Adesivos, Colas e Selantes

Impacto da Covid-19 é avaliado no 2° Encontro Anual de Colas

Quimica e Derivados
31 de janeiro de 2021
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    Economia circular

    A “Mesa Redonda: Economia Circular & Sustentabilidade” no setor de adesivos reuniu representantes da indústria química para debater as ações em prol de tecnologias que possibilitem a economia circular de toda a cadeia. “As indústrias precisam desenvolver produtos pensando na circularidade e no impacto para a sociedade. É preciso trabalhar avaliando como continuar abastecendo a sociedade dentro dos limites do planeta. O crescimento das cidades não acompanhou a dinâmica de produção dos resíduos e como eles devem ser reinseridos”, explicou a diretora executiva da Associação Brasileira de Embalagem (Abre), Luciana Pellegrino.

    Outro conselho dado pela executiva é que as empresas precisam entender o que acontece com as embalagens depois que o produto foi consumido. “As empresas precisam avaliar a circularidade dos materiais usados na produção das embalagens e na estrutura da logística existente para fazer a reciclagem”.

    A pesquisadora do Centro de Tecnologia de Embalagem (Cetea), Leda Coltro, analisou os requisitos necessários para o desenvolvimento de embalagens fáceis de ser recicladas. “Ao mesmo tempo em que os rótulos e embalagens precisam de adesivos e colas eficientes, eles também precisam ser facilmente removíveis para não contaminar o material reciclado”.

    Leda explicou que durante o desenvolvimento é preciso dar preferência à adoção de embalagens com um único material, o que facilita o processo de reciclagem, e reduzir o uso de componentes que interferem na qualidade do material reciclado. Sobre a reciclagem das embalagens plásticas, a pesquisadora explicou que as rígidas são mais fáceis de reciclar do que as flexíveis, e para o caso dos produtos menores, como ‘tampinhas’, uma solução são as campanhas que incentivam a reciclagem. “É preciso pensar em todos os elos da cadeia, ter o engajamento do consumidor para devolver esse material e desta forma aumentar as taxas de reciclagem”.

    Para enfrentar os desafios da sustentabilidade, a 3M passou a atuar em três pilares: “Ciência para Circularidade, com soluções para produzir mais com menos material; Ciência para o Clima, que busca descarbonizar a indústria e acelerar soluções globais para o clima; e Ciência para a Comunidade, para criar um mundo mais positivo por meio da ciência e inspirar pessoas, trabalhando a diversidade e a inclusão”, afirmou a especialista de Toxicologia da 3M, Mariana Penteado Soares.

    Dentro do pilar Ciência para Circularidade, a executiva apresentou o “Programa de Reciclagem de Esponjas Scotch-Brite”, desenvolvido em parceria com a TerraCycle, o projeto envolve a população que coleta as esponjas, leva a um dos mais de 2,6 mil pontos de coleta e que já reciclou mais de 1,9 milhões de esponjas. As pessoas recebem pontos por unidade de resíduo enviado e que são revertidos em doações financeiras para uma entidade sem fins lucrativos ou escolas.

    O investimento na capacitação técnica de recicladores é feito por meio de contribuições financeiras para o programa de reciclagem “Dê a Mão para o Futuro”. “Os recursos arrecadados são usados na compra de equipamentos, capacitação técnica e de gestão dos recicladores. O programa beneficia 150 cooperativas em mais de 100 municípios, distribuídos em 14 estados”. Nas plantas, a circularidade é exercida por meio do “Projeto CirculEar”, que promove o reúso e a reciclagem do resíduo gerado no processo produtivo dos protetores auriculares de espuma.

    Segundo a diretora de Economia Circular e Reciclagem da Braskem, Fabiana Quiroga, o setor produtivo trabalha na mudança da economia linear para circular. “Essa transformação é necessária e, para isso, foram assumidos compromissos de até 2050 alcançar a neutralidade de carbono, até 2025 produzir 300 mil toneladas de resinas e produtos químicos com conteúdo reciclado e chegar à marca de 1 milhão de toneladas até 2030. Além de recuperar 1,5 milhão de toneladas de resíduos plásticos até 2030 e 100% das embalagens plásticas devem ser reutilizadas, recicladas ou recuperadas até 2040”.

    Sobre as embalagens, Fabiana reiterou que é importante utilizar o design como caminho para facilitar a reciclagem. “Incluindo ações como a adoção de embalagens monoproduto, mudando a cor das big bags da própria empresa de marrom para branco, ampliando o leque de utilização do produto reciclado, e diminuindo as impressões nas embalagens, ponto crítico para a reciclagem”. O investimento em inovação nos processos de reciclagem também foi lembrado. “É importante inovar nos processos de reciclagem. Na mecânica, o trabalho é para eliminar as barreiras de utilização do reciclado trazendo mais qualidade, eliminando a cor e o odor. Na reciclagem química, trabalhamos na tecnologia de pirólise, que transforma o resíduo em óleo para gerar a nafta, que depois será usada nos crackers das plantas industriais”.

    O gerente de Pesquisa e De­senvolvimento – Adesivos Industriais Latam da Henkel e coordenador da Comissão Setorial de Colas, Adesivos e Selantes, Carlos Motta, afirmou que o primeiro passo para a promoção da economia circular é a conscientização sobre a coleta dos resíduos, classificados por ele como matéria-prima.

    Ao dividir o ciclo de vida de um produto em produção, uso e final da vida, Motta analisou: “Desde a produção existe a tendência de redução de peso com o objetivo de fazer com que os produtos sejam fabricados com a menor pegada de carbono possível. Já no final do ciclo de vida, o produto pode ser reusado várias vezes, como as garrafas retornáveis ou seguir para a reciclagem, onde é feita a coleta e separação dos diferentes materiais para serem reciclados”.

    Segundo ele, a economia circular deve considerar a manutenção do reuso dos recursos, o design para a reciclagem e a melhora na qualidade do material reciclado. “No desenvolvimento de um adesivo, precisamos pensar se ele vai possibilitar a reciclagem e a redução de peso. O adesivo não pode prejudicar a reciclagem, ele precisa ser facilmente separável, para permitir o reuso no caso das garrafas de vidro que são reutilizadas ou a reciclagem. Precisamos transformar o resíduo em valor e, caso não possa ser reciclado, precisa ser biodegradável”.

    A mesa redonda teve a mediação da gerente de sustentabilidade da Abiquim, Aline Bressan; e do vice-coordenador da Comissão Setorial de Colas, Adesivos e Selantes e gerente de Negócios de Coatings e Resinas Adesivas da Evonik, João Vinícius Souza. A apresentação do encontro foi feita pela gerente de comunicação da Abiquim, Camila Matos.



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