Química

Geração de energia pela queima de lixo avança – Meio Ambiente

Marcelo Furtado
7 de setembro de 2019
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    Química e Derivados - Usina WTE na Dinamarca permite a prática de esqui na sua cobertura

    Usina WTE na Dinamarca permite a prática de esqui na sua cobertura

    Geração de energia pela queima de lixo avança em todo o mundo

    A Finlândia é o país que, proporcionalmente, mais incinera e transforma em energia o lixo no mundo. Pelos últimos dados disponíveis do órgão oficial europeu de estatísticas, o Eurostat, de abril de 2019, o país nórdico mandou 59% dos seus resíduos sólidos urbanos para usinas térmicas de waste to energy (WTE), cuja combustão em grelha aquece caldeiras para gerar vapor de alta pressão, aproveitado por turbinas geradoras de energia e por sistemas de aquecimento distrital (calefação) em cidades finlandesas. Os restantes 41% do lixo passam por reciclagem e compostagem e ínfimos 1% seguem para aterros.

    O volume de lixo incinerado por nove usinas na Finlândia chega a 1,6 milhão de toneladas por ano, número aparentemente baixo que se explica por conta da população do país que, apesar de grande territorialmente, de 338.424 km2, soma apenas 5,5 milhões de habitantes, que se concentram mais ao sul, de inverno não tão rigoroso.

    E é no sul da Finlândia, no município de Riihimäki, a 69 quilômetros da capital, Helsinki, onde está um dos mais importantes complexos de WTE do país, do grande grupo de energia finlandês Fortum, com duas usinas operando conjuntas, uma com capacidade de 55 MW e outra de 35 MW. As duas usinas geraram aproximadamente 500 GWh em 2018, vendidos para o sistema nacional de energia do país, através da queima de 260 mil t de resíduos domésticos, comerciais e industriais da região. O calor gerado para o chamado heat district (equivalente a 90 MW) é vendido para dois municípios, suprindo a demanda de calefação residencial de todo município de Riihimaäki e de grande parte da vizinha Hyvinkää.

    A importância desse complexo, considerado modelo global, tem a ver também com a operação conjunta de uma refinaria de plástico, com capacidade para recuperar 30 mil t/ano de plásticos pós-consumo, tanto de coleta seletiva em residências, comércios e agricultura, como o separado no próprio complexo por sistema especial de segregação.

    A refinaria tem previsão de processar, em 2019, 15 mil t de plásticos vindos de toda a Finlândia e, depois do processo que os transforma em granulados, vendê-los para transformadores de plásticos que produzem, por exemplo, vasos de flores e outros bens de consumo. A refinaria apenas recicla e gera grânulos de polipropileno e polietilenos de baixa e alta densidade. Todos os demais plásticos seguem como combustível para os fornos do WTE.

    Cerca de 75% de todo o plástico que chega no complexo é convertido em material plástico reciclado ou em produtos perfilados. Apenas aqueles muito contaminados e que tenham outras resinas além do PE e PP seguem para os incineradores. Um sistema automatizado de detecção de plástico por infravermelho também ajuda a recuperar materiais que chegam misturados aos resíduos domésticos.

    Com os plásticos separados, a primeira etapa da refinaria é a trituração, seguida por lavagem, secagem por tambor e aquecimento e, por fim, a fusão e a extrusão para a granulação.

    Para se ter uma ideia da abrangência do sistema do complexo da Fortum, chamado de vila de economia circular, por volta de 73% de todo o lixo das cidades ao redor vão para os incineradores, transformando-se em energia e calor. Ainda 21% são materiais recicláveis (plástico, metal e papéis), 5% é convertido por bioprocessos em bioetanol e biogás e apenas 1% segue para aterro, este último considerado a hipótese mais evitada, reservada apenas aos resíduos inertes e irrecuperáveis.



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