Fenasan – Feira mostra saídas tecnológicas para melhorar o ambiente

Revista Química e Derivados, Fenasan 2011, Feira mostra saídas tecnológicas para melhorar o ambienteAlgumas centenas de toneladas de lodos e efluentes tratados na Estação de Tratamento de Efluentes (ETE) de La Farfana, em Santiago do Chile, já permitem recuperar a flora e a fauna locais, e beneficiar áreas agrícolas dos arredores que fazem uso de águas descontaminadas nas lavouras, propiciando, ainda, retornar aos rios e córregos 760 milhões de litros de águas limpas e transparentes. O empreendimento, considerado a maior planta de tratamento de efluentes urbanos da América do Sul, causa admiração a qualquer país. Instalado e operado pela Degrémont Sudamérica, a ETE chilena serve de exemplo de ação efetiva de tratamento e de respeito aos recursos naturais.

Mais perto daqui, em Natal-RN, a Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte (Caern) está prestes a dar partida a um dos mais modernos sistemas modulares de desinfecção de esgoto por radiação ultravioleta, que permitirá lançar no rio Potengi (rio de camarões, em tupi-guarani) efluentes tratados e descontaminados, para que o principal estuário potiguar volte a ser um grande viveiro de peixes. Fornecido pela ITT Water & Wastewater Latin America, esse sistema, projetado para comportar 180 lâmpadas UV, deverá promover, inicialmente, a desinfecção de 30% do esgoto produzido em Natal, alcançando numa fase final, prevista para 2025, o tratamento e a desinfecção de todos os efluentes daquela capital numa vazão de 2.300 m³/hora.

Ambos os projetos atestam a viabilidade de reverter a poluição ambiental por meio do tratamento de recursos naturais. Essas e muitas outras tecnologias para tratamento de águas e efluentes domésticos e industriais ganharam destaque na 22ª Feira Nacional de Saneamento e Meio Ambiente, a Fenasan 2011, realizada de 1º a 3 de agosto, no Expo Center Norte, em São Paulo, sob a organização da Associação dos Engenheiros da Sabesp (AESabesp), alcançando êxito em público (mais de 10 mil visitantes) e pela presença de quase 200 expositores.

Veterano no setor, o engenheiro civil e sanitarista Cícero Fernandes Neto, coordenador da ETE do Baldo, vinculada à Caern, não escondia o entusiasmo perante a possibilidade de ver partir o empreendimento de Natal ainda neste ano. Ao fazer os cálculos dos efluentes que serão descontaminados, ele computou inicialmente o tratamento e a desinfecção de 450 litros/segundo pela irradiação de 180 lâmpadas UV, elevando-se, numa segunda fase, para 675 litros por segundo, até chegar a 2.800 litros/segundo, volume atual de todo o efluente gerado por 900 mil habitantes da capital do Rio Grande do Norte.

Revista Química e Derivados, Cícero Fernandes Neto, coordenador da ETE do Baldo, vinculada à Caern (esq.) e Paulo Lisboa, gerente de marketing da ITT Water & Wastewater Latin America
Neto (esq.) e Lisboa: sistema UV para desinfecção em Natal-RN

Com faturamento anual na casa dos US$ 11 bilhões, a ITT Corporation, um conglomerado de empresas sediado nos Estados Unidos e com negócios em vários setores, até no campo bélico, já construiu pela ITT Water & Wastewater, com sede na Suécia, várias instalações no Brasil, principalmente voltadas a manter despoluídas praias do litoral da Bahia. “O nosso maior sucesso está na instalação de soluções para tratamento e desinfecção de efluentes em santuários ecológicos”, afirmou Paulo Lisboa, gerente de marketing da ITT Water & Wastewater Latin America, empresa que, a partir de outubro, passará a ser denominada Xylem Brasil Soluções para Água e Tratamento de Efluentes.

As perspectivas de investimento no setor de saneamento no Brasil, segundo Lisboa, são grandes, prevendo contar com recursos federais do Programa de Aceleração do Crescimento.

São justamente essas projeções positivas que estimularam a participação da empresa na feira e a apresentação ao público de uma das mais avançadas tecnologias para desinfecção por radiação UV, a Tak 55, desenvolvida pela Wedeco, adquirida pela ITT em 2004. Instalada nos canais finais das estações de tratamento de efluentes, essa tecnologia tem concepção modular e atua com vazões desde 500 l/h, estando o maior equipamento até hoje instalado pela empresa na Nova Zelândia, dimensionado com 7.776 lâmpadas UV e para vazões até 50 mil m³/h.

Além do Tak 55, a empresa destacou a nova geração de lâmpadas UV Wedeco Ecoray. Fabricadas com quartzo ultrapuro, em faixas de potência de 350 até 700 watts, são mais estáveis, eficientes e duráveis do que suas antecessoras, e alcançam o máximo de eficiência energética e de transparência.

Segundo Lisboa, a radiação UV aplicada nos efluentes tratados quebra o DNA dos micro-organismos, impedindo, assim, a sua reprodução. As novas lâmpadas são produzidas com 80% menos mercúrio, com a capacidade de transformar 40% do consumo de energia em radiação UV.

Outro lançamento promovido pela empresa na feira foi o Adaptive N, um impulsor (rotor) para bombas centrífugas submersíveis, desenvolvido para o recalque de efluentes domésticos, industriais e de águas servidas, para evitar entupimentos causados pela entrada de materiais fibrosos contidos no esgoto nas bombas. “Por enquanto, estamos apresentando modelo para bombas de pequeno porte, até 3 cv, que transportam efluentes, mas que possui alto rendimento e tem design diferenciado por permitir a maior passagem de sólidos por meio de seu deslocamento (até 2 cm) no sentido vertical”, explicou Lisboa. Fabricados em duas versões de ferro fundido, uma delas convencional e outra com alto teor de cromo (Hard Iron), destinando-se, neste último caso, às aplicações em áreas com materiais abrasivos, como uréia – esse impulsor especial pode ser até oito vezes mais durável que o modelo convencional.

Futuro é promissor– A perspectiva de retomada das obras públicas direcionadas ao saneamento básico, a necessidade de construção de novas estações de tratamento de águas (ETA) e de tratamento de despejos industriais (ETDI), além da realização de contratos de operação e de manutenção de estações de tratamento de águas e de efluentes são algumas das prioridades da Degrémont Sudamérica, empresa pertencente ao grupo GDI Suez, com várias grandes obras espalhadas no país, principalmente em refinarias, siderúrgicas e empresas do setor de papel e celulose.

Revista Química e Derivados, Tales Gryga, gerente comercial da Degrémont, parceria com a vale
Gryga: parceria de operação e manutenção com a Vale

“Os nossos principais mercados são óleo e gás, papel e celulose, e siderurgia e mineração, mas também estamos dando prioridade ao atendimento do mercado de obras públicas”, informou Tales Gryga, gerente comercial da Degrémont. No campo dos mais recentes contratos renovados, a empresa destaca a parceria com a Vale voltada à operação e manutenção das estações de tratamento de efluentes do complexo industrial de Tubarão-ES, com seis estações, separador de água/óleo, tratamento biológico, tratamento físico-químico terciário e desidratação mecânica de todo o lodo gerado.

Além da atuação na Vale, também foram destacadas as obras na estação de tratamento de águas que estão sendo executadas pela Degrémont na Petroquímica Suape-PE, com capacidade para 1.082 m³/h de água industrial e de 286 m³/h de água desmineralizada, e que está prevista para entrar em operação em breve.

Entre as soluções para água potável, a empresa oferece desde flotação até ultrafiltração. A pré-clarificação por ultrafiltração é feita por um sistema compacto (Ultrazur ZW 1000), que forma uma barreira bacteriológica para garantir água segura e com qualidade. A desinfecção de água potável e residual ultravioleta feita pelo sistema Aquaray é ambientalmente segura e efetiva na eliminação de patógenos, inclusive vírus.

Em se tratando de água industrial, a Degrémont atua com clarificador acelerado que aplica o princípio da sedimentação lamelar (Densadeg) com recirculação externa de lodos para promover o tratamento físico-químico. Dispõe também de tecnologia licenciada para tratar água de superfície por flotação rápida, utilizando floculador do tipo pistão (Aquadaf), aplicável às águas com turbidez até 200 NTU. Para produzir água para reúso, a empresa lança mão de tecnologias como CompakBlue e Oxiblue. A primeira é um processo com discos submersos para eliminar sólidos suspensos e poluentes associados, enquanto a segunda representa uma combinação de duas tecnologias, geração de ozônio e o Biofor, sistema compacto de filtração por meio de culturas biológicas, para tratar carbono, amônia e nitratos.

Em se tratando de lodos, emprega tecnologia de digestão por hidrólise térmica (Digelis Turbo), além de processo de secagem solar, complementado por sistema de mistura e arejamento.

Conama corrobora – Os impactos positivos da nova resolução 430 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), dispondo sobre as condições e padrões de lançamento de efluentes em corpos de água receptores, inegavelmente começam a surtir efeito e são muito bem-vindos por todas as empresas que atuam na área de saneamento, a exemplo da Enasa.

“A atual resolução do Conama pede 80% de redução da carga orgânica do efluente, mas com o nosso sistema integrado para redução da carga orgânica do esgoto sanitário, com desinfecção posterior, conseguimos alcançar entre 94% e 98% de redução”, destacou o engenheiro ambiental Daniel Vecchi, da Enasa, referindo-se aos reatores com filtros biológicos e lodos ativados, sistema conhecido como MBBR (Moving Bed Biofilm Reactor). A tecnologia emprega superfícies de contato, denominadas recheios biológicos, para a aderência, formação e proliferação de colônias de bactérias anaeróbias e aeróbias que serão posteriormente degradadas. Para melhores resultados, o MBBR deve ser acompanhado de sistema de desinfecção de efluentes por radiação UV.

Desenvolvido no Canadá, o sistema MBBR conta com dois reatores e um decantador. No primeiro reator, segundo explica Vecchi, as bactérias anaeróbias aderidas aos meios consomem e degradam as cargas poluentes geradoras de DQO (Demanda Química de Oxigênio). No segundo reator, ocorre a degradação aeróbia, degradando-se a carga orgânica avaliada como DBO (Demanda Bioquímica de Oxigênio). No terceiro tanque (decantador), são reutilizados os lodos ativados, com os micro-organismos e a carga orgânica decantada sendo reinjetados para o reator aeróbio, a fim de aumentar a degradação biológica, a quantidade de micro-organismos vivos e a própria carga orgânica, que servirá de alimento para as bactérias. O sistema se completa com a instalação de um quarto tanque, denominado sistema de polimento do efluente, no qual ele passa por um filtro de carvão ativado para a eliminação de cor, turbidez e odor.

Outra particularidade desse conjunto de sistemas é permitir instalações compactas para tratamentos de pequeno a grande porte, a considerar pelas vazões, podendo adequar-se às indústrias, hotéis, condomínios, entre outros estabelecimentos. “Conseguimos instalar esses sistemas para tratar desde 30 m³/dia até 400 m³/dia”, disse. “Na refinaria do Comperj-RJ, por exemplo, teremos seis sistemas instalados, sendo três já implantados e três a implantar ainda neste ano. Um deles terá vazão de 40 m³/dia, outro, 300 m³/dia, e o maior contará com 350 m³/dia.”

Mais ágil – Líder na fabricação de sistemas para tratamento de lodos, como decanters centrífugos e secadores, a italiana Pieralisi finalizou em 2010 a construção de nova fábrica em Louveira, no interior paulista. “Estamos presentes no Brasil desde 1990, mas agora podemos atender melhor às demandas dos clientes brasileiros e de toda a América Latina, com maior agilidade na fabricação de máquinas e na prestação de serviços de reforma e manutenção de equipamentos”, informou a engenheira Estela Testa, CEO da Pieralisi para a América Latina.

Revista Química e Derivados, Estela Testa, CEO da Pieralisi para a América Latina
Estela: nova fábrica para atender melhor o mercado latino

Segundo ela, os mesmos recursos utilizados na fabricação de novos componentes e equipamentos, como os sistemas robotizados, serão empregados nos serviços de recuperação de equipamentos e componentes desgastados, além de oferecer estoque de peças de reposição superior a 10 mil itens.

Com mais de 1.200 decanters instalados no mercado brasileiro e 40 mil unidades no mundo, a empresa ainda promoveu na Fenasan um dos seus lançamentos mais recentes. Trata-se de sistema compacto de desidratação de lodos, composto por decanter, bomba de interligação elétrica e hidráulica para transporte do lodo, montado em skids e racks, prevendo instalações em ETE, ETA, ETDI e em processos industriais, que pode ser fornecido em modelos para tratamento desde 1 m³/h até 100 m³/h.

A Pieralisi desenvolveu uma solução energética para o lodo desidratado. Com o biogás gerado na estação, obtém-se o combustível para a secagem do lodo que, posteriormente, é colocado numa caldeira de biomassa para gerar energia. “Assim, elimina-se o problema de ter um resíduo (lodo desidratado) para disposição em aterro sanitário”, comentou Estela, calculando ser possível gerar com a implantação desse novo sistema até 25% da energia consumida numa ETE.

Tecnologia verde – Líder mundial em coagulantes, com cerca de 25% de market-share, e terceira maior na produção de polímeros floculantes (poliacrilamidas) e coagulantes (poliaminas e polidadmacs), essenciais aos processos de separação de sólidos e líquidos, a Kemira apresentou na feira tecnologias verdes oxidantes para desinfecção, formadas por agentes microbicidas, em muitos casos sendo utilizados como substitutos ao cloro. Trata-se da tecnologia para desinfecção de água isenta de cloro DesinFix, que permite aplicações na irrigação agrícola, em reúso industrial e também naquelas voltadas para recreação.

“O cloro é hoje utilizado tanto na pré-oxidação, que ocorre conjuntamente à captação para a retirada e desinfecção da matéria orgânica, quanto como residual no final da linha, mas ele gera organoclorados e os tri-halometanos, extremamente nocivos à saúde humana”, explicou Carlos Eduardo Kurlbaum, diretor das áreas municipal e industrial para a América do Sul da Kemira.

Revista Química e Derivados, Carlos Eduardo Kurlbaum, diretor das áreas municipal e industrial para a América do Sul da Kemira, cloro
Kurlbaum: destaque para novo desinfetante isento de cloro

Usual em vários países da Europa, a tecnologia DesinFix  tem encontrado grande aceitação no tratamento terciário (polimento) de esgoto, bem como em sistemas industriais com altíssimos níveis de contaminação. Porém, segundo Kurlbaum, as possibilidades de uso de DesinFix são bem mais amplas, podendo ocorrer no pré-tratamento de água potável, por exemplo, complementando-se com o uso do cloro apenas na fase final da linha.

Gerada in loco, a tecnologia DesinFix combina reagentes químicos, com base na mistura entre peróxido de hidrogênio e ácido fórmico, sendo dimensionada de acordo com a necessidade de cada aplicação. “A nossa intenção é apresentar soluções completas para as empresas. Contamos com tecnologias e estrutura verticalizada para atender às necessidades das aplicações voltadas para águas e efluentes”, concluiu Kurlbaum.

Novidade em decantação – Um processo físico-químico inovador de decantação de esgoto e de efluentes industriais foi um dos destaques apresentados no estande da Veolia Water Brasil, divisão de água da multinacional francesa Veolia Environnement. Segundo Leandro Toshio Miyake, engenheiro de processos da Veolia Water Brasil, trata-se do processo de decantação Actiflo, que faz uso de microareias para formar e lastrear flocos até 40 vezes menores em comparação com processos de clarificação convencionais. A tecnologia permite trabalhar com vazões muito altas, entre 60 m³/h por metro quadrado até 100 m³/hora por m², na realização do tratamento físico-químico em estação compacta de clarificação de efluentes para a remoção de sólidos, turbidez, cor e DBO.

“Numa primeira etapa, o efluente passa por uma câmara ou tanque de coagulação, na qual será feita a dosagem do coagulante (cloreto férrico, sulfato de alumínio). Na etapa subsequente, o efluente com os coágulos segue para a câmara de floculação, onde serão dosados os polímeros catiônicos ou aniônicos, a depender do tipo de aplicação. Na terceira etapa, o efluente passa pela câmara de injeção de microareias que adensarão os flocos, acelerando a sedimentação. Na etapa seguinte, o efluente tratado é separado do lodo, o qual é recirculado para a etapa anterior de tratamento, depois de passar por um hidrociclone para separar o lodo das microareias. Estas voltam ao processo.

Entre as aplicações já usadas no Brasil, ele citou as plantas de tratamento existentes na cidade de Ponta Grossa-PR e em refinarias da Petrobras, como a Regap, de Betim-MG, e a Revap, de São José dos Campos-SP.

Para grandes áreas, a empresa destacou o processo físico-químico Multiflo, que consiste na decantação lamelar, sem contar com a etapa de microinjeção de areia. Projetado para fornecimento de água para a fábrica de papel do grupo Votorantim (VCP), em Três Lagoas-MS, o Multiflo também está em operação em planta de tratamento de água potável na cidade de Lima, no Peru.

Além de soluções para tratamento de água, efluentes industriais e incineração de lodos de ETE, a Centroprojekt destacou sua atuação na área de resíduos sólidos, especialmente apresentando a tecnologia Waste-to-Energy (WTE), processo que prevê a obtenção de energia por meio da incineração do lixo e cuja planta básica, a partir de 170 toneladas/dia, pode gerar até 50 megawatts de energia/ano, capacidade que permite abastecer até 24 mil residências.

Outra tecnologia enfatizada pela empresa foi o sistema hiperbólico de mistura e aeração da Invent, que oferece funções de misturador e de aerador em um único equipamento. Constituído por um hiperbólico imerso no efluente, esse sistema é acionado por um motorredutor, apresentando baixo consumo de energia.

Joris Moors, gerente de desenvolvimento de negócios no Brasil da Waterleau
Moors comemorou primeiro contrato com o Brasil

Há dois anos atuando no mercado brasileiro na oferta de tecnologias para tratamento de efluentes industriais, domésticos, lodos, sistemas de incineração e de geração de energia, a belga Waterleau comemorava na feira a comercialização do primeiro projeto para o Brasil, contratado em março deste ano, para a instalação de estação de tratamento de efluentes industriais na AmBev. “Estamos atuando na planta Aquiraz, próxima de Fortaleza-CE, onde a AmBev promove a ampliação da produção de cervejas para seis milhões de hectolitros/ano”, informou Joris Moors, gerente de desenvolvimento de negócios no Brasil da Waterleau. A obra, já iniciada, deverá ser finalizada em setembro deste ano, envolvendo basicamente a instalação de reator anaeróbio com fluxo ascendente (Rafa), que captará e tratará 85% da carga biológica do efluente gerado pela cervejaria.

O segredo é não gerar lodo – Com nova estrutura sendo montada desde 2006, a Siemens Water Technologies informou estar atuando fortemente nos setores petrolífero e petroquímico e em sistemas para purificação e potabilização de água e tratamento de resíduos e esgotos.

“Começamos nossa atuação atendendo o setor de óleo e passamos em 2009 a também atender as concessionárias de saneamento, concentrando-nos na proposta de não geração de lodos por meio de processos químicos, físicos, físico-químicos e biológicos mais eficientes, nos quais os lodos são digeridos no próprio processo de tratamento do esgoto”, informou Roberto dos Santos, gerente de vendas da Siemens Industry Solutions – Water Technologies.

Com essa concepção, a empresa já instalou um sistema integrado em Cingapura, denominado Green-Machine, que atua como planta piloto para tratamento do esgoto, gerando energia praticamente sem produzir lodo, ou produzindo em quantidades mínimas.

Revista Química e Derivados, Roberto dos Santos, gerente de vendas da Siemens Industry Solutions – Water Technologies, saneamento
Santos: Siemens de olho no saneamento público

Um novo sistema para auxiliar na detecção de vazamentos em tubulações e redes de distribuição de água e esgoto também foi enfatizado pela empresa. Trata-se do Siwa Leak Control, baseado em inteligência artificial. Outras tecnologias destacadas foram as dos biorreatores de membranas (MBR) e dos clarificadores de alta performance (Rim-Flo Tow-Bro).

No estande da Grundfos, o destaque coube à nova geração de bombas dosadoras (Smart Dosing). Desenvolvidas para atender às demandas mais complexas relacionadas com a dosagem de químicos nos setores de tratamento de água, reúso, esgoto e efluentes, as novas bombas são apresentadas em três modelos (DDA, DDC e DDE), providos de motores de passo de rotação variável, e também de um suprimento universal de energia e de um diafragma integral de PTFE, visando resistência química e durabilidade.
Santos: Siemens de olho no saneamento público

As bombas DDA foram projetadas para aplicações complexas envolvendo o tratamento de água potável, água de poços ou de processos, possuindo sistema de monitoramento de fluxo integrado, por meio do qual se verifica a injeção dos produtos químicos, enquanto as bombas DDC são indicadas para aplicações de rotina, como o tratamento de água potável, de poços, de superfícies, de processos e para recreação, recirculação e reutilização. Já as bombas DDE oferecem benefícios de dosagem digital para o tratamento de água, recirculação e aplicações de reutilização de pequeno porte.

O visitante do estande da dinamarquesa Danfoss pôde conhecer solução específica para o mercado de água e saneamento, denominada VLT Aqua Drive. Trata-se de conversor de frequência com grande variedade de recursos, que permite controlar em circuito fechado o enchimento das tubulações, evitando danos ou vazamentos. Seu controlador em cascata padrão estabelece o controle de no mínimo três bombas, com uma bomba líder fixa, sendo que um temporizador interno irá assegurar o uso uniforme dos equipamentos.

A Saint-Gobain Canalização apresentou novidades para saneamento, como os tubos da linha natural. Fabricados com ferro fundido, foram desenvolvidos para aplicações de adução e de distribuição de água, tendo como diferencial um revestimento externo mais resistente, em zinalium, em substituição ao zinco, que eleva a resistência à corrosão dos tubos de ferro dúctil fundido.

Inovações para efluentes – Há um ano com sede própria no país, a alemã Huber Technology destacou investimentos feitos no Brasil que somam US$ 1,5 milhão, além de inovações em tecnologias para tratamento de efluentes com reúso de água e para geração de energia por meio de resíduos e de lodos. “O potencial do mercado brasileiro é tão impressionante, com investimentos e projetos de infraestrutura, que no período de seis meses já alcançamos a nossa meta prevista para todo o ano”, comentou Marco Aurélio Silva, diretor da Huber do Brasil.

Entre os sistemas mais comercializados no mundo pela companhia estão as tecnologias de MBR com membranas planas rotativas de ultrafiltração, denominadas VRM, desenvolvidas pela própria empresa, além das estações completas de pré-tratamento Rotamat (RO 5), destinadas às Estações de Tratamento de Esgoto (ETE).

Revista Química e Derivados, Marco Aurélio Silva, diretor da Huber do Brasil
Aurélio: Huber já alcançou meta para o ano de 2011

Segundo o diretor Silva, as membranas VRM são submergidas no reator biológico ou podem operar em tanque separado com recirculação de lodo para o reator. O sistema é uma combinação de tratamento biológico de efluentes com uma eficiente separação de sólidos e líquidos feita pelas membranas de ultrafiltração. O efluente é pré-tratado biologicamente e clarificado por meio das membranas de ultrafiltração que removem a totalidade dos sólidos suspensos. “O sistema pode operar com a biomassa ativa de 8.000 mg/l a 16.000 mg/l e, com isso, melhoramos a eficiência de remoção de contaminantes muito acima de um sistema convencional, sem a necessidade de aumentar a capacidade dos tanques”, explicou Aurélio.

Já as estações compactas Rotamat, totalmente de aço inoxidável, são para pré-tratamento mecânico de águas residuais urbanas ou industriais. Operando sob baixa rotação, o efluente, por gravidade ou bombeamento, é encaminhado para a área de peneiramento, onde ocorre a remoção eficiente do material flutuante e suspenso. Uma rosca sem fim, integrada na peneira, irá transportar o material peneirado para uma caçamba, compactando-o, podendo atingir um conteúdo de sólidos secos entre 25% e 35%.
Aurélio: Huber já alcançou meta para o ano de 2011

A água resultante da compactação é reintegrada ao processo. Após o peneiramento, o efluente é encaminhado para a caixa de areia longitudinal e a areia sedimentada é transportada por uma rosca horizontal, que opera contracorrente, até uma pequena cavidade lateral, possibilitando a lavagem e a remoção de substâncias orgânicas. Por fim, a areia é removida da cavidade através da rosca transportadora inclinada, desidratada por gravidade e descarregada em uma caçamba.

Outra inovação desenvolvida pela empresa é o equipamento que usa o esgoto bruto, por exemplo, produzido num edifício, para gerar calor e alimentar o sistema de climatização, transformando em energia limpa os resíduos.

Lançado oficialmente em outubro de 2010 na IFAT, feira anual de Munique, na Alemanha, o equipamento está em funcionamento em dois edifícios comerciais naquele país e vem propiciando 72% de economia de energia às instalações.

A empresa ainda destacou a nova tecnologia de produção de energia elétrica com o lodo residual de tratamento do esgoto. “Essa tecnologia reduz em até 95% o volume de lodo, propiciando alto grau de economia no tratamento de efluentes, uma vez que permite eliminar os custos de transporte e de disposição do lodo em aterros sanitários, oferecendo como ganho energia elétrica limpa”, afirmou o diretor Silva.

 

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