Incubadoras – Entidades ajudam empresas de alta tecnologia a dar seus primeiros passos

A Nanox conta com duas marcas patenteadas: a da linha de antimicrobianos NanoxClean e a de produtos anticorrosivos NanoxBarrier. O último lançamento da empresa, o antimicrobiano ANR, chegou ao mercado em maio, durante a última edição da Brasilplast, feira do segmento de plásticos realizada em São Paulo. Nesse projeto, a Nanox contou com a parceria da Resimax, especializada na produção de masterbatches, compostos e aditivos.

O ANR é indicado para tornar os plásticos livres de bactérias e fungos durante toda a sua vida útil. Ele pode ser utilizado para eliminar germes e bactérias em embalagens, peças de veículos, geladeiras, eletrodomésticos e em várias outras aplicações. O produto usa princípio ativo natural, segue padrões de proteção ao meio ambiente e é certificado pelo Ministério da Saúde. “Ele pode ser usado em contato com alimentos ou com a pele humana”, ressalta o vice-presidente Araújo. A empresa garante ter condições de fazer entregas na quantidade que os clientes precisarem.

Além do lançamento, a linha NanoxClean conta com outros produtos já no mercado. Um de seus clientes é a IBBL, fabricante de bebedouros e purificadores de água com sede em Itu-SP. Com o uso dos aditivos da empresa, os produtos oferecidos pela empresa ituana contam com reservatórios nos quais se evita em quaisquer circunstâncias a criação de fungos, bactérias e microorganismos.

A multinacional Plascar é outra usuária de produtos NanoxClean. Fabricante de peças plásticas para a indústria automobilística por meio da tecnologia de injeção, a empresa tem utilizado aditivos antimicrobianos como forma de combater os germes dos dutos de ventilação e aparelhos de ar-condicionado instalados em automóveis. A empresa também fornece essa linha de produtos para empresas de eletrodomésticos da linha branca, saúde, têxtil, beleza e tintas, entre outras.

O desenvolvimento da linha Nanox- Barrier, feito com o apoio da Petrobras, tem como objetivo resolver um problema grave, o da formação de coque indesejado nos fornos de coqueamento retardado da companhia. Os estudos se dirigem para o desenvolvimento de um recobrimento interno da serpentina desses fornos para que o tempo de campanha aumente e diminuam as paradas para manutenção. Uma parada desses fornos pode causar perdas diárias para a Petrobras de até US$ 1 milhão.

Nanotecnologia II

Eduardo Figueiredo é um engenheiro naval com vários anos de experiência profissional, exercida em empresas ligadas aos setores de petróleo, telecomunicações e até na indústria de material bélico. Ele se aposentou em 2003, mas se recusou a ficar em casa usando pijamas e chinelos. “Resolvi investir minhas economias em um empreendimento voltado para a alta tecnologia”, revela.

O projeto se iniciou com uma pesquisa realizada em universidades para selecionar o projeto no qual iria investir. A escolha recaiu na exploração comercial de uma patente desenvolvida pela equipe de Fernando Galembeck, professor titular do Instituto de Química da Unicamp (Universidade de Campinas/ USP) e membro da Academia Brasileira de Ciências. A patente é voltada para o desenvolvimento de nanocompósitos formulados com base na adição de argila em partículas nanométricas em polímeros. Dessa forma, alguns meses depois, nasceu a Orbys, instalada no Cietec.

Hoje, no mundo, as argilas são os materiais mais aproveitados como nanocargas. Os polímeros enriquecidos com argila apresentam boas propriedades mecânicas e de resistência térmica e à chama, além de impermeabilidade a gases, umidade e hidrocarbonetos. Também permitem a produção de compostos com entre 5% e 6% de cargas (em peso), contra 30% das cargas convencionais.

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Eduardo Figueiredo alimenta grandes planos para os nanocompósitos

O método estudado pela Orbys se baseia na preparação das monopartículas da argila montmorilonita e de sua incorporação nos polímeros por dissolução em meio aquoso. O método, ainda pouco explorado em todo o mundo, pode ser utilizado para enriquecer borracha natural, borracha nitrílica, borracha de estireno-butadieno, acetato de polivinila, poliestireno, ABS e materiais acrílicos. “A tecnologia apresenta vantagens sobre outras técnicas de obtenção de nanocompósitos e nanopartículas: ela não se utiliza de reações químicas e não é feita em regimes de elevadas temperaturas e pressão”, garante Figueiredo. Além disso, permite o uso de argilas encontradas em abundância no Brasil. “Outros métodos aproveitam argilas importadas”, ressalta.

A experiência tem sido boa? “Em termos financeiros, não. Como pessoa, me sinto feliz”, revela Figueiredo. O empreendedor calcula em mais de US$ 500 mil o valor já investido na empresa. “As verbas que recebemos de órgãos de financiamento oficiais não chegam a 15% das nossas necessidades”, informa. Além dos recursos próprios, o empreendedor vem contando com a colaboração de algumas indústrias, com as quais firmou acordo de cooperação.

A perspectiva de retorno financeiro hoje começa a ficar mais próxima. “O fato de nossos produtos serem inovadores exige tempo maior de pesquisa e desenvolvimento”, explica Figueiredo. Agora, a empresa começa a lançar alguns produtos comerciais. O primeiro lançamento foi feito no último mês de julho, durante a realização da Francal, feira de calçados realizada em Franca-SP. Trata-se de um laminado de borracha pronto para ser recortado e colocado nos solados de sapatos. “Esse material é obtido com a adição de partículas nano de argilas na borracha natural. Ele não conta com nenhum outro aditivo e nem precisa ser vulcanizado”, diz. De acordo com o empreendedor, o material apresenta resistência bastante superior aos solados comuns, além de apresentar forte apelo ecológico. É reciclável e biodegradável.

A Orbys hoje conta com nove funcionários permanentes, entre eles três doutores e dois bolsistas. Tem, em suas instalações, laboratório próprio e planta piloto capaz de produzir quantidades pequenas desse e de outros materiais a ser lançados em breve. “Logo vamos nos mudar para um parque tecnológico”, revela. Com instalações menos modestas, a empresa pretende enfrentar seu novo desafio: gerar mercado para os compostos que desenvolve.

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