Equipamentos e Máquinas Industriais

Filtros e Centrífugas – Biodiesel e petróleo mantêm setor otimista

Gerson Trajano
17 de novembro de 2011
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    Química e Derivados, Reginaldo Macedo, Alfa Laval, Centrífugas, Filtros

    Macedo: as vendas de centrífugas foram um pouco maiores do que em 2010

    Um desafio para a Alfa Laval, relata Macedo, é ampliar o índice de nacionalização de seus equipamentos, tornando-os elegíveis para financiamento pelo Finame (do BNDES), ou seja, acima de 60%. Segundo o executivo, várias máquinas da Alfa Laval já atendem a essa exigência. A meta é adequar todas e, quando possível, superar o índice exigido. Para isso, a companhia está em um contínuo processo de seleção de fornecedores. “Quando encontramos um fornecedor com potencial de atender ao nosso padrão global, optamos pelo adensamento da cadeia produtiva local. Esta é uma estratégia que tentamos manter mesmo quando o câmbio é favorável às importações, pois desmantelar uma cadeia de suprimentos é fácil, construí-la de novo, não é”, salienta o executivo. Em alguns casos, conquistar a confiança de uma subsidiária da Alfa Laval pode ser um caminho para a internacionalização. É o que aconteceu com a brasileira Weg, que hoje abastece globalmente a companhia sueca com seus motores e painéis.

    A linha de inovação e desenvolvimento de produtos da Alfa Laval, relata Reginaldo de Macedo, tem duas preocupações centrais. Uma é reduzir o impacto ambiental, com equipamentos que consumam menos energia e água, emitindo a menor quantidade possível de CO2. O outro objetivo perseguido é entender os mercados para desenvolver produtos para aplicações específicas ou conquistar novos nichos mercadológicos, substituindo processos, como ocorreu em algumas estações de tratamento de esgotos, nas quais a companhia foi a pioneira a substituir máquinas de filtro-prensa por decanters.

    Produção local – A alemã GEA Westfalia Separator também está apostando na produção local de seus equipamentos. A companhia, que desativou sua fábrica própria no Brasil em 1996 e passou a terceirizar localmente reparos e a produção de alguns poucos equipamentos, como os destinados ao setor sucroalcooleiro, trazendo os demais da Alemanha, anunciou que irá erguer uma fábrica em Campinas-SP, a sexta unidade fabril do grupo, que já conta com duas fábricas na Alemanha, uma na França, outra na China e mais uma na Índia. A companhia, porém, optou por não divulgar detalhes da fábrica brasileira, nem mesmo o valor programado para ser investido, a capacidade de produção ou mesmo as linhas de produtos que serão montados no país e seus índices de nacionalização. Em um comunicado ao mercado, limitou-se a informar que a nova fábrica ocupará uma área de 4.000 m² e terá o objetivo de atender à demanda brasileira e dos demais países da América Latina. A unidade deverá entrar em operação no início do próximo ano e, no momento, a empresa realiza o trabalho de desenvolvimento de fornecedores de componentes locais.

    Historicamente, a GEA Westfalia tem na indústria alimentícia seus clientes mais tradicionais. Mas o gerente de negócio Lincoln Camargo Neves relata, porém, que a companhia tem realizado nos últimos três anos um trabalho em busca de maior aproximação com clientes das áreas de química, farmácia, biotecnologia, biocombustíveis, fertilizantes e mineração. “Foram alguns anos de conversas que agora estão se transformando em negócios”, diz. Este esforço levou a empresa a promover desenvolvimentos nos seus equipamentos para se ajustar a demandas específicas. Para atender as empresas químicas, por exemplo, informa o executivo, a GEA Westfalia tem realizado evoluções em suas centrífugas a fim de capacitá-las para as altas vazões exigidas, tem preparado os equipamentos para serem usados para processar produtos explosivos, como a nitroglicerina, impondo a adoção de materiais construtivos de altíssima resistência, como a liga metálica Inconel. Há um ano a companhia lançou uma linha de centrífugas pressurizadas para operação com produtos em altas temperaturas e pressões.

    Uma das principais apostas da companhia alemã é uma linha de centrífugas esterilizadas de grande capacidade, voltada para o mercado de processos biotecnológicos. Segundo Neves, uma tendência que ganha relevância mercadológica são os produtos desenvolvidos em conjunto pelas indústrias químicas e de biotecnologia. “O desafio é aliar as demandas da indústria química com produtos vivos, contendo células que necessitam de cuidados especiais durante a alimentação, separação e saída dos produtos da máquina”, diz o executivo. “O setor de biocombustíveis avançados oriundos de fermentação, processos enzimáticos ou termoquímicos também é promissor”, afirma.

    Fábrica nova – As usinas de biodiesel também entraram no foco da Mausa. Segundo o diretor comercial Egon Scheiber, a companhia já tem um protótipo de sua primeira máquina destinada a este mercado e o início da comercialização está programado para 2012. Neste ano, a companhia lançou uma centrífuga para o segmento de etanol, com capacidade para processar 200 m³ por hora. Até então, os maiores equipamentos disponíveis para as usinas tinham capacidade para 130 m³ ou 150 m³ por hora. “O objetivo é permitir que as usinas processem mais etanol utilizando um número menor de equipamentos, reduzindo custos operacionais, com menos paradas e menos manutenção”, diz o executivo.



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