Incubadoras – Entidades ajudam empresas de alta tecnologia a dar seus primeiros passos

Entre os programas recentes, um foi lançado pela Finep no início do ano. Trata-se do Prime (Programa Primeira Empresa Inovadora), dirigido às empresas cuja existência jurídica não ultrapasse 24 meses. A empresa participante pode ser formalizada no momento de inscrição do programa. As selecionadas pelo Prime recebem R$ 120 mil em recursos não reembolsáveis. Com essa verba podem, por exemplo, contratar consultores para análises de custos ou para ajudar em questões jurídicas ou relativas à propriedade intelectual.

Em 2009, o Prime prevê alocar R$ 230 milhões em aproximadamente duas mil novas empresas. Em quatro anos, o volume de recursos previstos é de R$ 1,3 bilhão, destinados a cinco mil empresas nascentes e com alguma característica de inovação. “Os empreendimentos, além de apostar na inovação, precisam ser muito bem desenhados. Em algum momento de suas trajetórias, essas empresas se confrontarão com grandes organizações; não é um desafi o para amadores”, adverte Gina Paladino, superintendente da área de pequenas empresas inovadoras da Finep.

Dinheiro da iniciativa privada também é bem-vindo. Alguns fundos de investimentos têm se mostrado interessados em projetos de inovação capazes de gerar retornos financeiros interessantes para seus cotistas. Um desses fundos, a CRP Participações, instalada no Rio Grande do Sul, investe em mais de vinte empreendimentos ligados aos mais variados setores. Entre eles, por enquanto, não há nenhuma incubada ligada à indústria química.

O fundo, no entanto, se mostra disposto a estudar oportunidades no setor. “A química é hoje olhada com atenção pelos investidores e sempre citada como alvo de investimentos”, diz João Marcelo Eboli, sócio da CRP. Para o dirigente, projetos do gênero devem ter alguma característica de inovação, mesmo que a pesquisa não se destine a algo 100% novo. “Essa é a única maneira de atuar em um mercado no qual atuam grandes corporações multinacionais”, avalia.

Apesar de ainda não apoiar incubadas, a empresa conta em sua carteira com uma empresa ligada ao universo da química. É a Brasquip, no mercado desde 1993 e dedicada ao tratamento dos resíduos líquidos gerados por outras indústrias. Localizada em Jandira, a empresa tem capacidade de processar algo entre três e quatro mil metros cúbicos de resíduos e em 2008 faturou cerca de R$ 5,8 milhões. O mercado favorável aos empreendimentos voltados para a defesa do meio ambiente tem ajudado a empresa. “Ainda este ano, a Brasquip vai inaugurar unidades no Rio Grande do Sul e na Bahia”, conta José Augusto Albino, sócio da CRP dedicado a este projeto.

Cotidiano – Não são poucas as atribuições presentes no cotidiano das incubadoras de empresas. “Trabalhamos muito por aqui”, revela Sergio Risola, diretor do Cietec (Centro de Inovação, Empreendedorismo e Tecnologia), entidade instalada dentro do campus da USP (Universidade de São Paulo). A incubadora, considerada a maior do gênero no país, foi criada em 2002 e já graduou 84 empresas.

Química e Derivados, Sergio Risola, diretor do Cietec da USP, Incubadoras de Empresas
Sergio Risola abriga, hoje, 120 empreendimentos

Em dezembro de 2008 contava com 76 empreendimentos instalados. Esse número vem crescendo rapidamente este ano, hoje se encontra na casa das 120 incubadas. A maioria das empresas é especializada em projetos de TI (tecnologia da informação). A área de produtos para o setor médico-hospitalar vem em seguida. O número de empresas ligadas ao universo da química é estimado em de oito a dez.

“Atuamos em três pilares”, conta Risola. O primeiro é voltado para selecionar os melhores projetos e instalar as empresas. “Lançamos editais de seleção de quatro em quatro meses”, diz. Os interessados em participar devem se encaminhar à incubadora com um projeto e participar de um processo de seleção com júri formado por especialistas. Os aprovados fazem um curso de um mês – quinze dias em sala de aula e quinze dias com consultores – para entender como o seu projeto pode vir a se tornar realidade.

Um requisito bastante apreciável é a ideia contar com caráter inovador. “Mas nem sempre. Podemos apoiar quem deseja passar a produzir no Brasil um produto importado, mesmo que não seja inovador”, ressalta. Também deve ser traçado um plano de negócios detalhado, que norteie os passos do empreendimento. Uma vez aprovado, a incubada ganha um espaço de 30 a 400 metros quadrados.

O segundo pilar de atuação do Cietec prevê a introdução dos incubados no universo da tecnologia. O centro ajuda a nova empresa a tomar contato com companhias âncoras de médio ou grande porte, colabora com a busca de tecnologia em universidades e institutos de pesquisa. Também presta consultoria para a resolução de problemas variados, entre eles, como seguir as regulamentações emitidas pelos órgãos de defesa do meio ambiente, de vigilância sanitária ou como atuar para obter patentes.

A incubadora também orienta os novos empresários a obter financiamentos em órgãos de fomento à tecnologia, casos da Finep, Fapesp e CNPq. De quebra, faz a ponte com os grupos de investimentos interessados em aplicar recursos nos projetos mais promissores. “Recebemos muitas visitas de representantes de
investidores”, comenta.

O terceiro pilar de atuação do Cietec deve ser inaugurado em setembro, quando o centro planeja inaugurar seu próprio parque tecnológico. Ele deve passar a abrigar algumas das empresas hoje lá incubadas.

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