Gases do ar: Separadora da Linde em Curitiba parte em abril

A mais recente unidade de produção de gases do ar da Linde no Brasil está sendo construída em Curitiba-PR, com inauguração prevista para o início de abril de 2014.

A companhia investe € 50 milhões nesse projeto, situado no terreno da Peróxidos do Brasil (Grupo Solvay), que será sua maior cliente de oxigênio.

A unidade terá capacidade para suprir essa demanda, com sobra do gás, além do nitrogênio e do argônio, para atender outros clientes na Região Sul.

“Atualmente, atendemos a região com gases produzidos nas nossas separadoras de São Paulo e do Rio de Janeiro, com alto custo de transporte”, comentou Magnus Karlson, gerente geral da Linde Brasil.

Ele salienta que essa será a primeira separadora de gases do ar do Estado do Paraná e melhorará a competitividade da companhia em toda a região, que conta com fábricas das concorrentes Air Liquide e Praxair, ambas em terras gaúchas.

A unidade de Curitiba terá capacidade de produzir entre 200 e 250 t diárias de gases.

Com isso, ela se situa como uma das maiores da companhia no Brasil, perdendo apenas para as instalações de Cubatão e do Rio de Janeiro, esta inaugurada em 2009, substituindo a anterior.

A fábrica de Camaçari-BA, concluída em 2010, é menor que a paranaense.

A estratégia de negócios em gases se beneficia da existência de grandes clientes, com demanda capaz de justificar a instalação de uma fábrica de separação criogênica, oferecendo gases em alto volume e elevada pureza.

A indústria siderúrgica, com elevado consumo de oxigênio, foi uma forte impulsionadora da instalação dessas unidades, assim como os polos petroquímicos, mais interessados em nitrogênio para inertização de tanques.

Karlson explicou que o negócio de gases pode ser dividido em quatro categorias: a dos grandes clientes; a dos clientes que possuem tanques próprios de armazenagem (bulk); a dos compradores de cilindros; e o segmento de health care (medicinal).

Química e Derivados, Karlson: health care compensa queda das vendas para clientes industriais
Karlson: health care compensa queda das vendas para clientes industriais

“Estamos verificando um grande crescimento da demanda pelos gases medicinais, motivo que nos leva a desenvolver novas formas de atuação”, explicou o gerente geral.

A Linde comprou, em 2012, uma empresa norte-americana especializada em gases medicinais para home care, uma forma de terceirização de serviços de saúde municipais. Karlson explica que a tendência atual, nos Estados Unidos e Europa, é mandar os pacientes para casa o mais rapidamente possível, fugindo de infecções hospitalares e proporcionando mais conforto para pacientes, muitos deles crônicos.

“Isso exige desenvolver uma logística adequada para a entrega oportuna de cilindros ou a instalação de concentradores móveis, dependendo do caso”, afirmou.

Na Europa, a companhia criou estruturas para receber pacientes que deixam as unidades de terapia intensiva de hospitais, uma etapa antes de voltar para casa.

“São como clínicas de recuperação, oferecemos leitos, enfermagem e acompanhamento médico, tudo sob responsabilidade da Linde, que também fornece os gases necessários”, explicou.

Além da Europa, ele informou que a companhia está desenvolvendo um projeto semelhante na Colômbia, com bons resultados.

Karlson informou que o faturamento com gases medicinais está crescendo a uma taxa anual de dois dígitos, inclusive no Brasil.

“O bom desempenho desse segmento ajuda a compensar a baixa atividade industrial no país”, informou. Mesmo assim, as vendas para clientes industriais representam entre 75% e 80% do faturamento no Brasil, complementado por 25% a 20% dos negócios medicinais.

Tanto o setor farmacêutico quanto o medicinal estão se adaptando às mais recentes normas da agência americana de alimentos e medicamentos (FDA), com reflexos já notáveis nas normas brasileiras.

“As exigências de boas práticas de produção e rastreabilidade são crescentes, impondo um esforço maior de documentação”, avaliou.

O mercado nacional de gases industriais vive um período de baixa, iniciado em setembro de 2011, segundo o gerente geral, explicado pela queda da atividade industrial.

O setor siderúrgico foi um dos que tiveram os piores desempenhos, ao lado das indústrias química e petroquímica.

As aplicações metalúrgicas, em especial o corte e a solda de chapas, mantêm-se em bom nível, puxadas pelo setor automotivo.

Têm bons resultados, embora sejam relativamente pequenos em volume, os usos de oxigênio em sistemas de tratamento de água e de efluentes, ainda recentes no país.

Grande cliente de oxigênio, o setor de celulose amarga uma baixa no mercado internacional, embora novas unidades de produção ainda estejam sendo construídas no Brasil.

“Infelizmente, essas unidades se situam muito longe dos centros de consumo de outros gases e não viabilizam consumos complementares por parte de terceiros”, comentou.

O lado mais brilhante do mercado está no setor de alimentos, com demanda crescente, explicado pelo aumento do poder aquisitivo da população e do consumo crescente de alimentos industrializados. Isso tem impulsionado a venda de nitrogênio para congelamento rápido de comida, uma forma de conservação avançada.

O segmento também abrange o elevado consumo de hidrogênio para transformar óleos vegetais em margarina e outras hidrogenações.

A linha de bebidas carbonatadas consome grandes volumes de gás carbônico, que tem um mercado da ordem de mil t/dia, segundo Karlson.

“O CO2 é escasso e caro no Brasil, nós o produzimos apenas em Cubatão e no Rio de Janeiro, e há poucas fontes viáveis para aproveitamento de gases residuais”, comentou.

Algumas empresas pensariam em produzi-lo pela queima de gás natural, porém isso se revela inviável no Brasil, país no qual o preço do metano chega a assombrosos US$ 15 por milhão de BTU, enquanto nos Estados Unidos, país beneficiado pelo shale gas, o preço fica por volta de US$ 3.

“Estamos estudando novas oportunidades, a exemplo dos gases residuais das fábricas de fertilizantes nitrogenados que a Petrobras está construindo”, afirmou.

Os resultados da Linde Brasil foram razoáveis, apesar da crise. As vendas de 2012 foram 5% superiores às de 2011, e 2013 deve apresentar um crescimento um pouco menor, porém positivo.

“Estamos trabalhando para adequar toda a nossa estrutura para apoiar uma nova fase de crescimento”, afirmou Karlson.

Por isso, a companhia investiu para implantar o sistema de gestão SAP, que permite obter uma visão mais ampla e atualizada das operações.

Desde a central de operações em Jundiaí-SP, dotada de um sistema que permite operar as plantas remotamente, além de acompanhar seu consumo de energia (um ponto crítico para o negócio), a Linde gerencia 30 fábricas instaladas na América do Sul, bem como todos os seus clientes bulk na região. Jundiaí também centraliza todos os dados sobre serviços.

“Estamos centralizados administrativamente, mas descentralizados fisicamente”, comentou Karlson, a respeito do trabalho das filiais e dos distribuidores regionais, fundamentais para o atendimento do mercado de cilindros.

Segundo Karlson, a média de investimentos no Brasil nos últimos cinco anos chega a US$ 200 milhões, refletindo o interesse da companhia pelo mercado.

“Estamos sempre estudando oportunidades para instalar novas plantas e há muitos projetos para disputar”, considerou.

A Linde também vende unidades completas para clientes que desejam operá-las por conta própria. É um negócio usual, mas desaconselhado pela companhia.

“Nós somos especialistas nisso, sabemos como operar e manter essas fábricas com o máximo de eficiência e disponibilidade”, afirmou.

No ano passado, a companhia mudou todo o seu sistema de controle de gases para um programa próprio, substituindo o anterior, desenvolvido pela Aga.

“Atualmente, o foco dos nossos desenvolvimentos está mais ligado à forma pela qual os clientes aplicam os gases nos seus processos. Podemos oferecer tecnologias que ampliem a produtividade de todo o processo deles”, salientou.

Como exemplo, ele citou uma siderúrgica que aumentou sua eficiência de produção em 20% mediante a instalação de válvulas mais adequadas nos pontos certos do alto-forno.

Outro exemplo está na indústria de vinhos, para a qual a Linde mantém um enólogo que orienta o uso dos gases pelos vinicultores.

A empresa mantém uma equipe de 30 engenheiros especializados em vários processos industriais para oferecer esses ganhos de eficiência aos clientes.

“Esses engenheiros têm o mesmo nível dos nossos profissionais na Alemanha e na Suécia”, comentou.

“Queremos que os clientes usem melhor os nossos gases do que os dos concorrentes.”

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