Gases do ar: Separadora da Linde em Curitiba parte em abril

O lado mais brilhante do mercado está no setor de alimentos, com demanda crescente, explicado pelo aumento do poder aquisitivo da população e do consumo crescente de alimentos industrializados. Isso tem impulsionado a venda de nitrogênio para congelamento rápido de comida, uma forma de conservação avançada. O segmento também abrange o elevado consumo de hidrogênio para transformar óleos vegetais em margarina e outras hidrogenações. A linha de bebidas carbonatadas consome grandes volumes de gás carbônico, que tem um mercado da ordem de mil t/dia, segundo Karlson. “O CO2 é escasso e caro no Brasil, nós o produzimos apenas em Cubatão e no Rio de Janeiro, e há poucas fontes viáveis para aproveitamento de gases residuais”, comentou. Algumas empresas pensariam em produzi-lo pela queima de gás natural, porém isso se revela inviável no Brasil, país no qual o preço do metano chega a assombrosos US$ 15 por milhão de BTU, enquanto nos Estados Unidos, país beneficiado pelo shale gas, o preço fica por volta de US$ 3. “Estamos estudando novas oportunidades, a exemplo dos gases residuais das fábricas de fertilizantes nitrogenados que a Petrobras está construindo”, afirmou.

Os resultados da Linde Brasil foram razoáveis, apesar da crise. As vendas de 2012 foram 5% superiores às de 2011, e 2013 deve apresentar um crescimento um pouco menor, porém positivo. “Estamos trabalhando para adequar toda a nossa estrutura para apoiar uma nova fase de crescimento”, afirmou Karlson. Por isso, a companhia investiu para implantar o sistema de gestão SAP, que permite obter uma visão mais ampla e atualizada das operações.

Desde a central de operações em Jundiaí-SP, dotada de um sistema que permite operar as plantas remotamente, além de acompanhar seu consumo de energia (um ponto crítico para o negócio), a Linde gerencia 30 fábricas instaladas na América do Sul, bem como todos os seus clientes bulk na região. Jundiaí também centraliza todos os dados sobre serviços.

“Estamos centralizados administrativamente, mas descentralizados fisicamente”, comentou Karlson, a respeito do trabalho das filiais e dos distribuidores regionais, fundamentais para o atendimento do mercado de cilindros.

Segundo Karlson, a média de investimentos no Brasil nos últimos cinco anos chega a US$ 200 milhões, refletindo o interesse da companhia pelo mercado. “Estamos sempre estudando oportunidades para instalar novas plantas e há muitos projetos para disputar”, considerou.

A Linde também vende unidades completas para clientes que desejam operá-las por conta própria. É um negócio usual, mas desaconselhado pela companhia. “Nós somos especialistas nisso, sabemos como operar e manter essas fábricas com o máximo de eficiência e disponibilidade”, afirmou.

No ano passado, a companhia mudou todo o seu sistema de controle de gases para um programa próprio, substituindo o anterior, desenvolvido pela Aga. “Atualmente, o foco dos nossos desenvolvimentos está mais ligado à forma pela qual os clientes aplicam os gases nos seus processos. Podemos oferecer tecnologias que ampliem a produtividade de todo o processo deles”, salientou. Como exemplo, ele citou uma siderúrgica que aumentou sua eficiência de produção em 20% mediante a instalação de válvulas mais adequadas nos pontos certos do alto-forno. Outro exemplo está na indústria de vinhos, para a qual a Linde mantém um enólogo que orienta o uso dos gases pelos vinicultores.

A empresa mantém uma equipe de 30 engenheiros especializados em vários processos industriais para oferecer esses ganhos de eficiência aos clientes. “Esses engenheiros têm o mesmo nível dos nossos profissionais na Alemanha e na Suécia”, comentou. “Queremos que os clientes usem melhor os nossos gases do que os dos concorrentes.”

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