Filtros Solares – Mudança normativa adicionou proteção contra UVA no Mercosul

Alta segurança

A tendência do mercado é desenvolver produtos cosméticos de uso diário cada vez mais seguros, com alto FPS. Percebe-se, nos últimos anos, o aumento da intensidade dos raios ultravioleta incidentes na Terra. Em alguns países, já há produtos com FPS de 140. Na Europa, porém, o FPS 50 continua sendo o máximo admitido em rotulagem, cabendo a por o sinal “+” para informar o grau de proteção acima do valor indicado. Essa determinação europeia visa não incentivar a exposição exagerada ao sol, alimentada pela sensação do consumidor de que quanto maior o FPS, mais seguro ele estará contra os efeitos da radiação e, por isso, ficaria dispensado de observar cuidados básicos, como reaplicar o protetor a cada duas horas.

Desde 2012, no Brasil é permitido rotular o FSP até 99. Isso porque o brasileiro tem um comportamento muito diferente do europeu no que se refere aos cuidados com a pele e, além disso, o país recebe radiação solar mais intensa. “Mas, se não houver educação e informação, as pessoas não vão aplicar protetor solar corretamente”, alertou Khury.

Química e Derivados, Tabela: Rotulagem de protetores solares - Brasil e Mercosul
Rotulagem de protetores solares – Brasil e Mercosul

Filtros Solares

Protetores solares são formulações cosméticas preparadas com vários ingredientes, entre eles os filtros de radiação UV. Esses filtros são compostos por substâncias químicas divididas em dois grandes grupos: os filtros físicos e os filtros químicos. Grosso modo, pode-se dizer que os filtros físicos refletem a radiação ultravioleta, ou seja, exercem o efeito “bate e volta” da luz sobre a superfície da pele tratada. Por sua vez, os filtros químicos absorvem e refratam os raios UV, com um efeito “bate-atravessa-sai”.

A diferença principal entre filtro químico e filtro físico é a forma como essas substâncias interagem com a pele. Os físicos – grupo de natureza inorgânica, dominado pelos óxidos de zinco e de titânio – se fixam e se distribuem pela superfície, enquanto os químicos – orgânicos – também se comportam assim, mas também interagem com as camadas iniciais da derme, a ponto de alguns desses itens serem por ela absorvidos.

Segundo Emiro Khury, o desempenho de um protetor solar depende dos filtros solares aplicados, mas, fundamentalmente, da qualidade e do equilíbrio da formulação. Entre as vantagens e desvantagens, ele destaca: “No caso de conter filtros físicos, é preciso aplicar o protetor solar mais vezes sobre a pele, porque ela não o absorve de forma eficiente, entretanto esses filtros alcançam bom desempenho de proteção, quando utilizados de forma correta”, comentou.

O uso de nanopartículas de dóxido de titânio e de óxido de zinco oferece propriedades diferenciadas a esses filtros físicos de radiação UV. “O uso dessas substâncias em nanoescala já se mostrou seguro e eficiente”, avaliou o especialista.

Por sua vez, os filtros químicos são de fácil absorção, mas podem provocar irritação ou coceira na pele, no caso de pessoas sensíveis a essas substâncias. Por isso, cada vez mais, os formuladores estão indo na direção de combinar filtros químicos e físicos para garantir a máxima performance com maior margem de segurança. A indústria também tem procurado atender os seguintes requisitos no desenvolvimento de formulações: faixa de FPS desejada; quanto dura essa proteção; e probabilidade de ocorrência de efeitos adversos.

A mudança de regulamentação permitiu o lançamento de novas moléculas de filtros solares que absorvem mais a radiação UVA e UVB, com maior margem de segurança. Como disse Khury, a tendência em inovação nesse segmento de mercado para os próximos anos é transformar o desconforto de passar o protetor na pele regularmente em hábito e prazer. “Em qualquer FPS e forma de apresentação, o produto precisa ser eficiente e, ao mesmo tempo, suave, gostoso de aplicar na pele”, salientou.

Existem alternativas técnicas à disposição dos formuladores para aprimorar os protetores solares. A incorporação de silicones específicos aumenta a resistência do produto à água, por exemplo, dispensando a reaplicação a cada mergulho. “Para ser eficiente, toda a formulação precisa ser desenvolvida visando essa característica”, ressaltou Khury. Assim, os silicones são coadjuvantes úteis para formulações que tenham como foco a resistência à transpiração, água de piscina, mar, etc.

Uso complementar

Cremes faciais ou corporais com apelo adicional de proteção solar são muito bem-vindos no mercado atual, pois associam o cuidado estético da pele ao benefício da proteção contra os raios ultravioleta. Para serem seguros, esses cremes devem cumprir a regulamentação da Anvisa no que se refere aos cosméticos e sua classificação: Grau 1 – perfumes, sabonetes, hidratantes, maquiagem; e Grau 2 – produtos com fotoproteção, tinturas e alisantes, repelentes, antirrugas, entre outros.

Deve-se atentar também para o fato de ser a pele do rosto mais fina e delicada que a do resto do corpo e, portanto, requerer um filtro com baixo espalhamento e elevada absorção. Outro detalhe importante: desde a implantação da RDC nº 30 da Anvisa não se deve mais usar o termo “bloqueador solar”, pois a norma identifica o produto final como “protetor solar”, e “filtro solar” é a designação do ingrediente.

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Um Comentário

  1. Muito coerente a abordagem dos chamados produtos químicos que, afinal não podem não existir em nenhum produto ou em particular cosméticos pois, enfim toda matéria e constituída por átomos e, portanto, de químicos. A colocação da expressão “compostos em equilíbrio” e que não são nocivos e pelo contrário benéficos, é bastante didática e acredito que possa fazer diferença na cabecinha dos conservadores naturebas.

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