Tintas e Revestimentos

Indústria 4.0: em que pé estamos? Coluna Abrafati

Quimica e Derivados
25 de janeiro de 2020
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    Química e Derivados - Abrafati: Tendências globais de saúde, qualidade e sustentabilidade apontam o futuro do setor

    Química e Derivados - Indústria 4.0: em que pé estamos?

    Um dos temas que mais despertou a atenção na ABRAFATI 2019 foi a transformação digital, abordada na palestra da sessão plenária do segundo dia do evento por Fabiano Sant’Anna, diretor da Área Digital da Basf para América do Sul. De maneira muito completa, consistente e original, ele mostrou como os negócios digitais estão mudando a forma de as organizações usarem e pensarem a tecnologia, que está passando de um instrumento de suporte para algo fundamental para a inovação, o aumento da receita e o crescimento do mercado.

    Com exemplos concretos e numerosos insights instigantes, Fabiano deixou claro que é preciso incorporar o conceito de transformação digital a todos os negócios, trabalhando em colaboração e gerando valor para todos os envolvidos na cadeia. Entre diversos outros dados, ele comentou que em 2018 cerca de 60 milhões de pessoas no Brasil compraram pela web. No caso específico das tintas, mesmo que a venda online hoje seja pouco relevante, a jornada do cliente começa pela pesquisa de informações e preços na internet: por isso, é indispensável estar presente nos canais digitais. Ele alertou que quem está fora do Google, YouTube e Instagram está longe do consumidor.

    Foi uma apresentação que mexeu com o público, que saiu do auditório muito impactado pelo que ouviu e, mais do que isso, com a sensação de que é preciso agir, e rapidamente, para não ser atropelado pelas mudanças abrangentes e contínuas que o mundo vivencia.

    Será que a cadeia de produção e distribuição de tintas está preparada? Essa é a pergunta chave para o nosso futuro. Certamente, há empresas que já dão atenção ao tema, mas, de maneira geral, estamos num estágio inicial nesse processo de transformação digital. É preciso pisar fundo no acelerador, para não ficar para trás. Mesmo porque a transformação não envolve só a presença na internet. Há muito mais a aprender e a fazer.

    A sua empresa e os seus parceiros estão avaliando os desafios e as oportunidades gerados por esse admirável mundo novo? Estão estudando novos modelos de negócios, capazes de dar conta de uma realidade mutante e mutável? Estão se inteirando dos variados recursos e possibilidades proporcionados pelo Big Data? Estão indo atrás de informação sobre como usar a IoT (internet das coisas) nas suas atividades?

    Há uma série de outras questões relacionadas a esses temas e a outros que se conectam a eles, às quais, neste momento, a maioria das empresas do nosso e de outros setores responderia de forma negativa ou, na melhor das hipóteses, com algo como “estamos começando a trabalhar nessa direção”.

    Química e Derivados -

    Antonio Carlos de Oliveira é presidente-executivo da ABRAFATI – Associação Brasileira dos Fabricantes de Tintas

    Uma pesquisa realizada pela Fiesp e pelo Senai em 2018 confirma essa situação, que é preocupante, de despreparo das indústrias para a quarta revolução industrial, conhecida como a Indústria 4.0. Os dados levantados indicam que apenas 5% das empresas brasileiras se sentem muito preparadas para os novos desafios representados por essa revolução. 23%, por outro lado, se consideram nem um pouco preparadas. Acrescentando mais complexidade a esse quadro – em que se mesclam acomodação, desinformação, visão de curto prazo e outros problemas –, os empresários brasileiros têm outros obstáculos a superar: as deficiências na infraestrutura de comunicação, as dificuldades na importação de máquinas e equipamentos, a falta de qualificação técnica dos profissionais (que envolve, além das deficiências já sabidas do ensino no País, a baixa proporção de formados nas carreiras que globalmente são conhecidas como STEM, ou seja Ciências, Tecnologia, Engenharias e Matemática).

    A mesma conclusão foi verbalizada algumas semanas atrás por Morat Sönmez, diretor do Fórum Econômico Mundial, que afirmou ao jornal O Estado de S. Paulo que a quarta revolução industrial não vai esperar reformas acontecerem no Brasil e que o País precisa acelerar sua entrada nessa nova era. De acordo com ele, empresas que não se automatizarem desaparecerão.

    Essas análises confirmam que não há tempo a perder – mesmo porque o relógio parece correr cada vez mais rápido nos últimos anos. Se não entrarmos na onda da transformação digital, logo seremos todos dinossauros!

    Texto: Antonio Carlos de Oliveira*



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