Equipamentos e Máquinas Industriais

Filtros – Sistemas Autolimpantes e Hiperbáricos modernizam a separação industrial

Antonio C. Santomauro
18 de janeiro de 2013
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    Nesse segmento dos filtros tubulares com retrolavagem, conta Luz, a Eaton mantém linhas e produtos para diversas aplicações: redução de enxofre e proteção de reatores de leitos catalíticos em refinarias de óleo, filtração na produção de etanol, na indústria de alimentos e bebidas, na produção de papel e celulose, entre outras. “No Brasil, temos já sua aplicação em diversas refinarias de óleo”, salienta.

    A 3M também oferece filtros metálicos com retrolavagem. Disponibiliza até mesmo uma versão para filtração de grandes vazões de água, usadas, por exemplo, em torres de resfriamento, usinas hidrelétricas e água de selagem. Neste caso, o equipamento sai da fábrica com a opção da retrolavagem automatizada. Em geral, diz Álvaro Simões, gerente de marketing da divisão de sistemas de filtração da 3M do Brasil, no mercado nacional não é ainda muito grande a demanda pela integração da filtração aos sistemas de automação das empresas.

    Simões prevê aumento no interesse por essa integração, até porque o processo de filtração pode gerar informações bastante relevantes. “O aumento da pressão, por exemplo, indica que o filtro está sobrecarregado, e podemos saber então o momento exato de troca, ou podemos coletar informações estatísticas capazes de ajudar a prolongar a vida dos cartuchos”, argumenta.

    Aplicações específicas – Filtros metálicos não são os únicos produtos de filtração oferecidos pela 3M, presente nesse mercado também com filtros tipo cartuchos e bags, filtros bobinados, placas e discos filtrantes e membranas plissadas, entre outros. “Lançamos um sistema de filtração para altas vazões na pré-filtração de águas de processo, por exemplo, para proteção de unidades de osmose reversa e colunas de troca iônica”, comenta Simões. “O grande custo dos sistemas de osmose é a membrana, e é necessária a pré-filtração para protegê-la.”

    Química e Derivados, Filtros, Egon Scheiber, Gerente comercial da Mausa

    Scheiber: filtro para tratar água de lavagem de gases

    A Mausa concebeu um filtro para estações de tratamento de água usada na lavagem de gases. Segundo Egon Scheiber, gerente comercial da Mausa, ele se assemelha a um filtro do tipo prensa desaguadora, mas possui apenas a seção de vácuo, dispensando a zona de compressão de lodo. E sua tela filtrante é suportada por uma manta especial de borracha que conduz o líquido separado da parte sólida.

    Esse filtro pode ser utilizado, por exemplo, na queima de bagaço, cuja cinza não pode ser lançada no ar. O fluxo de exaustão normalmente atravessa uma cortina de água que captura as cinzas e permite seu envio para um local de decantação, onde é retirada a água – reaproveitada pelas usinas –, enquanto a lama segue para a lavoura, com alto teor de líquidos. “Com esse nosso filtro horizontal de correia, reaproveita-se o líquido e a lama segue muito mais seca”, destaca Scheiber.

    Focada principalmente no setor sucroalcooleiro, a Mausa produz diversos gêneros de filtros, como os rotativos a vácuo, filtro-prensa desaguadora e filtros de pressão. Este último grupo, diz Scheiber, mais recentemente passou a incluir também uma versão autolimpante, na qual os elementos filtrantes ficam presos a um eixo cuja movimentação força sua passagem por um jato que realiza a limpeza. “Produzimos também filtros tipo nutsche, usados em produtos com alto valor agregado, como o princípio ativo de um medicamento. Além de um vaso de pressão, esse filtro tem um sistema de agitação do composto a ser filtrado”, complementa.

    No papel de integradores – A indústria de filtros industriais procura também se colocar como provedora de soluções de filtração mais completas, montadas em skids, que, além dos filtros, incluem itens como estrutura metálica, tanques, tubulação, automação, bombas, entre outros.

    Tal estratégia é adotada por diversas empresas desse setor. Entre elas, está a Hollbras. Produtora de filtros herméticos de placas, filtros autolimpantes e filtros de segurança, entre outros, essa fabricante pode utilizar não apenas periféricos e acessórios, mas também filtros produzidos por terceiros. “É cada vez mais comum a demanda por unidades de filtração completas”, destaca Eloi Roberto Capitanio, diretor comercial da Hollbras.

    Ele cita, entre as principais atualizações do portfólio de sua empresa, filtros autolimpantes com velas metálicas capazes de substituir bags e cartuchos em determinadas aplicações. “O processo de filtração vem evoluindo em diversos quesitos: na busca pela melhoria na qualidade dos produtos, na redução dos custos industriais, ambientais e do descarte de materiais para o meio ambiente, na eliminação ou redução do consumo de água e na automatização da operação”, detalha Capitanio.

    Por ser a filtração uma tecnologia muito consolidada e difundida, essa evolução é, obviamente, gradual, mas chega até aos tradicionais filtros-prensa, presentes em ampla escala em diversos segmentos industriais. Nessa categoria, diz Brito, da Andritz, há avanços em áreas como a limpeza automática dos tecidos filtrantes, o descarregamento das tortas e a velocidade de abertura do pacote de placas.

    Atualmente, os filtros-prensa da Andritz são agrupados em dois grupos básicos: sidebar e overhead. No primeiro modelo, as placas filtrantes apoiam-se sobre tirantes laterais, e não há possibilidade de movimentação dos tecidos filtrantes para descarregamento das tortas. Já no modelo overhead, essas placas ficam suspensas e é possível remover as tortas por meio de braços extensores que agilizam o descarregamento.

    De acordo com Brito, em um filtro-prensa sidebar com placas de 1500×1500 mm, o operador necessita, em média, de 90 segundos para remover a torta de uma placa. “No modelo overhead, com sistema de remoção automática das tortas pelo braço extensor, são necessários apenas dez segundos por placa”, compara Brito.

    Formatos e materiais – Filtros-prensa também podem, como relata Brito, trabalhar com pelo menos três tipos de placas: câmara, diafragma e quadro/placa. Com suas duas faces rígidas, as primeiras são muito robustas e possibilitam inúmeras configurações, sendo comumente aplicadas em diversos processos industriais.

    Mas, de acordo com o gerente da Andritz, em processos de filtração que exigem maior teor de sólidos secos na torta, ou para maior recuperação do filtrado, pode ser bastante interessante o uso de placas tipo diafragma (que, como o próprio nome indica, têm uma de suas faces formada por um diafragma flexível). “Elas permitem a injeção de meio líquido ou gasoso atrás do diafragma impermeável, que assim se expande e comprime a torta”, explica.



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    Um Comentário


    1. Realmente uma das melhores vantagens da separação de sólidos e líquidos com um filtro autolimpante sera a não necessidade de parar o processo para o limpar (ou seja, ser continuo). Desconhecia a terminologia de filtros hi-bar, muito obrigado pela boa informacao, e concordo plenamente com o que Alfredo Luz informa: cada vez mais os sectores industriais de tintas e alimentos estão a mudar para equipamentos autolimpantes.



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