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A importância estratégica dos químicos industriais e ambientais – Parte 2

Quimica e Derivados
20 de janeiro de 2017
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    13 – A IMPORTÂNCIA INDUSTRIAL DA QUÍMICA ANALÍTICA E NA PROTEÇÃO DO AMBIENTE.

    Todos os problemas fabris e ambientais das indústrias químicas-mínero-metalúrgicas dependem das químicas analíticas para inspirar a sua solução. O estudo da Química Analítica Inorgânica, tanto percorrendo a via clássica, quanto pela abordagem instrumental, permite o conhecimento aprofundado das substâncias químicas, de suas estruturas moleculares e de sua interação umas com as outras, no mecanismo das reações. Tal fundamento é essencial para concepção e a compreensão de processos e fenômenos químicos propiciando o desenvolvimento de novas rotas tecnológicas e produtos.

    A Análise Química Qualitativa e Quantitativa, por via clássica laboratorial, contribui para que haja intensa familiaridade com os instrumentos, aparatos e equipamentos de laboratório, indispensáveis a todos os procedimentos empregados em Controle da Qualidade de matérias primas e produtos e que, são, também, utilizados como base de preparação para as Análises por Via Instrumental.

    O mesmo se aplica à Química Orgânica e à Análise Química Orgânica, clássica ou instrumental, na medida que a caracterização do composto orgânico pressupõe a necessidade do conhecimento de sua composição e de sua estrutura, o que permite, com maior desenvoltura, acessar e conceber processos químicos orgânicos.

    Figura 22 – Tratamentos fabris e despoluidores sob a óptica da Química Industrial

    Química e Derivados - A importância estratégica dos químicos industriais e ambientais - Parte 2

     

    Várias unidades industriais químicas inspiraram-se nas práticas analíticas artesanais por vias seca e úmida e evoluíram gradativamente para o desenvolvimento e uso de equipamentos apropriados das tecnologias minerais. Por exemplo, as coquerias foram criadas a partir dos ensaios de pirólise de carvão em tubos de vidro, que possibilitaram coletar gases, líquidos e o coque e surgiu um amplo setor carboquímico industrial. Outros processos químicos surgiram, também, a partir de simples observações em campo sobre amostras coletadas por geólogos e mineralogistas, e os métodos analíticos, por vias seca e úmida, inspiraram a criação de várias rotas de Metalurgia Extrativa e das Indústrias Cerâmicas.

    O conhecimento amplo das técnicas analíticas clássicas e instrumentais é uma ferramenta familiar aos químicos industriais e possibilita considerar que rejeitos industriais ou municipais sejam avaliados pelos mesmos critérios que norteiam as matérias-primas naturais e insumos sintéticos.

    14 – A INDÚSTRIA QUÍMICA BRASILEIRA ATÉ 2015

    A ABIQUIM (2016) considera em seu relatório sobre “O Desempenho da Indústria Química Brasileira em 2015” que seu âmbito consiste em Produtos Químicos de Uso Industrial (inorgânicos, orgânicos, resinas e elastômeros, além de produtos e preparados químicos diversos) e Produtos Químicos de Uso Final (farmacêuticos, fertilizantes, higiene pessoal, perfumaria e cosméticos, produtos de limpeza e afins, defensivos agrícolas, tintas esmaltes e vernizes, fibras artificiais e sintéticas e outros). Neste contexto, o faturamento líquido da indústria química brasileira total foi de US$ 112,4 bilhões e o PIB brasileiro de 2015 foi de 5,904 trilhões de reais (segundo o IBGE) ou 1,775 trilhões de dólares (segundo o Banco Mundial). A ABIQUIM entende que seu âmbito correspondeu à uma participação de 2,5% no PIB total brasileiro de 2014.

    A Figura 23 inclui uma classificação de indústrias químicas que exclui dos “produtos químicos” os demais de natureza sólida, que também são produtos químicos, como os químico-metalúrgicos e siderúrgicos, além de, p.ex., coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis, alimentos e bebidas, e demandam a participação necessária de profissionais da Química.

    Figura 23. Participação da Química na indústria de transformação (% sobre o PIB industrial) (ABIQUIM, 2016).

    Química e Derivados - A importância estratégica dos químicos industriais e ambientais - Parte 2

    Um complexo industrial como o da Companhia Siderúrgica Nacional-CSN agrega processos termoquímicos inorgânicos e orgânicos da Pirometalurgia no Alto-Forno, Aciaria, Coqueria e Carboquímica, conformação por Laminação, e de Eletroquímica no Estanhamento e Cromagem de produtos de aço, além de fábricas de gases liquefeitos do ar e de cal e do tratamento biológico de águas residuárias.

    A Química Industrial revela-nos que coexistem inúmeras tecnologias termoquímicas baseadas nas queimas de combustíveis fósseis e de biomassa, as quais permeiam vários setores fabris e comerciais (restaurantes, padarias, etc.). A presença maciça do fogo nas atividades cotidianas da Humanidade originou-se na criatividade laboratorial vinculada aos bicos queimadores de Bunsen e Meker para gases. O aumento do diâmetro do tubo de Bunsen para a saída da mistura ar-combustível e o acréscimo de uma grade/tela metálica, possibilitou que a temperatura da chama aumentasse de 1560 oC para 1775 oC, isto é, mais 215 oC (Thomas Scientific, 1989) que incentivaram vários processos de fabricação de cimentos Portland, vidros e materiais cerâmicos, além do desenvolvimento de novos geradores de calor (caldeiras). E, por conseguinte, surgiu uma vasta indústria mecânica de criação e fabricação de queimadores industriais, além das fábricas de refratários (inicialmente silicáticos) para revestir fornos devido à seus elevados pontos de fusão, durezas sólidas, resistências a ataques químicos (de gases e escórias ou substâncias fundentes) e esforços mecânicos.



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