Gerenciamento adequado agrega valor aos resíduos industriais

Meio Ambiente - Gerenciamento adiciona valor aos resíduos

O gerenciamento de resíduos industriais está deixando de ser apenas uma operação de coleta, transporte e destinação dos passivos ambientais. Empresas mais preocupadas com o desempenho socioambiental, na esteira do conceito de ESG (environmental, social and governance), têm enveredado na trilha da valorização dos resíduos e da economia circular, outros dois temas em voga, mas não menos importantes.

A demanda por contratos mais abrangentes de gerenciamento dos resíduos, que sempre têm potencial de aproveitamento, é hoje mais limitada a grandes empresas, que além de terem políticas ambientais avançadas contam com volumes de resíduos que justificam operações de aproveitamento.

Também pelo lado da oferta a atuação nesse mercado se dá entre prestadores de serviços consolidados, com estrutura de atendimento e massa crítica suficientes para criar soluções de valorização dos resíduos.

Um exemplo ocorre com a Ambipar, grupo com atuação em gestão de resíduos e atendimento a emergências ambientais e que nos últimos anos tem fechado contratos de gerenciamento total de resíduos em indústrias com foco na valorização.

Química e Derivados - Gerenciamento adequado agrega valor aos resíduos industriais - Meio Ambiente ©QD Foto: iStockPhoto
Renata Gregolini: operação completa permite desenvolver soluções

Segundo Renata Gregolini, a CEO da Ambipar Environment, braço da empresa responsável por gestão de resíduos, há cerca de 20 grandes clientes, com 88 bases operacionais sob responsabilidade da empresa, com contratos de gerenciamento total, com operações internas e externas de gestão dos resíduos e cujo foco é a valorização.

Isso significa que, além de se responsabilizar por toda a manipulação dos resíduos, classificação, armazenamento, transporte e destinação, a Ambipar se empenha nesses clientes a gerar valor para os materiais.

Para isso, conta com o suporte de duas áreas: um departamento de valorização de resíduos não-complexos e um centro de pesquisa e desenvolvimento em sua sede em Nova Odessa-SP, onde técnicos criam soluções, em bancada de testes, para resíduos com potencial de aproveitamento como matéria-prima em outros processos.

Patentes

Com essa abordagem de valorização de resíduos do centro de P&D, nos últimos dez anos, a Ambipar gerou várias patentes a partir de soluções desenvolvidas para os clientes.

Um exemplo foi tinta acrílica ecológica à base de fosfogesso, um resíduo de indústria de fertilizantes, ou à base de lodo de estações de tratamento de água, que utilizam vários polímeros e floculantes com potencial de aproveitamento.

Em indústria de cosméticos, revela Renata, a equipe de pesquisadores da Ambipar também conseguiu fazer com que vários resíduos de misturas (bulks) passassem a ser matéria-prima para a produção de domissanitários, como limpa-pisos, odorizadores de casas e mesmo desinfetantes para uso durante a pandemia.

“São produtos que seriam descartados, incinerados ou coprocessados, e que acabaram ganhando uso nobre”, disse.

Química e Derivados - Gerenciamento adequado agrega valor aos resíduos industriais - Meio Ambiente ©QD Foto: iStockPhoto
Silva: IPO trouxe recursos para expandir as atividades

Em uma grande indústria de papel e celulose, cliente da operação integrada, segundo o CFO da Ambipar, Thiago da Costa Silva, hoje 96% dos resíduos são valorizados e apenas os 4% restantes seguem para aterros.

Entre as soluções, foi criada uma patente, batizada de Ecobase, um composto à base de resíduos minerais da indústria que passou a ser utilizado em pavimentação.

A patente desse produto inclui ainda os métodos de preparação e aplicação. Com os resíduos da mesma empresa, foi criado um composto orgânico condicionador de solos, também foram aproveitadas cinzas de caldeiras, lodos de ETE para reúso na produção de papel tissue, resíduos do branqueamento de papel, entre outras valorizações.

Faz parte também das ações de valorização redirecionar resíduos que iam para aterros para a preparação como combustíveis derivados de resíduos (CDRs), que podem ser empregados em fornos ou caldeiras. Foi o que ocorreu em uma indústria de bebidas também cliente de gerenciamento total da Ambipar. Nessa mesma linha de aproveitamento energético, a empresa conta com unidade de blendagem de resíduos para coprocessamento em fornos de cimentos em Rio Branco-PR.



Segundo Renata Gregolini, os clientes do gerenciamento total têm perfil de alto volume de resíduos, o que viabiliza as soluções.

No caso das indústrias de papel e celulose, são volumes que chegam a até 45 mil t por mês em um só cliente. Além disso, indústrias de máquinas e equipamentos também têm se interessado pela valorização e, em um dos clientes, a Ambipar encontrou comprador para os resíduos metálicos, a carepa de aço, um pó muito fino que se acumulava na empresa.

De acordo com Renata, em um mês foram retiradas mais de 200 toneladas de carepa do local.

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