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Há relação entre alumínio e câncer de mama?

Quimica e Derivados
20 de janeiro de 2021
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    Sendo o Brasil um dos países com maior índice de utilização de desodorantes/ antitranspirantes do mundo, faz todo o sentido investir em inovação. A categoria cosmética é dinâmica e está sempre trazendo novidades que vão ao encontro dos desejos do consumidor: longa duração, efeito antibacteriano e antimanchas em roupas e clareamento das axilas. E uma das principais tendências para este tipo de produto é a busca por ingredientes de origem natural e a preocupação com o meio ambiente (ABIHPEC, 2019).

    Você sabia que o magnésio pode ser substituinte do alumínio que é utilizado como ingrediente ativo em desodorantes? Isto mesmo! O magnésio é um recurso natural que pode compor os desodorantes, a fim de entregar um produto mais seguro à saúde.

    Os desodorantes são substâncias utilizadas para combater ou disfarçar o odor, muitas vezes relacionado à inibição do crescimento bacteriano. Já os antitranspirantes visam diminuir a quantidade do suor, inibindo a produção ou dificultando a eliminação pelas glândulas sudoríparas e, consequentemente, evitando os efeitos desagradáveis do suor. Estes produtos apresentam em sua composição derivados de alumínio, sendo este o princípio ativo.

    Nas últimas décadas vem se questionando os efeitos do alumínio à saúde. Há vários profissionais de saúde (especialmente médicos e nutricionistas) que levantam esta bandeira, visto que o alumínio não apresenta qualquer papel dietético nos processos biológicos e metabólicos normais, podendo então desencadear efeitos adversos (alergênicos) e tóxicos (neurológico, pulmonar, na fertilidade, canceres, entre outros). O alumínio pode ser proveniente da alimentação (ervas, temperos, vegetais, legumes, alimentos industrializados, água), bem como de panelas de alumínio e antitranspirantes (FERREIRA et al., 2008; MANELLO et al., 2013; DARBRE et al., 2013).

    Neste sentido, na literatura ciêntífica há estudos que demonstram a relação do câncer de mama com o alumínio, já que este elemento químico é absorvido pela pele e acumulado em tecidos que possuem alto teor de lipídeos (exemplo: as mamas).

    O câncer de mama é considerado a principal causa de morte por câncer em mulheres brasileiras, correspondendo a quase 30% dos cânceres em mulheres. Em 2020, segundo o INCA, a estimativa de novos casos foi 66.280. O câncer de mama também acomete homens, porém é raro, representando apenas 1% do total de casos da doença.  A idade é um dos mais importantes fatores de risco para a doença (cerca de quatro em cada cinco casos ocorrem após os 50 anos), seguida de fatores ambientais e comportamentais, da história reprodutiva e hormonal, genéticos e hereditários (INCA, 2020).

    Apesar da relação do alumínio com o câncer de mama ainda não ser totalmente elucidada, existem evidências que nos fazem pensar a respeito. Alguns estudos científicos reportam que o alumínio pode danificar a integridade do DNA das células mamárias, provocando mudanças epigenéticas e alterando os padrões da expressão gênica (DARBRE et al., 2011; SILVA et al., 2011), além de aumentar a atividade migratória de algumas células cancerígenas de mama (DARBRE et al., 2013; FAVERO, 2010).

    Diante disto, como alternativa para minimizar a presença do alumínio no nosso organismo, podemos considerar o uso de desodorantes contendo magnésio de origem marinha, pelo fato deste mineral ser biocompatível (atua em diversos processos fisiológicos).  Assim, não há preocupação com a absorção do magnésio, muito menos com efeitos tóxicos. Inclusive, o magnésio tem sido atrelado no setor cosmético como um mineral que possui propriedades anti-inflamatórias, antioxidantes, e atua na produção de colágeno e na manutenção da flora bacteriana da pele.

    Outro ponto bem curioso é que a Agência de Vigilância Sanitária (ANVISA) determina que os antitranspirantes não sejam utilizados pelo público infantil antes dos 12 anos, devido à segurança. Isto deve-se ao fato de que somente na adolescência as glândulas sudoríparas apócrinas (glândulas presentes nas axilas) começam a funcionar. Logo, não faz sentido manipula-las. Além do público infantil, há muitos adultos que possuem peles sensíveis. Portanto, para estes consumidores, os desodorantes com magnésio marinho são adequados, pois são indicados para axilas sensíveis ou sensibilizadas, como no pós depilação, procedimentos com laser e alergias.

    Por fim, os desodorantes sem alumínio vêm para agradar aqueles que preferem controlar o odor, sem bloquear as glândulas sudoríparas e comprometer suas funcionalidades. A boa notícia é que já existem empresas cosméticas que estão comercializando desodorantes livres de alumínio! Desta forma, o acesso a estes produtos é mais fácil do que você imagina!

    Camilla Madeira
    PhD in Pharmaceutical Sciences, researcher, expertise in magnesium and product development in the pharmaceutical and food segment.



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