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Financiamento – Créditos fiscais apoiam a inovação no Brasil

Marcelo Fairbanks
7 de agosto de 2013
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    As linhas de financiamento do BNDES também podem apoiar atividades de pesquisa e desenvolvimento de empresas privadas, com juros baixos. O banco opera por meio de agentes financeiros, com a exigência de garantias reais para cobrir os investimentos previstos. “Isso afugenta muitos interessados”, disse.

    Além dos mecanismos de incentivo nacionais, as empresas brasileiras podem buscar o apoio de programas internacionais. “O projeto Frame da União Europeia tem € 50 bilhões para financiar projetos internacionais de inovação realizados com a participação de pelo menos um país europeu e universidades europeias”, afirmou Palma. Alguns casos contam com financiamento a fundo perdido.

    O Brasil mantém um programa nacional de inovação com a meta de destinar 1,5% do PIB para essas atividades. Atualmente, o país aplica apenas de 0,6% a 0,7% do PIB na criação de tecnologia. “É uma pena, porque quem não inova perde competitividade e caminha para a decadência”, comentou Palma.

    Ele citou o exemplo da França, onde os incentivos à inovação foram quadruplicados no auge da crise econômica, em 2008, para criar alternativas para o desenvolvimento nacional. “O estado precisa mover o processo de inovação, incentivando a iniciativa privada”, recomendou Palma. A explicação é simples: quem inova, produz mais e/ou melhor, portanto vende mais. Com isso, vai recolher mais impostos, que voltarão para o caixa do governo. É um círculo virtuoso que gera empregos, qualifica pessoas e movimenta os negócios.

    Palma salientou que o governo brasileiro está atento a isso, tanto que todos os programas de incentivos setoriais recentemente lançados exigem investimentos significativos em inovação. “O projeto de banda larga deu isenções fiscais de quase 30% do valor a investir, mas impôs geração de tecnologia nacional na área”, explicou. O setor de petróleo e gás no Brasil recolhe 1% do valor da produção para incentivar P&D nacional.

    Em 2012, a GAC atuou para possibilitar o aproveitamento de R$ 67 milhões de impostos que seriam recolhidos para projetos de inovação por parte de seus clientes. No primeiro trimestre de 2013, a consultoria apoiou a destinação de R$ 150 milhões para projetos de P&D de 75 companhias. A empresa identifica as necessidades dos clientes e estuda os mecanismos mais adequados de financiamento da inovação, dentro de uma estratégia coerente. “Contamos com mais de cem clientes ativos e estamos expandindo nossa área de atuação para as regiões Nordeste e Centro-Oeste, que têm grandes empresas, mas usam muito pouco esses mecanismos”, comentou. Segundo Palma, cerca de 90% dos incentivos da Lei do Bem foram obtidos por empresas da Região Sudeste.

    O diretor considera criativos os brasileiros, mas lentos para executar projetos e muito pouco organizados. “Quando a cultura da inovação se instala, tudo fica mais eficaz, são geradas métricas que auxiliam novos desenvolvimentos, verdadeiras ferramentas de gestão empresarial”, comentou. “Inovação não é uma palavra da moda, é uma questão de sobrevivência.”



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