Química

Galvanoplastia – Clientes importam mais peças prontas, mas setor se defende com tecnologia

Antonio C. Santomauro
26 de março de 2013
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    Mas a sustentabilidade dos processos de tratamento hoje estimula também a substituição, nos produtos destinados à limpeza das superfícies a serem tratadas, de tensoativos – o nonilfenol é substituído por compostos que se degradam mais facilmente. “Temos hoje em nosso portfólio produtos com e sem nonilfenol”, diz Bandeira.

    E a Atotech, conta Bombonati, brevemente lançará um produto para substituir os condicionadores aplicados ao ABS antes que ele receba o paládio que lhe permitirá ser submetido à eletrodeposição. Atualmente esses condicionadores trazem, para cada litro de água, 400 gramas de ácido crômico – formador do cromo hexavalente e também de grande quantidade de lodo – e 400 gramas de ácido sulfúrico. “Ainda não posso falar muito sobre ele, mas o produto que lançaremos não terá nenhum desses dois ácidos”, afirma Bombonati.

    Segundo ele, a Atotech busca reduzir cada vez mais o emprego de produtos incluídos na categoria conhecida como CMT (cancerígenos, mutagênicos, teratogênicos). São os casos não apenas do cromo hexavalente ou do nonilfenol, mas também do cobalto, muito usado nos passivadores de zinco. “Já lançamos um produto livre de cobalto para essa aplicação, com agentes orgânicos que fazem a proteção adicional proporcionada pelo cobalto”, finaliza.

    Empresas tiveram queda de 9,5% nos negócios

    Comparando os nove primeiros meses de 2012 com o mesmo período do ano anterior, houve queda de 9,5% nos negócios da indústria brasileira de tratamento para superfícies, como evidencia um estudo encomendado pela Associação Brasileira de Tratamentos de Superfície (ABTS).

    Contribuiu significativamente para essa queda a intensa importação de peças e produtos já tratados. Por exemplo, autopeças: “Atualmente, mais de 50% dos parafusos usados pela indústria automobilística são importados”, exemplifica Wilma Taira dos Santos, presidente da ABTS.

    Já a produção de eletroeletrônicos, ela observa, embora siga aumentando a quantidade de itens produzidos, trata superfícies cada vez menores, mesmo porque há uma tendência de diminuição de tamanho dos seus produtos, por exemplo, na substituição de computadores por tablets ou smartphones.

    Wilma prevê uma conjuntura mais favorável para 2013, em decorrência de medidas como o programa oficial de estímulo à nacionalização dos componentes dos automóveis, e a redução das tarifas de energia. “Mas, embora melhor que 2012, ainda deverá ser um ano difícil”, ressalta.

    Cardaci, da Henkel, também vê no regime de produção automobilística a entrar em vigor no país no início de 2013, materializado no Decreto 7.819, de outubro, um fator capaz de favorecer os negócios relacionados ao tratamento de superfície. “Ele estimula não apenas a produção nacional, mas também a tecnologia local, e já estamos sendo chamados por fornecedores de autopeças para o desenvolvimento de novos projetos”, justifica.

    A Henkel, afirma Cardaci, embora também tenha sentido os impactos decorrentes do elevado volume de importação de autopeças, vem conseguindo elevar seus negócios no mercado brasileiro de tratamento de superfície, especialmente pelo lançamento de novas soluções, como o Aquence e um tratamento de alumínio contra corrosão denominado EC2.

    Mesmo na complexa conjuntura mercadológica atual, segue havendo investimentos no mercado brasileiro de tratamento de superfícies. Por exemplo, o grupo MacDermid, que após concluir em 2012 a aquisição da Tecnorevest, agora amplia a capacidade de produção da Revestsul, unidade de produção mantida por essa empresa no município paranaense de Cambé.

    Nessa mesma cidade, constrói uma unidade denominada MacDermid Offshore, que entre outros itens produzirá fluidos para refrigeração das válvulas controladoras dos processos de exploração e produção de petróleo. “Tanto a ampliação da Revestsul – muito forte na área da eletroforese – quanto a MacDermid Offshore, estarão operando a partir de fevereiro”, destaca Zanini.

    No decorrer de 2013, a Atotech instalará no Brasil um sofisticado microscópio de varredura eletrônica, qualificado por Bombonati como “um diferencial nesse mercado”. Posteriormente, iniciará a montagem de uma planta de galvanoplastia em escala reduzida, na qual tanto ela quanto seus clientes poderão realizar testes. “Essa planta privilegiará os processos referentes à proteção contra corrosão, entre os quais predomina a zincagem”, especifica o gerente da Atotech.



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