Química

Geração de energia pela queima de lixo avança – Meio Ambiente

Marcelo Furtado
7 de setembro de 2019
    -(reset)+

    A operação – Antes de entrar nos fornos com grelha de combustão, todos os resíduos sólidos urbanos e vários tipos dos industriais são despejados em um chamado bunker de resíduos, imenso galpão coberto, de onde são transferidos para uma área de mistura, na qual operadores manipulam, em salas separadas e blindadas por vidro, imensos guindastes agarradores. Nesta etapa, os equipamentos misturam os resíduos para criar uma consistência uniforme, adequada para entrar em um silo alimentador.

    Química e Derivados - Operador maneja guindaste na recepção do lixo em usina WTE da Finlândia

    Operador maneja guindaste na recepção do lixo em usina WTE da Finlândia

    Do silo, o lixo misturado entra no forno, onde há o processo contínuo de secagem, inflamabilidade e incineração na grelha escalonada de combustão. No processo, materiais não-inflamáveis caem em um tanque com água. Dois dos segmentos da grelha são resfriados por água e dois por ar, sendo que o ar da combustão é soprado sob as placas da grelha e ar adicional é alimentado na parede do forno. A caldeira de 25 bar gera, então, vapor de alta pressão que é conduzido para a rede da planta, para turbina a vapor gerar eletricidade e para o sistema de aquecimento (district heat) das cidades.

    Química e Derivados - Operador maneja guindaste na recepção do lixo em usina WTE da Finlândia

    Recepção do lixo em usina WTE da Finlândia

    Controle de emissões – Sempre um tema polêmico quando se pensa em WTE, principalmente no Brasil – a Europa opere 572 usinas, a maior parte delas em áreas densamente povoadas –, é uma etapa de alta preocupação. Segundo a gerente da área de reciclagem e soluções de resíduos da Fortum, Inka Leisio, as emissões são continuamente monitoradas em uma cabine de análise junto ao sistema. A lavagem dos gases é feita com cal, alimentada em reator que recebe as emissões. “Mas antes disso é dosado carvão ativado para absorver mercúrio e dioxinas”, revela Leisio.

    Na tubulação do sistema de lavagem, os compostos ácidos gasosos reagem com o pó de cal no caminho para o filtro de tecido, que remove as substâncias nocivas. Na sequência, os gases são ventilados para o equipamento de wet scrubber (purificador úmido), localizado na parte inferior do sistema de controle. Importante dizer que a energia térmica dos gases é recuperada como subproduto para limpeza e também acrescentada à linha do district heat.

    Também são reaproveitados no processo de incineração ferro e outros metais que ficam na escória, por meio de sistema de separação. Depois de tratamento, a própria escória pode ser usada como carga e outras aplicações em construção civil.

    Solução global – O que a Finlândia faz com muita desenvoltura, aproveitando o imenso potencial energético dos resíduos, nada mais é do que uma solução adotada nos quatro cantos do mundo, mas principalmente nas regiões mais desenvolvidas, como a Europa, onde há mais de duas décadas a tecnologia vem ganhando cada vez mais adeptos, com 572 usinas, e de uns dez anos para cá na Ásia, mais especificamente na China, que nesse período ergueu 200 usinas WTE, em uma cruzada contra os aterros, e hoje usa 35% do seu lixo para gerar energia. No mundo, já são 1.800 usinas.

    Atrasado nesse ponto, o Brasil ainda não tem nenhuma usina do tipo, embora haja a promessa de, no segundo semestre, o primeiro projeto, de usina de 17 MW, em Barueri-SP, sair do papel, depois de cerca de cinco anos de atraso por conta de dificuldades para obtenção de financiamento na obra, orçada em US$ 250 milhões. Com a entrada de sócio chinês, a empresa responsável pelo projeto, que pretende processar 825 t/dia de lixo, junto com a prefeitura de Barueri, a Foxx-Haztec, anunciou que vai começar as obras neste ano.

    Há uma projeção de que o Brasil tem potencial para gerar 1.300 GWh por mês de energia, caso enviasse 35% do seu lixo para usinas WTE, como a China faz hoje. Isso equivale a 3,29% da demanda nacional de energia e permitiria investimentos da ordem de R$ 28 bilhões. Porém, pouco tem sido feito nesse sentido, a não ser o fato de o tema ter entrado na pauta do novo Ministério do Meio Ambiente, que criou o Programa Lixão Zero, que tem entre suas metas incentivar o aproveitamento energético do lixo. Também em abril foi publicada portaria interministerial (274/2019) para disciplinar a recuperação energética de resíduos sólidos urbanos.

    Enquanto o Brasil não se resolve, o México constrói a maior usina de WTE do mundo e a primeira da América Latina, a cargo da francesa Veolia, que terá a capacidade de incinerar 4.500 t/dia de RSU pós-triagem do material reciclável, cuja energia gerada, no montante de 965.000 MWh/ano, será destinada ao metrô da capital mexicana. Embora no momento as obras estejam paralisadas por ordem judicial, o projeto estava planejado para ser erguido em três anos, desde 2017, e o contrato de operação é de 30 anos.



    Recomendamos também:








    0 Comentários


    Seja o primeiro a comentar!


    Deixe uma resposta

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *