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Gerenciamento de Resíduos – Valorização de rejeitos ganha força com novo plano nacional

Marcelo Furtado
15 de março de 2012
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    Tondowski: conceito de solução específica é novidade no país

    A filosofia de criar soluções engenheiradas para os clientes, na explicação do diretor de atividades industriais da Proactiva, Leon Tondowski, profissional com larga experiência em tratamento de resíduos industriais, será expandida para vários outros setores industriais em breve (recentemente a empresa fechou com a Usiminas um contrato de gestão global de resíduos em Cubatão-SP). “Temos estratégias em andamento, sobre as quais não podemos dar detalhes, mas que vão seguir esse método”, disse. “Apesar de termos aterros (Iperó-SP e Biguaçu-SC), não queremos atrelar nossa operação com tecnologias predeterminadas”, completou. Na sua opinião, essa é uma tendência não muito disseminada no Brasil, onde os prestadores de serviço ainda são ligados umbilicalmente a seus ativos. Isso significa que um proprietário de aterro, um operador de unidade de blendagem de resíduos para forno de cimento ou o proprietário de um incinerador sempre indicarão sua solução como a ideal para o cliente. “É como se você fosse a um cardiologista e ele achasse que o seu problema está no seu coração e depois fosse a um ortopedista e ele dissesse que na verdade a causa está no seu pé”, brinca Tondowski.

    A analogia do diretor faz muito sentido no Brasil, onde grandes players do mercado concentram suas estratégias na operação de variados ativos: aterros, unidades de blendagem de resíduos, incineradores, equipamentos térmicos etc. Não que as técnicas não sejam necessárias, mas esse cenário pode atrair de forma exagerada os geradores para as tecnologias tradicionais, enquanto outras, mais baratas e com potencial de valorização do resíduo, ficam esquecidas. Esse compromisso com os ativos e a falta de visão gerencial completa sobre o resíduo são características do mercado brasileiro que podem ser minimizadas caso o plano nacional faça valer sua meta de diminuir a geração de resíduos industriais.

    Valor para o lixo – Pesquisando um pouco mais a atuação desses grandes players, em específico do atualmente considerado o maior deles, a Estre Ambiental, percebe-se também a preocupação com a tendência de valorizar ao máximo os resíduos antes de continuar alimentando aterros. Dona de um portfólio considerável de ativos, por meio de uma série de aquisições nos últimos anos, a empresa tem se dedicado a estudos, pesquisas e projetos para valorizar tanto os resíduos urbanos (ainda seu mercado mais importante) como os industriais.

    Segundo o diretor de desenvolvimento organizacional e comunicação da Estre, Alexandre Alvim, o fato de a empresa ser proprietária de vários aterros não significa que não seja do seu interesse valorizar ao máximo os resíduos antes da destinação. Pelo contrário. “Quanto menos usamos os aterros, criando valor da forma que for possível com os resíduos, maior será a vida útil deles. E ao se pensar que cada vez está mais difícil e caro encontrar áreas para novos empreendimentos, esta é a melhor política a seguir”, afirmou Alvim.

    Esse entendimento do mercado está incentivando novos projetos de valorização do grupo, tanto na área pública como na industrial. No primeiro caso, a Estre colocou em operação experimental em seu aterro de Paulínia, que recebe lixo doméstico e resíduos industriais classe 2, uma interessante unidade denominada Tiranossauro, importada da empresa finlandesa BMH. Trata-se de sistema com a capacidade de triturar (daí o nome dinossáurico do equipamento) os resíduos sólidos até que eles se transformem em pequenos pedaços com granulometrias de até 60 mm. O resultado do processo gera o que a empresa qualifica como CDR (combustível derivado de resíduo), em fase de testes para uso em fornos de cimento ou para alimentar caldeiras de biomassa.

    A unidade é única na América Latina, e uma das 50 em operação no mundo, com capacidade para processar mil toneladas de lixo por dia, o que representa a geração de 500 toneladas/dia de CDR. “Ele tem alto teor calorífico e poder energético e será um produto ambiental com bom valor de mercado”, disse Alvim. Segundo ele, o sistema começa com uma fase de pré-trituração dos sacos de lixo, que passa a seguir por peneira giratória onde o resíduo orgânico úmido é retirado. Após isso, entra no triturador principal que reduz a granulometria dos materiais para faixas menores do que três cm. Em seguida, um ímã eletromagnético separa os metais ferrosos e não-ferrosos e, na sequência, um soprador separa as frações leves das pesadas (cerâmica, vidro etc), todas elas com possibilidade de reciclagem. “As leves são o CDR, o resto segue para o aterro ou para a reciclagem”, explicou. Constituída basicamente dos resíduos de embalagens, como plástico, madeira, papel e papelão, a fração leve tem o poder calorífico com possibilidade de uso como combustível de fornos de cimento, como atualmente ocorre com resíduos industriais formulados em unidades de blendagem como a própria Resicontrol, da Estre.

    Uma vantagem do Tiranossauro, para Alvim, é a redução em 60% do volume de resíduos aterrados. Além da separação de materiais nobres para a reciclagem, o resíduo que ainda seguirá para a disposição final se torna mais limpo e com baixo teor de umidade, reduzindo a geração de chorume, o qual, aliás, passará a ser tratado em todos os aterros da Estre com tecnologia própria. O menor volume de chorume impacta também na maior eficiência na geração de biogás, que pode ser utilizado para a produção de energia elétrica. A Estre Paulínia é o primeiro e maior centro de gerenciamento de resíduos (CGR) do grupo, para onde vai o lixo de 33 cidades e de mais de mil empresas da região metropolitana de Campinas. Foram investidos cerca de R$ 50 milhões no projeto de trituração e valorização de resíduos.

     



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