Alimentos e Bebidas

Gomas alimentícias – Alto desempenho e rótulos limpos

Renata Pachione
23 de junho de 2020
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    Peculiaridades – O universo das gomas é vasto e particular. Conhecidos pela alta capacidade de se ligar à água, os hidrocoloides, no processamento dos alimentos, funcionam como espessantes ou podem agir como emulsificantes e estabilizantes. Algumas gomas funcionam como agentes gelificantes e de suspensão, ou ainda como formadores de corpo; multifacetados podem também aumentar a capacidade de dispersão de gases em sólidos ou líquidos.

    Química e Derivados - Classificação de Gomas

    Classificação de Gomas

    Por conta dessa pluralidade, é difícil saber em qual classe de aditivo a goma melhor se encaixa. “Depende, pois cada hidrocoloide tem sua característica e perfil reológico”, comenta Suzan. No entanto, tendo em vista apenas a sua performance primária, o ingrediente pode ser considerado espessante ou gelificante.

    Mariana ressalta que o papel dos hidrocoloides se expandiu bastante, ao longo dos anos, ajudando os formuladores a resolver muitos desafios como, por exemplo, melhorar a estabilidade de iogurtes líquidos durante o shelf life e a tornar viável a produção de bebidas alternativas ao leite, estabilizando as proteínas vegetais, entre tantas outras aplicações.

    Há uma diversidade significativa e muito positiva para o uso das gomas na indústria alimentícia. Segundo Zoia, em lácteos, sorvetes e panificação, por exemplo, existem diversas alternativas para a mesma aplicação, levando em consideração custo-benefício, performance técnica e garantia de fornecimento para o cliente.

    Não por acaso, as categorias em expansão hoje são as de snacks e os confeitos. A primeira tem ofertado soluções saudáveis e assim ganhou a preferência dos consumidores que querem praticidade aliada à nutrição. Enquanto o segmento dos confeitos agregou valor às balas e aos chocolates com a inclusão de ingredientes naturais e funcionais. “Eles se tornaram uma fonte de nutrientes em um formato mais atraente e divertido”, observa Suzan.

    O consumidor conta, hoje, com ingredientes de diferentes fontes. As gomas podem ser extraídas de algas marinhas ou exsudadas de árvores e sementes; também podem resultar da biossíntese de micro-organismos e da modificação química de polissacarídeos naturais. Uma peculiaridade do setor se dá pelo fato de muitos hidrocoloides serem produzidos a partir de recursos naturais. Essa característica chega a ser desafiadora para a indústria, pois seu fornecimento pode ser interrompido abruptamente, seja por condições climáticas ou pela instabilidade regional. “Se houver uma grande seca, por exemplo, o mercado pode sofrer com grandes flutuações de preço ao longo do ano”, diz Mariana.

    Andreia observa outra questão sobre o setor, especificamente acerca da indústria nacional. Segundo ela, o Brasil não investe em tecnologia para a produção de matérias-primas essenciais para o mercado alimentício. “Poderíamos produzir muitas das gomas, mas elas vêm dos Estados Unidos, China e Índia, entre outros. Temos em nosso país apenas algumas gomas provenientes de ambientes naturais, como a pectina”, conclui.



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    Um Comentário


    1. Aldemir Martins

      Parabéns pela materia, gostaria de receber mais conteudos, em especial sobre polimeros nateriais e a inovação em manter o microbioma natural humano.



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