HBA: Onda natural serve de argumento para exportações

Feira de cosméticos demonstra interesse do setor em desenvolver produtos com ingredientes naturais da Amazônia para ganhar mercado externo

Química e Derivados: HBA: . ©QDA nona edição da HBA South America – Exposição Internacional de Tecnologias para a Indústria Cosmética reuniu 16.560 pessoas, entre os dias 11 e 13 de maio, no Transamérica Expo Center, em São Paulo. Organizado pela VNU Business Media Brasil, em parceria com a ABC – Associação Brasileira de Cosmetologia, o evento anunciou a tendência de matérias-primas multifuncionais e consolidou a crescente demanda por ingredientes de origem natural, sobretudo os provenientes da Amazônia.

Química e Derivados: HBA: Argila branca - formada após inundações nos rios da Amazônia. ©QD Foto - Cuca Jorge
Argila branca – formada após inundações nos rios da Amazônia.

A oferta maciça de matérias-primas naturais revelou o interesse da indústria nacional de aumentar os índices de exportação. E parece estar no caminho certo. As vendas externas de produtos acabados deste segmento têm apresentado saldo positivo: cresceram 19,4% em 2003, enquanto as exportações acumuladas no período de 1999 e 2003 demonstraram avanço de 104,6%. Os produtos de higiene oral são os principais responsáveis pelo índice. Responderam por US$ 64,3 milhões do faturamento, seguidos pelo segmento de tratamento dos cabelos (US$ 55,2 milhões) e de sabonetes (US$ 20,3 milhões), de acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec). O mercado doméstico também tem empolgado os profissionais da área. Segundo a Abihpec, o setor faturou R$ 11 bilhões em 2003. Nos últimos cinco anos, essa indústria apresentou crescimento deflacionado de 6,5%. De acordo com dados do Euromonitor de 2002, o Brasil já ocupa a sétima posição no mercado mundial de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos.

Foco na Amazônia – Seguindo a tendência anunciada nas edições anteriores, a HBA mostrou muitos lançamentos de produtos com apelo natural. A Beraca Sabará Químicos e Ingredientes, de São Paulo, apresentou a argila branca da Amazônia. Integrante da linha Rain Forest Specialties, o produto mostra-se rico em ferro, alumínio, boro, potássio, cálcio e enxofre. “É um ingrediente premium, com alto grau de hidratação e antioxidantes”, ressaltou o responsável pelo departamento de marketing da empresa, Daniel Sabará.

Química e Derivados: HBA: Sabará - a argila tem alto grau de hidratação. ©QD Foto - Cuca Jorge
Sabará – a argila tem alto grau de hidratação.

Formada nas ribanceiras dos rios após as inundações provocadas em época de chuva, a argila tem propriedades capazes de fortalecer o tônus da pele, reduzir as rugas e eliminar gorduras localizadas e celulite.

Para Sabará, o insumo age de forma direta no combate aos radicais livres. No entanto, além dos benefícios oferecidos às formulações cosméticas, há vantagens para a população ribeirinha do interior do País. A empresa atua a partir de um programa sustentável, no qual estimula a inclusão social da comunidade local.

A biodiversidade brasileira também foi o foco da exposição da Croda do Brasil, de Campinas-SP, por conta da linha Hydramazon. Composta por produtos com propriedades tensoativas, destinados a formulações hidrofílicas, a linha destacou os óleos hidrodispersíveis de castanha do Brasil, de babaçu e de maracujá. A Croda também levou para esta edição da HBA a família Crodamazon. Formada por óleos vegetais obtidos de polpas e sementes de fontes renováveis, a linha conta com produtos de andiroba, pequi e cupuaçu, entre outros.

Apesar de muitas companhias utilizarem o apelo natural desse tipo de matéria-prima, para Rogério Mancini, gerente de mercado da Volp, de Osasco-SP, distribuidora de ingredientes da marca Croda, os óleos amazônicos representam 0,01% do total de produtos comercializados pela empresa, denotando muito espaço para esse mercado avançar. Na opinião de Mancini, as linhas de origem natural são ideais para conquistar o mercado externo, pois fora do País essa tendência já está consolidada.

Química e Derivados: HBA: Mancini - grande potencial dos óleos amazônicos. ©QD Foto - Cuca Jorge
Mancini – grande potencial dos óleos amazônicos.

“No exterior, além da imagem, a preocupação é com o efeito do ingrediente na formulação. No Brasil, o trabalho está no começo”, comentou. Uma das principais vantagens do ingrediente dá conta também de sua multifuncionalidade. De acordo com Mancini, a manteiga de cupuaçu, por exemplo, destina-se a formulações para xampu, condicionador, batom e óleo para o corpo.

Por trás do enfoque nas matérias-primas naturais, a Croda também se respalda em programas de responsabilidade social. A empresa possui registros internacionais e nacionais para a extração e desenvolve um trabalho de preservação da natureza e de valorização da mão-de-obra local. Além das próprias empresas, a Abihpec também ancora sua atuação no uso sustentável dos ingredientes naturais. A entidade assinou termo de parceria com grupo de “compradores de produtos florestais certificados”, integrante da Organização Não-Governamental Amigos da Terra – Amazônia Brasileira. Em função desse acordo, a Abihpec tem acesso a informações sobre as comunidades produtoras, proporcionando oportunidades de negócios para seus associados e ampliando a promoção do uso sustentável da biodiversidade brasileira. Na avaliação da Abihpec, a parceria representa fomento e valorização de produtos florestais não-madeireiros, além de um apoio efetivo para as comunidades do interior do País, com criação de demanda para os produtos e operações certificadas.

Química e Derivados: HBA: Borba - ingredientes naturais são ativos especiais. ©QD Foto - Cuca Jorge
Borba – ingredientes naturais são ativos especiais.

De olho no potencial desse nicho de mercado, a Ion Tecnologias e Serviços, de São Paulo, reservou a divulgação de novos ingredientes da sua linha verde. “Ingredientes de origem natural são ativos especiais”, observou o gerente de produtos Eduardo Borba. Na linha Polygreen, da marca Polytechno, ele enfatizou o Orbignya beta. Trata-se de tensoativo anfótero originário do óleo de babaçu, desenvolvido para melhorar características espumógenas e a emoliência em xampus e sabonetes líquidos. No entanto, o principal diferencial da linha, conforme explicou, é a possibilidade da Ion Química de produzir a matéria-prima na unidade industrial, localizada em Guarulhos-SP. “Com tecnologia 100% nacional, tornamos essa alternativa verde mais acessível para a indústria”, ressaltou.

Na linha convencional da empresa, uma das novidades ficou por conta da Polybase Crystal, uma base auto-emoliente 100% livre de etoxilados e com propriedades extra-hidratantes devido à presença de um derivado do ácido glutâmico. “É uma base diferenciada, porque tem ação precursora ao PCA (hidratante natural da pele) e forma cristais líquidos, aumentando a estabilidade do produto”, Borba exemplificou.

Antiidade – O grande mote do tratamento da pele, os especialistas da área concordam, é o combate ao envelhecimento, fator este influenciado pelo aumento da expectativa de vida do brasileiro e pela intensa preocupação com a aparência jovem. As agressões do meio externo contribuem para a evaporação da umidade da superfície cutânea. Por isso, a Ion Tecnologias e Serviços importou o GPS, um bio-açúcar com ação vetorizada, da empresa Exsymol. Obtido a partir da condensação do metilsilanol (silício biologicamente ativo), com o dissacarídeo natural trealose, o GPS apresenta como proposta a reposição de moléculas de água perdidas na camada cutânea, retardando a formação de rugas.

A Vital Especialidades, de São Paulo, enfatizou os efeitos do Densiskin para o tratamento da pele. Trata-se de um bio-ativo, com ação hidrocalmante, capaz de reativar o metabolismo celular. Por meio de sua ação na matriz extracelular, o Densiskin aumenta a densidade da pele e age como hidratante e umectante, formando um filme bioprotetor, além de diminuir a expressão das matrizes metaloproteases.

Química e Derivados: HBA: Tatiana - ácidos urônicos da castanha. ©QD Foto - Cuca Jorge
Tatiana – ácidos urônicos da castanha.

Lançamento da Cosmotec, São Paulo, o Recoverine também atende às necessidades das formulações antiidade. “O ingrediente estimula a renovação celular e reforça a função de barreira”, afirmou a assistente técnica da Cosmotec, Tatiana Francine Roque. O Recoverine é rico em ácidos urônicos da castanha (Castanea sativa) e possui a função de restaurar a homeostase da barreira cutânea. O ativo age como um hidratante biológico, no fornecimento de subsídios para a pele restabelecer o seu próprio equilíbrio hídrico. “Quando se fala em hidratação da pele, não se pode mais visar um único parâmetro. É preciso manter o equilíbrio entre os processos de escamação, diferenciação e proliferação”, explicou.

Muitos em um – Outra tendência evidenciada na feira refere-se à proliferação de ingredientes multifuncionais, como é o caso do Hydrolite-5, da Cosmotec. Ingrediente destinado ao uso em skin care, hair care e sun care, trata-se de derivado pentaglicólico, detentor de atividade antimicrobiana e possuidor de efeito sinérgico com parabenos, além de contar com propriedade de hidrorrepelência em formulações para o sol. Outra vantagem dá conta do fato de a partir de 3,2% possuir apelo de preservative free.

“Dependendo da concentração, o produto elimina a necessidade de conservantes na fórmula”, observou Tatiana.

Também destaque da Cosmotec, o polímero de absorção UV Solamer GR8 é desenvolvido para proteger os cabelos contra os efeitos deletérios causados pelo sol. “Apresenta amplo espectro de absorção dos raios UVA e UVB”, explicou.

De acordo com ela, o produto agrega valor ao mercado cosmético por conta de efetiva proteção contra a fotodegradação da fibra capilar e o desbotamento da cor de cabelos tingidos.

Química e Derivados: HBA: Patrícia - aminoácido para pele e cabelo. ©QD Foto - Cuca Jorge
Patrícia – aminoácido para pele e cabelo

Na linha dos multifuncionais, a Divisão de Cosméticos da Makeni Chemicals, de Diadema-SP, preparou para a HBA o lançamento do Ultra Care – Poliquaternium 44. Fabricado pela Basf, o ingrediente é um polímero destinado a xampus, cremes e condicionadores de cabelo. Na verdade, trata-se de uma nova geração da molécula já desenvolvida pela Basf, o Luviquat Care. “No entanto, nesta versão o Ultra Care é 60% mais concentrado”, afirmou o gerente de negócios da Makeni, Ricardo Araújo. Para ele, a vantagem do produto está na possibilidade do consumidor lavar o cabelo, com o xampu que leva o ingrediente na fórmula, várias vezes, sem que haja o depósito de residuais nos fios. A empresa também divulgou o MPdiol, da Lyondell, um solvente utilizado, sobretudo em linhas de skin care. “O MPdiol promove uma hidratação maior da pele e melhor fixação da fragrância”, comentou Araújo.

A Chemyunion Química, de São Paulo, deu destaque ao Chemysoap, nome dado aos triglicérides de espécies do gênero Astrocaryum sp saponificados, para uso em sabonetes em barra ou líquidos. Entre os benefícios, a gerente de contas Valéria Barros Câmara ressaltou o alto poder de hidratação do produto, refletindo sua multifuncionalidade, pois abarca propriedades de limpeza e hidratação da pele. Além dessa característica, trata-se de um ativo de origem vegetal, oriundo da região amazônica. “O apelo natural vai ao encontro do interesse na indústria nacional de avançar no mercado internacional”, comentou. No entanto, de acordo com ela, para alcançar novos índices de exportação, é preciso trabalhar com tecnologia de ponta e não apenas ter acesso aos ingredientes de origem natural.

Representada pela Chemyunion Química, a empresa francesa Seppic esteve presente na feira com o agente clareador sepiwhite msh. Capaz de inibir todas as etapas do processo de pigmentação da pele, induzidas pela melantropina, o agente apresenta efeito clareador após sete dias de uso, por conta de em sua composição existir uma molécula similar ao antagonista do hormônio alfa MSH. “O produto organiza o processo de formação de melanina na pele”, explicou Valéria. Para o consumidor final, uma das vantagens do produto dá conta da possibilidade de ser aplicado ao corpo, durante o dia, sem causar qualquer efeito adverso.

Conhecida como uma das mais importantes indústrias de alimentos, a Ajinomoto, de São Paulo, participou desta edição da HBA pela primeira vez, reforçando o interesse da empresa em também ser conhecida no mercado cosmético. Na Divisão de Especialidades Químicas, o segmento representa 25% do faturamento. Para a supervisora técnica da Divisão Aminoscience, Patrícia Nozaki Nishimuta, a empresa, no momento, está focada na divulgação dos benefícios do aminoácido para as formulações voltadas para a área cosmética. “Poucos sabem, mas há uma infinidade de ingredientes derivados do aminoácido para esse mercado”, disse. Por conta dessa estratégia, na feira apresentou o Ajidew NL 50 (l-2-pirrolidona-5-carboxilato de sódio).

Trata-se de um umectante natural derivado do ácido glutâmico, obtido a partir do melaço da cana-de-açúcar. O produto permite boa retenção de umidade e apresenta toque agradável, conforme explicou Patrícia. Na opinião dela, o ponto forte fica por conta da versatilidade do Ajidew, pois é indicado tanto para formulações destinadas à pele como ao cabelo.

Química e Derivados: HBA: Liliana - ativo para reforçar barreira da pele. ©QD Foto - Cuca Jorge
Liliana – ativo para reforçar barreira da pele.

O evento também abarcou outros lançamentos da marca, como do Amisoft ECS-22SB, tensoativo aniônico derivado do ácido glutâmico e do ácido graxo de coco. Trata-se de agente de limpeza hipoalergênico, detentor de alto poder espumante e, de acordo com Patrícia, excelente efeito condicionante para a pele, destinado ao uso em sabonetes e cremes faciais de limpeza profunda, além de xampus. O Eldew SL-205 completou as novidades do estande da Ajinomoto. O lançamento é um emoliente derivado de aminoácido de alta polaridade, produto da condensação do ácido graxo de coco, sarcosina de origem vegetal e isopropanol. Esse emoliente se sobressai, de acordo com o fabricante, por conta da excelente capacidade de solubilizar filtros UV orgânicos e princípios ativos, além de possuir alta afinidade com pigmentos e permitir o uso de substâncias com baixa solubilidade nas formulações, aumentando a estabilidade.

Entre as novidades da distribuidora Bandeirante Química, de Mauá-SP, um dos destaques ficou por conta da linha Gemseal. Desenvolvido para atender a demanda por emolientes multifuncionais, o produto pode ser incorporado a diversas aplicações cosméticas. Em filtros solares, melhora a dispersão de protetores inorgânicos e aumenta a solubilização de filtros UV. Já em formulações skin care, possibilita o desenvolvimento de produtos não-comedogênicos (que não causa cravos e espinhas) e confere textura suave e sedosa à pele; enquanto se utilizado em produtos hair care, o Gemseal apresenta ação nutritiva, capaz de restituir e proteger os fios.

O Vital ET, um ativo biofuncional substantivo à pele, figurou entre os lançamentos do estande da ISP, de São Paulo. Entre os benefícios do ingrediente, a empresa enfocou a ação anti-eritema (reduz vermelhidão) e sua eficácia no combate à acne. A matéria-prima também se destacou por ser um ativo antiidade. Para a gerente de vendas personal care Brasil da ISP, Liliana Calore Brenner, a principal vantagem, no entanto, é a possibilidade de poder ser usado de forma preventiva, pois o Vital ET reforça a barreira da pele contra os danos causados pelo ambiente, além de servir como tratamento reparador, por conta de sua ação calmante. “Ele oferece uma sensação de bem-estar”, comentou. Para ela, sobretudo por conta das altas temperaturas brasileiras, o produto vem atender à necessidade cada vez mais solicitada pelo consumidor de proteção contra os efeitos do sol.

Química e Derivados: HBA: Ribeiro - brasileiro consome US$ 41,50 ao ano. ©QD Foto - Cuca Jorge
Ribeiro – brasileiro consome US$ 41,50 ao ano.

Pelo segundo ano consecutivo, os homopolímeros aniônicos e pré-neutralizados Rapithix A-60 e A-100 também estiveram no estande da ISP. Desenvolvidos para fabricação de emulsões com processo a frio, os produtos, de acordo com Liliana, apresentam performance superior, quando comparados a espessantes e estabilizantes comuns, daí o relançamento. Apesar de não se tratar de um produto de primeira necessidade, para Liliana o cosmético trata-se de um setor em evolução. “Um pequeno sinal de recuperação da economia já é suficiente para o mercado reagir de forma positiva”, comentou. Uma das maneiras da indústria nacional se manter em épocas de retração econômica, conforme apontou Liliana, é por meio da diversidade do portfólio de matérias-primas.

Assim como os produtos devem ser multifuncionais, as empresas não podem se limitar a linhas restritas de ingredientes.”A indústria hoje tem de ter um catálogo o mais completo possível”, avaliou. A área de personal care responde por 45% do negócio ISP; a empresa também atende os mercados farmacêutico, alimentício e químico.

A Ipiranga Química, de São Paulo, também se mostrou confiante na evolução do setor. Há apenas dois anos no mercado cosmético, o segmento de personal care da Ipiranga Química, em 2003, cresceu 30%, em relação ao ano anterior. Outro dado promissor dá conta do consumo médio do brasileiro com produtos cosméticos. De acordo com a distribuidora, este é de US$ 41,50, ao ano. Para o gerente de unidade de negócios Almir Ribeiro, dentro da empresa, a área está em fase de amadurecimento e tem muito a evoluir. Prova da aposta da companhia nesse setor está na inauguração de novo centro de distribuição, prevista para este ano. No local, o laboratório cosmético terá espaço cinco vezes maior ante ao atual.

De momento, a Ipiranga Química apresentou na HBA sua nova representada: a Oxiteno. Na tentativa de ampliar o leque de produtos, a Ipiranga passou a distribuir toda a linha de tensoativos da empresa, para as regiões do Sul, Centro-Oeste, Norte e Nordeste. Também inovou com o lançamento de pré-dispersões de filtros físicos à base de titânio e zinco, acopladas a conjuntos de tensoativos emolientes, da Granula. Outra novidade ficou por conta dos sistemas antimicrobianos, da israelense Sharon, e dos ativos da CPN, indústria da República Tcheca. Esses ingredientes agem de forma intensiva, pois contam com propriedade capaz de transportá-los para além da superfície da pele.

Química e Derivados: HBA: Artega - Rhodia cresceu 20% em cosméticos. ©QD Foto - Cuca Jorge
Artega – Rhodia cresceu 20% em cosméticos.

Preferência nacional – Nos últimos cinco anos, o ramo de produtos para cabelos teve média de crescimento anual de 22%, em faturamento líquido, segundo dados da Abihpec, consolidando-o no terceiro segmento mais lucrativo no mercado mundial de produtos personal care, segundo o Euromonitor. Esses números refletem a crescente oferta de produtos destinados para o tratamento capilar, de uso doméstico. Hoje o consumidor não precisa freqüentar salões especializados, para cuidar dos cabelos. Porém, a praticidade e a economia têm outro lado: os fios estão mais suscetíveis a agressões químicas.

Por conta desse quadro, a indústria tem se movimentado para oferecer formulações capazes de atenuar esses efeitos danosos causados nos fios. Em função dessa oportunidade de mercado, a Dow Corning do Brasil, de São Paulo, optou por destacar na feira os produtos voltados para proteção do cabelo contra o calor. A empresa oferece mais de 60 produtos de silicone. De acordo com levantamento da Dow Corning, cerca de 50% das novas formulações lançadas nos Estados Unidos no mercado de personal care contêm algum tipo de silicone.

De comprovada estabilidade térmica, os silicones da marca, de acordo com o fabricante, formam uma película protetora no fio, evitando, dessa forma, a perda de água e melhorando o aspecto sensorial. Um dos lançamentos ficou por conta de auxiliador de modelagem, voltado para o cabelo liso ou para o cacheado. “O produto mantém o cabelo liso por mais tempo e o protege dos danos causados pelo aquecimento”, exemplificou a analista de mercado Maria Claudia Ramos. Para ela, outra vantagem refere-se ao fato do produto já estar pronto. “Apresentamos a solução ao cliente”, comentou.

Destinada para a fabricação de xampus, a matéria-prima Genapol 23 2S esteve em destaque no estande da Clariant. Nas versões 70% e 25% e de origem sintética, o novo surfactante substitui os sulfatados de álcoois graxos C12/C14, de origem vegetal. De acordo com o fabricante, a eficiência entre as duas matérias-primas é similar, o ganho da substituição está no preço mais baixo do ingrediente sintético. A empresa também focou a divulgação da base auto-emulsionável Genamim CTAC-CP. Trata-se de mistura de surfactante catiônico, emulsionante e doador de viscosidade para preparação de condicionadores capilares. A principal vantagem está na possibilidade de ser aplicado a baixas temperaturas, ou seja, não requer aquecimento para sua utilização.

A Rhodia HPCII (Home, Personal Care & Industrial Ingredients), de São Paulo, divulgou o Miracare LSC276S (lauril éter sulfato de sódio, cocoamido-propil betaína, cocamida MEA, ácido cítrico). Indicado para xampus e sabonetes líquidos, o ingrediente destina-se a formulações com alto poder condicionante e apelo de suavidade. Para o gerente de negócios personal care da Rhodia HPCII, Francisco Arteaga, a empresa tem focado sua atuação em constantes desenvolvimentos, sobretudo por conta do potencial desse mercado. Em 2003, a área cosmética da Rhodia cresceu 20% sobre o ano anterior.

A radiação UV quebra as ligações dissulfídicas e decompõe o aminoácido triptofano do cabelo, resultando na perda da elasticidade e na ruptura dos fios. Em função desse efeito, a ISP apresentou o Escalol HP. Desenvolvido para evitar a suscetibilidade do cabelo à exposição solar, trata-se de um filtro solar quaternizado cuja proposta é melhorar a penteabilidade em até 60%, reduzir a quebra das ligações dissulfídicas na ordem de 45% e ainda diminuir a perda do triptofano em 25%. A novidade do produto está na sua forma de apresentação, agora em pó (antes era comercializado em cera). Para Liliana Brenner, a mudança facilita a incorporação nas fórmulas, otimizando o processo de fabricação.

A Merck promoveu nesta edição da HBA o lançamento do Xirona. Pigmento de efeito multicolorido, o Xirona apresenta a sílica, como substrato, em vez da mica que tende à escassez, de acordo com o gerente de produtos Ricardo Finzetto. Outra vantagem dá conta do efeito, chamado viagem de cores, baseado em ângulos de reflexão de cor diferentes. “O pigmento é branco, mas na formulação dá a impressão de várias cores”, explicou. Na linha de filtros solares, o Eusolex T-AVO, filtro inorgânico, foi o foco da marca, sobretudo porque possui especial cobertura de sílica, proporcionando compatibilidade completa com a avobenzona. Também destaque da Merck, o Eusolex UV-Pearls trata-se de um filtro orgânico de UV encapsulado em sílica. As vantagens dessa tecnologia ficam por conta da ampla flexibilidade oferecida aos formuladores na composição dos produtos. “Somos a primeira empresa a lançar filtro encapsulado”, disse Finzetto.

A participação da Rohm and Haas se realizou junto ao seu distribuidor D´Altomare. A empresa apresentou nova linha de biocidas Neolone. São conservantes para formulações cosméticas, sobretudo líquidos e cremosos. Além disso, também divulgou a linha Sunspheres, indicado para melhorar a aparência dos protetores solares na pele. “O toque é suave e não fica aquele aspecto branco na pele, após a aplicação”, disse o gerente comercial Erick Scoralick. O produto conta com um número reduzido de filtros solares, em sua composição, diminuindo a irritabilidade à pele e o aspecto esbranquiçado.

A novidade da M.Cassab, de São Paulo, SP, é da norte-americana Salvona Technologies, com a linha de encapsulados da marca. Trata-se da terceira geração de encapsulados, segundo o responsável pela área de novos produtos da empresa Ricardo Fernandes Silva.

Química e Derivados: HBA: Fernandes lançou encapsulados da Salvon. ©QD Foto - Cuca Jorge
Fernandes lançou encapsulados da Salvon.

Para ele, o lançamento possibilita o controle do ativo. Ou seja, o fabricante pode preparar o encapsulado para uma atividade prolongada do benefício e também direcionar o princípio ativo até o local onde sua atuação é necessária. “É possível desenhar o encapsulado de várias formas”, afirmou Silva.

Embalagem – Com faturamento global em 2003 de US$ 5,3 bilhões, a norte-americana Eastman Chemical Company decidiu intensificar seus negócios na área cosmética, estreando na HBA. A presença tem uma razão: era preciso um evento dessa abrangência para o lançamento do conceito The Glass Polymer. A idéia fundamenta-se na linha de copoliésteres de alta transparência da família Eastar. Na opinião do responsável pelo marketing da Eastman na América Latina, Rogério Assad Dias, a série se sobressai porque possibilita a imitação perfeita da embalagem de vidro, tornando o plástico uma solução sofisticada para atender às necessidades do mercado de cosméticos. “São copoliésteres de alta resistência, que substituem o vidro e oferecem liberdade de design”, afirmou Dias. O produto permite a criação de paredes grossas (acima de 10 cm) e amplia as possibilidades de moldagem, entre outros benefícios.

Química e Derivados: HBA: Assad acredita nas embalagens de copoliéster . ©QD Foto - Cuca Jorge
Assad acredita nas embalagens de copoliéster .

O lançamento trata-se da segunda geração da linha. As inovações respondem por mais flexibilidade na resina. De acordo com Dias, nos Estados Unidos, a Eastman tem avançado no mercado de perfumes, no qual o vidro é soberano. Segundo especialistas do setor, a vidraria responde por mais de 90% do total destinado a esta aplicação.

No entanto, por conta do Eastar, muitas indústrias têm substituído as embalagens de vidro pelas de plástico, como a Victoria Secrets. “Chegará um momento em que o vidro não terá mais espaço, por conta das barreiras técnicas, que restringem o design”, ressaltou Dias. Na opinião dele, o vidro limita as possibilidades de criação e hoje é preciso diferenciar o produto no ponto de venda. Segundo estimativa de Dias, nos Estados Unidos, a perspectiva é de em dez anos o Glass Polymer ganhar 20% do mercado de cosméticos, do segmento de vidraria.

A aposta da empresa no conceito se traduz em algumas metas. Para o gerente de vendas Mercosul da Eastman – Especialidades Plásticas, Gabriel Crosta, a companhia pretende aumentar em 20% as vendas da linha de plásticos especiais na América do Sul. “Recebemos visitantes, principalmente da Argentina e Chile, o que nos deixa muito otimistas em relação à possibilidade de consolidarmos futuros negócios”, entusiasmou-se.

Química e Derivados: HBA: Massara - o vidro ainda é mais sofisticado. ©QD Foto - Cuca Jorge
Massara – o vidro ainda é mais sofisticado.

Especializada na produção de frascos para as indústrias cosmética, farmacêutica e de perfumaria, a Wheaton Brasil, de São Bernardo do Campo – SP, enfatizou os benefícios da peça de vidro para o setor. Para o diretor da Wheaton Renato Massara Jr., já houve o momento do plástico, porém a indústria de forma geral precisa da sofisticação do vidro. “Um exemplo é a introdução da embalagem de desodorante roll-on em vidraria. É uma peça mais cara, porém que agrega valor”, comentou. De acordo com ele, nem a possibilidade de ruptura da peça é um empecilho, pois o fabricante dispõe de condições para reforçar a resistência da embalagem, tornando o material forte concorrente para o plástico também em frascos para xampus e condicionadores capilares.

“Quando você coloca o plástico na embalagem, está barateando o produto. No entanto, as características do mercado cosmético são de sofisticação”, avaliou. Para Massara Jr. o vidro também tem a seu favor o fato de ser 100% reciclável. Com parque industrial de 200 mil m², o grupo produz cerca de 3 milhões de peças por dia. No currículo, possui diversas premiações, como o de menção honrosa na Luxe Pack Mônaco.

A francesa Valois, de Itapevi-SP, empresa especializada na fabricação e design de peças de alto valor agregado, levou para a exposição a válvula Cocoon. De formato arredondado, a peça conta com mecanismo capaz de impedir o contato do produto com o ar, evitando residuais na ponta da válvula. De Mogi das Cruzes-SP, a Cebal, fabricante de bisnagas plásticas e laminadas da divisão Alcan Packaging, mostrou uma nova opção de tampa para bisnagas plásticas, diâmetro 50 mm. Do tipo flip-top, o lançamento é recomendado para empresas que envasam tubos plásticos pelo orifício de saída, em vez de envasá-los pelo fundo. Outra novidade ficou por conta dos webs laminados. Os tubos feitos com o designer web proporcionam, segundo Valdivo J. Begalli Jr., responsável pelo marketing da empresa, a flexibilidade necessária para diferenciar o produto no ponto de venda. Disponível para tubos de 25 mm e de 35 mm, os webs pigmentados podem ser desenvolvidos na cor desejada pelo cliente.

A constante renovação do setor também será notada na próxima edição da feira a ser realizada entre os dias 17 a 19 de maio, de 2005, no Transamérica Expo Center, em São Paulo. A HBA South America passará a se chamar FCE Cosmetique. Segundo a VNU, a feira deverá receber cerca de 17 mil pessoas nessa 10ª edição, com aumento de 5% no número de expositores e em área de exposição.

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