Química

H2O2 – Celulose garante expansão da oferta de peróxido de hidrogênio enquanto despontam novos usos

Marcelo Fairbanks
15 de novembro de 2009
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    Também o custo dos fretes impacta pesadamente o setor. “Eles é que ditam o limite geográfico de atuação das fábricas”, afirmou. A Evonik Degussa contrata transportadoras para distribuir seu produto pela região, incluindo as atividades de mineração no Peru, Bolívia e Chile, nas quais atua na eliminação dos cianetos residuais, formando o segundo maior consumo regional, estimado em 240 mil t/ano em base seca.

    Ahlemeyer explicou que o transporte é feito com o grau mais alto de concentração admitido, de 70%. “Poderia ser mais concentrado, mas esse limite é adotado por razões de segurança”, explicou. O produto recebe estabilizantes alcalinos na fábrica.

    Nascimento comentou que a concentração mais comum de uso industrial, de 50%, corresponde a 200 volumes, ou seja, cada litro de H2O2 libera 200 litros de oxigênio puro. “Garantimos a perda máxima anual de 1% em volume”, afirmou, considerando normal uma degasagem de 250 ml por mil litros de produto. Isso impõe cuidados de segurança, manuseio e estabilização química do peróxido. Os tanques, equipamentos e tubos devem ser dedicados para esse produto, mantidos isentos de qualquer contaminação. “Se a decomposição for iniciada, ela não para mais”, alertou.

    Usos ambientais – A área de tratamento de água e esgoto atrai o interesse dos fornecedores do peróxido para desenvolver aplicações. As represas para abastecimento de água potável da região metropolitana de São Paulo já estão usando o H2O2 para controle da população de algas, que deixam a água com cheiro ruim. “Estamos fornecendo o peróxido para isso, que é aplicado com um barquinho com sistema de aspersão do produto na superfície das represas”, afirmou Nascimento. Ele explicou que o próximo passo será a substituição do cloro no tratamento de água potável, evitando a formação de compostos halogenados orgânicos. O cloro, porém, será ainda usado para proteger a água contra contaminações nas tubulações.

    No tratamento de esgotos, o peróxido elimina os maus odores nas lagoas e permite o reciclo da água na agricultura. A Solvay tem tecnologia pronta para isso. “Oferecemos o peróxido para desinfecção da areia das praias, protegendo a saúde dos banhistas”, comentou Crauser, impressionado com o índice de contaminação dos balneários paulistas.

    Química e Derivados, Ralph Ahlemeyer, Diretor de negócios da unidade de químicos industriais da Evonik Degussa, H2O2, Peróxido de hidrogênio

    Ralph Ahlemeyer: óxido de propeno revolucionará mercado de H2O2

    Ahlemeyer aposta no crescimento do uso de peróxido de hidrogênio em sistemas de tratamento de água e efluentes, sendo capaz, por exemplo, de eliminar fenóis e outros aromáticos. “Qualquer insumo químico que for adicionado no processo precisará ser retirado dele na forma de lodo, aumentando o volume de material a ser depositado em aterros ou incinerado, ou seja, com custos elevados”, avaliou. O peróxido não deixa resíduos, proporcionando economia na despesa total. O insumo aumenta a quantidade de oxigênio dissolvido na água tratada, além de atuar como poderoso oxidante de materiais orgânicos e inorgânicos.

    Além disso, a Evonik Degussa oferece o insumo para tratamento de efluentes gasosos, remediação de solos e de lençóis freáticos. Isso poderia ser feito no caso dos vazamentos de tanques de postos de combustível. “Falta, ainda, contar com uma empresa que se especialize nessa aplicação do peróxido”, afirmou. Fluxos gasosos contendo SOx já estão sendo tratados com H2O2, eliminando a lama que se formava nos lavadores com névoa alcalina. Até a dessulfurização do diesel poderia ser feita com H2O2, mas isso demandaria desenvolvimento tecnológico, segundo o diretor.

    Ahlemeyer espera que a Copa do Mundo de futebol, em 2014, e a Olimpíada do Rio, em 2016, façam deslanchar os investimentos públicos em saneamento ambiental. A poluída Lagoa Rodrigo de Freitas, por exemplo, local das provas de remo, poderá ser uma grande consumidora do insumo. “Atualmente, a área de meio ambiente no Brasil consome algo entre cinco mil e dez mil toneladas/ano de peróxido”, calculou. Ainda é pouco, mas já representa uma sólida evolução quando comparada com a demanda de duas mil t/ano registrada há quatro anos.

    Na área de alimentos, a Evonik Degussa lançou neste ano um sistema de desinfecção para embalagens cartonadas multifolhadas (tipo Tetra Pack) com H2O2 a 35%, aplicado por imersão ou por aspersão, com tecnologia própria. Além disso, várias linhas de produção de alimentos e bebidas usam o peróxido como desinfectante, um mercado com bom potencial de crescimento. Até o branqueamento de açúcar pode contar com o peróxido para substituir o polêmico tratamento por sulfitação. “O açúcar fica mais branco, sem amarelar, e mais puro, sem nenhum residual de enxofre”, disse, salientando que algumas usinas já usam esse sistema.

    O peróxido no grau alimentício, certifi cado pela Anvisa e pelo Ministério da Agricultura, tem uso aprovado para contato direto com alimentos. Pode ser usado para branqueamento de carcaças de animais, de bucho e de mocotó. “Esses clientes são normalmente atendidos pelos distribuidores”, comentou Nascimento.

    Há usos no setor cosmético e farmacêutico. Antissépticos bucais e pastas dentais incluem o peróxido nas suas formulações, além dos produtos para descolorir cabelos. Nos domissanitários, o peróxido substitui os alvejantes clorados com a vantagem de danificar menos as roupas.

    O peróxido de hidrogênio também é usado para a produção de ácido peracético, um importante agente de desinfecção para a área farmacêutica e alimentícia. A Peróxidos do Brasil tem capacidade para produzir 10 mil t/ ano em Curitiba. “Nenhum micro-organismo resiste ao peracético”, explicou Nascimento. O desempenho é alto o sufi ciente para permitir a recuperação de cartuchos fi ltrantes das máquinas de hemodiálise. Ele explicou que esses cartuchos são reutilizados até doze vezes quando tratados com ácido peracético a frio. A limpeza automática CIP (cleaning in place) de cervejarias e laticínios também se vale do peracético para garantir a assepsia.

    A Evonik Degussa importa ácido peracético da Alemanha, mas admite a possibilidade futura de iniciar a produção local. A decisão depende da evolução da demanda.



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