Importações crescem e revelam retomada do consumo local – Tintas

Havia alguma expectativa de cortes na produção chinesa, mas isso não ocorreu. “O governo chinês está agindo com rigor para estimular a sustentabilidade da produção, característica que foi pouco observada no passado, gerando problemas enormes de abastecimento de água e demais impactos no meio ambiente”, disse. “Mas, se algum produtor de dióxido de titânio fechou, ou ele era muito pequeno ou foi substituído por outro mais moderno.”

Marino observa que a legislação chinesa pode impor restrições de produção ou mesmo o fechamento de unidades inteiras se observar que estejam operando além dos limites oficiais de emissão de poluentes. Isso pode afetar uma cadeia produtiva a montante e a jusante dessas plantas, criando um quadro de inconstância nos suprimentos chineses. “Acredito que eles estão preparando um futuro melhor, mas a transição poderá ter alguns solavancos.”

Química e Derivados, Importações crescem e revelam retomada do consumo local, mas preço alto pode frear avanços - Tintas

Os fabricantes globais se prepararam para manter o abastecimento ao mercado caso ocorram fechamentos mais significativos de unidades chinesas. “A Chemours segue empenhada em atender à crescente demanda de seus clientes ao redor do mundo; todas as ações cabíveis estão sendo tomadas para cumprirmos com nossos compromissos de fornecimento”, afirmou Cláudia Almeida Antunes, gerente de negócios para Tecnologias de Titânio da Chemours Brasil. “No Brasil, o devido planejamento alinhado com nossos clientes é fundamental para podermos ter o material e volume requeridos de forma efetiva.”

A China é um player importante, com uma indústria que opera majoritariamente pela rota sulfato. “Mais recentemente, o governo de lá passou a estimular a instalação de fábricas com o processo cloreto, oferecendo subsídios às exportações”, explicou Marino. Ele se recorda com esse expediente já foi usado pela China no passado e levou ao desembarque de pigmentos chineses subsidiados no Brasil entre 2000 e 2007, porém, naquela ocasião, eram produtos de baixa qualidade e, portanto, de menor impacto na indústria. “A partir de 2010-2012, começaram a aparecer produtos chineses de qualidade no nosso mercado, hoje em dia, os produtos mais antigos e estes mais modernos são ofertados concomitantemente.”

A Cristal comprou a fabricante chinesa Tikon, produtora de dióxido de titânio de alta qualidade pelo processo sulfato, com capacidade para quase 50 mil t/ano, que exporta pigmento para Austrália, Índia, Oriente Médio, África e América Latina.

Quanto à atual preferência chinesa pelo processo cloreto, Marino defende a visão de que a via sulfato não é mais poluente que a via cloro, ao contrário do que se afirma com frequência. “Uma das diferenças de processo está no tratamento da ilmenita, mineral composto de ferro e titânio, uma das matérias-primas para fabricação do pigmento; esse processo utiliza ácido sulfúrico e exige a adição suplementar de ferro, por exemplo, sucata metalúrgica, porém o resíduo principal deste processo é sulfato de ferro, um produto seguro que pode ser usado para tratamento de água e alimentação animal, por exemplo”, comentou. O processo cloro, segundo explicou, gera efluentes diferentes e menos amigáveis ao ambiente, além do que, normalmente, utiliza slag, ou o rutilo, ou, ainda, o rutilo sintético, produtos intermediários que já geraram efluentes e/ou emissões em suas respectivas etapas de produção e, portanto, anteriores ao processo de produção do pigmento. Comparando-se os dois processos de ponta a ponta, ou seja, do minério extraído do solo ao pigmento acabado, não existem grandes diferenças no impacto ambiental total. Os custos de instalação são mais favoráveis aos sulfatos, enquanto que os de operação são mais favoráveis para o processo cloreto.

No Brasil – As oscilações de mercado permitiram à unidade brasileira da Cristal, em Camaçari-BA, manter ocupada sua capacidade de 60 mil t/ano. Embora a demanda nacional exija a importação de, em média, 100 mil t/ano de dióxido de titânio tipo rutilo, isso é insuficiente para justificar a implantação de novas linhas produtivas ou ampliações. “Mantemos os investimentos para atualização tecnológica, automação de processos, saúde, segurança e meio ambiente, mas não temos nenhum plano para aumentar a capacidade da planta”, confirmou Marino. Ele atribui a falta de apetite para ampliações à insegurança jurídica do país, entre outras, as variações frequentes de alíquotas de importação que impedem qualquer planejamento de longo prazo. “Sem previsibilidade, não há investimentos”, concluiu.

Neste ano, não foram instituídas cotas para importação de TiO2 com a alíquota temporária de 2%, como aconteceu em anos anteriores. Marino entende que a adoção de cotas e ou de qualquer condição temporária não beneficia o mercado como um todo e acrescenta que a Cristal tem trabalhado com o governo federal e associações da indústria para uma flexibilização responsável e permanente da alíquota do imposto de importação aplicável a todos os casos. “O Brasil tem um acordo de cooperação econômica com o México pelo do qual seus pigmentos pagam a metade do valor da alíquota vigente, então, a condição de uma alíquota menor e alinhada com a praticada pelos países produtores de dióxido de titânio, traria um benefício adicional aos consumidores brasileiros em geral”, disse. Segundo Marino, todos os países produtores do pigmento entendem ser necessário uma proteção mínima para compensar alguns movimentos comerciais deletérios praticados por alguns produtores.

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