Tintas e Revestimentos

Ice 2004 – International Coatings Expo

Maria Silvia Martins de Souza
5 de dezembro de 2004
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    “Há redução de custo com o uso de nosso produto, porque ele substitui até 25% de TiO2 em formulações brancas, e nas coloridas torna possível a utilização de menos pigmento”, informou Stephanie Rose, técnica da divisão de papel e revestimentos.

    Salientando que os fabricantes de tinta do Brasil já têm esse produto disponível na sua filial brasileira, Stephanie disse que o Zeocros E110 tem alta pureza, umidade controlada e é produzido com rígido controle de tamanho de partículas e distribuição granulométrica. Pode ser usado em sistemas híbridos epóxi-poliéster e poliuretânicos.

    Química e Derivados: Ice: Susanne promete trazer os novos fosqueantes ao Brasil. ©QD Foto - Maria Sílva Martins de Souza

    Susanne promete trazer os novos fosqueantes ao Brasil.

    Agribusiness brasileiro – Alguns expositores da feira mostravam insumos para tintas obtidos a partir de produtos agrícolas importados do Brasil. Um deles era a americana Cardolite Corporation, que se intitula a líder mundial na tecnologia de produção de derivados de castanha de caju. De acordo com Ryan Davis do departamento de vendas, a empresa é possuidora de duas fábricas, uma em Nova Jersey, EUA, e outra em Zhuhai, na China e vende para mais de 50 países, tendo como única matéria-prima a castanha de caju importada do Brasil. Aliás, pequenos pacotes da castanha brasileira eram oferecidos como brinde aos visitantes do estande.

    Falando português fluente, aprendido nos anos que viveu em Portugal, Davis explicou que o maior constituinte do líquido extraído da castanha de caju é o cardonol (3-n-pentadecadienil fenol), cuja fórmula estrutural está na figura 6.

    Sendo molécula mista, com componentes alifáticos e aromáticos, é bastante reativo, propiciando a obtenção de uma série de derivados, como as fenalcaminas. Essas aminas constituem-se de poliaminas alifáticas ligadas a uma cadeia aromática com cadeia alifática lateral.

    Essa estrutura peculiar dá a esses compostos uma combinação única de propriedades desejáveis para agentes de cura de sistemas epóxi. “São os únicos tipos de endurecedores epóxi que possuem a característica de cura rápida das poliamidas alifáticas, aliada a pouca volatilidade e à baixa toxicidade inerentes às poliamidas”, disse Davis.

    As fenalcaminas permitem a aplicação do sistema epóxi a temperatura ambiente, ou em baixas temperaturas, e em ambientes úmidos, o que não ocorre com outros endurecedores. “Nossos produtos conferem ao sistema curado várias vantagens, como excelente resistência a ácidos, álcalis e à água salobra; flexibilidade a baixas temperaturas, resistência ao impacto, excelentes propriedades elétricas, baixa toxicidade e volatilidade”, afirmou Davis. Estamos voltados para os mercados americano, europeu e asiático, mas pretendemos em breve iniciar as vendas de nossos produtos acabados na América do Sul”, finalizou.

    Química e Derivados: Ice: 37. ©QDOutra empresa que baseia sua produção em matéria-prima agrícola importada do Brasil e da Índia é a também americana Caschem, do grupo Rutheford Chemicals LLC. A empresa produz óleo de mamona com várias especificações e graus de pureza, além de óleo de mamona polimerizado e desidratado. O gerente regional de vendas David A. Borowski recapitulou as propriedades do óleo de mamona, lembrando que ele contém cerca de 90% de ácido ricinoléico, um ácido C18 tendo dupla ligação na posição 9 – 10 e um grupo hidroxila no décimo segundo carbono. Quando esse grupo hidroxila e um hidrogênio adjacente são removidos numa reação de desidratação, uma dupla ligação adicional é criada, permitindo rápida polimerização e secagem, ou seja, o óleo de mamona originalmente não secante, uma vez desidratado torna-se um óleo secante de sabida utilização em vários tipos de tinta.

    Química e Derivados: Ice: Davis -  óleo de caju gera bom endurecedor de epóxi. ©QD Foto - Maria Sílva Martins de Souza

    Davis – óleo de caju gera bom endurecedor de epóxi.

    “Produzimos também uma linha de polióis derivados de óleo de mamona denominada Polycin, para uso em sistemas uretânicos”, disse Borowski. “Poliuretanas formuladas com estes novos polióis têm excelentes propriedades elétricas, baixa viscosidade, estabilidade térmica, excelente resistência à umidade e às baixas temperaturas, além de não conter VOCs”, informou. Segundo Borowski, a Caschem exporta para vários países, inclusive para o Brasil.

    Também a americana Cargill Oils & Lubricants promoveu seus óleos vegetais de soja, girassol, tungue, canola e derivados, tendo também os baixos teores de VOC como grande atrativo. Dana Craig, especialista de marketing, ressaltou as qualidades da nova linha Oxi-CureÒ desenvolvida para auxiliar os fabricantes de tinta americanos a atender a rigorosa legislação referente aos teores de voláteis, sem prejuízo de desempenho. São ésteres baseados em óleos vegetais altamente reativos e de baixa viscosidade. “A linha inclui diluentes e reagentes para sistemas uretânicos, vernizes para madeira e tintas mobiliárias, com secagem rápida, viscosidade controlada e baixos VOCs”, disse Dana.

    A empresa oferece também uma linha de óleo de linhaça polimerizado, que deve ser usado quando cor clara, baixa acidez e mínimo amarelecimento são necessários. Também presente ao estande da empresa, o gerente global de tecnologia, Brent Aufdembrink fez questão de destacar que às 51 fábricas que a Cargill tem em todo o mundo processando sementes oleaginosas, vai somar-se a mais uma a ser inaugurada em Mairinque-SP, resultado de uma joint venture com a também americana Hatco Corporation. A nova empresa batizada de Innovatti produzirá ésteres e lubrificantes vegetais. Os produtos da empresa serão voltados ao mercado de lubrificantes, segmento no qual pretendem ser líderes. Com investimento de cerca de US$ 4 milhões e com capacidade inicial de 10 mil toneladas ao ano, a fábrica da Innovatti, que ocupa uma área total de 12 mil m2 , usará tecnologia de ponta inédita no Brasil.



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