Incubadoras – Entidades ajudam empresas de alta tecnologia a dar seus primeiros passos

Adesivos

Muitos casos de talento e dedicação podem ser encontrados entre as empresas incubadas. Um exemplo é o de uma taiwanesa naturalizada brasileira, a engenheira química Wang Shu Chen. Há alguns anos, ela trabalhava no departamento de desenvolvimento de produtos numa empresa de adesivos. Um exame de sangue feito à época apresentou um resultado assustador: ela estava com 30% a menos do normal de glóbulos brancos em seu organismo.

Química e Derivados, Wang Shu Chen, Engenheira química, Incubadoras de Empresas
Wang Shu Chen: adesivos sem solventes ganharam corpo na incubadora

Chen creditou ao ambiente da fábrica, poluído pelos solventes utilizados nas linhas de produção, o seu problema de saúde. Ela fez uma pesquisa no exterior e descobriu que em muitos países os solventes eram produtos já obsoletos. Foi então que tomou uma resolução. Deixou a vida de empregada e apostou no desenvolvimento de um negócio próprio.

Dessa forma, nasceu a Adespec, empresa incubada no Cietec, cujo objetivo era o de desenvolver adesivos com fórmulas isentas de solventes. Algum tempo depois, conseguiu um sócio, Flávio Teixeira Lacerda, com vasta experiência em empresas de adesivos e com quem ela havia trabalhado no passado.

A Adespec hoje é exemplo de sucesso. Os adesivos desenvolvidos pela empresa usam água ou o polímero poliéter siloxano como solventes. São livres de solventes, isocianatos e compostos orgânicos voláteis. Um dos produtos, o Fixtudo, já comercializado em redes de varejo, não tem cheiro e é capaz de colar todos os materiais. “Menos a pele”, ressalta Chen. Além de ser resistente a temperaturas de até 120ºC, o dobro da temperatura das colas instantâneas disponíveis no mercado, apresenta notável resistência à água. “Dá para consertar o vazamento de um aquário sem retirar a água de dentro dele”, ressalta.

A Adespec se graduou no Cietec em 2003. No início, Chen investiu R$ 60 mil do próprio bolso. Nos primeiros anos, ela e Lacerda chegaram a investir cerca de R$ 1 milhão. A empresa chamou a atenção de grupos de investidores, que em seguida fizeram aportes de capital. Seu faturamento deve saltar de R$ 3 milhões, em 2007, para mais de R$ 50 milhões até 2012.

A empresa agora cuida de seu novo lançamento. Trata-se da cola de contato Ecotaq, voltada para os mercados de madeira e espumas. O adesivo é à base de um polímero especial e também isento de solventes e produtos químicos agressivos. Em tempo: a empresa é uma das poucas no Brasil a deter o selo de proteção ao meio ambiente SustentaX e a certificação de qualidade ambiental interna Green Buildings.

Farmoquímicos

William Carnicelli, Fundador da Alpha BR, Incubadoras de Empresas
William Carnicelli: nacionalização evita importar farmoquímicos

Criar no Brasil uma pequena indústria de substâncias farmoquímicas de elevado valor agregado, fabricadas no exterior já há alguns anos e importadas pelos laboratórios brasileiros. Essa era a ideia de William Carnicelli em 2002, quando criou a Alpha BR. Instalada no Cietec, a empresa nasceu numa área de 45 metros quadrados. “Os três primeiros anos foram muito difíceis”, diz o empreendedor. Além de enfrentar a burocracia comum para quem quer abrir uma empresa no Brasil, ele sofreu para administrar problemas comuns ao setor farmacêutico, caso, por exemplo, da obtenção de licenciamento dos produtos na Anvisa.

O primeiro produto da empresa, desenvolvido com o apoio da Fapesp, foi o clonazepam, surgido em 2004. “Nós pegamos uma amostra e fomos bater de porta em porta nos laboratórios nacionais para informar que o produto já podia ser produzido no Brasil a um custo competitivo”, conta. Aos poucos, a empresa passou a conquistar clientes, em especial fabricantes de medicamentos genéricos. “Começamos a crescer de verdade a partir do nosso quinto ano de existência”, conta.

Hoje, Carnicelli destaca três outros produtos nacionalizados pela Alpha BR: citrato de fentanila, cloxazolam e midazolan. “São substâncias utilizadas em anestésicos ministrados em hospitais”, revela. O empreendedor promete mais novidades em breve. “Estamos trabalhando em duas outras moléculas”, informa. Ele estima o prazo de desenvolvimento de um produto novo em de dois a três anos.

A Alpha BR hoje está instalada em uma área de aproximadamente 300 metros quadrados e tem capacidade de produção na casa de 450 kg de farmoquímicos por ano. Até o final do ano, essa capacidade de produção vai se multiplicar de forma significativa. “Ainda em 2009 queremos atingir a casa das 2,5 toneladas por ano”, revela. Outro plano previsto para breve será a mudança da empresa da incubadora para um parque tecnológico.

Nanotecnologia I

Três estudantes, André Araújo, Daniel Minozzi e Gustavo Simões, bacharéis e pós-graduandos em cursos de tecnologia, tinham o sonho de montar uma empresa própria em 2004. Na época, o desenvolvimento da nanotecnologia era assunto dos mais comentados nos meios científicos. Foi o tema escolhido. Definido o campo de atuação, iniciou-se o processo a ser enfrentado por todos os interessados em criar uma empresa incubada. “Fizemos um processo de seleção, a avaliação do plano de negócio e fomos buscar financiamento”, revela André.

Com os apoios da Fapesp, Finep e CNPq, conseguiram os recursos. Dessa forma, em 2005, criaram a Nanox, incubada no Parque Tecnológico de São Carlos. O período de incubação durou apenas seis meses. Logo, ela passou a atuar como consultoria. Em 2006, tornou-se sociedade anônima ao receber aporte de capital do Fundo Novarum. Em 2007, ganhou o prêmio Inovação Tecnológica, oferecido pela Finep.

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