Meio Ambiente (água, ar e solo)

Indicadores do setor químico melhoram na última década

Marcelo Furtado
3 de outubro de 2018
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    Em sua 17ª edição, o Congresso de Atuação Responsável, realizado nos dias 15 e 16 de agosto, em São Paulo, mostrou que o setor químico brasileiro mantém bons indicadores de sustentabilidade, comprovados em todas as áreas cobertas pelo sistema de gestão de saúde, segurança e meio ambiente adotado globalmente pela indústria química desde 1984 e no Brasil, a partir de 1992.

    Nos dados coletados anualmente com os 160 associados da Abiquim, empresas que representam 82% do PIB da indústria química brasileira e obrigatoriamente signatárias do Atuação Responsável, o desempenho é positivo ao se avaliar o período 2006-2017 dos indicadores apresentados durante o congresso. Na comparação de curto prazo, porém, dos últimos anos, a tendência é de estagnação no desempenho, com oscilações pequenas para cima ou para baixo. Em energia, por exemplo, embora entre 2006 e 2017 a queda no consumo específico tenha sido de 16,3%, passando de 416 kWh/t de produto para 348 kWh/t em 2017, em 2016 o dado era até menor, de 332 kWh/t e em 2015, de 335 kWh/t.

    Também em água captada para a produção, houve a mesma situação, ou seja, no período completo a queda foi de 13,6%, passando de 7,41 m³/t de produto para 6,49 m³/t em 2017. Em 2016, porém, a captação foi também menor de 6,14 m³/t e, em 2015, ainda bem menor, de 4,70 m³/t. Em água, inclusive, o desempenho demonstra até uma curva de piora um pouco maior, já que no caso da captação os índices eram bem melhores: em 2009, era de 5,41 m³/t, mantendo-se nesse nível até 2012, quando caiu para 5,15 m³/t até chegar no número de 2015. Mas há também indicador positivo no curto prazo em água, referente ao reúso. Em 2016, a Abiquim estabeleceu uma nova métrica para esse indicador. Nesse ano o reaproveitamento foi de 1,23 m³/t e, em 2017, passou para 1,55 m³/t, um aumento de 26%.

    Na análise da associação, isso se deve ao aumento gradativo da viabilidade técnica e econômica da alternativa. O desempenho diferente no longo e no curto prazo tem explicações, segundo a diretora de assuntos técnicos da Abiquim, Andrea Carla Barreto Cunha. A primeira razão tem a ver com a queda na produtividade do setor, registrada nos últimos anos, quando a ocupação da capacidade instalada caiu drasticamente, chegando a 79% em 2017, um ponto abaixo do patamar de 2016.

    “A indústria química não tem muita margem para reduzir o consumo de energia, de combustíveis e de água quando passa a produzir menos. Não dá para simplesmente desligar as máquinas, daí o consumo específico se manter ou mesmo ter aumentado em alguns indicadores”, diz. Uma outra explicação para a manutenção dos índices nos últimos anos, ainda segundo Andrea, tem a ver em alguns casos, por exemplo no de consumo de energia, com o estágio tecnológico do setor, que já teria atingido o limite de viabilidade econômica. “Para poder ter maiores avanços nessa área, seria preciso investir em novos processos, catalisadores, em biotecnologia e outras inovações”, diz.

    Com o momento econômico desfavorável, principalmente para o setor que acumula déficits em sua balança comercial, essa hipótese se torna muito difícil de ocorrer no médio prazo. Para melhorar os indicadores, a Abiquim tem a estratégia também de ampliar o quadro de associados, segundo Andrea. Isso porque há no país por volta de mil indústrias no setor, a maior parte delas de médio e pequeno porte e que não têm o mesmo suporte e envolvimento das 160 associadas com a questão ambiental, pois são obrigadas a adotar o Atuação Responsável.

    Além de melhorarem os indicadores gerais do setor químico, os novos associados, com nova gestão ambiental, ainda teriam o potencial de evitar acidentes (ambientais, de transportes ou de trabalho) que prejudicam a imagem da indústria como um todo, afetando a reputação dos atuais signatários do Atuação Responsável. Aliás, os indicadores de acidentes do AR são os que registraram as maiores quedas a partir de 2006.

    Em frequência de acidentes com afastamento por milhão de horas de exposição, a queda registrada no período até 2017 foi de 59,7%, caindo de 2,98 para 1,20 por milhão de horas. Na frequência sem afastamento o feito foi ainda maior: redução de 65,4%, de 11,10 para 3,84 por milhão de horas. Em acidentes no transporte rodoviário, de longe o principal modal do setor, a redução de 2006 a 2017 foi de 68,7%, passando de 2,49 por para 0,78 por 10 mil viagens.



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