Cores – Feitintas aposta em formação e incentiva uso de cores

No ano em que comemora 75 anos de fundação, o Sindicato da Indústria de Tintas e Vernizes do Estado de São Paulo (Sitivesp), promove a 10ª edição da Feitintas – Feira da Indústria de tintas, Vernizes e Produtos Correlatos, com o objetivo de facilitar o intercâmbio de experiências e tecnologias entre os elos da cadeia produtiva e comercial do setor. A feira ocupará 5 mil m² do São Paulo Expo Exhibition & Convention Center entre 21 e 24 de setembro, em paralelo com a 11ª Feira Internacional de Esquadrias, Ferragens e Componentes (Fesqua).

Uso de Cores das Tintas - Feitintas aposta em formação e incentiva o uso das cores
Uso de Cores das Tintas

“É importante salientar que será a primeira feira do setor químico em sentido amplo a ser realizada após o impeachment de Dilma Rousseff, fato que está sendo apontado como o principal marco para a retomada da economia nacional, depois de três anos de recessão e aumento de desemprego”, apontou Antonio Carlos de Oliveira, presidente-executivo do Sitivesp.

Ultrapassada a crise, os consumidores voltarão a ter confiança para investir em imóveis e nas reformas das moradias, além de adquirir mais bens de consumo. Todos esses produtos são grandes consumidores de tintas.

Química e Derivados, Oliveira: será a primeira feira da etapa de recuperação econômica
Oliveira: será a primeira feira da etapa de recuperação econômica

“A construção civil é a base para o crescimento futuro do país”, afirmou.

Oliveira explicou que a 10ª Feitintas pode ser vista como a transição para um modelo mais voltado para informação aos clientes, formação e qualificação de profissionais, não apenas nas tintas, vernizes e complementos, mas também sobre os impactos ambientais e os requerimentos de segurança laboral envolvidos. “Existem muitos aspectos a abordar, desde a tecnologia dos produtos, cada vez mais sofisticada e diversificada, até o incentivo ao empreendedorismo e a especialização das redes de varejo, pois os balconistas precisam orientar bem os consumidores finais para que estes fiquem satisfeitos com os itens adquiridos”, explicou.

Nesta edição, terá grande destaque o uso de cores em ambientes diversos, de forma a proporcionar uma viagem sensorial pelas múltiplas aplicações das tintas. Elaborada pela diretora-executiva do Brasil do Centro de Estudos da Cor na América Latina (Cecal), Elizabeth Way, a área da entrada da feira abrigará essa viagem, mas ela também ministrará palestra sobre os conceitos dessa viagem pela cor no dia 22. No mesmo dia, Paula Csillag, professora da ESPM, explicará a adequação das cores aos ambientes.

A ênfase do uso mais diversificado de cores, fugindo da ditadura do branco nas linhas imobiliárias e da trindade preto, prata e branco nos automóveis, faz parte de um programa elaborado pelo setor de tintas, envolvendo o Sitivesp e a Abrafati, além de fabricantes de tintas e varejistas. As palestrantes também falarão sobre o desenvolvimento de cores e suas tendências.

Como se percebe, o futuro da Feitintas está mais ligado ao formato de simpósio ou congresso do que a uma simples exposição de produtos e serviços. Realizada desde 1998, esse encontro setorial já teve várias concepções.

Química e Derivados, Aguiar: sindicato oferece serviços importantes para os seus associados
Aguiar: sindicato oferece serviços importantes para os seus associados

“As três primeiras edições foram bancadas pela participação dos fornecedores de insumos, mas essa participação foi sendo reduzida mais tarde para menos de 10% da feira, porque esses itens não eram relevantes para o público alvo, formado por arquitetos, decoradores, consumidores, pintores e varejistas”, explicou Paulo Cesar Abrantes de Aguiar, diretor-executivo do Sitivesp.

Com isso, as cinco últimas feiras não contaram com estandes de fornecedores de insumos para formulação, mas se reforçou a presença de fabricantes de tintas e de acessórios (lixas, pincéis e outros). A feira sempre abarcou todos os segmentos de tintas: imobiliárias, automotivas, gráficas e artísticas. Segundo Aguiar, o ápice da Feitintas foi alcançado nas edições de 2008 e 2010, as últimas antes da grave crise econômica. “Nessa época, ainda atuávamos apenas com a equipe do próprio Sitivesp, mas já deveríamos ter buscado uma empresa especializada para nos auxiliar, atitude que tomamos apenas depois da crise, quando buscamos a Fiera Milano”, comentou. A crise prejudicou os resultados das edições de 2012 e 2014.
Em 2016, a participação de fabricantes de tintas será feita de forma indireta. Uma rede de varejo montará uma loja modelo, contando com tintas, vernizes e correlatos de vários fabricantes, com o objetivo de mostrar como tornar o espaço mais eficiente, proporcionando melhores resultados.

A decisão de direcionar a Feitintas para um modelo de simpósio, com ênfase na aplicação de tintas, vernizes e complementos, além de reforçar o treinamento de profissionais de pintura e de varejistas, faz parte do Plano Estratégico do sindicato, elaborado na gestão de Narciso Moreira Preto.

O plano não se limita à feira, mas envolve todo o Sitivesp. (Veja a relação dos expositores em: www.feitintas.com.br).

Uma das questões a ser resolvida pela nova orientação da entidade é o seu relacionamento com a Abrafati (Associação Brasileira das Indústrias de Tintas), entidade de filiação voluntária.

As primeiras edições da Feitintas conflitavam com o perfil do Congresso Internacional de Tintas, cujo foco sempre foi a formulação e a qualidade das tintas.

“Todas as associadas da Abrafati que estão instaladas no Estado de São Paulo também integram o Sitivesp e todas elas perceberam que era melhor eliminar redundâncias, permitindo que cada entidade se aprimorasse no seu escopo”, afirmou Oliveira, também conselheiro da Abrafati. “Estamos unindo esforços e coordenando atividades com muito sucesso.”

Nova estrutura

A diretoria do sindicato resolveu modificar sua estrutura e forma de atuação, de modo a tornar mais visíveis os benefícios que oferece aos associados. É preciso salientar que a missão primeira do sindicato é de representar a categoria pelo enfoque patronal nas relações trabalhistas previstas na legislação brasileira (especialmente na CLT). Todos os anos, o sindicato discute com a contraparte representante dos trabalhadores da categoria os termos do dissídio, envolvendo reajuste salarial e benefícios, além de regras laborais específicas. Essa atividade de representação é desempenhada em favor de todas as indústrias de tintas e vernizes do estado, regularmente constituídas e identificadas na Classificação Nacional de Atividades Econômicas (Cnae). Essas empresas recolhem uma taxa anual (imposto sindical) para a entidade, de forma compulsória. Aguiar estima em 480 as companhias representadas pelo sindicato. Elas recebem um informativo periódico sobre fatos relevantes do setor e sempre são convidadas a conhecer melhor o trabalho desenvolvido pela entidade.

Além desses associados obrigatórios, o Sitivesp conta com 56 (em 2014) associados voluntários, que contribuem mensalmente com a entidade, com direito a mais serviços, com destaque para consultoria jurídica e orientações em segurança e meio ambiente. “Temos uma consultoria que orienta os fabricantes a elaborar as FISPQ e a rotulagem no sistema GHS, pontos críticos para a indústria porque são exigidos para o transporte dos produtos”, salientou Aguiar. Os pequenos e médios fabricantes precisam mais desses serviços, pois os grandes produtores possuem estruturas próprias para lidar com esses temas.

O Sitivesp mantém um programa constante de formação e atualização de pintores, em parceria com a rede de escolas técnicas do Senai em todo o estado, além de produzir farta literatura técnica em vários temas, em grande parte disponível no site da entidade (www.sitivesp.org.br) para todos os interessados.

Do ponto de vista institucional, o sindicato pode ser valer do apoio oferecido pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), especialmente nos campos tributário e de comércio exterior. “O Sitivesp busca o equacionamento das relações de oferta e demanda por insumos, mediante negociação com os fornecedores locais e também para buscar reduções de alíquotas de importação de produtos que tenham escassez de oferta nacional”, explicou Aguiar. Os associados voluntários podem também acessar a bolsa de equipamentos e matérias-primas mantida pelo sindicato, que permite negociações diretas entre eles, facilitando a otimização de estoques e a baixa de ativos fixos das indústrias.

O Sitivesp também abriga um cadastro de currículos de profissionais para apoiar as necessidades de recolocação e de contração no setor. Dados econômicos são coletados e analisados mensalmente pela equipe do sindicato, mantendo o setor informado. “Temos uma grande oferta de informações e de serviços para a categoria, mas precisamos divulgar mais esses aspectos, ganhar mais transparência”, avaliou Oliveira.

O plano estratégico também tornou mais claras a missão e a visão do sindicato, facilitando enxergar objetivos e balizamentos. Ao mesmo tempo, verificou-se a necessidade de modificar os órgãos internos de administração.

“O exercício da presidência do sindicato consome muito tempo e atenção do presidente e isso acaba se refletindo no desempenho da sua indústria”, observou Oliveira. Por isso, o Sitivesp resolveu mudar sua diretoria, deixando o presidente eleito no topo da estrutura de comando, mas lidando com os grandes temas e diretrizes da entidade.

Foi criado o cargo de presidente-executivo, ocupado por Oliveira, para dirigir as atividades cotidianas, enquanto o diretor-executivo, Aguiar, lida com a toda a estrutura do sindicato. “A divisão de tarefas é benéfica para os dirigentes e para a categoria”, concluiu.

Economia fraca

A situação econômico/financeira do setor de tintas e vernizes não é diferente do conjunto de atividades empresariais no Brasil. “A crise atual é muito profunda, precisaremos promover muitas mudanças para superá-la e recuperar a competitividade nacional”, advertiu Oliveira. Entre essas reformas, desponta a trabalhista, campo de atuação do sindicato patronal. “O Brasil ainda discute o que é atividade meio e atividade fim, impõe o legislado sobre o acordado, estamos ficando para trás”.

Depois de três anos de crescimento nulo ou negativo do PIB (uma queda de 8% nesse período) que gerou um contingente de 12 milhões de desempregados, Oliveira avalia que tanto os grandes quanto os pequenos fabricantes de tintas estão amargando dificuldades. A diferença mais marcante está entre as empresas totalmente nacionais e as de capital internacional. “As deste grupo podem contar com auxílio da matriz, mas precisam se explicar muito bem; as nacionais não têm esse apoio e, quando dele necessitam, são obrigadas a obter financiamento bancário a taxas estratosféricas que não são remuneradas por nenhuma atividade econômica”, afirmou. Nesse quadro, a empresa nacional tem mais dificuldade para alavancar novas tecnologias de produtos e de processos, correndo o risco de ficar menos competitiva. “O Sitivesp busca oferecer atualização tecnológica às empresas do setor por meio de feiras, seminários e publicações, além dos serviços de assessoria técnica, ambiental, tributária e de segurança e meio ambiente”, observou.

Ele ressaltou que o Encontro Anual do Sitivesp será realizado em 24 de novembro, na Fiesp, tendo como pontos altos a apresentação do tradicional Prêmio Fornecedor do Ano (28ª edição) e a divulgação de um livro comemorativo dos 75 anos do sindicato.

“Será uma confraternização especial para todo o setor”, avaliou Oliveira.

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