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Química

H2O2 – Celulose garante expansão da oferta de peróxido de hidrogênio enquanto despontam novos usos

Marcelo Fairbanks
15 de novembro de 2009
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    Ahlemeyer concorda com a expectativa da transferência da produção de celulose para a região, na qual o crescimento das árvores é muito mais rápido. Mas comenta que o nível de utilização do peróxido no processo produtivo já chegou ao estado da arte mundial. “A demanda em celulose só crescerá com novas fábricas, porque toda a substituição possível do cloro já foi feita”, justificou.

    Esse fato, porém, não desanima os produtores. O diretor da Evonik Degussa lista de cabeça nove projetos de investimento anunciados em celulose até 2020 na região, dos quais sete ou oito serão no Brasil. “A produção de papel da China está em franco crescimento, mas eles não têm como produzir mais celulose por falta de áreas de plantio”, comentou.

    Na estimativa de Ahlemeyer, 60% do mercado mundial de peróxido de hidrogênio se refere à produção de celulose. No Brasil, esse percentual fica entre 70% e 75%. “É a produção de celulose que traz demanda suficiente para justificar a construção ou ampliação de uma fábrica de peróxido”, comentou.

    Oxidação de propeno – As bases do mercado mundial de peróxido de hidrogênio podem ser profundamente alteradas com a adoção de uma nova tecnologia de produção de óxido de propeno por oxidação direta usando o insumo. O novo processo dispensa a síntese de intermediários clorados e também a obtenção de monômero de estireno como coproduto (na tecnologia conhecida por POSM). Mais econômico e mais limpo, o novo processo tende a ocupar espaços e favorecer a oferta de derivados do óxido de propeno, como a dos polióis destinados aos produtores de poliuretanos.

    Maior produtora mundial de peróxido de hidrogênio, a Solvay aposta na tecnologia de grandes unidades em linha única para suprir unidades de óxido de propeno com a nova tecnologia, entre as quais as gigantes Dow e Basf. “Temos uma megaunidade para 250 mil t/ano operando na Bélgica que supre uma planta de PO operada em conjunto por Basf e Dow, estamos construindo outra megaunidade, para 350 mil t/ano na Tailândia, para suprir fábrica da Dow, e já estamos planejando outra gigante para o mesmo fim”, afirmou Crauser. Para ele, o fato de não competir com os produtores a jusante facilita as contratações.

    Ahlemeyer aposta nos diferenciais tecnológicos da Evonik para conquistar posição importante no PO. “Só a Evonik e a Basf detêm a tecnologia para a oxidação de propeno com peróxido, mas nós temos a vantagem da tecnologia DSHP, de síntese direta de peróxido de hidrogênio, que dispensa a antraquinona”, comentou. A tecnologia usada atualmente consiste na auto-oxidação da antraquinona, com sua regeneração imediata e liberação do peróxido. A Evonik montou a primeira unidade integrada de produção de peróxido e PO com tecnologia própria para um parceiro coreano. Instaladas na Coreia do Sul, as linhas têm capacidade para 700 mil t/ ano de PO e as necessárias 250 mil t/ano de H2O2. “Em poucos anos, a oxidação direta de propeno será a principal utilização do peróxido no mundo”, afirmou Ahlemeyer. Essa demanda dificilmente chegará ao Brasil, hoje abastecido por um produtor de PO que usa intermediários clorados.

    A Peróxidos do Brasil é a maior unidade do mundo de produção de H2O2 para destinos não-cativos (vendas ao mercado). A entrada das megaunidades não ameaça os planos da fábrica de Curitiba. “Para que as gigantes eliminassem as demais, seria preciso que elas tivessem um sistema logístico fantástico, praticamente impossível”, defendeu Nascimento. Os custos logísticos são fundamentais para o negócio, atendendo clientes na Região Norte do Brasil e também aos pedidos da mineração peruana, a mais de quatro mil metros de altitude, sempre com a máxima qualidade e segurança.

    Química e Derivados, Roberto Nascimento, Diretor-comercial da Peróxidos do Brasil, H2O2, Peróxido de hidrogênio

    Roberto Nascimento: logística e escala fabril garantem competitividade

    Nascimento explicou que a Peróxidos do Brasil mantém uma frota de 750 isotanques, a maior do mundo, incluindo equipamentos próprios e os alugados, para transportar o H2O2 com alta flexibilidade operacional. “Usamos caminhões de grande volume para levar o peróxido concentrado para os centros de diluição e distribuição em todo o país”, comentou, salientando que as operações são conduzidas pela própria Peróxidos, sem terceirização. “Se alguém acha que consegue fazer melhor e mais barato do que nós, por favor, se apresente, mas assuma a responsabilidade pela qualidade do produto”, desafiou.

    A logística da Peróxidos conta com o apoio de sua rede de distribuidores, os quais possuem estoques e instalações para diluição nos graus desejados pelos consumidores. A rede nacional, com mais de vinte distribuidores, absorve entre 18% e 20% de toda a produção da fábrica paranaense. Esses estoques também são estratégicos, apoiando a fábrica em situações pontuais de desabastecimento. Segundo Crauser, a planta de Curitiba possui tancagem para 10 mil metros cúbicos. Somado esse volume aos estoques dos distribuidores, o total armazenado pode suprir até três meses da demanda atendida pela companhia na região. Esse período é suficiente para trazer o peróxido de outras fábricas da companhia em caso de necessidade.

    A Peróxidos pretende inaugurar até dezembro deste ano dois tanques de armazenamento próprios, no total de 1,4 mil m³, em Concepción, localidade próxima a Santiago, no Chile. Até então, esse mercado é atendido por meio de isotanques. Crause explicou que os tanques foram situados em terreno da empresa onde se pretende construir uma planta de peróxido de hidrogênio para atender à crescente produção local de celulose, além de ser um ponto estratégico para atuar na costa oeste da América do Sul. “O problema é a falta crônica de energia e de gás natural por lá”, lamentou.

    Aliás, mesmo no Brasil, o custo do gás natural é considerado elevado. “É o nosso principal fator de custo, atuando como doador de hidrogênio para o processo, e está cotado duas vezes mais caro que nos EUA”, explicou o diretor-geral. Desde a sua inauguração, na década de 70, a Peróxidos usou a via eletrolítica para gerar o hidrogênio, substituída pela nafta e, mais tarde, pelo gás natural, ainda o mais econômico. A Solvay estuda novas fontes de hidrogênio, aplicando tecnologias próprias.

    Ahlemeyer, da Evonik Degussa, também reclama do custo do gás. “Antes da crise, os custos estavam alinhados com os valores globais, mas depois da crise, os preços do gás lá fora caíram muito, nos EUA foram de US$ 12 para US$ 3 por milhão de BTUs, mas no Brasil não houve nenhuma redução”, lamentou. O mesmo se verificou com a eletricidade, outro insumo importante para a produção de H2O2.



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