Fosfatos: Consumo aumenta em vários segmentos

Vendas abrem caminho para ampliar a produção nacional

P&D otimiza produção – O aproveitamento de finos/ultrafinos e o tratamento de minérios com ganga carbonatada são destaques entre as principais linhas de pesquisa em andamento no Cetem, visando a melhoria da qualidade dos fosfatos.

Os estudos considerados estratégicos sob a perspectiva da produtividade, competitividade e sustentabilidade ambiental são conduzidos tanto com foco em ciência básica como no desenvolvimento de processos tecnológicos.

Os dois projetos consistem no enfrentamento de um gargalo bastante antigo e clama por uma solução adequada e contínua, segundo Elves Matiolo, doutor em engenharia de minas e pesquisador do Cetem.

No caso do fosfato com ganga carbonatada, a dificuldade de processamento reside na impossibilidade de uso da tecnologia de flotação.

Matiolo explica que, por ser um material cuja composição química contém minerais de carbonato, em especial calcita e dolomita, as propriedades superficiais são muito semelhantes.

Com isso, a separação se torna inviável por meio da flotação, rota tecnológica que se consolidou no setor, havendo a necessidade de uma segunda via.

Em outras frentes, a instituição estuda a caracterização de determinados minerais comparativamente com as soluções disponíveis de processamento.

As pesquisas levam em conta que cada depósito mineral, mesmo apresentando similaridade com outro, tem características próprias e, em muitos aspectos, demandam solução única. “Traduzindo, é comum a presença de barita (BaSO4) nos depósitos de fosfato.

Mas, no Brasil, por exemplo, das cinco maiores plantas de concentração de apatita, duas têm a necessidade de flotação de barita, enquanto isso não se verifica nas outras três.

Quase todo o resto do processo industrial é igual, mas a presença ou ausência desse mineral na mineralização leva à necessidade de mais uma operação unitária”.

Outra questão em análise diz respeito ao fato de que a produção de rocha fosfática no Brasil se dá primordialmente a partir de minérios de origem ígnea.

Essa peculiaridade típica da natureza torna a exploração brasileira diferente do que acontece nos maiores países produtores do mundo, feita a partir de minérios de origem sedimentar.

De novo, diz ele, impõe-se a necessidade de intervenções no processo de beneficiamento, pois, “em geral, minérios sedimentares têm maior teor de apatita, mineral de valor, em comparação com os de origem ígnea. Isso faz com que, para a mesma produção, haja a necessidade de processar mais minério, quando de origem ígnea”.

Matiolo acrescenta que, nos processos de acidulação dos concentrados de rocha fosfática, apatitas sedimentares, em geral, são mais reativas do que as de origem ígnea.

Por isso, em alguns casos no Brasil é necessário reduzir o tamanho das partículas, a fim de melhorar o processo de acidulação.

No geral, os estudos são realizados tanto em parceria com o setor privado como por meio de iniciativas dos próprios pesquisadores do Cetem.

Nesse caso, eles submetem suas contribuições a instituições de fomento, em busca de financiamento para P&D, informa Matiolo.

Alguns desenvolvimentos resultam na formação de recursos humanos com especialização na área, desde a iniciação científica até à formação de nível superior e de pós-graduação.

Expansão de demanda

Apesar da desaceleração econômica, por causa da pandemia, a redução das aplicações de fosfatos na indústria foi parcialmente compensada pela elevação da demanda de insumos para a produção de alimentos, principalmente na panificação, trazendo algum alívio ao setor.

Mas a sustentação futura desse equilíbrio dependerá de outras variáveis, entre as quais o avanço da vacinação e a consequente retomada das atividades empresariais, inclusive na indústria.

É o que prevê Daniel Hamaoui, diretor comercial de aditivos avançados da ICL, ao projetar uma possível elevação nos índices de crescimento dos fosfatos, semelhantes ao desempenho registrado antes da crise sanitária.

Única fabricante de ácido fosfórico purificado na América do Sul, segundo ele, a ICL possui uma capacidade instalada de produção de mais de 100 mil toneladas/ano, na unidade de Cajati-SP.

Com essa unidade, que representa parte de um segmento responsável por 0,3% do PIB industrial e 0,07% do PIB nacional (fosfatos alimentícios mais fosfatos industriais), a empresa supre quatro tipos de demanda.

A dela própria, focada em diversos itens de seu portfólio de produtos, o mercado nacional e a exportação, mais as necessidades de consumo cativo para a manufatura, em São José dos Campos-SP, informa Hamaoui.

Os chamados ortofosfatos, pirofosfatos, tripolifosfatos e polifosfatos fabricados pela companhia têm destinações diversificadas em segmentos da indústria, informa o gerente de pesquisa e desenvolvimento, Alfredo Walter.

Entre elas, destacam-se os insumos usados em produtos orais (voltados ao controle de tártaro), combate a incêndios florestais, cobertura de superfícies metálicas, limpeza de semicondutores eletrônicos, pinturas e coberturas, no tratamento de águas residuais e construção (asfalto, cimento).

Por sua vez, as aplicações alimentícias são destinadas à produção de fermentos químicos para bolos e biscoitos; manter a estrutura e textura da carne; melhorar a fluidez e a estabilidade dos produtos lácteos; promover a suplementação mineral e agir como agente aglomerante.

Polos Agrícolas

Maicon Cossa, vice-presidente de Food Solution da Yara BrasilQuímica e Derivados - Fosfatos - Consumo aumenta em vários segmentos e abre caminho para ampliar a produção nacional ©QD Foto: Divulgação
Maicon Cossa, vice-presidente de Food Solution da Yara Brasil

Com presença em todos os principais polos agrícolas do Brasil, a Yara opera cinco unidades de produção de fertilizantes e misturadoras abastecidas com matéria-prima importada, respondendo por parte da oferta dos chamados “produtos premium”, cujas vendas, em escala global, atingem 50% do faturamento total da companhia, como informou Maicon Cossa, vice-presidente de Food Solution da Yara Brasil.

Dentre os lançamentos mais recentes de produtos no Brasil, o executivo destaca o YaraBasa, que possui oito nutrientes no mesmo grânulo e foi especialmente desenvolvido para as condições de solo brasileiro, com foco nas culturas de soja, café, cana-de-açúcar, hortifruti e algodão.

A empresa também produz concentrado fosfático (2.143 t/dia, em março), no Complexo Mineroindustrial de Serra do Salitre, em Minas Gerais, de onde é transportado para a unidade de produção de fertilizantes, em Paulínia-SP.

 

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