Gases Industriais: Fornecedores buscam diferenciação e ampliam o rol das aplicações

Química e Derivados - Gases Industriais - Fornecedores buscam diferenciação e ampliam o rol das aplicaçõesMercados dominados por poucos e grandes fornecedores, com produtos padronizados e tecnologias já maduras, abrem poucas oportunidades para diferenciação, decorrente basicamente de quesitos relacionados a preços e logística. Em geral, essa é a realidade predominante na indústria provedora dos principais gases industriais – hidrogênio, oxigênio, nitrogênio, argônio e gás carbônico –, com poucos players, a maioria com dimensões globais, capazes de fornecer gases com padrões equivalentes de qualidade, e condições similares de entrega.

Mas se preços e logística ainda influem decisivamente na comercialização desses gases, as empresas de onde eles provêm buscam se diferenciar e ampliar seu potencial de geração de negócios, mediante também o investimento na pesquisa de novas aplicações – ou de aplicações mais eficazes nos usos tradicionais –, combinadas a serviços decorrentes da evolução tecnológica.

Um exemplo de nova aplicação aparece no portfólio da Air Liquide, que mira agora o setor da construção civil, com um processo de injeção de nitrogênio destinado a acelerar a cura e evitar trincas no concreto. Nessa aplicação concorrente aos aditivos para concreto, a empresa não se restringe ao fornecimento do gás: vai à obra com equipe e equipamentos próprios, e se responsabiliza pela injeção do nitrogênio. “Duas grandes empreiteiras já começaram a usar no Brasil essa tecnologia, cuja demanda deverá crescer com a aproximação da Copa do Mundo e da Olimpíada”, diz Fernando Roca Perrogón, diretor de desenvolvimento e mercado da área de gases industriais da Air Liquide.

A mesma empresa agora oferece também um processo patenteado de controle e monitoramento para otimizar a aplicação de nitrogênio na produção de eletrônicos. Simultaneamente, começa a equipar os cilindros com os quais entrega seus gases com um novo dispositivo, cuja alavanca de abertura e fechamento pode ser movida sem esforço, e ainda informa aos clientes as quantidades existentes nos cilindros, permitindo-lhes usar integralmente os gases.

Os primeiros cilindros equipados com essa nova válvula – comercialmente denominada Smartops – começaram a ser entregues em um lote destinado à Petrobras. E, de acordo com Perrogón, até o final de 2012, esse dispositivo equipará todo o parque de cilindros mantidos pela Air Liquide no Brasil. “Não queremos ser apenas fornecedores de commodities, e crescer graças ao uso de maiores volumes de gás. Pelo contrário, queremos tornar esse uso mais eficaz, e em cima disso oferecer serviços diferenciados, baseados em tecnologia”, afirma.

Na Linde, a oferta de novas tecnologias inclui hoje a oferta de sistemas também patenteados, destinados a aprimorar o uso de oxigênio em siderúrgicas e nas atividades de saneamento. Tais tecnologias, destaca Magnus Karlson, presidente da Linde Brasil, atuam nos fatores relacionados aos tempos, quantidades e locais da aplicação do gás. “Não só a molécula faz diferença, a maneira como ela é aplicada também influi no processo”, enfatiza.

Química e Derivados, Fernando Roca Perrogón, Air Liquide
Perrogón: nitrogênio acelera a cura do concreto injetado

Como reconhece Karlson, os principais gases fornecidos pelas boas empresas desse mercado são hoje muito similares, daí a necessidade de diferenciação nas aplicações e nos serviços. Para aprimorar essa segunda vertente, a Linde hoje mantém no município de Jundiaí-SP um centro de operações de onde maneja suas 25 plantas instaladas na América do Sul, e controla sua frota de veículos, quase toda rastreada por GPS. Desse mesmo local, monitora também os estoques de gases de clientes nos quais instalou equipamentos próprios para medição.

Assim, pode tanto avisar a algum desses clientes sobre a necessidade de renovar seu estoque de determinado gás quanto informá-lo caso o veículo responsável por sua entrega tenha algum contratempo. Pode até mesmo solicitar a esse cliente, em razão desse possível atraso na entrega, a redução temporária de consumo e, assim, evitar prejuízos aos seus processos. “No mercado de gases, existem atualmente três fatores de diferenciação: aplicações, operação profissional das plantas de gases dos clientes e serviços”, informa Karlson.

Oferta antecipada – Líder nacional do setor, a White Martins (Praxair) não poderia deixar de se integrar à tendência de pesquisa e oferta de novos usos, serviços e tecnologias capazes de conferir maior valor à oferta de gases. E agora, conta o diretor de inovação e tecnologia William Macedo, essa empresa patenteia uma tecnologia destinada a produzir em plantas on-site (instaladas nas fábricas dos clientes) oxigênio com grau de pureza de 6.0 (em atividades industriais, usa-se normalmente algo próximo de 2.8).

Por enquanto, frisa Macedo, essa tecnologia ainda não permite a produção desse gás em grande quantidade: “Mas nós a estamos desenvolvendo para torná-la capaz de gerar volumes, se não imensos, condizentes com a demanda de clientes com necessidades específicas de pureza.”

De acordo com Macedo, as empresas interessadas em permanecer competitivas no mercado de gases devem ter capacidade de se antecipar às necessidades dos clientes. Para tanto, a White Martins (Praxair) coloca à disposição dos clientes um centro tecnológico no município fluminense de Duque de Caxias. Também oferece um sistema de monitoramento e abastecimento automático dos estoques de clientes que, neste caso, sequer necessita fazer as respectivas solicitações. “Os grandes clientes estão aderindo a esse serviço”, ele acrescenta.

Para Newton de Oliveira, presidente da IBG (Indústria Brasileira de Gases), é graças ao surgimento de novas aplicações que a indústria de gases geralmente cresce em índices superiores ao do PIB nacional. “O nitrogênio é hoje utilizado em muitos componentes de veículos, como amortecedores e volantes”, ele exemplifica.

Única produtora nacional nesse mercado (exceto plantas cativas) ocupado em sua maior parte por grandes conglomerados globais, a IBG, afirma Oliveira, também estabelece seus diferenciais: “Buscamos um atendimento mais personalizado, e os caminhões de nossa frota são paletizados”, ele relata. Além disso, mantém uma empresa de engenharia, com sede nos Estados Unidos e um escritório na China.

Criada há cerca de quatro anos, a operação de engenharia da IBG se tornou necessária porque os fornecedores da tecnologia para produção de gás são geralmente vinculados aos seus concorrentes, e não teriam muito interesse em disponibilizá-la. “E ela está sediada fora do Brasil porque os principais produtores desses equipamentos também estão localizados no exterior”, ele ressalta.

Além de fornecer tecnologia às plantas da própria IBG, essa unidade de engenharia também gera alguma receita própria: “Com ela, já vendemos fábricas para países como Angola e Rússia, além de um projeto para o Chile”, conta Oliveira.

Também a unidade de engenharia da Linde, além de cuidar da operação de gás do grupo, presta serviços a terceiros. “Ela hoje trabalha muito no mercado do gás natural”, diz Karlson.

Perspectivas de expansão – Siderurgia, indústria química e petroquímica, metal-mecânica, papel e celulose: esses são alguns dos pilares da estrutura de realização de negócios da indústria de gases. É também importante, como usuária de dióxido de carbono, a indústria de bebidas e alimentos. Mas outros segmentos de atividade são hoje atentamente observados pelas empresas do setor. É o caso dos estaleiros e da indústria de equipamentos offshore, com crescente demanda por gases utilizados nos processos de corte e solda: oxigênio, dióxido de carbono, argônio e acetileno.

O atual dinamismo desse segmento, crê Macedo, da White Martins (Praxair), pode até compensar possíveis reduções nas demandas provenientes da indústria automobilística, caso se aprofunde a conjuntura de crise econômica internacional. E, ainda de acordo com Macedo, embora por enquanto pequeno, o consumo de nitrogênio em atividades médicas – por exemplo, na conservação de células-tronco – logo poderá gerar um mercado relevante.

Este ano, prevê o diretor da White Martins (Praxair), o volume de gases comercializado no Brasil deverá ficar entre 8% e 10% acima daquele registrado em 2010. “Nossa empresa deve crescer mais que isso”, ele destaca.

Na Linde, projeta Karlson, a expansão dos negócios no decorrer deste ano também deverá situar-se no patamar dos dois dígitos. Ele cita, entre os segmentos nos quais há maior potencial de expansão dos negócios, a atividade de healthcare (cuidados com a saúde), consumidora de oxigênio de elevada pureza (até 2013, aliás, quem quiser permanecer nesse mercado precisará assegurar a rastreabilidade de todo o processo de produção desse gás). E é crescente, complementa o presidente da Linde, o uso de dióxido de carbono pela indústria de alimentos, seja para a carbonatação de bebidas, seja para o congelamento dos produtos alimentícios.

Química e Derivados, Magnus Karlson, Linde Brasil, gás industrial
Karlson: investimento chegará a R$ 200 milhões em 2011

Perrogón, da Air Liquide, percebe crescimento mais acentuado do consumo de gases em segmentos como a indústria de vidros planos, cujo tratamento térmico requer uma combinação de nitrogênio com hidrogênio, e a produção de eletrônicos secundários, na qual o nitrogênio é utilizado para a manutenção de atmosferas inertes. “A indústria de eletrônica primária, produtora de chips, deve se instalar em breve no Brasil, e vai requerer gases especiais também para tratar as placas”, ele complementa.

Já o setor químico, prossegue o diretor da Air Liquide, ao menos até 2015, deve apresentar forte expansão no Brasil: “Temos ofertas customizadas para o mercado químico e petroquímico, desde a inertização de tanques e tubulações até a recuperação de voláteis e aplicação em reatores.”

Mas, segundo Perrogón, de maneira geral, o crescimento da atividade industrial no Brasil e, consequentemente, o consumo de gases, atinge hoje patamares inferiores àqueles verificados no ano passado: “Cresceremos este ano no Brasil, porém não na mesma intensidade do crescimento registrado em 2010”, ele conta.

Também Oliveira, da IBG, observa redução da demanda por gases, relativamente a perspectivas anteriores. Sua empresa, ele relata, tinha inicialmente uma meta de expansão de negócios no decorrer deste ano de 25%, mas esse índice está sendo reduzido: “Queremos ao menos manter nossa expansão no patamar dos dois dígitos”, ressalva.

Maior capacidade – Mesmo sem uma exata correspondência entre o atual ritmo de expansão do consumo pela indústria brasileira e as expectativas iniciais das empresas do setor, há planos de expansão da oferta de gases disponível no Brasil. A White Martins (Praxair), conta Macedo, já no início de 2012 contará com novas plantas, com as quais sua atual capacidade de produção será ampliada em algo entre 15% e 20%. “Ampliaremos a produção de todos os gases”, ele enfatiza.

Por sua vez, a Air Liquide, conta Perrogón, no período compreendido entre 2009 e 2012, realizará um investimento total de R$ 350 milhões. “Na América Latina, nossa oferta está muito ajustada à demanda, e por isso os investimentos não pararão”, ele conta.

Entre os mais recentes projetos on-site implementados pela Air Liquide no Brasil, Perrogón cita plantas instaladas e administradas por sua empresa em unidades industriais da Bridgestone e da Monsanto (para produção de nitrogênio e oxigênio, respectivamente). Além disso, ao lado da White Martins, a Air Liquide está presente na planta de gases do ar (nitrogênio, oxigênio e argônio) da Companhia Siderúrgica do Atlântico, inaugurada no ano passado em Santa Cruz-RJ, na qual é responsável pela gestão operacional.

Recentemente, a Air Liquide consolidou uma nova estrutura comercial, coordenada pelo próprio Perrogón e composta por especialistas nos segmentos industriais nos quais a empresa projeta maiores possibilidades de realização de negócios. “Tenho, por exemplo, um especialista em indústria alimentícia, que transfere para esse setor as aplicações hoje usadas na Europa e nos Estados Unidos”, especifica Perrogón.

Já a Linde, afirma Karlson, está neste ano alocando cerca de R$ 200 milhões em sua estrutura de produção – porção superior a um terço desse total, precisamente R$ 70 milhões, refere-se à produção de hidrogênio. E parte do investimento foi destinada à unidade mantida pela empresa em Jundiaí, onde a produção de hidrogênio fornecido em estado bruto pela Eka Chemicals tem agora a capacidade duplicada. Atualmente, a Linde mantém no Brasil quinze plantas produtoras de gases e 23 estações de enchimento.

Química e Derivados, Gases Industriais, Fábrica de gases do ar da IBG em Jundiaí-SP
Fábrica de gases do ar da IBG em Jundiaí-SP

Na IBG, o parque produtivo e de distribuição inclui hoje três plantas de dióxido de carbono, quatro de gases do ar, e estações de enchimento em dezesseis localidades. Um dos mais novos componentes desse conjunto é uma planta criogênica em Jundiaí, onde a empresa já mantém duas unidades semelhantes, e uma nova produtora de dióxido de carbono instalada em Recife-PE. “No Nordeste, o dióxido de carbono geralmente provém da atividade canavieira, mas nós o produziremos com gás natural, que possibilita altíssimo grau de pureza”, destaca Oliveira.

Por enquanto, a IBG não produz hidrogênio. “Mas comercializamos esse gás com um parceiro cujo nome, por razões estratégicas, não posso revelar”, diz Oliveira. “E o planejamento da empresa inclui o início da produção de hidrogênio”, ele acrescenta.

Tecnologias e possibilidades – A indústria do hidrogênio, na qual pretende ingressar a IBG, conta com duas grandes opções de produção: a eletrólise (que exige intenso uso de energia elétrica) e a reforma catalítica, cuja eficiência está associada ao porte da unidade produtora. Há quem afirme ser a primeira dessas duas opções uma tecnologia ultrapassada e até inexequível no Brasil: “Aqui, o custo da energia inviabiliza a eletrólise”, confirma Perrogón, da Air Liquide.

Karlson, da Linde, reconhece os elevados custos da eletricidade no mercado nacional, mas justifica a opção pela eletrólise em algumas situações. Por exemplo, em locais mais distantes dos grandes centros industriais, nos quais é mais difícil encontrar um parceiro gerador de matéria-prima para a reforma, e onde existam clientes com demanda significativa e constante. Caso da cidade de Itumbiara-GO, onde a Linde mantém uma planta de produção eletrolítica de hidrogênio.

A discussão relativa aos modelos de produção de hidrogênio ganha maior relevância com a possibilidade de consolidação de novos mercados consumidores desse gás, por exemplo, para uso como combustível de veículos automotores, hoje em teste no Brasil (ver box). Ainda embrionário por aqui, esse uso deverá crescer a partir de 2015, prevê Perrogón, da Air Liquide: “Existem hoje, até na própria Air Liquide, muitas pesquisas dedicadas a esse uso”, comenta.

Macedo, da White Martins, também aposta na ampliação do aproveitamento do hidrogênio para a movimentação de veículos, embora no Brasil, especialmente, ele enfrente concorrência de outros combustíveis, como o etanol. “Mas o Brasil também exporta etanol, e deve manter um balanço no qual mesclará o uso de vários combustíveis”, ele projeta.

Na Linde, as pesquisas para uso do hidrogênio em veículos incluem parcerias com empresas como Shell e Daimler (Mercedes-Benz). “Existem hoje muitas opções de combustíveis, precisamos estar atentos às várias possibilidades”, observa Karlson.

Química e Derivados, Newton de Oliveira - IBG (Indústria Brasileira de Gases), gases industrial
Oliveira: novos usos fazem setor crescer acima do PIB

Pode-se projetar a expansão do consumo de hidrogênio no Brasil também porque a Petrobras necessita dele para reduzir os teores de enxofre de seus combustíveis, mediante processos de hidrogenação. Isso significa a ampliação da demanda, por parte dessa empresa, ao menos de mais plantas de geração de hidrogênio mantidas pela própria estatal. Mas essa iniciativa da Petrobras ainda não é abordada de maneira muito clara pela indústria de gases. “Não posso dar detalhes sobre nossa participação nesse projeto”, diz Macedo, da White Martins (Praxair). “Há plantas nossas na Petrobras”, afirma Karlson, da Linde, sem entrar em detalhes.

Quando demanda uma planta de produção de hidrogênio, a Petrobras geralmente se encarrega ela própria de sua operação. Mas, apesar dessa e de outras possíveis exceções, parece haver nesse mercado crescente interesse dos clientes pela delegação, aos próprios fornecedores da tecnologia, da responsabilidade pela gestão de suas plantas de gases. “Vários clientes preferem delegar tal responsabilidade à nossa empresa, que então contabiliza a instalação da planta como um investimento próprio”, diz Karlson. Atualmente, a Linde responde pela operação de plantas de gases de clientes como Acesita, em Timóteo-MG, e Veracel, em Eunápolis-BA, dentro da qual opera na ilha química instalada pela Eka.

A IBG, conta Oliveira, recentemente forneceu, através de sua unidade de engenharia, a tecnologia de produção de oxigênio da aciaria que a Gusa Nordeste está instalando em Açailândia-MA. “Não sabemos se operaremos essa planta, e operar plantas de outras empresas nem é nosso foco”, ele destaca.

Hélio desperta o interesse do setor

Ainda utilizado em escala muito menor em comparação a outros como hidrogênio e oxigênio, o hélio começa a receber maior atenção das operações brasileiras das grandes companhias dos gases. Há cerca de um ano, a Linde passou a trazer para o Brasil esse gás na forma líquida, gaseificando-o e envasando-o em Jundiaí (antes, ele era trazido já gaseificado e embalado). “A importação na forma líquida permite uma escala muito maior”, destaca Karlson. Ele cita, entre os principais usos atuais do hélio, os exames médicos de ressonância magnética nuclear.

Mas há outras possibilidades de aproveitamento do hélio: “Ele serve também para encher balões, e nessa aplicação deverá ser muito utilizado em eventos como a Copa do Mundo e a Olimpíada, além das misturas de gases para mergulho, cuja demanda deverá crescer bastante com a exploração do petróleo no pré-sal”, especifica Perrogón, da Air Liquide, que também recentemente passou a trazer hélio líquido para gaseificar e comercializar no mercado nacional. “Antes, não tínhamos disponibilidade para trazer para cá esse gás, hoje extraído de quantidade muito reduzida de poços de petróleo existentes em apenas alguns poucos países”, justifica.

De acordo com Perrogón, o hélio serve ainda para detectar pequenos vazamentos em alguns equipamentos: “Esse é um teste não destrutivo para validar o tempo de vida útil de componentes críticos, prevenir perda de material ou contaminações, e é aplicado em diversos segmentos da indústria, do automotivo ao nuclear”, explica.

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