Tintas e Revestimentos

Importações crescem e revelam retomada do consumo local – Tintas

Marcelo Fairbanks
2 de agosto de 2018
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    Química e Derivados, Importações crescem e revelam retomada do consumo local, mas preço alto pode frear avanços - Tintas

    As importações de dióxido de titânio (TiO2) mantiveram no primeiro quadrimestre o ritmo crescente, iniciado ainda em 2017. Caso se mantenha o volume mensal ao longo do ano, será possível retornar ao patamar de negócios com o pigmento verificado em 2014, ou seja, no momento anterior à crise econômica.

    Porém, a forte valorização do dólar americano em relação às demais moedas, em especial às dos países emergente, caso do Brasil, pode ser um empecilho para a evolução dessas importações. Também será preciso esperar para saber qual o impacto da variação cambial no desempenho da economia brasileira em geral, que será determinante para o comportamento da demanda por tintas, plásticos e papéis, os maiores consumidores do dióxido de titânio.

    A China, importante player global, está pressionando toda a sua indústria – principalmente a química – a adotar padrões ambientais mais elevados. Esperava-se que a forte pressão oficial afetasse a oferta de dióxido de titânio, mas isso não está se verificando na prática. Percebe-se uma retomada dos preços globais do pigmento, porém isso se deve aos movimentos normais do mercado, caracterizado por ciclos de alta e baixa frequentes.

    Química e Derivados, Marino: preços ainda estão abaixo dos da crise anterior

    Marino: preços ainda estão abaixo dos da crise anterior

    Como explicou Ciro de Mattos Marino, CEO da Cristal (segunda maior produtora global) no Brasil, o mercado mundial do dióxido de titânio, estimado em torno de 6 milhões de t/ano, em 2017, com crescimento de 2,3% sobre o ano anterior, permanece buscando um ponto de equilíbrio depois do baque de 2015, quando as indústrias desovaram seus enormes estoques para fazer caixa, deprimindo os valores de negociação em todo o mundo. “Isso foi feito porque toda a cadeia de consumo estava estocada, num momento em que a economia global estava relativamente fraca, em processo iniciado em 2013”, comentou. Com o caixa apertado, os fabricantes adiaram as intervenções de manutenção necessárias para garantir a confiabilidade operacional.

    Em 2015, com mercado saturado de produtos, os clientes também reduziram seus estoques, porém 2016 começou desabastecido e com as fábricas de TiO2 parando para manutenções corretivas inadiáveis. “No entanto, a situação se inverteu completamente, em 2016 não havia mais produtos em estoque, os clientes voltaram a comprar e, com o receio de ficar sem insumo, compraram além do necessário”, relatou Marino. Os preços dispararam. “De 2015 para cá, a alta é da ordem de 50%, mas ainda com o valor bem abaixo do verificado na crise de abastecimento anterior, a de 2010/11”.

    Marino comentou que, à medida que o preço do TiO2 sobe, a demanda se retrai. O ponto crítico histórico seria a cotação de US$ 4 mil/t. “Quando se chega nesse valor, o uso de extensores e sucedâneos do titânio vai ao máximo possível e o mercado começa a adotar novos padrões de qualidade e desempenho para os produtos, reduzindo a utilização dos pigmentos nas formulações”, apontou. A indústria de tintas é a mais afetada pelo preço do insumo, porque o consumidor final é o menos tecnicamente preparado para entender as mudanças na composição dos itens que adquire. Por sua vez, os clientes das indústrias de papel e plástico, por atuarem como transformadores e intermediários na cadeia de suprimentos, são profissionais e conhecem bem as características que desejam e nem sempre aceitam alterações nas suas formulações.

    No caso das tintas, Marino estima que o dióxido de titânio represente, em média, 8% em peso das tintas imobiliárias no Brasil. As linhas premium podem chegar a 14%, enquanto as econômicas usam entre zero e 4%. “A participação do titânio no custo de uma tinta é relevante, mas não exagerado”, disse. No caso das tintas automotivas, não se percebe mudanças nas formulações para reduzir o uso do pigmento, dada a dificuldade de alcançar o mesmo padrão de cor e desempenho dos produtos.

    Aliás, Marino é categórico ao afirmar que não existem dois tipos idênticos de dióxido de titânio no mundo. “Cada fábrica tem processos e patentes específicos de produção e, ainda, contam com abastecimento de matérias-primas distintas – lembrando que as matérias-primas básicas para produção do TiO2 são de origem mineral, e que a ocorrência destes minérios no mundo tem composição variável a depender da sua localização –, dada estas condições, fábricas diferentes jamais produzirão pigmentos idênticos, mesmo que pertençam ao mesmo grupo empresarial e adotem a mesma tecnologia industrial”.

    A curva de elevação de preços de 2015 até agora se mostra menos inclinada que em épocas anteriores de picos de preços. As indústrias completaram suas tarefas de manutenção e não são esperadas paralisações. “A China começa a trabalhar mais forte depois das comemorações do ano novo de lá, que ocorrem próximas do nosso Carnaval, e a painting season dos Estados Unidos começa em Abril-Maio, e o pico coincide com o verão no Hemisfério Norte”, salientou. “Vamos ver como se comportarão os preços no pico da demanda, por enquanto o mercado está mais ou menos equilibrado.”



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