Incorporação de reciclados reduz impacto ambiental em 50%

Resinas

Além de reinserir na cadeia produtiva matérias-primas já utilizadas, resinas que contenham conteúdo reciclado podem resultar em impactos ambientais, quase 50% inferiores àqueles provocados por resinas virgens em seu ciclo de vida, revela estudo de Análise de Ciclo de Vida (ACV), divulgado pela Braskem no fim de julho.

Estudos de ACV, explicou Beatriz Kiss, especialista em desenvolvimento sustentável da Braskem, quantificam todos os impactos ambientais, seja na água, no solo, no efeito estufa, nos seres vivos, gerados por um produto durante todo o seu ciclo de vida, começando pela obtenção da matéria-prima e chegando à destinação final, passando por transformação, usos e transportes, entre outras vertentes (dentro dos padrões internacionais certificados por normas ISO).

No caso das resinas contendo reciclados, o estudo da Braskem considerou etapas como coleta dos materiais pós-consumo, moagem, a reciclagem propriamente dita, e mesmo o uso de aditivos, até a resina estar ensacada e pronta para comercialização.

Fundamentado em dados referentes a 2020, ele avaliou 24 grades de PE e de PP fornecidos no Brasil pela Braskem, contendo diferentes percentuais de reciclados PCR, e comparou-os com resinas virgens equivalentes da própria empresa.

“Em um total de quinze indicadores, a redução nos impactos ambientais das resinas com reciclados pode atingir 49%”, disse Beatriz (ver Tabela).

Resinas: Incorporação de reciclados reduz impacto ambiental em 50% ©QD Foto: iStockPhoto

ACV de resinas fornecidas no Brasil pela Braskem contendo PCR

O estudo analisou também resinas de PEAD da Braskem-Idesa (joint venture situada no México). Nesse caso, foram constatadas reduções dos impactos ambientais, relativamente a similares virgens da Braskem e de outros fornecedores do mercado mexicano, variando entre 30% e 47% em resinas com algum conteúdo de PCR.

Luis Javier Aguilar, coordenador comercial de resinas PCR da Braskem-Idesa, anunciou que a empresa deve iniciar em dezembro deste ano a produção de resinas de PE e PP com conteúdo reciclado, aprovadas para contato com alimentos pelo FDA (Food and Drug Admnistration, dos EUA). “Começaremos com 18 mil toneladas, chegando a 30 mil t em 2025”, disse Aguilar.

Paulo de Mattos Coelho, líder comercial de economia circular da Braskem na América do Sul, afirmou que no próximo ano deve começar o processo de comissionamento de uma planta de reciclagem química por pirólise, que a Braskem está construindo Indaiatuba-SP em parceria com a recicladora Valoren. “Ela deve ter capacidade inicial de produção de 6 mil toneladas, já com previsão de expansão”, ressaltou Coelho.

Ele lembrou ainda que a Braskem também anunciou um acordo para a construção de uma unidade de reciclagem química na qual terá como parceira a Nexus (empresa norte-americana detentora de uma tecnologia de reciclagem química de plásticos por pirólise, na qual a Braskem adquiriu uma participação societária). “Ela terá capacidade inicial de processamento de 30 mil t de resíduos plásticos no EUA, e previsão de expansão até 120 mil t”, detalhou Coelho.

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