Fitocosmética: Indústria avança em direção ao cosmético verde

A fitocosmética, ramo da cosmetologia voltado ao uso de insumos vegetais, começa a atrair o interesse da indústria, apesar de ainda ser considerada cara

Química e Derivados: Fitocosmética: fitocosmetica.Os mercados atuais estão mudando a passo rápido. Além da globalização e das transformações tecnológicas, testemunham-se alterações conceituais, ditadas por consumidores preocupados com a saúde e atentos à qualidade dos produtos que compram. No clima dos negócios de hoje, as empresas estão adotando novas políticas e investindo alto na promoção do bem-estar social.

Em constante evolução, a indústria cosmética aposta nessa atitude como vantagem competitiva e volta-se para o filão dos fitocosméticos. O termo fitocosmético já é conhecido pela indústria brasileira há cerca de 10 anos, mas só de uns tempos para cá que vem sendo caracterizado como tendência mundial e nacional.

Conforme explica o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec), João Carlos Basílio da Silva, o segmento de fitocosméticos ainda não possui dados específicos sobre sua rentabilidade, pois é uma categoria muito pequena dentro da diversidade do setor de cosméticos, cujo faturamento, no ano passado, foi de R$ 7,5 bilhões (sem os impostos).

Apesar da pequena participação, Basílio acredita no potencial da categoria. “Daqui a dois anos no máximo, os fitocosméticos estarão consolidados”, previu. Na opinião de Basílio, seria precoce fazer um diagnóstico do setor, porém o preço dos produtos, sem dúvida, ainda prejudica o crescimento das vendas. “A fitocosmética só será incorporada pelo consumidor se empresas sérias investirem nas formulações e baratearem os preços”, afirmou.

“Estamos nos primórdios de um novo segmento industrial”, disse o professor doutor da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de

Química e Derivados: Fitocosmética: Basílio - em dois anos o mercado se consolida.
Basílio – em dois anos o mercado se consolida.

São Paulo e vice-presidente do Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos no Estado de São Paulo (Sindusfarma), Lauro Moretto. Para ele, o segmento possui um potencial sem fim. No entanto, são necessários ainda alguns ajustes quanto à industrialização dos extratos vegetais.

“Uma questão chave é conhecer as plantas para então provar seu efeito positivo”, contou. O primeiro passo seria aprimorar as pesquisas, fazendo um diagnóstico dos indicadores etnobotânicos, com ênfase no conhecimento de culturas primitivas, para a partir daí realizar um estudo científico e assim concluir o processo com a conversão dos resultados em tecnologia e produtos.

A natureza em extratos – Entendida como o segmento da Cosmetologia que se dedica ao estudo e aplicação das substâncias de origem vegetal, a fitocosmética tem como grande aliada a biodiversidade brasileira. Tendo como principal foco o apelo natural, a categoria apresenta os extratos vegetais como produtos substitutos dos derivados minerais e animais.

Os óleos vegetais representam uma parcela importante entre os componentes utilizados pela indústria cosmética, pois são fonte de obtenção de ácidos graxos, ésteres e álcoois graxos, que, modificados, constituem emulsionantes, emolientes e hidratantes, entre outros.

Química e Derivados: Fitocosmética: Moretto - pesquisa é o primeiro passo.
Moretto – pesquisa é o primeiro passo.

No entanto, indo além da definição convencional, pode-se abordar outro aspecto do setor. De acordo com Moretto, os fitocosméticos são produtos que se apresentam como cosméticos, porém exercem atividade fisiológica ou biológica. Devido a essa característica, conforme explica, exige-se menos comprovação de eficácia, segundo os critérios típicos dos fármacos. “Essa categoria intermediária ( dos cosmecêuticos, na qual os fitocosméticos estão inseridos) é favorecida, porque não são muitas as exigências no registro dos produtos”, conclui.

Benefícios – Usar derivados de plantas como componentes das formulações cosméticas, de acordo com os especialistas possui diversos aspectos positivos. O mais citado refere-se à biodiversidade brasileira, pois é inquestionável a idéia de que a Floresta Amazônica oferece uma riqueza vegetal impressionante. Outro ponto a favor da categoria está associado a uma postura “politicamente correta”. Os consultados são unânimes em salientar, por motivos óbvios, as vantagens de lidar com fontes renováveis.

Além disso, a questão do risco de contaminação dos derivados animais é outro ponto a ser considerado. Segundo o diretor técnico e industrial da Ionquímica Indústria e Comércio, Joãosinho A. Di Domenico, fabricantes e consumidores ficaram assustados com a doença da vaca louca, daí a preferência por alternativas vegetais.

Domenico enfatizou as particularidades dos fitoesteróis. Com estrutura similar ao colesterol, porém sintetizados apenas por plantas, eles ocorrem principalmente na forma livre ou como estéres de ácidos graxos. As pesquisas confirmam que os fitoesteróis protegem a pele e as membranas celulares da ação dos agentes ambientais, tais como poluição, substâncias irritantes, variações climáticas e raio UV, informa.

Domenico citou ainda alguns óleos exóticos. Segundo o engenheiro químico, os óleos vegetais substituem com perfeição as características de emoliência e hidratação dos óleos minerais e animais. O mais utilizado entre eles é a manteiga de karité, pois contém alta porcentagem de insaponificáveis e proporciona emoliência acentuada, melhorando a proteção solar das emulsões, com atuação no combate a danos causados a pele. Outro exemplo é o óleo de semente de manga. Estável à oxidação, trata-se de um excelente emoliente, co-emulsificante para cremes e loções.

Química e Derivados: Fitocosmética: Joãosinho - 'vaca louca' gerou interesse.
Joãosinho – ‘vaca louca’ gerou interesse.

Tendência comprovada – De olho nas vantagens desse filão, industriais brasileiros somam às linhas tradicionais de cosméticos lançamentos de fitocométicos, seguindo a tedência dos mercados europeu e norte-americano de oferecer ao consumidor produtos que aliam beleza à saúde.

“Os extratos vegetais agregam valor, dando mais confiabilidade ao produto”, disse a engenheira química e diretora geral da Korai Cosmética, Vanessa Mayo. Sendo assim, mais do que colocar no mercado formulações à base de vegetais, as empresas também as aproveitam como ferramentas de marketing para melhorar a imagem da marca junto ao consumidor.

A Natura é um exemplo típico. Criada há 32 anos, investe pesado nessa área. Segundo a filosofia da empresa, que reflete o desejo do seu público-alvo, investir em fitocosméticos trata-se de uma maneira de promover uma “relação harmoniosa do indivíduo com seu corpo, com o outro e com o mundo”. Para reforçar essa postura, a Natura conta com uma linha exclusiva de cosméticos à base de extratos vegetais. São 24 itens entre sabonetes, xampus, condicionadores, géis e emulsões hidratantes, óleos vegetais corporais e colônias que contam com esses ativos. A idéia é manter a “sinergia” entre natureza e ciência.

A empresa pesquisou entre plantas de diversos ecossistemas do País as que proporcionassem, com seus ativos, benefícios de ação comprovada. Assim, as fórmulas contêm guaraná, maracujá, buriti, pitanga e cupuaçu, entre outros. Extraídos das matas, campos e cerrados brasileiros, os ativos da linha provêm de áreas de cultivo e reservas extrativistas registradas no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

Química e Derivados: Fitocosmética: Vanessa - extratos agregam valor ao produto.
Vanessa – extratos agregam valor ao produto.

Também de acordo com a tendência do uso de matérias-primas extraídas da natureza, a Korai Cosmética lança o Passion Wishes e o Passion Fruit. O primeiro é um creme de fragrância frutal com nuances da flor de maracujá, em cuja fórmula encontram-se vitaminas B5 e E, silicones que agem como uma camada protetora e óleos de semente de maracujá e de amêndoas. Já o Passion Fruit, trata-se de um esfoliante também de maracujá, com emoliência obtida com a presença da manteiga de karitê e do óleo de amêndoas, além de outras propriedades hidratantes.

Com o objetivo de atender o crescente interesse do consumidor por produtos naturais, a marca Ecologie Cosméticos também aliou tecnologia às antigas receitas caseiras à base de polpa de frutas e ingredientes naturais, colocando no mercado linha fitocosméticos composta por 17 itens, entre produtos para cabelo e corpo. Além dos lançamentos, como os condicionadores de abacate, banana mint e papaia, há o carro-chefe da linha, o Gel Termo Redutor. Ele traz como apelo o efeito refrescante (resultado da mistura da cânfora e mentol, que proporciona o aumento da circulação sanguínea) e a associação de extratos de centelha asiática e castanha da índia.

A Bia Blanc Indústria Cosmética, inagurada em 1994, é mais uma empresa ligada à tendência. Apresenta a Linha Bálsamo Condicionadores, cujos produtos são comercializados nas versões abacate, jaborandi, pitanga, guaraná e papaia, entre outras, além da Linha Scheila Carvalho, composta por xampús e condicionadores formulados à base de extratos de frutos e plantas da Amazônia.

Inspirada na fusão de conhecimentos primitivos de várias culturas ancestrais com modernas tecnologias, a Uhma Nagri posiciona-se como linha botânica de tratamento de corpo e alma. Todos os produtos possuem ativos botânicos naturais, sendo que os vegetais vêm da Floresta Amazônica, México e vários países da Europa.

A Máscara Natucor da Embelleze segue o mesmo conceito. A empresa buscou em ingredientes naturais como o urucum, grande concentração de proteínas e as vitaminas A e C, que têm efeito emoliente e antioxidante.

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