Gerenciamento de Resíduos – Valorização de rejeitos ganha força com novo plano nacional

química e derivados, gerenciamento de resíduosO mercado nacional de gerenciamento de resíduos industriais encontrou motivos convincentes para esperar um futuro de desenvolvimento, tanto em termos comerciais como tecnológicos. A expectativa maior gira em torno da publicação do plano nacional de resíduos sólidos, a lei federal que promete traçar uma nova agenda regulatória para o setor, direcionando para as práticas ambientalmente mais corretas a gestão de resíduos de todos os tipos, dos urbanos até os industriais e hospitalares. Há uma expectativa de que o plano – que detalhará em termos de diretrizes, estratégias e metas gerais a política nacional de resíduos sólidos (PNRS) contida na lei 12.305/2010 – seja publicado em abril de 2012. Sua publicação, para os especialistas, deve fazer valer de fato, com programas e ações, a política pública válida desde a promulgação do decreto 7404, de dezembro de 2010.

Uma lei complexa, com diretrizes, estratégias e metas definidas para todos os resíduos. Na opinião de Diógenes Del Bel, o presidente da Associação Brasileira de Empresas de Tratamento de Resíduos (Abetre), o plano colocará o gerenciamento de resíduos industriais em um caminho virtuoso. Sua avaliação se funda principalmente nas duas metas gerais específicas para o setor industrial: 1) a partir de 2015 todos os resíduos industriais precisam ter disposição final ambientalmente correta; e 2) a indústria precisará reduzir a geração de rejeitos e a sua destinação final em aterros, de forma gradual e com base em dados a serem reunidos no Inventário Nacional de Resíduos Sólidos Industriais, que será elaborado e publicado em 2014.

A segunda meta é bem definida e contempla um cenário de quinze anos.Sempre tendo como base o inventário de 2014, a indústria precisará reduzir a geração em 10% em 2015, em 20% em 2019, em 40% em 2023, em 60% em 2027 e, por fim, em 2031, precisará ter reduzido em 70% o volume gerado. “Isso sem dúvida alguma vai favorecer o uso de tecnologias mais limpas, com mínima geração de resíduos, como também favorecerá a valorização e a reciclagem do resíduo”, afirmou Del Bel.

Ainda é impossível quantificar o inventário de 2014, que será elaborado em uma ação nacional coordenada pelo Ibama, por meio do Sistema Nacional de Informações sobre a Gestão dos Resíduos Sólidos (SINIR). A previsão, segundo Del Bel, é a de que o número supere bastante as estatísticas feitas até 2009 pela Abetre, quando a associação calculou em 8 milhões de t o total de resíduos industriais processados naquele ano pelos principais prestadores de serviços da área. A provável elevação, de acordo com o presidente, deverá acontecer pelo fato de o SINIR incluir em seus cálculos também os resíduos gerados dentro das indústrias, onde são armazenados ou tratados internamente, incluindo-os na conta oriunda da destinação e do tratamento feito pelos prestadores de serviços.

Atualmente, mesmo sem ter atualizado oficialmente os dados, a Abetre estima que as empresas prestadoras de serviços, boa parte delas seus associados, tenham processado pouco mais de 10 milhões de toneladas de resíduos industriais em 2011. Desse total, 76% seguiram para aterros classe 1 e 2, 18% foram coprocessados em fornos de cimento, 3% incinerados ou tratados com outros processos térmicos e os 3% restantes passaram por tratamentos biológicos.

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Unidades receptoras de resíduos – Empresas privadas – Clique para ampliar

 

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Resíduos Industriais – Quantidades processadas por tecnologia de tratamento – Clique para ampliar

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

As duas metas da nova política, para Del Bel, afetam positivamente o setor e os geradores. A primeira delas, que estipula a obrigação das indústrias de dar destino adequado aos resíduos, tem implicação direta: os geradores precisarão contratar empresas com tecnologia e aterros devidamente preparados e adequados para destinar os seus resíduos. Já a segunda, que determina por prazos a diminuição da geração, afeta o setor mais a longo prazo porque tem como objetivo fazer o gerador adotar formas de valorizar seus resíduos, transformando-os em insumos, seja como fonte de energia ou como matéria-prima, ou então adotando processos mais limpos, com menos rejeitos finais e ciclos mais fechados.

“De olho nessa meta, já há muitos gerenciadores de resíduos correndo atrás de novas alternativas tecnológicas e criando soluções específicas para os clientes. É uma demanda que o gerador vai precisar atender e o prestador de serviço vai ser incentivado a criar”, explicou Del Bel. Além disso, estimular tecnologias como o coprocessamento em fornos de cimento, que tende a crescer ainda no Brasil, por ser uma solução por meio da qual o resíduo se torna fonte de matéria-prima ou de combustível para os fornos, também fomenta a criação de soluções mais específicas de valorização do resíduo.

Resíduo vira produto – A empresa Proactiva, por exemplo, uma joint venture entre o grupo espanhol FCC e a francesa Veolia, tem se envolvido e focado sua atuação no Brasil em soluções específicas para resíduos, de olho nessa tendência futura e atendendo a demandas já existentes na área. Em meio a contratos de gestão global de resíduos, em uma primeira fase essas ofertas se concentram principalmente em setores como o de papel e celulose. Sua divisão para a área industrial, a Proactiva Serviços Ambientais (a empresa ainda atua na área pública de resíduos urbanos), tem três contratos com indústrias grandes de celulose e papel, onde há vários casos de valorização de resíduos criados especificamente para os clientes.

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Aeracao usada na compastagem de cascas de eucaliptos e lodos

Segundo revelou o gerente técnico da Proactiva, Pierre Casabonnet, a indústria de celulose e papel tem demanda alta desse tipo de solução especializada, por gerar vários tipos de resíduos, com diferentes características técnicas. No caso da empresa situada na Bahia, em Camaçari, foi revalorizada, para começar, a grande quantidade de cascas de eucalipto, que não são aproveitadas no processo Kraft, empregado na fábrica, que utiliza apenas a tora das madeiras para extração da celulose. Anteriormente dispostas no aterro interno ou nos solos das florestas da empresa, as cascas ganharam novo valor, tornaram-se produtos e deixaram de ser resíduos.

Por meio de processo de compostagem, que também utiliza serragem e o lodo fibroso da estação de tratamento de efluentes da fábrica, com alta concentração de matéria orgânica, a Proactiva conseguiu desenvolver dois produtos: um fertilizante orgânico, com marca Fertiactivo, e um condicionador de solo para correção de acidez, o Condiactivo. Ambos têm registro do Ministério da Agricultura e podem ser utilizados em qualquer atividade agrícola que envolva adubação de solos, em qualquer cultura, no cultivo de hortaliças e em plantações de soja, café, milho, algodão, arroz, cana-de-açúcar, fruticultura, ou até em áreas de reflorestamento e recuperação de áreas degradadas.

Tanto o fertilizante como o condicionador de solo, por serem compostos obtidos de fontes altamente ricas organicamente, como as cascas, o lodo da fabricação de celulose pura e rejeitos de madeira, fornecem ao solo macro e micronutrientes, além de matéria orgânica humificada. Em específico, o fertilizante reduz em até 30% a necessidade de adubação química, aumenta a biodiversidade de vida dos microrganismos, especialmente os fixadores de nitrogênio, além de aumentar a capacidade de retenção de água.

Já o condicionador de solos, também com a mesma constituição orgânica, foi formulado para corrigir o PH de solos de reação ácida, diminuindo ou substituindo o calcário na calagem dos solos. Além disso, também fornece cálcio e magnésio para as culturas e aumenta a eficiência da adubação mineral, podendo ser incorporado ao solo antes do plantio ou após.

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Casabonnet: indústria de celulose e papel tem alta demanda por valorização

Além da revalorização das cascas de eucalipto, que são reaproveitadas em uma faixa que varia de mil a 6 mil t/mês e que ainda podem ser utilizadas como biomassa para caldeiras de cogeração de energia, a Proactiva também está reciclando resíduos de caustificação, gerados no início do processo kraft de digestão da polpa. “No início da digestão, são adicionados vários elementos alcalinos e cal para o branqueamento, o que gera os resíduos do kraft, chamados dregs e gritz, que são preparados e reutilizados para neutralizar solos ácidos”, explicou Casabonnet. Segundo ele, apesar de a Proactiva ser uma empresa com controle acionário estrangeiro, trata-se de exemplo perfeito de solução criada especificamente para o Brasil. “O solo brasileiro no geral é muito ácido e demanda a correção de pH para a agricultura”, disse.

Ainda segundo Casabonnet, a empresa tem pesquisado outras oportunidades de revalorização em papel e celulose, sempre fugindo ao máximo das destinações tradicionais, como os aterros. O caminho mais provável, entre outras soluções estudadas, é a valorização energética dos resíduos.

 

 

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Tondowski: conceito de solução específica é novidade no país

A filosofia de criar soluções engenheiradas para os clientes, na explicação do diretor de atividades industriais da Proactiva, Leon Tondowski, profissional com larga experiência em tratamento de resíduos industriais, será expandida para vários outros setores industriais em breve (recentemente a empresa fechou com a Usiminas um contrato de gestão global de resíduos em Cubatão-SP). “Temos estratégias em andamento, sobre as quais não podemos dar detalhes, mas que vão seguir esse método”, disse. “Apesar de termos aterros (Iperó-SP e Biguaçu-SC), não queremos atrelar nossa operação com tecnologias predeterminadas”, completou. Na sua opinião, essa é uma tendência não muito disseminada no Brasil, onde os prestadores de serviço ainda são ligados umbilicalmente a seus ativos. Isso significa que um proprietário de aterro, um operador de unidade de blendagem de resíduos para forno de cimento ou o proprietário de um incinerador sempre indicarão sua solução como a ideal para o cliente. “É como se você fosse a um cardiologista e ele achasse que o seu problema está no seu coração e depois fosse a um ortopedista e ele dissesse que na verdade a causa está no seu pé”, brinca Tondowski.

A analogia do diretor faz muito sentido no Brasil, onde grandes players do mercado concentram suas estratégias na operação de variados ativos: aterros, unidades de blendagem de resíduos, incineradores, equipamentos térmicos etc. Não que as técnicas não sejam necessárias, mas esse cenário pode atrair de forma exagerada os geradores para as tecnologias tradicionais, enquanto outras, mais baratas e com potencial de valorização do resíduo, ficam esquecidas. Esse compromisso com os ativos e a falta de visão gerencial completa sobre o resíduo são características do mercado brasileiro que podem ser minimizadas caso o plano nacional faça valer sua meta de diminuir a geração de resíduos industriais.

Valor para o lixo – Pesquisando um pouco mais a atuação desses grandes players, em específico do atualmente considerado o maior deles, a Estre Ambiental, percebe-se também a preocupação com a tendência de valorizar ao máximo os resíduos antes de continuar alimentando aterros. Dona de um portfólio considerável de ativos, por meio de uma série de aquisições nos últimos anos, a empresa tem se dedicado a estudos, pesquisas e projetos para valorizar tanto os resíduos urbanos (ainda seu mercado mais importante) como os industriais.

Segundo o diretor de desenvolvimento organizacional e comunicação da Estre, Alexandre Alvim, o fato de a empresa ser proprietária de vários aterros não significa que não seja do seu interesse valorizar ao máximo os resíduos antes da destinação. Pelo contrário. “Quanto menos usamos os aterros, criando valor da forma que for possível com os resíduos, maior será a vida útil deles. E ao se pensar que cada vez está mais difícil e caro encontrar áreas para novos empreendimentos, esta é a melhor política a seguir”, afirmou Alvim.

Esse entendimento do mercado está incentivando novos projetos de valorização do grupo, tanto na área pública como na industrial. No primeiro caso, a Estre colocou em operação experimental em seu aterro de Paulínia, que recebe lixo doméstico e resíduos industriais classe 2, uma interessante unidade denominada Tiranossauro, importada da empresa finlandesa BMH. Trata-se de sistema com a capacidade de triturar (daí o nome dinossáurico do equipamento) os resíduos sólidos até que eles se transformem em pequenos pedaços com granulometrias de até 60 mm. O resultado do processo gera o que a empresa qualifica como CDR (combustível derivado de resíduo), em fase de testes para uso em fornos de cimento ou para alimentar caldeiras de biomassa.

A unidade é única na América Latina, e uma das 50 em operação no mundo, com capacidade para processar mil toneladas de lixo por dia, o que representa a geração de 500 toneladas/dia de CDR. “Ele tem alto teor calorífico e poder energético e será um produto ambiental com bom valor de mercado”, disse Alvim. Segundo ele, o sistema começa com uma fase de pré-trituração dos sacos de lixo, que passa a seguir por peneira giratória onde o resíduo orgânico úmido é retirado. Após isso, entra no triturador principal que reduz a granulometria dos materiais para faixas menores do que três cm. Em seguida, um ímã eletromagnético separa os metais ferrosos e não-ferrosos e, na sequência, um soprador separa as frações leves das pesadas (cerâmica, vidro etc), todas elas com possibilidade de reciclagem. “As leves são o CDR, o resto segue para o aterro ou para a reciclagem”, explicou. Constituída basicamente dos resíduos de embalagens, como plástico, madeira, papel e papelão, a fração leve tem o poder calorífico com possibilidade de uso como combustível de fornos de cimento, como atualmente ocorre com resíduos industriais formulados em unidades de blendagem como a própria Resicontrol, da Estre.

Uma vantagem do Tiranossauro, para Alvim, é a redução em 60% do volume de resíduos aterrados. Além da separação de materiais nobres para a reciclagem, o resíduo que ainda seguirá para a disposição final se torna mais limpo e com baixo teor de umidade, reduzindo a geração de chorume, o qual, aliás, passará a ser tratado em todos os aterros da Estre com tecnologia própria. O menor volume de chorume impacta também na maior eficiência na geração de biogás, que pode ser utilizado para a produção de energia elétrica. A Estre Paulínia é o primeiro e maior centro de gerenciamento de resíduos (CGR) do grupo, para onde vai o lixo de 33 cidades e de mais de mil empresas da região metropolitana de Campinas. Foram investidos cerca de R$ 50 milhões no projeto de trituração e valorização de resíduos.

 

A outra vertente de investimento da Estre visa à valorização de resíduos industriais. A sua unidade de blendagem de resíduos para fornos de cimento Resicontrol, de Sorocaba-SP, adquirida há dois anos do grupo francês Veolia, está tendo sua capacidade quadruplicada. Passará das atuais 1.500 t/mês de mistura de resíduos líquidos para 5 mil t/mês. A de líquidos continuará com a capacidade de 2.500 t/mês. Em 2011, a Resicontrol misturou para coprocessamento 71.547 t, depois de ter atingido a marca de 68.226 t em 2010. Já a unidade de Balsa Nova, no Paraná, que prepara resíduos sólidos e pastosos, tem capacidade de 2 mil t/mês, mas demonstrou grande crescimento em 2011, quando misturou 21.811 t, depois de em 2010 ter tratado apenas 8,1 mil t.

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Alvim: valorizar o resíduo aumenta vida útil dos aterros

Além da ampliação em Sorocaba, a empresa promete para breve inaugurar mais unidades similares de blendagem no país, em locais não definidos. E ainda na onda da valorização, Alexandre Alvim afirma que o grupo tem apostado muito também em sua equipe de pesquisa e desenvolvimento para criar soluções específicas para os clientes, como por exemplo o possível reaproveitamento de cinzas de combustão de usinas térmicas de carvão na indústria de concreto. Aliás, por falar em energia e tratamento térmico, a Estre, segundo Alvim, não sente atração por projetos de incineração, mesmo aqueles que geram energia. “Do ponto de vista ambiental, consideramos que há muito material nobre para ser aproveitado antes de ser queimado. E do ponto de vista econômico, a energia gerada sinaliza ser muito cara para ter retorno”, explicou.

Mais coprocessamento – Embora não seja sensato considerar qualquer tecnologia de tratamento uma panaceia, também não é errado afirmar que o coprocessamento de resíduos em fornos de cimento tem boas perspectivas e deve continuar em rota de crescimento. Seu grande mérito, que nesse sentido se adapta às metas da política nacional de valorizar o resíduo em vez de simplesmente aterrar, é transformar rejeitos industriais em blends de combustível ou em matéria-prima do cimento. Não é por menos que a Estre pretende criar mais unidades de blendagem e outros grupos também devam seguir o mesmo caminho.

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Unidades de blendagem para coprocessamento – Clique para ampliar

Em 2011, a Abetre estima que o setor coprocessou cerca de 1 milhão de t, depois de ter atingido a marca de 870 mil t em 2010. Isso ocorreu nas 34 cimenteiras licenciadas. A expectativa de continuidade no crescimento pode ser atendida com certa facilidade, tendo em vista que há ainda dez unidades não licenciadas, com previsão de entrarem no mercado no médio prazo, e também porque algumas empresas importantes da área prometem construir novos e grandes fornos no país, já com o conceito do coprocessamento incorporado.

O grupo cimenteiro suíço Holcim, por exemplo, que conta com uma divisão específica para preparar e encaminhar resíduos para três fornos (Cantagalo-RJ, Pedro Leopoldo e Barroso-MG), a Resotec, espera aumentar sua capacidade de coprocessamento de resíduos com o projeto de construção de um novo forno até o final de 2014. Com capacidade atual de 140 mil t/ano de coprocessamento de resíduos, o que equivale a no máximo 10% da sua demanda por matéria-prima ou combustível, com o novo forno, a ser construído em Pedro Leopoldo, esse percentual deve aumentar, segundo revelou o gerente-geral da Resotec, Fabrício Montoro. “O novo forno vai ser o maior que teremos no Brasil; e ele já foi concebido para resíduos, o que amplia a possibilidade de recebimento”, disse.

Segundo Montoro, os fornos de cimento mais modernos já são preparados para receber resíduos, com concepção apropriada de engenharia de proteção do equipamento e de controle atmosférico. “Há fornos na Europa em que 60% do combustível ou da matéria-prima são de coprocessamento de resíduos”, disse. Não custa acrescentar que a Europa adota com muita frequência os fornos de cimento como saída tecnológica para resíduos industriais e domésticos.

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Montoro: Holcim fará novo forno e crescerá no coprocessamento

No Brasil, a predominância de uso dessa alternativa de valorização ainda é para resíduos de origem industrial devidamente preparados em unidades de blendagem. No caso da Resotec, com três unidades instaladas em suas fábricas, os principais coprocessamentos envolvem solos contaminados com hidrocarbonetos provenientes de refinarias, borras e lodos oleosos, lodos de ETE industrial e EPIs (equipamentos de proteção industrial) de plásticos ou de tecidos (uniformes), além de restos de tintas. “Em volume, os solos contaminados ainda representam a maior fatia”, disse Montoro. A preparação dos solos é simples: basta um peneiramento para remover sucatas metálicas, pedaços de madeira, concreto, até deixá-los na granulometria ideal. O solo não tem poder calorífico e entra no forno como substituto de matéria-prima para o cimento, uma vez que quase 90% dele é de argila.

Embora resíduos urbanos ainda não entrem de forma importante nos fornos de cimento, visto que uma resolução do Conama proíbe a sua introdução sem prévia triagem, iniciativas como a da Estre, com o seu Tiranossauro, ou então da empresa Eco-Processa, do grupo Lafarge-Cimpor, que está preparando resíduos urbanos da região de Cantagalo-RJ para utilizar em seu forno na cidade, podem aumentar a utilização no Brasil dessa tecnologia ambientalmente amigável e, melhor ainda, de custo viável.

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