Meio Ambiente (água, ar e solo)

Gerenciamento de Resíduos – Valorização de rejeitos ganha força com novo plano nacional

Marcelo Furtado
15 de março de 2012
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    A outra vertente de investimento da Estre visa à valorização de resíduos industriais. A sua unidade de blendagem de resíduos para fornos de cimento Resicontrol, de Sorocaba-SP, adquirida há dois anos do grupo francês Veolia, está tendo sua capacidade quadruplicada. Passará das atuais 1.500 t/mês de mistura de resíduos líquidos para 5 mil t/mês. A de líquidos continuará com a capacidade de 2.500 t/mês. Em 2011, a Resicontrol misturou para coprocessamento 71.547 t, depois de ter atingido a marca de 68.226 t em 2010. Já a unidade de Balsa Nova, no Paraná, que prepara resíduos sólidos e pastosos, tem capacidade de 2 mil t/mês, mas demonstrou grande crescimento em 2011, quando misturou 21.811 t, depois de em 2010 ter tratado apenas 8,1 mil t.

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    Alvim: valorizar o resíduo aumenta vida útil dos aterros

    Além da ampliação em Sorocaba, a empresa promete para breve inaugurar mais unidades similares de blendagem no país, em locais não definidos. E ainda na onda da valorização, Alexandre Alvim afirma que o grupo tem apostado muito também em sua equipe de pesquisa e desenvolvimento para criar soluções específicas para os clientes, como por exemplo o possível reaproveitamento de cinzas de combustão de usinas térmicas de carvão na indústria de concreto. Aliás, por falar em energia e tratamento térmico, a Estre, segundo Alvim, não sente atração por projetos de incineração, mesmo aqueles que geram energia. “Do ponto de vista ambiental, consideramos que há muito material nobre para ser aproveitado antes de ser queimado. E do ponto de vista econômico, a energia gerada sinaliza ser muito cara para ter retorno”, explicou.

    Mais coprocessamento – Embora não seja sensato considerar qualquer tecnologia de tratamento uma panaceia, também não é errado afirmar que o coprocessamento de resíduos em fornos de cimento tem boas perspectivas e deve continuar em rota de crescimento. Seu grande mérito, que nesse sentido se adapta às metas da política nacional de valorizar o resíduo em vez de simplesmente aterrar, é transformar rejeitos industriais em blends de combustível ou em matéria-prima do cimento. Não é por menos que a Estre pretende criar mais unidades de blendagem e outros grupos também devam seguir o mesmo caminho.

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    Unidades de blendagem para coprocessamento – Clique para ampliar

    Em 2011, a Abetre estima que o setor coprocessou cerca de 1 milhão de t, depois de ter atingido a marca de 870 mil t em 2010. Isso ocorreu nas 34 cimenteiras licenciadas. A expectativa de continuidade no crescimento pode ser atendida com certa facilidade, tendo em vista que há ainda dez unidades não licenciadas, com previsão de entrarem no mercado no médio prazo, e também porque algumas empresas importantes da área prometem construir novos e grandes fornos no país, já com o conceito do coprocessamento incorporado.

    O grupo cimenteiro suíço Holcim, por exemplo, que conta com uma divisão específica para preparar e encaminhar resíduos para três fornos (Cantagalo-RJ, Pedro Leopoldo e Barroso-MG), a Resotec, espera aumentar sua capacidade de coprocessamento de resíduos com o projeto de construção de um novo forno até o final de 2014. Com capacidade atual de 140 mil t/ano de coprocessamento de resíduos, o que equivale a no máximo 10% da sua demanda por matéria-prima ou combustível, com o novo forno, a ser construído em Pedro Leopoldo, esse percentual deve aumentar, segundo revelou o gerente-geral da Resotec, Fabrício Montoro. “O novo forno vai ser o maior que teremos no Brasil; e ele já foi concebido para resíduos, o que amplia a possibilidade de recebimento”, disse.

    Segundo Montoro, os fornos de cimento mais modernos já são preparados para receber resíduos, com concepção apropriada de engenharia de proteção do equipamento e de controle atmosférico. “Há fornos na Europa em que 60% do combustível ou da matéria-prima são de coprocessamento de resíduos”, disse. Não custa acrescentar que a Europa adota com muita frequência os fornos de cimento como saída tecnológica para resíduos industriais e domésticos.

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    Montoro: Holcim fará novo forno e crescerá no coprocessamento

    No Brasil, a predominância de uso dessa alternativa de valorização ainda é para resíduos de origem industrial devidamente preparados em unidades de blendagem. No caso da Resotec, com três unidades instaladas em suas fábricas, os principais coprocessamentos envolvem solos contaminados com hidrocarbonetos provenientes de refinarias, borras e lodos oleosos, lodos de ETE industrial e EPIs (equipamentos de proteção industrial) de plásticos ou de tecidos (uniformes), além de restos de tintas. “Em volume, os solos contaminados ainda representam a maior fatia”, disse Montoro. A preparação dos solos é simples: basta um peneiramento para remover sucatas metálicas, pedaços de madeira, concreto, até deixá-los na granulometria ideal. O solo não tem poder calorífico e entra no forno como substituto de matéria-prima para o cimento, uma vez que quase 90% dele é de argila.

    Embora resíduos urbanos ainda não entrem de forma importante nos fornos de cimento, visto que uma resolução do Conama proíbe a sua introdução sem prévia triagem, iniciativas como a da Estre, com o seu Tiranossauro, ou então da empresa Eco-Processa, do grupo Lafarge-Cimpor, que está preparando resíduos urbanos da região de Cantagalo-RJ para utilizar em seu forno na cidade, podem aumentar a utilização no Brasil dessa tecnologia ambientalmente amigável e, melhor ainda, de custo viável.



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