 mil t/ano de capacidade, em Guaratinguetá), principal insumo para a produção de resinas para tintas imobiliárias, porém importa o ácido. Os estudos devem definir a capacidade e a localização da planta. A Braskem possui um excedente de propeno em Camaçari-BA, estimado em 120 mil t/ano, que hoje são exportadas.

Além de garantir a rentabilidade do empreendimento e disputá-lo com outros interessados – a Elekeiroz tenta há anos conseguir suprimento de propeno e viabilizar projeto semelhante no país –, a unidade brasileira precisa vencer uma batalha dentro da própria organização para tocar o projeto. “Um dos nossos maiores desafios é concorrer com a filial chinesa pelos investimentos em novas plantas”, explicou Gislaine.

Embora o Brasil seja visto no exterior como um dos países mais promissores do mundo, ainda há muitos obstáculos para torná-lo mais competitivo. “Temos sérias deficiências em infraestrutura e na formação de pessoal técnico qualificado, aspectos no qual a China está bem servida”, disse a diretora. A unidade brasileira se esforça para suprir parte dessas deficiências, ampliando seu programa de trainees para a área de engenharia e elaborando estratégias de transporte sofisticadas, por exemplo. “Nós somos competitivos até a porta da fábrica, mas daí por diante dependemos de investimentos e políticas estatais”, concluiu.

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