Fotoprotetores : Insumos garantem proteção da pele

Proteção contra os efeitos danosos da luz natural e artificial

A demanda por protetores solares não precisa do verão para ficar aquecida.

Com a população cada vez mais exposta à luz azul, por conta do tempo dedicado às telas digitais, o mercado de fotoproteção apresenta grande propensão ao crescimento.

Os insumos de origem natural e os produtos multifuncionais também se estabelecem como tendências, assim como a busca por matérias-primas que promovam o menor impacto ambiental possível.

A sociedade como um todo tem se movimentado para assegurar que os produtos não sejam tóxicos, sobretudo no que se refere à vida marinha, em particular, os corais.

Sabe-se, no entanto, que por mais que haja boas intenções, a trajetória a ser percorrida é longa.

De qualquer forma, a população está cada vez mais preocupada; não só com o meio ambiente, mas também com a própria saúde. Porém, ainda caro, o protetor solar está longe de ser acessível a todos.

O que vem por aí – Formulações multifuncionais seguem em alta. São consideradas parte fundamental do tratamento da pele, não restringindo a proteção à radiação ultravioleta (UV).

Química e Derivados - Fotoprotetores - Insumos garantem proteção da pele contra os efeitos danosos da luz natural e artificial ©QD Foto: iStockPhoto
Priscila Moncayo, gerente científica de fotoproteção da Natura

“Protetores solares que atuem no combate às manchas, no tratamento da pele oleosa e com ação antioxidante e calmante para efeitos da poluição são exemplos importantes da forma de potencializar tratamentos cosméticos com o uso de proteção solar”, diz Priscila Moncayo, gerente científica de fotoproteção da Natura.

De forma geral, esse benefício está se expandido para diversas categorias de beauty e personal care. O fator de proteção solar (FPS) pode ser adicionado a uma grande variedade de produtos, não apenas a um hidratante ou base. E a indústria pode se valer disso para impulsionar o consumo.

Segundo Fernanda Soro, gerente sênior de marketing Latam da Sensient Cosmetic Technologies, a pandemia reforçou a necessidade de formulações híbridas e multitarefas que são consideradas portadoras de bom custo-benefício, e ainda ajudam a preservar o planeta por agregarem mais de um produto em um único item.

Química e Derivados - Fotoprotetores - Insumos garantem proteção da pele contra os efeitos danosos da luz natural e artificial ©QD Foto: iStockPhoto
Fernanda Soro, gerente sênior de marketing Latam da Sensient Cosmetic Technologies

“Estamos vivenciando o lançamento de diversos produtos com FPS em categorias de maquiagem, cuidados com a pele, banho e até cabelos”, diz.

Entre as tendências anunciadas para os novos desenvolvimentos estão também texturas diferenciadas, como em gel, que segundo Claudia Asano, analista de produtos da Volp, estão alcançando um público insatisfeito com a formulação de filtro solar comum, seja por conta do sensorial que apresenta ou por causa do aspecto esbranquiçado que o filtro deixa na pele.

Luz azul – Considerando a abertura do mercado para produtos mais completos, a proteção contra a luz visível, sobretudo a azul – aquela dos LEDs que iluminam smartphones, tablets e computadores e ainda das lâmpadas fluorescentes – ganha força. Potencializada pela pandemia, essa demanda desponta como uma tendência da categoria.

Não por acaso, cerca de 5% dos lançamentos de “skin & sun care”, de janeiro de 2020 até outubro de 2021, menciona o claim de proteção contra luz azul, segundo dados da Mintel. Mas não se trata de algo propriamente inédito: em 2018, pesquisas já traziam que 28% dos brasileiros se interessavam por filtros solares dessa natureza.

“Acredito na evolução desse tipo de proteção que, futuramente, poderá ser integrante de qualquer protetor solar. Afinal, o consumidor deseja um produto multifuncional, que ofereça cuidado e proteção completa”, diz Fernanda.

Claudia reforça que esse cenário reflete as mudanças no estilo de vida da população que, hoje, fica em frente a uma tela digital, às vezes, mais de oito horas diárias.

Química e Derivados - Fotoprotetores - Insumos garantem proteção da pele contra os efeitos danosos da luz natural e artificial ©QD Foto: iStockPhoto
Claudia Asano, analista de produtos da Volp

“Por a luz azul ser onipresente e já termos estudos sugerindo seus efeitos adversos na pele e nos olhos, a preocupação com esse tipo de radiação está cada vez mais em voga”, ratifica.

Priscila também pontua que essa radiação, de forma constante e contínua, é capaz de produzir alguns danos na pele relacionados ao envelhecimento e à formação de manchas. “Hoje já é possível encontrar produtos de mercado, que buscam proteger a pele desse tipo de dano, que combinam pigmentos, antioxidantes e um sistema de filtro solar que abrange parte dessa região do espectro”, diz, mencionando como exemplo o Natura Chronos Protetor Clareador FPS 70.

Mesmo assim, a proteção contra a luz visível ou, mais especificamente a luz azul, configura-se como um nicho de mercado. Segundo Vinicius Bim, especialista em inovação da Basf para a América do Sul, trata-se de um campo de estudo relativamente novo (pouco mais de dez anos), mas que incitará lançamentos e pesquisas no futuro.

Química e Derivados - Fotoprotetores - Insumos garantem proteção da pele contra os efeitos danosos da luz natural e artificial ©QD Foto: iStockPhoto
Vinicius Bim, especialista em inovação da Basf para a América do Sul

“Imagino que muitas empresas optaram por aguardar o desenrolar da pandemia para avaliar seus esforços neste sentido”, afirma. Por ora, segundo ele, nenhuma mudança drástica está por vir, sobretudo porque o processo de desenvolvimento, avaliação e registro de um novo protetor solar leva até um ano.

Porém, nem por isso, a companhia deixa de ter novidades para esta aplicação. A sua ferramenta digital Sunscreen Simulator, no início do ano, passou por atualizações e agora efetua cálculos para proteção contra a luz azul e a geração de radicais livres, além dos parâmetros de desempenho conhecidos: FPS, proteção UVA e fotoestabilidade.

Vale lembrar que, em termos de energia, a radiação ultravioleta é, sem dúvida, a mais danosa à pele, por ser uma das causas de câncer, além de ser responsável pelo processo de fotoenvelhecimento, agindo diretamente na diminuição da espessura da epiderme, na formação de manchas e produzindo queimaduras, como explica Priscila.

Mas voltando às formulações direcionadas à luz visível, Bim comenta que produtos com cor geram uma maior proteção contra essa luz e quanto maior a cobertura, mais proteção haverá. Entretanto, esses não são bem aceitos por todos os consumidores com suas diferentes necessidades e tipos de pele.

Por isso, a combinação de ingredientes que diminuem parcialmente a transmissão da luz visível, sempre associada a ativos que diminuem os danos causados por esta luz, tem sido uma saída utilizada pela indústria cosmética para atender esta demanda.

Segundo Fernanda, a melhor linha de defesa contra a luz visível é um filtro solar tinto.

“É aí que entram os óxidos de ferro e o dióxido de titânio, os quais formam uma mistura que agrega cor ao tom da pele, fornecendo aquela camada adicional de proteção ao desviar a luz visível”, explica. Aliás, esses protetores podem ser formulados em diversas cores para atender a todos os fototipos.

Meio ambiente – Empregados há quase um século na prevenção do câncer de pele, das queimaduras solares e do fotoenvelhecimento, os filtros solares de origem sintética são muito mais eficientes quanto à absorção da luz e à fotoestabilidade quando comparados a ingredientes de origem natural, segundo Bim.

Aliás, ele afirma que hoje não existem ingredientes 100% naturais que possam ser alternativas ao desenvolvimento de protetores solares com bom sensorial e sem algum efeito indesejado, como o visual branco ou uma sensação oleosa sobre e pele.

De qualquer forma, a associação de produtos tais como bioativos de origem natural é uma tendência, segundo ele. Por isso, a Basf tem buscado ingredientes de origem ecológica, biodegradáveis e de fontes renováveis. A ideia é conservar os recursos hídricos e evitar o impacto negativo no meio ambiente.

Além disso, a companhia conta com a ferramenta Sunscreen Simulator, que ao ser integrada ao EcoSun Pass, avalia o impacto ambiental dos sistemas de filtros UV. “Funciona de forma independente do portfólio da Basf, avaliando os filtros UV de uma dada formulação de maneira neutra e transparente”, explica.

As análises são realizadas de acordo com oito critérios considerados relevantes que fazem parte das documentações regulares de uso e segurança de ingredientes químicos, como a toxicidade aquática aguda (parâmetro que indica se uma determinada substância possa causar danos a um organismo aquático devido à exposição em curto prazo), toxicidade terrestre (para análise dos efeitos de uma substância na flora e fauna terrestres) e biodegradação (avalia a desintegração de materiais por microrganismos como bactérias e fungos), entre outros.

Química e Derivados - Fotoprotetores - Insumos garantem proteção da pele contra os efeitos danosos da luz natural e artificial ©QD Foto: iStockPhoto
Protetores aparentes são menos desejados pelos usuários ©QD Foto: iStockPhoto

A indústria e a sociedade como um todo estão atentas aos efeitos dos protetores no meio ambiente. “O consumidor está preocupado com a origem da matéria-prima, mas não abre mão de performance”, reforça Claudia.

Não por acaso, um dos principais desafios da indústria hoje, para ela, é conseguir formulações eficientes, mas com o menor impacto ambiental possível para atender uma demanda que hoje abrange os cosméticos do mais simples até o mais premium.

Priscila endossa o parecer. Segundo ela, o uso de extratos e manteigas vegetais deve aumentar porque do ponto de vista de performance, tanto quanto da eficácia e do sensorial, cada vez mais, as pesquisas relacionadas aos mecanismos biológicos desses insumos têm mostrado resultados surpreendentes.

A Natura prova isso com exemplos da sua linha Chronos, que usa extrato de babaçu e sapucainha, por exemplo.

Fernanda comenta que o chá verde é apontado como um dos mais eficientes antioxidantes e protetores da pele e dos cabelos contra os raios solares.

“Adicionar um ativo botânico à sua formulação de proteção solar pode ser a chave não apenas para reforçar a defesa contra radiação UV, mas também para mitigar os danos que já existem”, diz. Não por acaso, o portfólio da Sensient conta com fitoativos provenientes das plantas do gênero Camellia sinensis.

Exemplos ficam por conta do Natpure Xtra Longevity, que, segundo Fernanda, é uma defesa antioxidante que também suporta a barreira da pele e restaura proteínas essenciais para hidratação e proteção UV, e o Sensishield, uma tecnologia para proteção UV de cabelos tingidos.

Apesar de haver uma prevalência de filtros químicos em todo o mundo, o mercado tem investido em alternativas. Segundo a Mintel, desde 2020, a tendência por filtros minerais começou a ganhar mais força; na época, cerca de 15% dos protetores solares lançados era desse tipo.

“A busca por produtos de beleza limpa, que não causam danos ao ser humano e ao meio ambiente, é um caminho que mandatoriamente a indústria da beleza deve percorrer”, diz Fernanda.

Para ela, os produtos de origem mineral são uma opção ambientalmente mais aceita. “Os protetores do tipo químico podem ser formulados com uma combinação de ingredientes nocivos para a vida marinha, mais especificamente dos recifes de corais”, diz. Os filtros físicos têm origem natural e refletem a luz ao invés de absorvê-la, garantindo alta proteção.

Na natureza, há vários extratos vegetais que não são classificados como filtros solares, mas que podem aumentar a proteção do produto. Segundo Fernanda, embora não sejam substitutos para os filtros UV naturais ou sintéticos, eles podem aumentar o FPS.

“Alguns fabricantes usam esses boosters para reduzir a quantidade dos filtros UV tradicionais, a fim de atingir o FPS desejado”, comenta. Há testes de laboratório que apontam uma faixa de FPS de 4 a 28 para esses extratos.

Novidades – O lançamento da Sensient Cosmetic Technologies diz respeito ao Covabead Crystal, uma tecnologia de borossilicato de cálcio e sódio, feita de partículas esféricas finas e não porosas, que proporcionam um efeito de rolamento de esferas na pele. Esse recurso, segundo Fernanda, garante espalhamento suave, aumenta a eficiência da difusão da luz e protege a pele contra a luz azul, por exemplo.

“Trata-se de uma tecnologia com combinação única de propriedades de reflexão da luz e impacto sensorial para formulações avançadas de cuidados com a pele, comprovada por testes in vivo e in vitro”, afirma.

A companhia foca em filtros minerais, compostos pelo UVR TiO2 (dióxido de titânio) e o UV ZnO (óxido de zinco). Fernanda destaca em seu portfólio o BA- Botanical Avocado, que é hidrofóbico e oriundo do óleo de abacate orgânico, o que para ela, o torna ideal para uma ampla gama de formulações com alta carga de pigmento, mas com sensorial suave e leve.

Na Basf, um destaque é o Uvinul A Plus, um ingrediente usado em protetores solares e outros produtos de cuidados pessoais para a proteção contra a radiação UV. ‘‘Ele pode ser considerado o único filtro 100% UVA fotoestável disponível no mercado, pois, além de absorver a radiação, proporciona excepcional proteção contra radicais livres e consequentes danos à pele”, afirma Bim.

Ele menciona também o Tinosorb A2B. Trata-se de um filtro UVB e UVA II, particulado e extremamente fotoestável, que auxilia na proteção contra os danos associados à luz visível, com performance diferenciada no UVA II e alta absorção na faixa do UVB.

Uma novidade do portfólio de filtros solares da Volp é o MFSorb 504, da MFCI, empresa multinacional com sede na China e atuação em mais de 60 países. Trata-se de um filtro orgânico com ação sobretudo contra os raios UVB. “É geralmente utilizado em sinergia com outros filtros solares e é um excelente solvente; por isso, é bastante utilizado em conjunto com a benzofenona 3”, explica Claudia.

Seguros – Além da diversidade, o mercado de proteção solar se pauta pela qualidade. Para Bim, a fabricação nacional é excelente quando comparada aos produtos feitos em outras regiões, sobretudo quando o foco são os altos FPS (acima de 60).

“O Brasil tem desenvolvido ótimas formulações com um nível de proteção UVA superior ao que se encontra em outros países, onde o limite máximo de FPS é de até 50+ (que corresponde a 60)”, diz.

Quanto à segurança dos produtos, vale dizer que as normas brasileiras relacionadas à proteção solar em vigor – Resolução RDC da Anvisa 30/12 e Resolução RDC 69/16 – são submetidas à constante atualização em função de evoluções técnico-científicas resultantes de novas tecnologias e/ou informações relativas à segurança de uso dos produtos, em alinhamento com regulamentos internacionais, conforme enfatiza João Carlos Basílio, presidente-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec).

Segundo Bim, o Brasil segue normas e listas positivas de filtros solares aprovados na Europa e nos Estados Unidos, o que garante a segurança do consumidor. Alguns filtros, no entanto, assim como quaisquer ingredientes químicos, passam por reavaliações periódicas, e tais reclassificações não impedem que estes deixem de ser aprovados ou comercializados porque as agências reguladoras entendem que o risco é considerado desprezível.

“O que temos observado é que muitas vezes, embora as regulamentações mantenham tais filtros como aprovados, eles passam a ser rejeitados pelos consumidores que buscam alternativas menos controversas e aí as empresas precisam se adaptar”, observa.

De qualquer forma, novas moléculas estão sendo aprovadas na Europa, o que deve se repetir por aqui nos próximos anos, garantindo produtos modernos e seguros, de acordo com a previsão de Bim.

A química Simone Lima Mendes Pinto, da área de regulamentação da Lonza do Brasil, enfatiza que o país está muito alinhado com as legislações europeias. “Nossas listas de substâncias são bastante semelhantes, é notável a harmonização”, afirma.

Maycon Ribeiro, sócio-gerente da MWInnovations, explica que o protetor solar está classificado como cosmético na categoria de grau II, o que implica um grande número de pré-requisitos que devem ser atendidos antes da entrada do registro do produto na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), ou seja, ele passa por uma bateria de testes, além de comprovações de eficácia que seguem normas internacionais, como a ISO 24444.

“Com a preconização da RDC Nº 288 (de 4 de junho de 2019), os critérios para lançamentos se tornaram ainda mais desafiadores”, acrescenta. Para Ribeiro, esta talvez tenha sido uma das resoluções que mais esteja impactando os produtores e desenvolvedores de protetores solares. Trata-se de uma resolução que exige que as empresas comprovem o teor dos ativos (filtro solar, repelente e alisante, entre outros) no produto. Aliás, ele conta que por conta dessas exigências criou uma nova empresa, a Analytical Innovations, dedicada ao universo analítico e caracterização de materiais.

Sobre o que esperar acerca das normas oficiais, sabe-se que devem impactar o mercado nacional a agenda regulatória 2021/2023, aprovada pela Anvisa em maio deste ano (ela revisará a lista de filtros permitidos), e o PL 616/2019, que dispõe sobre a proibição de protetores solares considerados tóxicos para os recifes de corais, citando a oxibenzona. Ou seja, ainda há muitas discussões pela frente. “Temos um longo caminho para comprovação das toxicidades”, conclui Simone.

Consumo – O Brasil é o quarto maior consumidor de protetores solares no mundo. E essa posição no ranking pode mudar. João Carlos Basílio, presidente-executivo da Abihpec observa um consumo maior de protetores solares ainda de forma sazonal, porém os hábitos dos consumidores estão mudando e, boa parte deles já opta por produtos com foco, cada vez maior, na manutenção da saúde e do bem-estar.

Segundo Basílio, o produto está entre os itens indispensáveis na rotina de cuidados com a pele.

Química e Derivados - Fotoprotetores - Insumos garantem proteção da pele contra os efeitos danosos da luz natural e artificial ©QD Foto: iStockPhoto
João Carlos Basílio, presidente-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec)

“Quanto mais conscientes dos benefícios à saúde da pele que os protetores solares podem trazer, como a prevenção ao câncer de pele, uma doença grave que pode ser evitada pelo uso de protetores solares, maior será o interesse dos consumidores”, afirma.

A categoria de protetores solares fechou o primeiro semestre de 2021 com alta de 13% em vendas ex-factory, em comparação ao mesmo período de 2020, segundo a Abihpec. “A adesão por rotinas de skin care cresceu muito na pandemia, fazendo com que o consumo de produtos faciais crescesse consideravelmente”, afirma Claudia Asano, analista de produtos da Volp.

Este desempenho destoa no setor de cosméticos como um todo, pois esse segmento caiu 3,9% no primeiro semestre de 2021, na comparação com os primeiros seis meses do ano anterior. No mesmo período, até categorias tradicionalmente muito fortes do mercado de HPPC, como a dos desodorantes, acumularam queda (-14%) em vendas ex-factory.

Rafael Mancini, gerente de marketing da Volp, relata alguns reflexos da Covid-19 nos negócios. Ele cita dificuldades para realização das compras de produtos químicos tanto nacionais como importados. Segundo conta, a pandemia afetou diversos segmentos, gerando um forte impacto nas matérias-primas, devido aos reajustes de preços e às variações cambiais frequentes.

Química e Derivados - Fotoprotetores - Insumos garantem proteção da pele contra os efeitos danosos da luz natural e artificial ©QD Foto: iStockPhoto
Rafael Mancini, gerente de marketing da Volp

“Nesta época tão complexa, procuramos gerenciar o estoque disponível da melhor maneira possível, pensando sempre no cliente”, diz.

De qualquer forma, em períodos de altas temperaturas, a demanda por fotoproteção tende a aumentar. Segundo Vinicius Bim, especialista em inovação da Basf para a América do Sul, após a retração no consumo de protetores solares, provocada pela pandemia, sobretudo no seu início, é esperada uma forte recuperação deste mercado com a chegada do verão de 2021/2022.

Velha conhecida do setor, a tributação segue um entrave para o maior acesso dos brasileiros a produtos de proteção solar. A saber: o mercado de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (HPPC) é o terceiro segmento mais tributado do país. Porém, no caso dos protetores solares, houve avanços neste sentido. Por conta da atuação da Abihpec, a alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) passou de mais de 70% para zero.

Ainda assim, Basílio propõe a inclusão desses produtos na cesta básica, tanto no âmbito federal (reduzindo a zero as alíquotas de Programa de Integração Social – PIS e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins), como no âmbito dos estados (promovendo a redução da alíquota do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços – ICMS para 7%). A ideia é tornar o produto mais acessível ao brasileiro. “O protetor solar é ainda caro para a população em geral”, afirma Simone.

Leia Mais:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Adblock detectado

Por favor, considere apoiar-nos, desativando o seu bloqueador de anúncios