Tintas e Revestimentos

Ice 2004 – International Coatings Expo

Maria Silvia Martins de Souza
5 de dezembro de 2004
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    Química e Derivados: Ice: Dana e Aufdembrink -  óleos vegetais ajudam a atender limites ambientais. ©QD Foto - Maria Sílva Martins de Souza

    Dana e Aufdembrink – óleos vegetais ajudam a atender limites ambientais.

    Possuirá três linhas de produtos formuladas à base de óleos vegetais e ácidos graxos: lubrificantes para refrigeração, ésteres para lubrificantes de alto desempenho, e lubrificantes já formulados, tanto de base vegetal biodegradável, como sintética. A expectativa é que cerca de 30% da produção seja exportada para a Ásia até o final do primeiro semestre de 2005.

    O sisal baiano é outro produto a deixar o Brasil para ser processado e ter valor agregado nas cinco fábricas da International Fiber Corporation, quatro em solo americano e uma na Bélgica. Vários tipos de fibras de sisal são fabricadas pela empresa a partir do tecido vascular da Agavesisalana, tendo como principal diferença os comprimentos médios da fibra. “Em tintas imobiliárias as fibras de sisal são usadas na obtenção de texturas decorativas, possibilitando aspectos visuais muito interessantes”, disse o gerente regional Michel A. Auth.

    Além de sisal, a empresa produz outras fibras naturais, como de algodão e celulose, e sintéticas, como poliéster, acrílico e nailon. As fibras celulósicas são usadas no controle reológico das tintas, propiciando menos gotejamento, borrifos e escorrimento do rolo de aplicação. Segundo informação de Auth, o uso das fibras aumenta a resistência do filme, reduzindo a necessidade de dispersantes.

    Fazendo um contraponto e divulgando tecnologia brasileira esteve na ICE a Brasilata, fabricante de embalagens metálicas que promoveu sua lata com sistema de fechamento “Biplus” para sistemas tintométricos. Bem aceita no Brasil e ganhadora de prêmios internacionais, a lata brasileira está patenteada nos EUA desde 1999. “Participamos da feira desde 2001. É preciso insistir, pois o mercado americano é bastante conservador com relação a tecnologias vindas de fora”, disse o gerente Luis Cláudio Siqueira. No México as dificuldades foram superadas em 2002, quando passaram a exportar para o Grupo Zapata, maior fabricante de latas de aço daquele país, com quem firmaram também contrato de licenciamento e transferência de tecnologia.

    Química e Derivados: Ice: Auth - fibras de sisal entram em texturas. ©QD Foto - Maria Sílva Martins de Souza

    Auth – fibras de sisal entram em texturas.

    Para facilitar a introdução no mercado americano, a Brasilata fez uma joint venture com a empresa americana Phoenix Container Inc., instalada em North Brunswick, Nova Jersey, que produz apenas baldes e que passou a comercializar os sistemas de fechamento Plus, Biplus e a linha de latas Plus UN para o envase de produtos perigosos, conforme prescrevem as especificações da ONU – Organização das Nações Unidas.

    Além da linha de embalagens para tintas e produtos químicos, pretendem promover também a nova lata Ploc Off para produtos alimentícios secos, que já é usada por clientes brasileiros exportadores nos segmentos de achocolatados, café solúvel, capuccinos e confeitos.

    Graças ao preço competitivo do aço brasileiro, a Brasilata pôde exportar para a Phoenix componentes para baldes, despachados de sua planta no Rio Grande do Sul, durante a escassez de aço ocorrida neste ano nos EUA. “Esperamos bons resultados nessa parceria”, disse Siqueira, informando que a visitação ao estande da empresa nesta edição foi melhor do que a ocorrida no ICE 2003 na Philadelphia.

    Surfactantes, resinas e aditivos – Alguns renomados expositores destacaram tensoativos derivados de flúor, caso da 3M e da DuPont que divulgou a sua linha Zonyl. Com aplicações na formulação de adesivos, tintas e outros revestimentos, esses compostos de flúor reduzem a tensão superficial permitindo melhor umectação do substrato. A figura 7 torna didática a compreensão desse fenômeno.

    Química e Derivados: Ice: Siqueira -  lata brasileira ingressa nos Estados Unidos. ©QD Foto - Maria Sílva Martins de Souza

    Siqueira – lata brasileira ingressa nos Estados Unidos.

    Os fluorosurfactantes são mais eficientes nessa redução do que os tensoativos produzidos a partir de hidrocarbonetos ou silicone. Graças a isso, as películas de tintas podem ser mais finas, tendo menos tendência a apresentar defeitos, tanto por aplicação com spray, como por métodos tradicionais.

    Esses tensoativos podem ser usados em sistemas aquosos ou base solvente, com pHs altos ou baixos, em produtos em pó ou ainda em revestimentos curados com luz UV. Em várias formulações, os fluorosurfactantes podem ser associados aos tensoativos tradicionais. Se não misturados, devem ser usados em quantidades menores do que as indicadas para tensoativos derivados de hidrocarbonetos, o que pode compensar seus custos mais elevados.

    No caso dos biocidas, a ICE-2004 contou com a presença da Rohm & Haas e do seu novo Rocima 200, que além das tintas pode ser usado em adesivos e materiais para construção. O agente ativo é o 4,5-dicloro- 2-n-octil- 4-isotiazolinona, cuja fórmula estrutural vem apresentada na figura 8. Esse ativo, disperso em veículo low VOC, tem amplo espectro de ação, sendo eficiente contra fungos, algas e bactérias.

    Usado nas concentrações recomendadas, oferece ao produto preservação de longa duração. É indicado para uso em sistemas base água, tanto em tintas de uso interno como externo.

    “O nível de uso adequado que varia de 0,12% a 0,57% em peso, depende de vários fatores, como as condições climáticas às quais a tinta será exposta, tipo de superfície a ser pintada e número de demãos aplicadas”, esclareceu a gerente de tecnologia da área de biocidas, Yudy Betancur. O produto é de fácil dispersão na tinta, e em princípio pode ser adicionado em qualquer momento de seu processo de fabricação. É preciso, entretanto, manuseá-lo com cuidado, já que é corrosivo para a pele e os olhos.



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