Fusões e aquisições seguem aceleradas na distribuição química

O mercado de fusões e aquisições segue animado pelo mundo

O mercado de fusões e aquisições segue animado pelo mundo, até mesmo na distribuição química. O movimento de concentração de negócios é liderado por fundos de investimento do tipo private equity, modalidade na qual o objetivo principal é a valorização das companhias para posterior negociação.

Apesar do barulho que as grandes operações desse tipo geram, a concentração empresarial ainda representa uma fatia modesta do total. “As grandes companhias compraram 64 companhias de distribuição em todo o mundo, apenas em 2022”, informou Flávia Silveira, sócia especialista em químicos da igc Partners, empresa do mercado financeiro especializada em fusões e aquisições, com 26 anos de atuação.

“Mesmo assim, os seis maiores distribuidores globais detêm 12% do mercado mundial de químicos.” Flávia explica que a igc foi criada para atuar ao lado dos vendedores (o sell side), de modo a equilibrar a negociação com os grandes players compradores.

Distribuição: Fusões e aquisições seguem em marcha acelerada ©QD Foto: iStockPhoto
Flávia Silveira, sócia especialista em químicos da IGC Partners

“E também sempre assessoramos os empresários brasileiros em momentos de iliquidez, seja na venda parcial ou na modelagem de financing”, explicou, salientando que a igc tem mais de 150 funcionários, atuando com especialização por segmentos de mercado.

Flávia acumula 15 anos de experiência na distribuição de produtos químicos e recorda que a igc foi procurada em 2009 pela Arinos Química, então distribuidora oficial da Dow para poliuretanos, com a intenção declarada de venda para a Univar.

“Nós montamos o processo todo, atraímos várias empresas internacionais e fundos de investimento, mas o negócio foi fechado mesmo com a Univar, que também mantinha fortes ligações com a Dow”, disse.

Depois dessa negociação, a igc Partners assessorou a D’Altomare (vendida para a Univar), Selectchemie (para a IMCD), Quimisa (para a Caldic), Sweetmix (para Univar) e Plury Química (para a Manuchar).

“As distribuidoras geralmente são empresas de dono, de uma família; é o negócio da vida deles, há um vínculo pessoal muito forte, eles precisam vender muito bem”, comentou. Na maioria dos casos, essas empresas familiares revelam problemas de mudança geracional, colocando em risco a sua continuidade. “No mundo inteiro é assim, não é um característica local”, garantiu.

Como disse, em 2009 ficou claro que muitas empresas de distribuição passariam pelas mesmas dificuldades e isso seria um motivador para a concentração de negócios no setor aqui no Brasil. A igc atende empresas que a procuram e também realiza a busca ativa de potenciais clientes.

Do lado do comprador, que a especialista acompanha atenciosamente, mantendo boas relações até para facilitar negociações futuras, fica claro que os investidores de private equity exigem crescimento constante, seja ele orgânico ou mediante fusões e aquisições. “Nem sempre a lógica das aquisições é compreendida no âmbito local; para entender o sentido dessas operações é preciso avaliar a estratégia global das companhias, que podem admitir eventuais prejuízos locais para obter ganhos em escala maior”, justificou.

Fusões e aquisições no mundo

Mesmo em escala global, as negociações não param, envolvendo pesos-pesados do ramo. “A Caldic era do Goldman Sachs e se uniu ao GTM, da Advent, e esta assumiu o comando das operações conjuntas”, comentou.

A Manchuar, com sede na Antuérpia, passou ao controle do fundo Lone Star, dos EUA, em junho de 2022. No início de 2023, circularam rumores – já afastados – de uma fusão entre os dois maiores nomes do ramo: Brenntag e Univar. Isso mostra o grau de dinamismo dos negócios.

A entrada de players globais oxigenou o setor no Brasil, trazendo boas práticas internacionais e, mais recentemente, práticas ESG, investimentos em tecnologia da informação e sistemas de ERP. “Tudo isso se reflete em rentabilidade”, disse.

Flávia aponta que o regionalismo é muito forte. “Ninguém consegue ter uma posição dominante em todo o país, o Sudeste acaba concentrando a maior parte dos negócios e atraindo mais a atenção”, apontou. Além disso, ela identifica uma grande quantidade de nichos e subnichos de mercado por aqui, representando um grande leque de oportunidades. “Há lugar para todos, com certeza”, garantiu.

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A especialista lista os principais aspectos avaliados pelos investidores para escolher um distribuidor a adquirir. Começa pelos segmentos de atuação, verificando o mix de vendas (commodities e especialidades) e sua adequação. Depois são avaliados os serviços prestados pelo distribuidor e como isso agrega valor aos produtos. “Ter instalações para fracionamento, diluição, mistura, formulação, tudo isso é muito bem percebido pelos investidores”, salientou.

Em seguida, é preciso verificar quais são os fornecedores do distribuidor, procurando por possíveis conflitos entre as marcas dele e do investidor. “Nesse caso, ter uma bandeira forte pode ser interessante para alguns compradores, para outros pode ser um problema”, alertou. O tamanho da operação e a área geográfica alcançada são fatores de interesse.

Outro item importante é o medo da entrada de um concorrente no mercado alvo. “É o fear of missing out, medo de perder a oportunidade de compra e deixar uma porta aberta para um rival incômodo”, explicou.

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