Laboratório e Análises

Instrumentação Analítica – Fusão cria gigante do analítico

Marcelo Fairbanks
18 de dezembro de 2010
    -(reset)+

    Também os remédios de origem natural, como os fitoterápicos, abrem novos campos para a instrumentação analítica. “É preciso determinar os princípios ativos e também as contaminações presentes nos extratos vegetais”, exemplifica Castanheira.

    Todas essas aplicações se servem do arsenal analítico atualmente disponível, exigindo, porém, o conhecimento das técnicas para a elaboração de novos procedimentos e ensaios de análises. Mesmo no caso das simples repetições de protocolos conhecidos, é preciso contar com pessoal qualificado nos laboratórios, para evitar erros.

    Castanheira enfatizou a importância de o Brasil melhorar a formação de técnicos e analistas de nível superior, capazes de aproveitar a tecnologia disponível da melhor forma possível. “Temos clientes que não conseguem expandir suas atividades analíticas por falta de pessoal qualificado”, afirmou. A situação só não é pior porque os fabricantes de instrumentos investiram muito nos últimos anos em softwares de controle e operação dos instrumentos, atualmente capazes de realizar milhares de análises sem a intervenção de operadores. “Estes, porém, precisam preparar bem as amostras para alimentar os instrumentos”, salientou.

    Química e Derivados Cromatógrafo líquido modular LC 1200 da Agilent

    Cromatógrafo líquido modular LC 1200 da Agilent

    Além da operação automática

    É possível deixar um instrumento trabalhando sozinho durante toda a madrugada, por exemplo – e das rotinas de autoajuste e autocalibração, os fabricantes também dotaram seus instrumentos de sistemas de validação e rastreamento das análises em conformidade com as principais normas internacionais. “Essa parte, voltada para o aumento da produtividade laboratorial, avançou mais que as técnicas analíticas propriamente ditas nos últimos anos”, admitiu Castanheira.

    Para o futuro, ele espera que os sensores tirem proveito dos avanços da nanotecnologia para ampliar sua capacidade, oferecer novas funções e ainda ganhar praticidade em relação aos atuais. A tendência de criar analisadores dedicados para uma determinada substância ou elemento químico utilizando instrumentos de uso geral, como cromatógrafos, não deve ir muito além da situação atual. “Onde for possível instalar um analisador dedicado, ele certamente estará lá, mas eles sempre serão mais limitados que os instrumentos de bancada”, explicou. Como exemplo, ele citou as análises de cunho ambiental. “Já estamos falando na detecção de atogramas, ou seja, uma escala mil vezes menor que um fentograma, isso só se consegue dentro de laboratórios.”

    Linha ampliada

    A incorporação da Varian abriu para a Agilent a possibilidade de atuar em maior número de clientes e produtos a analisar. A compradora já tinha liderança nas técnicas de cromatografia gasosa (GC, indicada para analisar substâncias voláteis) e líquida (LC, para substâncias termicamente sensíveis), e espectrometria de massa (MS, para detecção e diferenciação de elementos e substâncias, geralmente associadas a uma técnica de separação, como os cromatógrafos) com ou sem acoplamento a plasma (ICP, acessório para análise de metais em baixa concentração).

    As linhas da Varian abrem as portas para a aplicação de espectroscopia atômica por absorção (usada para determinar resíduos de metais pesados, teor de nutrientes em plantas ou para detectar metais em lubrificantes, um indicador de desgaste), bem como para usar a técnica altamente sensível de armadilha de íons (ion trap) em MS, além do plasma induzido óptico, mais econômico que a técnica de ICP/MS.

    A Varian também desenvolveu alta tecnologia em instrumentos analíticos por ressonância magnética nuclear (RMN), com usos nas linhas químicas e farmacêuticas, gerando imagens que mostram em que posição se localiza um determinado resíduo ou contaminante, facilitando a determinação de métodos de intervenção. Também auxilia a determinar estruturas moleculares.

    A adquirida também desenvolveu bem as bombas de alto vácuo, aparelhos de cromatografia líquida preparatória (usada para separar os constituintes de extratos vegetais, por exemplo), linhas de equipamentos completos para testes de dissolução, que simulam a deglutição de remédios no corpo humano, para avaliar a taxa de absorção dos fármacos e o comportamento dos revestimentos.

    A união de forças terá reflexos imediatos. Desde 1º de novembro, o quadro de pessoal da Agilent no Brasil foi praticamente duplicado, com a agregação das equipes Varian. Como são atividades complementares, não há previsão de cortes. Em âmbito global, a união dos gigantes permitirá ampliar em US$ 75 milhões o orçamento para pesquisas. A Agilent atua na venda de instrumentos, softwares e consumíveis, além de oferecer serviços diversos, voltados para o planejamento da atividade laboratorial, consultoria para elaboração de novos protocolos analíticos e também em treinamento e formação de analistas.



    Recomendamos também:








    0 Comentários


    Seja o primeiro a comentar!


    Deixe uma resposta

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *