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GTM comprou quantiQ de olho na liderança na América Latina

Marcelo Fairbanks
28 de fevereiro de 2019
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    Química e Derivados, GTM comprou quantiQ de olho na liderança na América Latina - Distribuição

    Concluída em janeiro de 2017, a aquisição da quantiQ pelo grupo GTM mexeu com o setor de distribuição química no Brasil. Vendida por R$ 550 milhões pela Braskem, a distribuidora é a maior do ramo no país e esse movimento foi visto como um sinal do interesse de investidores internacionais no mercado local.

    Após a aquisição, a GTM (comandada pela Advent International) transferiu sua sede da Guatemala para o Brasil, tendo como CEO (presidente) o executivo José Berges, com larga experiência no país. Ele veio para cá em 1994, para gerenciar a área de especialidades químicas da Degussa, empresa na qual desenvolveu carreia aqui e outros países.

    “Quando cheguei ao Brasil, as coisas estavam em fase de mudança drástica, pois o governo Collor havia aberto o mercado para importações e a demanda era enorme. Quem tinha produto era o rei da cocada preta”, brinca. Isso se refletia no relacionamento entre fabricantes e distribuidores, cuja atuação dependia de contratos draconianos de suprimento.

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    Voltando ao país em 2017, Berges encontrou uma situação muito diferente. “Hoje, a concorrência por aqui é global, todos os grandes players, sejam fabricantes ou distribuidores, estão aqui. Assim, a distribuição só faz sentido se prestar serviço completo aos clientes”, considerou.

    Durante os primeiros anos à frente da adquirida, Berges reformulou a equipe, buscando adequar a estrutura organizacional à da GTM. Permanece a tarefa de reforçar as sinergias entre as atividades desenvolvidas em outros países. “O Brasil representa 40% do nosso faturamento, mas embora seja grande e tenha um portfólio amplo, em algumas áreas a GTM tem melhor penetração; a ideia é combinar o melhor das duas”, explicou. A GTM mantém estrutura central de compras em Houston (TX, EUA) e escritórios de compras na Coreia do Sul e na China, além de parcerias com empresas comerciais da Índia e Alemanha. “Temos um sourcing muito robusto, podemos trazer para cá aquilo que o mercado demandar”, disse. Da mesma forma, produtos locais distribuídos pela quantiQ também são oferecidos para clientes internacionais do grupo, dentro dos limites previstos nos contratos.

    Em 2018, a quantiQ comprou o contrato de distribuição nacional dos produtos da Oxiteno que estava em poder da GAP Química, ampliando seu portfólio. “Esses produtos são de classe internacional e muito importantes para reforçar nossa participação em household e personal care”, comentou Berges.

    Ele salientou que a GTM quer ser a maior distribuidora química na América Latina e a aquisição da quantiQ foi fundamental, pois aumentou o faturamento e abriu caminho para atuar no mercado brasileiro. “Nossa meta é chegar a um faturamento anual de US$ 1 bilhão nos próximos dois ou três anos, já estamos em US$ 650 milhões”, informou Berges.

    Além do Brasil, a GTM também investiu pesado no México. De 2016 para cá, segundo o CEO, as vendas da GTM triplicaram por meios dessas aquisições, atestando o fôlego do grupo empresarial. Houve recentes mudanças de governo nos dois países, embora em sentido inverso – Lopez Obrador é considerado de esquerda, enquanto Bolsonaro pende para a direita liberal. “O resultado da eleição mexicana foi muito bem recebido por todos e há um forte otimismo por lá, assim como no Brasil”, informou, comentando que outros dois países da região tiveram eleições em 2018. Na avaliação de Berges, a região não está aproveitando o seu potencial de crescimento muito por causa da persistente instabilidade política e econômica.

    Berges explicou que a GTM e a quantiQ dividem a atividade de distribuição química em quatro negócios: produtos industriais, especialidades químicas, soluções para clientes, serviços logísticos e armazenamento. “Estamos crescendo em todas as áreas”, afirmou, salientando que a quantiQ já contava com grandes bases de operação em Guarulhos-SP, Mauá-SP, Canoas-RS e Duque de Caxias-RJ, além de estruturas regionais espalhadas pelo Brasil.

    O grupo GTM obtém cerca de 50% de seu faturamento com os produtos industriais, as commodities químicas. Berges comentou que a taxa de crescimentos dos produtos não-commodities é maior, mas que a companhia não quer perder posições nas vendas de itens de grande volume. “Vamos entregar o que o cliente precisa, e eles sempre precisarão de commodities, podemos crescer também nisso”, ressaltou.

    A companhia pretende alcançar robusto crescimento orgânico, mas não descarta futuras aquisições na região. “Temos recursos financeiros, vontade e apoio dos acionistas”, comentou. A empresa está bem posicionada na Colômbia e no Peru (comprou a líder Peruquímicos), mas não atua no Chile e na Argentina, mercados estratégicos. “Nos próximos doze meses teremos operações também nesses países”, revelou.



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