Química

Galvanoplastia – Clientes importam mais peças prontas, mas setor se defende com tecnologia

Antonio C. Santomauro
26 de março de 2013
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    Nanopartículas de silício são utilizadas também em passivadores de banhos de zinco: “Mergulha-se a peça zincada em uma solução ácida contendo cromo trivalente e partículas de silício, e a combinação entre zinco, cromo e silício confere uma proteção extra”, explica Maurício Furukawa Bombonati, gerente de GMF (General Metal Finishing), da Atotech.

    Química e Derivados, Douglas Bandeira, SurTec, selantes à base de silanos protegem mais a peça

    Bandeira: selantes à base de silanos protegem mais a peça

    Por sua vez, a SurTec mantém entre seus itens tecnológicos os selantes (normalmente aplicados depois dos passivadores), destinados a peças que requerem maior resistência. “Eles contêm partículas nano à base de silanos, que agem na formação de uma barreira que recobre a peça e a protege ainda mais”, destaca Douglas Bandeira, gerente de marketing da SurTec.

    Plástico tratado – Materiais não metálicos parecem sinalizar um promissor horizonte de realização de negócios para a indústria de tratamento de superfície, mas, ao menos por enquanto, ele inclui basicamente o plástico ABS (terpolímero de acrilonitrila, butadieno e estireno), utilizado em escala crescente por fabricantes de autopeças e de metais sanitários, entre outros artigos.

    Em metais sanitários, diz Bombonati, da Atotech, já se usa plástico em praticamente todos os componentes nos quais não há passagem de água, como as canoplas. As partes em contato com o fluxo de água são feitas de latão e naquelas pelas quais não passa a água, mas que são tocadas pelas pessoas – como os volantes das torneiras –, aplica-se a liga zamak, para que o usuário sinta a frieza típica de um metal. “Os grandes fabricantes de metais sanitários têm processos para tratamento desses três materiais, pois essa combinação reduz muito os seus custos”, destaca Bombonati.

    A Atotech mantém duas áreas específicas para o mercado de tratamento de peças não metálicas: plate on plastic, dedicada à preparação das superfícies, e deco, focada no revestimento propriamente dito. Essa segunda etapa, diz Bombonati, é similar em plásticos e em metais, mas a primeira visa a tornar o plástico condutivo, para que ele possa ser submetido à eletrodeposição. Um método comum de preparação do plástico para essa operação é o banho em ativadores de paládio, como informa Bombonati.

    Outros plásticos começam a ser tratados: caso do T45, uma poliamida mais dura e mais resistente ao calor que o ABS, e que, de acordo com Souza, da Itamarati, começa a ser utilizada por montadoras em itens como fechaduras e puxadores internos. “Esse uso já é mais intenso no exterior, mas começa a ganhar força aqui no Brasil”, conta Souza.

    Idas e vindas – A indústria de tratamento de superfícies disponibiliza também produtos capazes de substituir os métodos tradicionais de eletrodeposição. A Henkel, por exemplo, começa a oferecer mais enfaticamente no mercado nacional um produto denominado Aquence, uma tinta que, de acordo com Cardaci, combina em um único processo o pré-tratamento e a pintura.

    Química e Derivados, Douglas Fortunato de Souza, Itamarati,

    Souza: solução nanotecnológica aumenta resistência à corrosão

    Como atua por meio de reação química com o metal, esse produto também permite que artigos como amortecedores e bancos de automóveis possam ser tratados depois de montados, pois não se deposita sobre elementos de borracha ou de plásticos também presentes nesses componentes automotivos. “Uma linha de produção de bancos já usa o Aquence no Brasil, e temos conversações para outros projetos”, diz Cardaci. “Na Índia, há um modelo de carro com carroceria tratada com esse produto.”

    Também ganharam espaço, conta Bandeira, da SurTec, alguns tratamentos – normalmente à base de zinco, alumínio e componentes orgânicos, aplicados por aspersão ou imersão –, que evitam a formação de hidrogênio durante a eletrodeposição (o hidrogênio pode provocar ou facilitar o rompimento das fissuras existentes no aço, aumentando a incidência de quebras, principalmente dos aços tratados termicamente). “Esse tipo de tratamento é utilizado, por exemplo, em parafusos de motor ou na fixação de itens de segurança”, diz Bandeira.

    E, de acordo com Souza, da Itamarati, após testarem durante algum tempo métodos alternativos para a cromação – como a metalização a vácuo –, as montadoras voltaram a realizar esse processo por meio da eletrodeposição. “A tecnologia a vácuo não oferece a mesma qualidade e resistência”, ele explica. Por isso, afirma Souza, sistemas a vácuo são hoje empregados basicamente em produtos com menores exigências de qualidade, como brinquedos.

    Na verdade, crê Bombonati, da Atotech, ainda há grande espaço para os métodos tradicionais de eletrodeposição, mas, para aproveitá-los, os provedores de insumos devem continuar investindo para que esses banhos sigam evoluindo e se tornem cada vez mais viáveis, tanto econômica quanto ambientalmente. Isso significa, entre outras coisas, reduzir perdas e descartes, até pelo reaproveitamento dos materiais.



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