Comércio e Distribuição de Produtos Químicos e Especialidades

Galvanoplastia – Clientes importam mais peças prontas, mas setor se defende com tecnologia

Antonio C. Santomauro
2 de março de 2013
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    Na verdade, crê Bombonati, da Atotech, ainda há grande espaço para os métodos tradicionais de eletrodeposição, mas, para aproveitá-los, os provedores de insumos devem continuar investindo para que esses banhos sigam evoluindo e se tornem cada vez mais viáveis, tanto econômica quanto ambientalmente. Isso significa, entre outras coisas, reduzir perdas e descartes, até pelo reaproveitamento dos materiais.

    A própria Atotech desenvolveu uma tecnologia de reaproveitamento do níquel que seria normalmente descartado nos efluentes dos banhos de niquelação. Essa técnica se baseia em um sistema de retenção seletiva dos íons de níquel presentes na água, e sua posterior transformação em sulfato de níquel puro, passível de reaproveitamento. Permite, afirma Bombonati, recuperar até 95% do níquel que seria perdido. “Este processo é totalmente controlado por um CLP, que gerencia os protocolos de trabalho, limpeza e regeneração”, detalha.

    Preocupações ambientais – Como não poderia deixar de ser, a sustentabilidade é hoje um dos mais relevantes pilares para a evolução das tecnologias de tratamento de superfícies. E questões relacionadas a esse tema, há muito tempo na mira tanto de indústrias quanto de ambientalistas, parecem agora evoluir de maneira bastante satisfatória. É o caso, por exemplo, da substituição do cromo hexavalente, reconhecidamente cancerígeno e com uso muito restrito em vários países, pelo cromo trivalente.

    Na indústria automobilística, praticamente não se usa mais cromo hexavalente nos passivadores aplicados posteriormente à zincagem, afirma D’Amaro, da Tecnorevest. E, mesmo em outras indústrias, o uso de cromo hexavalente em passivadores é muito reduzido. “Muita gente usa o cromo trivalente em substituição ao hexavalente também na cromação decorativa”, complementa.

    No processo denominado cromo duro – para aplicações nas quais se exige altíssima resistência mecânica –, em algumas aplicações parece, porém, ainda difícil encontrar substitutos viáveis, tanto no quesito eficácia quanto na questão econômica, ao cromo hexavalente. “Mas o problema ecológico desse acabamento está na linha de aplicação, na qual se opera com uma solução altamente concentrada em cromo hexavalente, pois o cromo depositado sobre a superfície está no estado metálico, inofensivo à saúde e ao meio ambiente”, ressalva D’Amaro.

    Segundo o diretor da Tecnorevest, há substitutos para o cromo hexavalente em algumas aplicações antes ocupadas pelo cromo duro: “As válvulas de plataformas de exploração de petróleo, por exemplo, atualmente são tratadas com níquel químico – que tem maior resistência química –, e não mais com cromo duro, pois assim elas obtêm maior resistência à água do mar”, afirma. “Mas em algumas aplicações que exigem muita dureza, como um eixo de uma ferramenta, ainda não existe substituto para o cromo duro”, acrescenta.

    Evolui a própria tecnologia de aplicação do cromo: a Anion, comenta Zanini, há alguns meses lançou um processo rotativo para cromação de peças pequenas, como porcas e botões de roupas. Tradicionalmente, a cromação desses tipos de peças exige a fixação de cada uma delas em pequenos ganchos, um processo dispendioso e demorado. “Nossa tecnologia permite a colocação de vinte ou até trinta quilos de peças em tambores, e após algum tempo elas estão tratadas com cromo trivalente”, destaca.

    Ainda na busca pela sustentabilidade, destaca Souza, da Itamarati, há também crescente substituição do cianeto, utilizado, por exemplo, como um complexante para contaminações nos processos de zincagem. “Essa função pode ser desempenhada por aditivos compostos por produtos orgânicos, que seguem também desempenhando suas funções habituais, como conferir mais brilho aos tratamentos”, diz Souza.

    Bandeira, da SurTec, lembra, porém, que o cianeto ainda é empregado em processos como a aplicação de cobre alcalino para que o zamak possa receber o depósito de níquel (cujo eletrólito é agressivo para este substrato). “Esse tratamento é usado, por exemplo, em volantes de torneiras de menor custo”, observa.

    Mas a sustentabilidade dos processos de tratamento hoje estimula também a substituição, nos produtos destinados à limpeza das superfícies a serem tratadas, de tensoativos – o nonilfenol é substituído por compostos que se degradam mais facilmente. “Temos hoje em nosso portfólio produtos com e sem nonilfenol”, diz Bandeira.

    E a Atotech, conta Bombonati, brevemente lançará um produto para substituir os condicionadores aplicados ao ABS antes que ele receba o paládio que lhe permitirá ser submetido à eletrodeposição. Atualmente esses condicionadores trazem, para cada litro de água, 400 gramas de ácido crômico – formador do cromo hexavalente e também de grande quantidade de lodo – e 400 gramas de ácido sulfúrico. “Ainda não posso falar muito sobre ele, mas o produto que lançaremos não terá nenhum desses dois ácidos”, afirma Bombonati. Segundo ele, a Atotech busca reduzir cada vez mais o emprego de produtos incluídos na categoria conhecida como CMT (cancerígenos, mutagênicos, teratogênicos). São os casos não apenas do cromo hexavalente ou do nonilfenol, mas também do cobalto, muito usado nos passivadores de zinco. “Já lançamos um produto livre de cobalto para essa aplicação, com agentes orgânicos que fazem a proteção adicional proporcionada pelo cobalto”, finaliza.



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    Um Comentário


    1. ADRIANO HENRIQUE DONADON

      GALVANIZAÇÃO PARA PARAFUSO



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