IFAT ENTSORGA 2012 – Feira alemã aponta queda nos custos de operação das tecnologias ambientais

química e derivados, IFAT, tecnologias ambientaisEsperar muito de uma feira de tecnologia ambiental realizada na Alemanha é compreensível. Afinal de contas, trata-se de país modelo no assunto, que fornece água potável de excelente qualidade para sua população, capta e trata 100% do seu esgoto (atendendo às exigentes normas europeias de remoção de nutrientes) e lida com muita eficiência com seus resíduos domésticos e industriais, reciclando e gerando energia com sua incineração. Nesse cenário ambientalmente correto, mais compreensível ainda é afirmar que a tradicional Ifat Entsorga 2012, ocorrida de 7 a 11 de maio em Munique, correspondeu com folga à expectativa dos interessados em conhecer o melhor da tecnologia para manter o planeta mais limpo.

química e derivados, ifat entsorgaCom 2.939 expositores, de 54 países, confortavelmente distribuídos em 215 mil metros quadrados do belo e funcional centro de exposições de Munique, por onde passaram 125 mil visitantes, a Ifat foi grandiosa não apenas em seus números finais, mas também em inovações tecnológicas. Não que a feira tenha sido palco de sistemas revolucionários para tratar água, esgoto, resíduos ou gerenciar matérias-primas (seus focos oficiais). Isso até mesmo porque o grau de evolução tecnológica na área já está bem elevado e praticamente todas as demandas atuais são bem atendidas. Mas era incontestável a boa quantidade de aperfeiçoamentos de sistemas e produtos, de competidores reforçando estratégias e, até mesmo, de anúncios importantes ao mercado.

Nesse último aspecto da Ifat, chamou atenção a presença, com um grande e movimentado estande, da alemã Basf, que foi à feira mostrar seus planos globais para o mercado da água. Além da importância do anúncio se dever ao fato de a empresa ser a maior indústria química do mundo, e que agora conta com uma unidade de negócios na área (Basf Water Solutions), o interessante na exposição foi a divulgação da entrada do grupo no campo das membranas de ultrafiltração, o que só comprova o potencial de crescimento dessa tecnologia e o firme propósito da empresa alemã de se tornar provedora de soluções mais completas para água.

Em agosto de 2011, a Basf comprou a conterrânea inge GmbH, importante fabricante de membranas e skids de ultrafiltração. Além de já ter extenso portfólio de produtos químicos para tratamento de água potável, efluentes e água industrial, como floculantes, coagulantes, inibidores de corrosão, anti-incrustantes, biocidas e agentes quelantes, muitas vezes formulados sob medida para demandas industriais específicas, a Basf com a aquisição agora conta também com uma solução física de futuro. E isso justamente por, entre outras vantagens, diminuir a quantidade de insumos químicos no tratamento de água, o que teoricamente pode parecer um contrassenso para uma empresa tão ligada à química como a Basf.

Mas é só se atentar às explicações do vice-presidente de marketing e gerenciamento de produto da unidade de negócios da Basf, Thomas Kreuzer, para verificar que não há nenhuma contradição na aposta na ultrafiltração. “Era o que estava faltando para a empresa entrar com mais foco no mercado da água. O uso das membranas cresce de forma irreversível em todo o mundo e temos know-how, como especialistas químicos, para melhorar ainda mais o desempenho delas”, disse Kreuzer.

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Kreuzer: faltavam as membranas para a Basf entrar de vez na água

E foi o que a Basf já fez nas membranas da inge, segundo continua a explicar o vice-presidente. “A sinergia possibilitou que melhorássemos a resistência da membrana”, disse. Isso foi possível também porque antes mesmo de resolver comprar a empresa, a Basf já era fornecedora da resina principal da membrana, a polieterssulfona (PES). Por ter bastante conhecimento técnico sobre o polímero, conseguiu modificar sua resistência à incrustação (fouling) com o uso de aditivos especiais. “Nesse pouco tempo a membrana já melhorou”, disse.

A membrana de ultrafiltração é denominada Multibore, com poros de fibra oca (hollow fiber) entre 10 e 20 nanômetros (3 mil vezes menor do que o diâmetro de um fio de cabelo), que combina sete capilaridades individuais em uma altamente robusta fibra, capaz de remover sólidos suspensos, bactérias, germes e vírus de águas poluídas. “Sua robustez aumenta a estabilidade da membrana e elimina o risco de quebra das fibras”, explicou Kreuzer, executivo oriundo da inge GmbH, empresa de Greifenberg, na região de Munique, com dez anos de existência, período no qual foram instaladas várias grandes instalações pelo mundo,

Uma vantagem competitiva da empresa incorporada é ela ser especializada não apenas na membrana, mas também na construção dos módulos tubulares e nos sistemas compactos integrados (racks) com as membranas. Os módulos são denominados dizzer XL e dispostos em dois modelos, um incorporando as membranas Multibore 0.9; o outro, a Multibore 1.5 m, com 60 m² e 40 m² de área de contato respectivamente.

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Ruetering: maior resistência com fibra oca entrelaçada por fios de PET

Já os racks construídos com as membranas integradas são a linha T-Rack vario. O sistema conta com os tubos de alimentação e drenagem integrando os módulos, com uma engenharia que torna a construção do skid até 60% mais compacta em comparação com os sistemas convencionais. A menor unidade disponível dos racks inclui quatro módulos das membranas em duas linhas de dois módulos cada. A maior delas contempla 80 módulos em um arranjo de quatro linhas. “Mas o cliente pode escolher configurações variadas com duas ou quatro linhas de módulos”, afirmou Kreuzer. A ideia da Basf é vender as soluções globalmente, incluindo o Brasil. Não por menos, a Basf Water Solutions participará da feira do setor sucroalcooleiro Fenasucro, de 28 a 30 de agosto, em Sertãozinho-SP, para apresentar as tecnologias.

Ultrarresistente – A profusão de empresas mostrando novos sistemas de membranas deixava bastante nítida a tendência de expansão da tecnologia para tratamento de água e efluentes. Ainda na área de módulos de ultrafiltração, era interessante a apresentação da alemã Membrana GmbH, que mostrava um diferente sistema de fibra oca integrante do módulo Liqui- Flux, que suporta 75 m² de área de membrana em um robusto vaso tubular de PVC.

A tecnologia emprega fibras ocas de polieterssulfona (marca UltraPES) entrelaçadas por fios de PET (Multifiber P.E.T.), para dar maior resistência mecânica e estabilidade de longo prazo para a operação. Elas são colocadas, no vaso, dentro de nove invólucros de polipropileno que formam o tubo, tornando a construção do módulo ainda mais robusta. Com tecnologia inside-out (fluxo de dentro para fora), as fibras ocas também são mais resistentes ao fouling, segundo explicou o gerente de vendas Martin Ruetering, por causa da resina empregada, o PES (o mesmo utilizado pela Basf nas membranas inge), que possui uma camada de revestimento hidrofílico na parte interna da fibra.

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Membrana Liqui-flux: Fibra oca com fios de PET e construção interna robusta de PP

Com indicações de uso comuns aos módulos de ultrafiltração, como água potável, pré-tratamento de osmose reversa, filtração de água de processo e polimento de efluentes, a Membrana é representada no Brasil pela empresa Intec, de Salvador-BA. Ainda como diferencial dos módulos, recentemente foi incorporada a tecnologia VCC, (variable connect concept), que permite aos integradores de sistema selecionarem vários tipos de conexões entre os módulos, com saídas dos concentrados em partes diferentes do vaso, capazes de tornar a engenharia do skid mais compacta ou otimizada, quando necessário.

MBR em alta – Dentro do amplo universo das membranas, que vai da microfiltração, passa pela ultra e nanofiltração e, por fim, finaliza com a dessalinizadora osmose reversa, uma modalidade de sistema bastante diversificada e com capacidade de operar tanto com a micro como com a ultrafiltração tem demonstrado grande crescimento. Trata-se do MBR, os membrane bio-reactors (biorreatores a membrana), tecnologia com a vantagem de unir o tratamento biológico com a ação da micro ou da ultrafiltração de contaminantes, em um mesmo tanque ou em tanques separados.

Tecnologia já consolidada, com muitas plantas instaladas no mundo (algumas no Brasil) para tratar esgoto doméstico ou efluente industrial, na Ifat havia novas versões de MBR em alguns expositores. Foi o que ocorreu na exposição da tradicional empresa sueca Alfa Laval, que mostrou seus módulos de MBR com chapas ocas de PVDF e suporte de polipropileno. Seu sistema é denominado Ultra Low TMP.

De acordo com o diretor técnico de MBR da Alfa Laval, Nicolas Heinen, a grande vantagem da alternativa da empresa sueca para a tecnologia é seu baixo custo operacional, em comparação com outros MBRs do mercado. “Sua operação é totalmente por gravidade, com baixa pressão”, explicou. Além disso, segundo Heinen, o sistema foi concebido com alta capacidade de filtração, em módulos extremamente densos com membranas, o que requer espaços menores para a instalação de tanques.

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Heinen: Alta Laval lançou MBR com menor consumo energético

Uma preocupação grande com o desenvolvimento, fruto do aprendizado com os principais gargalos de outras versões da tecnologia, segundo explicou o diretor, foi facilitar sua manutenção. Isso foi possível graças ao alto grau de eficiência conseguido com a circulação de líquido limpante dentro dos módulos das membranas, ocorrida em longos intervalos de operação contínua. Além disso, ainda de acordo com Heinen, o PVDF da membrana é muito resistente a ácidos, substâncias cáusticas e oxidantes, o que não só diminui a necessidade de intervenções para manutenção como aumenta a vida útil dos sistemas. Também conta a favor o design dos módulos, segundo ele menos propício a incrustações do que os modelos de fibra oca ou de placas planas tradicionais. “Os frames de aço inoxidável com as membranas de placas ocas são mais compridos e maiores do que o convencional, concentrando a filtração em menos equipamentos”, disse.

“O que constatamos no mercado é que o grande complicador dos MBRs tradicionais, além do maior custo operacional e de instalação em comparação com sistemas convencionais de lodo ativado e físico-químico, tem sido a complexidade do layout das plantas e os cuidados com manutenção”, explicou o diretor técnico. “Acreditamos que conseguimos resolver os dois problemas, com o extremo aproveitamento da gravidade, sua engenharia densa e compacta e também o baixo consumo de ar”, disse. Nesse ponto, o consumo de ar, necessário para criar bolhas em fluxo cruzado, é gerado apenas por um aerador simples no fundo do tanque.

O design apropriado para evitar fouling, conforme Heinen, é em virtude de o efluente limpo (o permeado) ser drenado de toda a superfície da membrana, saindo pelos dois lados de todos os elementos por conectores acoplados no topo da unidade. Isso significa uma queda de pressão nas membranas próxima a zero, evitando partes inativas nelas e aumentando assim sua resistência a incrustações. Já com unidades instaladas na Europa, o plano da Alfa Laval é expandir seu uso globalmente, inclusive no Brasil, segundo revelou Nicolas Heinen, que dirige o centro de negócios de membranas em Nakskov, na Dinamarca.

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LEAPmbr – Novo MBR da GE – Produtividade maior e menos energia

Novo da GE – Outra empresa importante da área que destacou um novo sistema de MBR, com anunciadas vantagens de custo operacional, foi a GE Water and Process Technologies. Com mais de mil unidades instaladas no mundo, boa parte delas oriunda da adquirida Zenon em 2006, o grupo norte-americano mostrava um novo conceito da tecnologia, denominada LEAPmbr, por meio da apresentação de uma unidade de demonstração. Segundo o gerente sênior de produto da GE Water and Process, Jeff Peeters, a produtividade do novo MBR foi aumentada em 15%, em comparação com a versão anterior das membranas de fibra oca (tipo espaguete) ZeeWeed 500. Conforme explicou, isso foi graças ao aumento da capacidade hidráulica da membrana de PVDF, por meio de melhorias na sua formulação que permanecem em segredo industrial.

O novo MBR também tem área de utilização 20% menor, o que foi possível em virtude do incremento da área de contato da membrana. “E também por causa da otimização do design do tanque no qual as membranas são instaladas”, disse. “O resultado disso tudo é que a mesma área de contato pode ser instalada em um tanque 20% menor do que a geração anterior da ZeeWeed 500, o que reduz os custos de construção da unidade”, complementou Peeters.

Outro trunfo do novo sistema foi a introdução da nova tecnologia de aeração LEAPmbr, que injeta bolhas de ar nas membranas com 30% menos energia. Além disso, seu sistema de válvulas e tubulações para aeração foi simplificado, facilitando a operação e reduzindo também os custos da unidade. Segundo Peeters, a ideia é passar a divulgar o sistema LEAPmbr também no Brasil. “É um produto com poder de difundir ainda mais o uso do MBR, por causa do seu custo menor”, explicou.

Japoneses atacam – Também a japonesa Toray, com amplo portfólio de membranas, da ultrafiltração a vários tipos de membranas de osmose reversa (a empresa foi uma das pioneiras na tecnologia), destacava novo módulo para MBR usando membranas de chapas planas submersas. Tratava-se de novo módulo da linha TMR090-025S da série Membray, com área de contato de membrana de 22.5 m².

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Yamamura: módulo menor de MBR dá maior flexibilidade nos projetos

Segundo disse o presidente da Toray Europa, Hiroyuki Yamamura, o novo módulo complementa a linha TMR090 com uma opção de menor tamanho, o que dá mais flexibilidade para a construção de unidades conforme as necessidades do cliente. “Antes tínhamos dessa linha apenas as versões com 45 m² e outra de 90 m², o que poderia limitar alguns pedidos de baixa vazão ou para atender determinadas especificações”, disse.

Todas as membranas, inclusive as de ultrafiltração usadas no MBR, são produzidas pela própria Toray, “ao contrário de outros competidores, grandes empresas, que compram de nós as membranas e colocam o logotipo deles”, revelou Yamamura, engenheiro pela Universidade de Osaka que por 20 anos trabalhou no centro de pesquisa e desenvolvimento da Toray. As membranas do MBR são de PVDF, na camada funcional, e de não-tecido de PET na camada base, para garantir alta resistência física e estabilidade química.

Segundo o presidente, a engenharia da membrana garante alta permeabilidade da água e um efluente de alta qualidade. Muitos poros de 0.08 mícron na superfície da membrana eliminam partículas acima de 0.1 mícron, garantindo a qualidade do filtrado.

“Além disso, a uniformidade do tamanho dos poros resulta em alta permeabilidade com mínima ocorrência de entupimento”, completou o presidente.

Outra vantagem da linha TMR090, de acordo com Yamamura, são os difusores de ar por bolhas finas. Essa tecnologia reduz a necessidade de operação de limpeza diária das membranas por flushing com a água tratada. E, além disso, também melhora a eficiência de dissolução de oxigênio no tratamento biológico. Também conta como vantagem cada elemento ser facilmente removido para inspeção ou substituição.

Para condomínios – Além da área industrial e de saneamento básico, o uso da tecnologia de MBR também pode ser voltado para pequenas aplicações, em condomínios, hotéis e prédios, com versões compactas. Nessa vertente, a alemã Huber Technology apresentou o interessante smartMBR, um sistema com design discreto, ideal para essas aplicações, em lançamento mundial na Ifat.

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Meeten: MBR para prédios com estética agradável

A linha é disponível em seis modelos, para tratar de 10 mil a 75 mil litros por dia de esgoto doméstico, e produz uma água limpa possível de ser reusada em funções não-potáveis ou para ser seguramente descartada no meio ambiente. O modelo em exposição era para 20 m³. De acordo com o líder da área de green buildings (prédios verdes) da Huber, Nick Meeten, seu formato bonito em um tanque de aço inoxidável, com a opção de ser pintado e/ou decorado, permite que ele seja instalado dentro ou fora de um prédio, sem afetar o visual do local. “E é muito fácil de instalar, por ser pré-montado em tamanhos padronizados, e de fazer a manutenção”, disse.

Utilizando membranas em placas de polietileno da Huber, marca BioMem, o sistema, controlado por CLP programado pela própria fornecedora, é montado integrado com painel de controle e a parte elétrica. “Apenas no start-up da operação é necessário um controle de algum operador, depois a máquina roda totalmente automatizada”, explicou Meeten. A água gerada pelo tratamento pode ser utilizada na irrigação de jardins, parques, campos esportivos, em descargas de privadas e para lavagem de pisos e pavimentos.

Osmose em conta – Ainda na área de membranas, só que dessa vez na última etapa de filtração da tecnologia, a osmose reversa, usada para dessalinização e desmineralização de água, a alemã Siemens mostrava seu novo sistema para o mercado europeu, o Vantage M83. Segundo o gerente global de produto da empresa, Doug O’Halloran, o sistema foi concebido para ter o menor custo possível de investimento e operacional na tecnologia.

“Usamos componentes de alta eficiência energética, combinados com modos flexíveis de operação, que tornam o sistema de baixo custo para produção de água industrial”, disse o gerente. O Vantage M83 requer uma área de instalação de apenas 82,5 X 429,5 cm e uma altura de 237,8 cm, o que permite ser facilmente adaptado em unidades industriais, segundo O’Halloran. “Ele é ideal para água de processo, para alimentar caldeiras e também para polimento de tratamento de efluentes e reúso”, completou.

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O-Halloran: osmose reversa com menor consumo de energia

O menor consumo de energia da unidade se deve principalmente ao uso de bombas controladas com acionamento de frequência variável, que proporcionam reduções de 15% até 60% em comparação com bombas convencionais. Além disso, o sistema conta com processo de limpeza química integrado à operação em linha. Embora atue no Brasil na venda de sistemas para água, a Siemens por enquanto coloca à disposição o equipamento para o mercado europeu, em três equipamentos-padrão: econômico, deluxe e select, todos em skid de aço estrutural revestido ou em aço inoxidável, se necessário. A unidade inclui filtro cartucho, bomba de alta pressão e vasos de plástico reforçado de fibra de vidro e membranas em filmes espirais.

Se a Siemens ainda não pensa em colocar esse novo sistema no Brasil, uma outra empresa alemã, OEM de unidades de osmose reversa, ultrafiltração, nanofiltração e microfiltração para as mais variadas aplicações, a MFT, sediada em Colônia, está interessada em entrar no Brasil, segundo revelou o seu diretor, Andreas Flach. “Estamos dispostos a ter representação no Brasil”, disse o engenheiro especia-lizado em tecnologia de membranas. A MFT (Membran-Filtrations-Technik GmbH) pode preparar com qualquer tecnologia de membrana, de vários fornecedores, skids completos para água de processo, efluentes, dessalinização de água do mar e reúso.

Desinfecção – As áreas dedicadas às tecnologias para água com certeza eram as mais interessantes para o visitante. Além das membranas, para onde a maior parte dos cérebros e olhos está voltada, outras soluções também tinham sua cota de importância na Ifat. A área de desinfecção, por exemplo, muito diversificada em termos de sistemas, era uma delas.

A finlandesa Kemira ressaltava no seu estande o sistema DesinFix, voltado para desinfecção de efluentes ou águas poluídas sem geração de subprodutos tóxicos. O sistema se baseia na ação de dois precursores, o ácido fórmico e o peróxido de hidrogênio, dispostos em vasos, os quais são dosados em unidade misturadora, responsável pela geração in-situ do desinfetante. A misturadora contém um vaso de reação embutido, bombas dosadoras e uma caixa de controle, instalados em um gabinete de aço de fácil acesso, com medidas de 2x2x1 metros. Todos os equipamentos e químicos são fornecidos pela Kemira.

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Laborda: desinfeccção com ácido fórmico e peróxido de hidrogênio

“Ele é um ótimo substituto para o cloro, sem gerar nenhum dos subprodutos dele, como os trihalometanos”, afirmou o gerente global para o mercado industrial e municipal, Steve Laborda. Sua concepção in-situ é ideal para preparar água de reúso para irrigação, agricultura, aplicações recreacio-nais (atende às diretivas da União Europeia para água de banho) e para uso industrial. “A mistura controlada dos dois precursores, o ácido fórmico e o peróxido de hidrogênio, forma um altamente eficiente biocida, que tem o ácido perfórmico como ingrediente ativo. Este, por sua vez, decompõe-se em radicais hidroxila para matar as bactérias”, explicou Laborda. A desinfecção dura alguns minutos e o ácido não pode ser detectado depois de uma hora da dosagem, quebrando-se em dióxido de carbono e água, sem subprodutos.

Segundo estudo elaborado pela Kemira, o custo total relativo do Desinfix é muito menor do que as tecnologias concorrentes, por causa de seu baixo consumo de energia, custo operacional baixo e mínima necessidade de manutenção. A comparação foi feita com as membranas de ultrafiltração (a mais cara), seguida pelo ozônio, o dióxido de cloro e a radiação de UV. Com a ressalva, é claro, de que o estudo não é independente.

Dióxido de cloro – Outra solução para desinfecção de água era apresentada pela norte-americana do ramo químico DuPont. Em seu estande, da divisão DuPont Water Technologies, o destaque ficava por conta da divulgação do dióxido de cloro Oxychlor, alternativa ao cloro que vem ganhando cada vez mais adesão no mercado mundial por ter a vantagem de produzir percentual muito baixo de subprodutos (com baixo impacto, principalmente cloratos e cloritos) e por ser efetivo para várias aplicações em tratamento de água.

A DuPont projeta geradores e cria as soluções químicas para gerar dióxido de cloro on-site, ou seja, na hora da aplicação, empregando a rota do clorito de sódio (NaClO2). São basicamente três plataformas de geração da linha Oxychlor: a MGII, cuja química da reação inclui o clorito de sódio e o gás cloro; a MG III, que utiliza o clorito de sódio, o ácido clorídrico e o hipoclorito de sódio: e a Oxychlor AC, com clorito de sódio e ácido clorídrico.

A linha de geradores MG, segundo explicou Marian Constantin, gerente de desenvolvimento de negócios da DuPont Water Technologies, conta com sistema edutor que apenas se alimenta com os precursores da reação quando há fluxo de água suficiente para produzir vácuo. “Quando esse nível é atingido, de 25% a 31% de clorito de sódio é induzido a se misturar no fluxo de água onde também se combina ou com o hipoclorito de sódio e o ácido clorídrico ou com o gás cloro dissolvido. Ambas as soluções geram um dióxido de cloro com concentração entre 1.000 mg/l e 3 mil mg/l”, explicou.

Já o gerador AC usa apenas o clorito de sódio e o ácido clorídrico para formar o dióxido de cloro. “Essa opção elimina completamente a necessidade de hipoclorito ou cloro e tem indicação para aplicações de pequeno volume, onde não há ou não se deseja uma fonte de ácido hipocloroso”, explicou Constantin. Segundo ele, o uso de dióxido de cloro tem aumentado globalmente, inclusive no Brasil, onde distribuidores já venderam do sistema da DuPont para unidades da siderúrgica Arcellor Mittal.

Embora tenha aplicações em vários setores industriais, como na fermentação de etanol, na indústria de bebidas e no abatimento de odores, o gerente considera o mercado de água estratégico para o crescimento do negócio que, na DuPont, começou em 2000 com a compra da empresa IDI. Isso porque seu potencial nessa área, em usos específicos, é muito variado. Vai desde a redução de formação de trihalometanos (THMs), um dos grandes problemas do uso do cloro em água potável, até a redução de íon bromato, a oxidação de ferro e manganês, redução de gosto e odor na água, inativação de vírus, prevenção e redução de biofilmes, pré-tratamento e aplicações de limpeza em membranas e recuperação e recarga de aquíferos.

“É bom lembrar que, embora tenha cloro na sua estrutura, o dióxido de cloro não produz os chamados DBPs [disinfection byproducts] halogenados dos compostos oxidados. Ele só reage com substâncias que doam elétrons em reações redox, tornando-o também um oxidante altamente seletivo, porque só ataca as ligações ricas em elétrons dos compostos orgânicos”, explicou. Sua ação desinfetante é efetiva contra bactérias, fungos, algas, vírus e microrganismos parasitas, rapidamente inativando por exemplo rotavírus e cistos de Giardia e Crypstoporidium oocysts. Além disso, por não depender de alteração do pH da água, ele ainda ataca o átomo de cloro ou o transforma em um composto orgânico, evitando a formação de orgânicos clorados como o clorofórmio, bromofórmio, dioxinas e THMs, caso o cloro esteja ativo na água.

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Gerador de ozônio Wedeco: eletrodo econômico

UV e O3 – Ainda na área de desinfecção, havia novidades em soluções de equipamentos, em UV e ozônio. No primeiro caso, a empresa Xylem Water Solutions (ex-ITT) mostrou a linha Spektron, da marca Wedeco, com novas lâmpadas, denominadas Ecoray, até 20% mais econômicas e para tratar o mesmo fluxo de água. “Elas atuam sob baixa pressão, sem gastar energia à toa”, afirmou o engenheiro da Xylem, Mario Sainz Martin.

Segundo Martin, as lâmpadas, monocromáticas, emitem luz UV a um comprimento de onda de 254 nm, inativando os patógenos. Podendo ser usada em várias combinações de força, seus ganhos, além da eficiência energética, também envolvem o uso de até 80% menos mercúrio do que a linha de lâmpadas anterior da Wedeco. “Como aspecto ambiental, a tecnologia também atinge redução de emissão atmosférica de até 500 kg de CO2 por lâmpada ao longo de seu ciclo de vida”, complementou o engenheiro.

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Mirco quer representante no brasil para UV italiana

Outra vantagem da nova UV é um sistema automático para limpar as lâmpadas (wipers) do biofilme e de incrustação, que não para de funcionar durante a operação, reduzindo a necessidade de manutenção. “Praticamente só vai precisar interromper a operação para trocar a lâmpada quando terminar sua vida útil, depois de 14 mil horas de operação”, disse Martin. Ainda em UV, a italiana Sita, de Gênova, destacava seus sistemas produzidos com lâmpadas de terceiros para qualquer tipo de aplicação (água potável, piscinas, efluentes). Segundo seu diretor, Mirco Bortesi, a empresa demonstra interesse em encontrar representantes no mercado brasileiro.

Além dos equipamentos de radiação ultravioleta, tecnologia que remove em 99.99% a presença de todos os patógenos em alguns segundos, a Xylem também apresentava novidades na sua linha de geradores de ozônio, tecnologia com um dos maiores poderes de oxidação. Especificamente, novas gerações das séries SMOevo e PDOevo, que foram concebidas com tecnologia aprimorada de eletrodos e melhorias no design.

O novo eletrodo, considerado o componente central do equipamento e que usa o oxigênio e a energia para gerar o ozônio, chama-se Effizon evo. E é aí que se concentram, logicamente, os ganhos dos novos geradores. “Eles precisam de 20% menos energia para gerar o ozônio”, afirmou o gerente de vendas da Xylem, Stephane Pilauer. A tecnologia do eletrodo também permite que seja dosado 30 vezes menos nitrogênio, em comparação com versões similares de concorrentes. “Isso reduz a formação de óxidos de nitrogênio (NOx) e o potencial de corrosão do equipamento, além de diminuir a necessidade de gás oxigênio utilizado”, explicou Pilauer.

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Pilauer: 20% menos energia para gerar o oxidante

Também conta como diferencial da nova geração a capacidade de operar, sem alterações, com água de resfriamento com temperaturas mais altas, de até 35ºC. Isso foi possível principalmente por causa de melhorias no design da parte hidráulica do gerador, com maior capacidade de dissipação do calor, ao mesmo tempo em que protege do stress mecânico o eletrodo. O resfriamento por água (ou ar) da unidade é essencial para dissipar o calor e manter a eficiência do processo de geração de ozônio.

Além de seus sistemas de UV e ozônio, a francesa Ozonia, do grupo Suez, destacava processos oxidativos avançados (POAs), que utilizam várias alternativas de combinação, ainda com o peróxido de hidrogênio (H2O2), para formar os radicais hidroxila (OH●), as mais potentes substâncias oxidantes. “Temos várias aplicações de sucesso em tratamento de efluentes e solos contaminados, tanto de origem municipal como industrial”, disse o vice-presidente da Ozonia, Farchad Kaviani.

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Kaviani: novo UV e combinações de POAs

As opções de POA da Ozonia são de ozônio com UV ou peróxido de hidrogênio ou de UV com H2O2. Uma solução ainda mais radical pode envolver os três oxidantes. Segundo Kaviani, na sua experiência de vendas de sistemas de POAs, águascontaminadas com poluentes persistentes são a grande aplicação para a tecnologia. Entrariam nessa lista: pesticidas, compostos disruptores endócrinos, fármacos (como diclofenaco e ibuprofeno), hormônios, MTBE, 1,4 dioxane, enfim, todas as substâncias mais tóxicas e persistentes, difíceis de serem tratadas com as tecnologias convencionais para água (inclusive a potável) ou solos.

 

 

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