Comércio e Distribuição de Produtos Químicos e Especialidades

Glicerina – Crescimento do biodiesel provoca inundação no mercado de glicerina, incentivando a descobrir novas aplicações

Marcelo Fairbanks
16 de julho de 2009
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    O pesquisador pede atenção ao uso do glicerol como base para a produção de ésteres, éteres e acetais com aproveitamento como aditivos para a gasolina, diesel e ao próprio biodiesel. “O banimento do MTBE nos Estados Unidos estimula a desenvolver outros aditivos oxigenados que o substituam”, disse. Ele explicou que a glicerina não é miscível à gasolina e ao diesel, exigindo a conversão em derivados adequados, cujo mercado potencial foi calculado por Mota em 7 milhões de t/ano em equivalente de glicerina.

    Da reação do glicerol com isobuteno, saem éteres para aditivação do diesel e do biodiesel. Ainda precisa de mais estudos a obtenção de aditivos pela reação de álcoois primários (como o etanol) com o glicerol, de modo que forneça aditivos de fonte renovável.

    Acetais e cetais da glicerina também servem como aditivos para combustíveis, segundo Mota, melhorando a sua fluidez e reduzindo a emissão de particulados. Acetatos de glicerol (acetinas) podem ser adicionados ao biodiesel, com vantagens.
    “Cada um desses aditivos melhora propriedades específicas de cada combustível, podem aumentar a octanagem da gasolina em até dois pontos, mesmo sem adição de etanol, ou reduzir a formação de goma da gasolina”, comentou. Mota também explicou que a estrutura dos éteres e dos acetais pode ser modificada para gerar melhoradores de fluidez para biodiesel, muito úteis no caso dos derivados de sebo ou de óleo de palma, que podem se solidificar em dias mais frios. “Eles abaixam o ponto de fluidez em cinco graus no éster obtido de sebo”, disse.

    A química da glicerina também permite desenvolver aditivos antioxidantes para o biodiesel, hoje obtidos por rotas petroquímicas e considerados como especialidades dominadas por poucos produtores mundiais. “Uma planta de antioxidantes não seria grande, nem muito complexa, e poderia ficar ao lado das usinas do biodiesel, exigindo apenas um reator, os reagentes e catalisadores adequados”, explicou. Haveria a vantagem de estocar e escoar o aditivo já misturado ao éster, com ganho logístico. Essa aplicação ainda depende de uma avaliação de desempenho e da aprovação da ANP. Mota teme que o aditivo seja identificado como glicerina associada nos testes padronizados de qualidade do órgão, que precisariam ser revistos.

    O biodiesel no Brasil ainda é uma novidade. O aproveitamento da glicerina, mais ainda. Isso implica a necessidade de pesquisas em vários campos, desde os processos produtivos iniciais. “Todos os experimentos que conduzimos na universidade tomam por ponto de partida o glicerol puro, ainda é preciso estudar a purificação de glicerina”, exemplificou. O custo da purificação poderá, eventualmente, tornar inviável uma ou outra alternativa descrita.

    Mota observa, também, que o processo produtivo do biodiesel em evolução. “Ainda temos muito para avançar, por exemplo, em catálise heterogênea e linha de operação contínua”, comentou. “Esses avanços terão reflexos na qualidade da glicerina.” Ele participa da Rede Brasileira de Tecnologia de Biodiesel, que congrega várias universidades e institutos de pesquisa do país sob a coordenação do Ministério de Ciência e Tecnologia, com o objetivo de traçar planos de pesquisa e elaborar uma política tecnológica para a atividade. Essas diretrizes orientam a concessão de verbas do CNPq, por exemplo. Está programado para novembro o Congresso Anual da rede, que deverá abrir espaço para as empresas do setor. “Queremos atrair as produtoras de biodiesel para a discussão e podemos tê-las também como palestrantes”, informou Mota.



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