Fusões e aquisições em distribuição química avançam

O mercado de fusões e aquisições andou de lado em 2023 entre as empresas de distribuição química do Brasil. Agora, em 2024, espera-se que o volume de negócios cresça significativamente.

Como explica Flávia Silveira, sócia especialista em químicos da igc Partners, empresa do mercado financeiro especializada em fusões e aquisições, com 26 anos de atuação, 2023 foi um ano cheio de incertezas e desafios, em escala global e local.

Distribuição: Ajustes de mercado geram expectativas positivas ©QD Foto: iStockPhoto
Flávia: apetite de compradores segue alto por empresas locais

“O mercado químico terminou 2022 carregando estoques muito grandes que foram desovados ao longo de 2023, ano que registrou retração da demanda global e preços muito voláteis, com variações abruptas”, comentou. “Isso exigiu grande habilidade dos gestores para girar o inventário antigo, construído com preços altos, e comprar estoques novos, a preços baixos.”

Nessa situação, as perdas contábeis foram frequentes. “A grande maioria das empresas de distribuição teve resultados piores em 2023, em relação aos dois anos anteriores, e isso se refletiu no baixo ritmo de fusões e aquisições”, explicou Flávia. Compradores, geralmente companhias internacionais, ficaram em compasso de espera para comprovar a sustentabilidade financeira de seus alvos. “O valuation das empresas precisou ser revisto também, para baixo, o que fez empresas vendedoras desistirem da operação”, informou. Ela ressalta que a igc só trabalha no lado dos vendedores (o sell side). “Empresas que mantiveram ou ampliaram seu volume de vendas em 2023 ficaram mais atraentes.”

“Conversei muito com as empresas do setor no final de 2023 e todos relataram sinais de recuperação de mercado e rentabilidade, permitindo esperar melhores resultados em 2024”, disse. Para a especialista, o cenário atual recuperou a previsibilidade, e isso é fundamental para fusões e aquisições. Assim, este ano pode ter volumes de negócios expressivo, engordado pelas operações represadas em 2023. “O apetite dos compradores segue alto por empresas do Brasil, e tem gente querendo vender”, salientou.

As companhias de atuação global seguem destinando orçamentos generosos para aquisições, mas os resultados ruins de 2023 provocaram revisões estratégicas e demissões, em especial nos Estados Unidos. “Estamos acompanhando, porque a política interna delas pode mudar, podem adotar novas prioridades de segmentos para investir, uma alteração de foco”, comentou.

Mesmo assim, houve movimentos importantes no ano passado, a exemplo da compra da gigante Univar Solutions pelos fundos de private equity Apollo Global Managment por US$ 8,1 bilhões. “Assim que assumiu a empresa, o fundo fechou seu capital, é menos distração para gerenciar o negócio, uma importante mudança no setor”, salientou.

Flávia comenta que o interesse dos compradores é maior por empresas de nicho, com alta especialização, do que por generalistas. “Distribuidores ficados em segmentos como cosméticos, alimentos e saneamento tendem a ter mais liquidez e melhor avaliação”, informou.

Do ponto de vista de localização, os estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Santa Catarina formam o grande eixo de negócios do setor químico. “Tem excelentes noivas nesse eixo”, comentou. O Centro Oeste e o Nordeste ainda têm poucas oportunidades, até pela atuação de filiais de várias companhias.

A especialista explicou que a oferta abundante de produtos químicos, vindo da Ásia, em especial, é uma oportunidade para distribuidores locais complementarem portfólio e reforçarem sua atuação. “O procurement é fundamental, é preciso encontrar fornecedores de alta qualidade e firmar parcerias com eles, não pode ser negócio spot, era muito difícil fazer isso antes com os produtores dos Estados Unidos e da Europa”, alertou.

Flávia entende que a mudança de governo influenciou menos o interesse internacional pelo Brasil do que o desempenho operacional de 2023. “A mudança de governo não preocupa os investidores, eles querem estar nos países emergentes, e o México e o Brasil são muito interessantes, com a Turquia aparecendo na tela”, ressaltou. Aliás, o México está em franco desenvolvimento, aproveitando a onda do nearshoring, como relatou a especialista. “Tem muitos investimentos por lá, a proximidade com os Estados Unidos ajuda muito.”

Com base nos seus estudos de mercado, Flávia entende que 2024 será um ano propício para os negócios da distribuição química e também para fusões e aquisições. “Não há nada no horizonte que estrague o panorama”, concluiu.

Veja Também:

Acesse o www.GuiaQD.com.br, o mais eficiente Guia de Compra e Venda da indústria química,  saneamento, processos químicos, petrolífera, energética, laboratorial e do plástico.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.